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[Poesia] Antologia Poética – Vinicius de Moraes

Categoria: Literatura Nacional, Livros (E-books Grátis), Poesia Nacional

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Antologia Poética reúne maravilhosos poemas de Vinícius de Moraes. O volume se abre com uma Advertência:

“Poderia este livro ser dividido em duas partes, correspondentes a dois períodos distintos na poesia do A. A primeira, transcendental, freqüentemente mística, resultante de sua fase cristã, termina com o poema “Ariana, a mulher”, editado em 1936. Salvo, aqui e ali, umas pequenas emendas, a única alteração digna de nota nesta parte foi reduzir-se o poema “O cemitério da madrugada” às quatro estrofes iniciais, no que atendeu o A. a uma velha idéia de seu amigo Rodrigo M.F. de Andrade.
À segunda parte, que abre com o poema “O falso mendigo”, o primeiro, ao que se lembra o A., escrito em oposição ao transcendentalismo anterior, pertencem algumas poesias do livro Novos poemas, também representado na outra fase, e os demais versos publicados posteriormente em livros, revistas e jornais. Nela estão nitidamente marcados os movimentos de aproximação do mundo material, com a difícil mas consistente repulsa ao idealismo dos primeiros anos.
De permeio foram colocadas as Cinco elegias (1943), como representativas do período de transição entre aquelas duas tendências contraditórias, – livro também onde elas melhor se encontram e fundiram em busca de uma sintaxe própria.
Não obstante certas disparidades, facilmente verificáveis no índice, impôs-se o critério cronológico para uma impressão verídica do que foi a luta mantida pelo A.contra si mesmo no sentido de uma libertação, hoje alcançada, dos preconceitos e enjoamentos de sua classe e do seu meio, os quais tanto, e tão inutilmente, lhe angustiaram a formação.”

Encontramos neste livro, na véspera de Natal, um belo poema do autor:

Poema de Natal

(Vinicius de Moraes)

Para isso fomos feitos:
Para lembrar e ser lembrados
Para chorar e fazer chorar
Para enterrar os nossos mortos —
Por isso temos braços longos para os adeuses
Mãos para colher o que foi dado
Dedos para cavar a terra.
Assim será nossa vida:
Uma tarde sempre a esquecer
Uma estrela a se apagar na treva
Um caminho entre dois túmulos —
Por isso precisamos velar
Falar baixo, pisar leve, ver
A noite dormir em silêncio.
Não há muito o que dizer:
Uma canção sobre um berço
Um verso, talvez de amor
Uma prece por quem se vai —
Mas que essa hora não esqueça
E por ela os nossos corações
Se deixem, graves e simples.
Pois para isso fomos feitos:
Para a esperança no milagre
Para a participação da poesia
Para ver a face da morte —
De repente nunca mais esperaremos…
Hoje a noite é jovem; da morte, apenas
Nascemos, imensamente.

Antologia Poética – Vinicius de Moraes

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[Parabéns] Aniversário de Manoel de Barros

Categoria: Curiosidades, Informação e Cultura, Notícias

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Manoel de Barros nasceu no dia 19 de dezembro de 1916 em Cuiabá – MT. Seu primeiro livro publicado foi “Poemas concebidos sem pecado” (1937), feito artesanalmente por amigos numa tiragem de 20 exemplares mais um, que ficou com ele. Ele ganhou diversos prêmios, inclusive dois Prêmios Jabutis – um em 1989 e outro em 2002.

Sua poesia é leve e livre, quase voa. Manoel escreve como se falasse ou como se entoasse uma doce canção. Escreve como as folhas ou os passarinhos, como o vento: Manoel é a natureza em palavras. Flutua sua loucura, sua doçura, sua graça, suas brincadeiras: suas palavras desinventadas e reinventadas.

Completa hoje 95 anos. Nós, do E-books Grátis, fazemos aqui uma pequena homenagem, selecionando alguns de seus belos versos.

Voemos com o poeta!

 

“No Tratado das Grandezas do Ínfimo estava
escrito:
Poesia é quando a tarde está competente para
Dálias.
É quando
Ao lado de um pardal o dia dorme antes.
Quando o homem faz sua primeira lagartixa
É quando um trevo assume a noite
E um sapo engole as auroras”

 

“Escrever nem uma coisa Nem outra -
A fim de dizer todas
Ou, pelo menos, nenhumas.
Assim,
Ao poeta faz bem
Desexplicar -
Tanto quanto escurecer acende os vaga-lumes.”

 

“Desinventar objetos. O pente, por exemplo. 
Dar ao pente funções de não pentear. Até que 
ele fique à disposição de ser uma begônia. Ou 
uma gravanha. 
Usar algumas palavras que ainda não tenham idioma”.


[Prosa Poética] Se eu soubesse que viria – João Paulo Vieira

Categoria: Novos Escritores, Poesia Nacional

living room [Prosa Poética] Se eu soubesse que viria   João Paulo Vieira

Se eu soubesse que viria…

(Por João Paulo Vieira)

 Se eu soubesse que viria, teria mudado o arranjo de flores. Novas flores estariam enfeitando a sala. Eu tiraria os copos sujos com resto de nescau no fundo, a poeira dos móveis do quarto. Se eu soubesse, arrumaria a cama, ainda desarrumada de dias atrás. Ainda há roupa suja espalhada pelos cantos do quarto, objetos por todo lugar, fora de alinhamento. Eu: uma bagunça só. Cabelo desgrenhado, roupa amassada, um hálito nada agradável de quem acabou de acordar. Se eu soubesse, mas você não avisa. Abriu o portão, duas voltas com a chave na porta da sala, quinze passos até meu quarto e me pega assim: de qualquer jeito. Me pega assim de qualquer jeito pelos quatro cantos do quarto, por cima dos objetos desalinhados, das roupas sujas, quebrando os copos sujos de nescau. Depois, começa a espirrar. Alergia, poeira. Meus olhos lacrimejam de ver você espirrando. Eu choro. Não, é cisco no meu olho, digo. Cinco minutos depois ainda há lágrima escorrendo a face. Não há mais cisco nenhum. É dor que não aguentava mais ficar enclausurada no peito. Se eu soubesse, teria me preparado psicologicamente, emocionalmente. Mas você nunca avisa, sempre chega sem bater na porta, trazendo sentimentos de volta, aquele tipo de sentimento que eu tento desde pequeno deixar do lado de fora.
Biografia: Nascido em Rio Branco-Acre, vinte e um anos, me acostumei a não depender de outras pessoas. A pior coisa do mundo são as pessoas parasitas. Necessitam estar ali, com alguém do lado, pois acreditam que é viver assim ou miseravelmente. Sou de câncer, e embora não acredite muito em horóscopo, está aí algo que consegue me definir melhor que os livros do Martin Page. Peguei gosto pela leitura há cinco anos, mas só virou um vício há pouco mais seis meses. Praticamente troco água por livros.
Sou estagiário em um Call Center, curso o sexto periódo de Administração, e escrevo/leio nas horas vagas.
***

Para conhecer outros escritos do autor, visite o blog Nowhere man.

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[Parabéns] Aniversário de Adélia Prado

Categoria: Comunicados e Notícias, Curiosidades, Informação e Cultura

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Hoje, dia 13 de dezembro, é aniversário da maravilhosa escritora brasileira Adélia Prado. Nascida em 1935 em Divinópolis – Minas Gerais, Adélia é um encanto para os apreciadores de poesia. Segundo Carlos Drummond de Andrade: “Adélia é lírica, bíblica, existencial, faz poesia como faz bom tempo: esta é a lei, não dos homens, mas de Deus. Adélia é fogo, fogo de Deus em Divinópolis”.

Adélia poetiza o cotidiano com doçura, leveza, profundidade, simplicidade, beleza, encanto. Seus primeiros versos foram escritos em 1950, ano da morte de sua mãe. A mãe – e a saudade que Adélia sente dela – aparecem em muitos de seus poemas. É com extrema beleza que ela fala do amor  (“essa palavra de luxo”, não nos esqueçamos) entre seus pais:

“Ensinamento

Minha mãe achava estudo
a coisa mais fina do mundo.
Não é.
A coisa mais fina do mundo é o sentimento.
Aquele dia de noite, o pai fazendo serão,
ela falou comigo:
“Coitado, até essa hora no serviço pesado”.
Arrumou pão, deixou tacho no fogão com água quente.
Não me falou em amor.
Essa palavra de luxo.”

Adélia fala da mãe, do pai, de Deus e das mulheres, da vida no interior e dos pecados, fala das perdas, dos desejos, dos amores – fala de tudo um pouco, de um jeito delicado que lhe é tão próprio. A mulher que empunha a bandeira ou que limpa os peixes que o amado traz para casa: Adélia encarna uma multiplicidade de femininos. Porque o feminino, a gente sabe, não é conceito estático. E Adélia flui, despedaça-se em muitas.

Trazemos, aqui, mais alguns de seus belos poemas:

“Casamento
Há mulheres que dizem:
Meu marido, se quiser pescar, pesque,
mas que limpe os peixes.
Eu não. A qualquer hora da noite me levanto,
ajudo a escamar, abrir, retalhar e salgar.
É tão bom, só a gente sozinhos na cozinha,
de vez em quando os cotovelos se esbarram,
ele fala coisas como “este foi difícil”
“prateou no ar dando rabanadas”
e faz o gesto com a mão.
O silêncio de quando nos vimos a primeira vez
atravessa a cozinha como um rio profundo.
Por fim, os peixes na travessa,
vamos dormir.
Coisas prateadas espocam:
somos noivo e noiva.”
***
“Com licença poética
Quando nasci um anjo esbelto,
desses que tocam trombeta, anunciou:
vai carregar bandeira.
Cargo muito pesado pra mulher,
esta espécie ainda envergonhada.
Aceito os subterfúgios que me cabem,
sem precisar mentir.
Não sou feia que não possa casar,
acho o Rio de Janeiro uma beleza e
ora sim, ora não, creio em parto sem dor.
Mas o que sinto escrevo.
Cumpro a sina.
Inauguro linhagens, fundo reinos
— dor não é amargura.
Minha tristeza não tem pedigree,
já a minha vontade de alegria,
sua raiz vai ao meu mil avô.
Vai ser coxo na vida é maldição pra homem.
Mulher é desdobrável. Eu sou.”
***
“Poema Esquisito
Dói-me a cabeça aos trinta e nove anos.
Não é hábito. É rarissimamente que ela dói.
Ninguém tem culpa. Meu pai, minha mãe descansaram seus fardos,
não existe mais o modo de eles terem seus olhos sobre mim.
Mãe, ô mãe, ô pai, meu pai. Onde estão escondidos?
É dentro de mim que eles estão.
Não fiz mausoléu pra eles, pus os dois no chão.
Nasceu lá, porque quis, um pé de saudade roxa,
que abunda nos cemitérios.
Quem plantou foi o vento, a água da chuva.
Quem vai matar é o sol.
Passou finados não fui lá, aniversário também não.
Pra quê, se pra chorar qualquer lugar me cabe?
É de tanto lembrá-los que eu não vou.
Ôôôô pai
Ôôôô mãe
Dentro de mim eles respondem
tenazes e duros
porque o zelo do espírito é sem meiguices:
Ôôôôi fia.”

[Poesia] O caminho para a distância – Vinicius de Moraes

Categoria: Literatura Nacional, Livros (E-books Grátis), Poesia Nacional

caminhoparadistancia [Poesia] O caminho para a distância   Vinicius de Moraes

“Este livro é o meu primeiro livro. Desnecessário dizer aqui o que ele significa para mim como coisa minha – creio mesmo que um prefácio não o comportaria normalmente. São cerca de quarenta poemas intimamente ligados num só movimento, vivendo e pulsando juntos, isolando-se no ritmo e prolongando-se na continuidade, sem que nada possa contar em separado. Há um todo comum indivisível.” (Vinicius de Moraes)

Esse é o texto introdutório do livro O caminho para a distância, o primeiro do grande poeta Vinicius de Moraes, publicado em 1933 no Rio de Janeiro. Com apenas dezenove anos, Vinicius surpreendeu o público e a crítica com sua escrita intensa e profunda – e continuou encantando, mais e mais, posteriormente

O caminho para a distância – Vinicius de Moraes

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