[Incentivo à Leitura] Bando da Leitura: de portas abertas para livros e leitores

Categoria: Curiosidades, Incentivo à Leitura, Informação e Cultura, Notícias, Papo Cabeça

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Em Ponta Grossa, no Paraná, um trabalho lindo e de grande importância cultural teve início em 2007. Trata-se do Bando da Leitura, iniciado pela professora aposentada Lucélia Clarindo e alguns de seus ex-alunos. Nós, do E-Books Grátis, apaixonados pela iniciativa, decidimos que seria fundamental divulgá-la aqui: afinal, a paixão pela leitura torna-se ainda mais doce quando compartilhada. E Lucélia nos cedeu, gentilmente, uma entrevista, contando um pouco da história desse Projeto encantador.

Lucélia é formada em Pedagogia e tem pós-graduação em Arte e Literatura. Dava aulas para séries iniciais e desenvolveu projetos de leitura pela Secretaria Municipal de Educação, ministrando oficinas de incentivo à  leitura e de contação de histórias. Vive com os filhos, a sogra, o pai e o marido – além da cadela Belinha e da gata Moscovita. O marido, Américo, é artista, já fez teatro, é iluminador cênico e trabalha no Teatro Ópera, em Ponta Grossa. Os filhos também seguem o caminho das artes: Luam (23 anos) é bateirista (e professor e inglês), Amelu (21 anos) é bailarina e Iam (16 anos) é baixista.

Sobre a história do Bando, ela explica:

“O projeto começou do interesse de algumas crianças, meus ex-alunos, que quando souberam que eu estava me aposentando me procuram para pedir para fazermos rodas de leitura em minha casa. Teve inicio dia 14 de março de 2007, com três meninas, depois vieram sete e assim por diante.

Ela conta que, no terceiro encontro, uma das meninas sugeriu a formação de um “clubinho”. Foi realizada uma votação para a escolha do nome do vlube. O nome Bando da Leitura, sugerido por uma menina chamada Bianca, foi o mais votado.

“Depois um chargista local ficou sabendo que quis nos presentear com uma marca. Mais tarde cadastrei no PNLL , segundo eixo, veio o convite para participarmos da vigesima bienal do livro, ganhamos destaque cultural e participamos do concurso Machado de Assis, Pontos de Leitura. Com a chegada do Prêmio, o Rotary Alagados construiu uma sala de leitura no quintal da minha casa.” – relata Lucélia.

Foi assim que Lucélia abriu as portas de casa para o fascinante mundo da leitura. Os encontros ocorrem nas quartas-feiras à tarde, com grupos de quinze a trinta crianças. A frequência não é obrigatória. “Além do encontro com rodas de leitura, teatro, poesia, oficinas, temos um lanche compartilhado e sorteio de brindes.” – conta Lucélia. Já foram realizados mais de 230 encontros e as oficinas são ministradas por voluntários e envolvem diversos segmentos da arte e do conhecimento. Os filhos de Lucélia oferecem importantes contribuições para o Bando: Luam compõe as músicas do Bando, Amelu realiza oficinas e Iam ajuda na parte burocrática e também na musical. 

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São várias as oficinas, com diferentes temas. Lucélia cita, como destaques:

Samba no pé e livro na mão: “Esta oficina foi desenvolvida no carnaval e as crianças buscaram nos livros de arte modelos de máscaras, adereços, e também aprenderam diversas canções carnavalesca dos tempos antigos.”

Plantas carnívoras: “Esta oficina foi desenvolvida por uma acadêmica de biologia e as crianças puderam observar as plantas, ver filmes , e buscar nos livros as espécies assim descobrir no acervo os livros sobre este assunto.”

Era uma vez com Yoga: Esta  oficina foi ministrada por uma professora de yoga, que apresentou os simbolos , contou histórias , fizeram exercícios e saboreraram comida natural.

Releitura Flamenca: “Nesta oficina uma professora e bailarina apresentou para as crianças os adereços utilizados na dança e um pouco da História da Espanha com a localização no mapa.”

Modelando com Argila: “A artista plástica ensinou as crianças a modelarem personagens preferidos em argila.”

De mãos dadas com a leitura (para crianças cegas): “As crianças cegas fazem leitura de trechos em Braille para as crianças do Bando e estas trechos de leitura para as crianças cegas. Contamos histórias, e também os meninos da banda do meus filhos fazem workshop de instrumentos musicais para todos.”

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No blog do Bando da Leitura, podemos conhecer a história com mais detalhes – a história que continua sendo escrita, dia após dia, pelas mãos de Lucélia, sua família e tantas e tantas crianças apaixonadas por literatura!

(Caso deseje divulgar em nosso blog um projeto cultural relacionado à literatura, escreva para webmaster@ebooksgratis.com.br!)

[Notícias] Ministério da Cultura dá aos grandes e esquece dos pequenos

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Artigo publicado originalmente por Ademir Assunção no blog Espelunca

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Rolling Stone: R$ 524 mil de dinheiro público via Ministério da Cultura Coyote: R$ zero vírgula zero zero

No segundo semestre do ano passado o Ministério da Cultura lançou o edital para Periódicos de Conteúdo Cultural.

Não sei se revistas literárias como Babel (Santos), Ontem choveu no futuro (Campo Grande), Entretanto (Recife), Polichinelo (Belém), revistas pequenas e de grande qualidade, foram inscritas. A Coyote foi.

Esta semana saiu o resultado. Os vencedores: Rolling Stone (que tem na capa da edição de março o apresentador do Big Brother Brasil, Pedro Bial), levou Cr$ 524 mil. A Cult, R$ 504 mil, a Brasileiros, R$ 441 mil e a Piauí, R$ 399 mil.

De um lado, revistas comerciais, de mercado, que se sustentam com vendas e anúncios.

De outro, revistas de pequena estrutura, sem a menor chance de sobrevivência na rapina do mercado e que realmente veiculam conteúdos altamente culturais.

Como a distinta platéia sabe, revistas literárias no Brasil, desde o tempo da Klaxon (dos modernistas),da Revista de Antropofagia (de Oswald de Andrade), e da Joaquim (de Dalton Trevisan), têm vida breve. Apesar da qualidade (internacional!) morrem a míngua pela falta de recursos.

E o Ministério da Cultura, contrariando todo o seu discurso, preferiu injetar recursos nas revistas de mercado e virar as costas para as revistas literárias, de pequena ou nenhuma estrutura, feitas invariavelmente por poetas e escritores, que publicam o que há de melhor e mais radical na literatura brasileira, e que lutam heroicamente para se manterem vivas.

Nos discursos, a equipe ministerial até já não se esquece de incluir a literatura quando fala de políticas públicas para a cultura. Na prática, continua cagando e andando para os escritores.

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