[Poesia] O caminho para a distância – Vinicius de Moraes

Categoria: Literatura Nacional, Livros (E-books Grátis), Poesia Nacional

caminhoparadistancia [Poesia] O caminho para a distância   Vinicius de Moraes

“Este livro é o meu primeiro livro. Desnecessário dizer aqui o que ele significa para mim como coisa minha – creio mesmo que um prefácio não o comportaria normalmente. São cerca de quarenta poemas intimamente ligados num só movimento, vivendo e pulsando juntos, isolando-se no ritmo e prolongando-se na continuidade, sem que nada possa contar em separado. Há um todo comum indivisível.” (Vinicius de Moraes)

Esse é o texto introdutório do livro O caminho para a distância, o primeiro do grande poeta Vinicius de Moraes, publicado em 1933 no Rio de Janeiro. Com apenas dezenove anos, Vinicius surpreendeu o público e a crítica com sua escrita intensa e profunda – e continuou encantando, mais e mais, posteriormente

O caminho para a distância – Vinicius de Moraes

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Direitos autorais da obra cedidos pela família do autor

Veja também a primeira edição autografada na página da Brasiliana!

[Notícias] Ferreira Gullar vence o Prêmio Jabuti de 2011

Categoria: Informação e Cultura, Notícias

ferreiragullar [Notícias] Ferreira Gullar vence o Prêmio Jabuti de 2011

O Poeta Ferreira Gullar – com seu livro “Em alguma parte alguma” – foi o grande vencedor do 53º Prêmio Jabuti, na categoria “Livro do ano – Ficção”, anunciado na noite desta quarta-feira (30 de novembro), em cerimônia realizada em São Paulo. Em seu agradecimento, o poeta afirmou:  “Eu só vou dizer: não sei se poesia é literatura, fora isso, a gente faz poesia porque a vida não basta.”

Em entrevista concedida à revista Veja em 2010, ele discorre brevemente sobre seu novo livro:

“O livro tem três partes sem nome, que podem ser separadas pelo conteúdo. Uma delas fala do cosmos, do problema da galáxia e da Terra e da vida e da luz, uma série de coisas. Outra tem poemas mais ligados ao meu livro anterior, como um sobre (José Maria) Rilke e a morte, que é um texto longo. A terceira parte tem um jogo entre a ordem e a desordem. Esse é um dos temas básicos do livro. Vários poemas tratam disso. A linguagem é ordem. Fora da linguagem, a emoção e a vivência são desordem, porque ainda não estão organizadas em linguagem. A poesia se realiza num jogo dialético entre a ordem e a desordem. O título do poema que abre o livro já diz tudo, Fica o não dito por dito. Não tem a expressão “Fica o dito por não dito”? O título do poema é o contrário. Porque a poesia a gente não consegue dizer, o poeta tenta dizer o que não é possível. Então, faz de conta que eu disse (risos).”

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Em homenagem ao poeta, compartilhamos aqui um trecho do novo livro:

Anoitecer em Outubro

A noite cai, chove manso lá fora
meu gato dorme
enrodilhado
na cadeira
Num dia qualquer
não existirá mais
nenhum de nós dois
para ouvir
nesta sala
a chuva que eventualmente caia
sobre as calçadas da rua Duvivier

(Ferreira Gullar)

O E-books Grátis parabeniza Ferreira Gullar e todos os vencedores nas demais categorias!

Lista completa dos ganhadores do 53º Jabuti:

O primeiro colocado em cada categoria recebeu um troféu e um prêmio em dinheiro no valor bruto de R$ 3 mil. Os vencedores de livro do ano levam R$ 30 mil.

Livro do ano de ficção
“Em alguma parte alguma”, de Ferreira Gullar

Livro do ano de não-ficção
“1822″, de Laurentino Gomes

Categorias de ficção:
Romance

“Ribamar”, de José Castello

Contos e Crônicas
“Desgracida”, de Dalton Trevisan

Poesia
“Em alguma parte alguma”, de Ferreira Gullar

Infantil

“Obax”, de André Neves

Juvenil
“Antes de virar gigante e outras histórias”, Marina Colasanti

Categorias de não-ficção:
Teoria Crítica / Literária

“Câmara Cascudo e Mário de Andrade – Cartas, 1924-1944”, de Marcos Antonio de Moraes (organizador)

Reportagem
“1822”, de Laurentino Gomes

Ciências Exatas
“Teoria Quântica: estudos históricos e implicações culturais”, de Olival Freire Jr., Osvaldo Pessoa Jr., Joan Lisa Bromberg (organizadores)

Tecnologia e Informática

“Aprendizagem a distância”, de Fredric M. Litto

Economia, Administração e Negócios
“Multinacionais brasileiras: internacionalização, inovação e estratégia global”, de Moacir de Miranda Oliveira Junior e colaboradores

Direito
“Fundamentos constitucionais do direito ambiental brasileiro”, de Norma Sueli Padilha

Biografia
“O Teatro & Eu – Memórias”, de Sergio Britto

Ciências Naturais
“Bioetanol de cana-de-açúcar – P&D para produtividade e sustentabilidade”, de Luís Augusto Barbosa Cortez (coordenador)

Ciências da Saúde
“Atlas de endoscopia digestiva da SOBED – Sociedade Brasileira de Endoscopia Digestiva”, de Marcelo Averbach, Adriana Vaz Safatle Ribeiro, Agnelo Paulo Ferrari Junior, Ciro Garcia Montes, Flávio Hayato Ejima, Kleber Bianchetti de Faria e Marco Aur

Ciências Humanas
“Manejo do Mundo: conhecimentos e práticas dos povos indígenas do Rio Negro”, de Aloisio Cabalzar

Didático e Paradidático
“Coleção Pessoinhas”, de Ruth Rocha e Anna Flora

Educação
“Impactos da violência na escola: um diálogo com professores”, de Simone Gonçalves de Assis, Patrícia Constantino e Joviana Quintes Avanci (organizadoras)

Psicologia e Psicanálise
“Coração… É emoção: a influência das emoções sobre o coração”, de Elias Knobel, Ana Lúcia Martins da Silva, Paola Bruno de Araújo Andreoli

Arquitetura e Urbanismo
“Dois séculos de projetos no Estado de São Paulo – Grandes obras e urbanização VL 1, 2 e 3”, de Nestor Goulart Reis e Monica Silveira Brito (colaboração)

Fotografia
“Fotografia de Natureza: Teoria e Prática”, de Luiz Claudio Marigo

Comunicação
“Impresso no Brasil – Dois séculos de livros brasileiros”, de Aníbal Bragança e Marcia Abreu (organizadores)

Artes
“Os Satyros”, de Germano Pereira e Aimar Labaki

Turismo e Hotelaria
“Hospitalidade – A inovação na gestão das organizações prestadoras de serviços”, de Geraldo Castelli

Gastronomia
“Machado de Assis: Relíquias Culinárias”, de Rosa Belluzzo

 

[Fragmentos Poéticos] Dos segredos abertos dela

Categoria: Fragmentos Poéticos, Informação e Cultura

poor woman [Fragmentos Poéticos] Dos segredos abertos dela

Era despudorada aquela minha vontade. De ouvir os segredos duros da mulher silenciosa. E ela palpitava em silêncio, a alma aos gritos. O rosto era arredondado, os olhos escuros, e tinha os lábios carnudos. Havia quem dissesse que os traços eram grosseiros, outros sequer notavam. A quem desejasse ver, no entanto, aquele rosto era puro gozo de entardecer. Era desejo. Criava filhos. Três ou quatro, não me lembro bem. Abocanhava os detalhes do dia com vigor e o trabalho na casa cheirava ao mais fino dos cuidados. O filho mais novo a queria bem, o mais velho sonhava longe, a do meio cantava ao anoitecer. Talvez houvesse um quarto filho, diagnosticado com algum problema que ninguém além dos médicos compreenderia ao certo. Ela se espremia em silêncios e vontades que mal conhecia: e trabalhava dia e noite ao infinito. A casa, o chão, a feira, a rua, os postes, a lua, a água na calçada. O mundo escada abaixo, as pernas cansadas, os filhos distraídos, o tempo que passava. Um bêbado, um homem, um medo. Aqueles contos de sei lá quando contados pela professora das séries iniciais que havia cursado. Tempos antigos de escola. Era bom saber que ainda sabia ler. Algumas cartas eram importantes. Outras de nada valiam. O vento lhe comia os dentes e os sonhos, mas quase sempre havia um pouco de música. Raramente havia dança. Era mulher silenciosa. Tinha uns poucos estranhos medos que a impediam de enxergar a coragem. Achava que ter levado a vida até ali não era mais do que sua obrigação. Acreditava que a roupa lavada era o destino. Por isso, nem por um segundo, exigia reconhecimento, gratidão ou glória.

Era despudorada minha vontade. De me desepejar no segredos abertos dela: segredos que saberiam cantar sem pudores a assustadora melodia de meus obscuros. De nossas algemas.

por Carla Carrion

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[Poesia] Livro Caprichos & Relaxos – Paulo Leminsk

Categoria: Literatura Nacional, Poesia Nacional

caprichoserelachoshp1 [Poesia] Livro Caprichos & Relaxos   Paulo LeminskEsse livro de poemas é uma maravilha, porque os poemas do Leminski são muito sintéticos, muito concisos, muito rápidos, muito inspirados. Ele é um sujeito gozado. É um personagem muito único, no panorama da curtição de literatura no Brasil. Eu acho um barato. Leminski tem um clima/ mistura de concretismo com beatnik. Que é muito legal. “Verdura” é um sonho. É genial. É um haikai da formação cultural brasileira. Deve ser instigante para os poetas do Brasil o aparecimento desses novos poetas todos. Leminski é um dos mais incríveis que apareceram. – CAETANO VELOSO

Das primeiras invencionices ao Catatau, da poesia destabocada e lírica (mas sempre construída, sabida, de fabbro, de fazedor) ao verso verde-verdura da canção trovadoresco-popular, o Leminski vem , chovendo no endomingado piquenique sobre a erva em que se converteu a neoacadêmica poesia brasileira de hoje, dividida entre institucionalizadas marginalidades plácidas e escoteiros orfeônicos, de medalinha e braçadeira. E é bom que chova mesmo, com pedra e pau-a-pique. Evoé Leminski!

Caprichos & Relaxos – Paulo Leminsk

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pixel [Poesia] Livro Caprichos & Relaxos   Paulo Leminsk