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[Notícias] Tudo o que Fernando Pessoa leu chega à web

Categoria: Curiosidades, Informação e Cultura, Notícias

0010figura5b [Notícias] Tudo o que Fernando Pessoa leu chega à web

Conhecer o que lia Fernando Pessoa, as anotações que fazia nos seus livros, como ideias para poemas surgiam durante suas leituras. Agora, isso vai ser possível a qualquer pessoa: já está disponível na internet a biblioteca digital do poeta português, no site da casa-museu dedicada a ele (http://casafernandopessoa.cm-lisboa.pt).

Os livros são os que acompanharam o poeta desde a adolescência – na época em que ele ainda morava na África do Sul. “O livro mais antigo é do século 19, quando Pessoa tinha 12 a 14 anos. São livros que vão desde essa época até sua morte, com 47 anos”, conta o professor Jerônimo Pizarro, responsável pelo trabalho. O último livro foi parar na biblioteca do escritor em outubro de 1935, um mês antes de sua morte.

No total, o espólio de Fernando Pessoa que está na casa-museu reúne 1.312 títulos. No entanto, apenas pouco mais de 1.100 estarão disponíveis para consulta. “Não podemos colocar na internet todos os livros, por motivos de direitos autorais, porque alguns ainda não caíram no domínio público. Por exemplo, a família do poeta Antônio Boto não autorizou que os livros dele estivessem na rede, mas ainda vou falar novamente com eles”, relata Pizarro. A legislação portuguesa prevê que os livros caiam no domínio público 70 anos após a morte do autor.

Pyp. Uma parte dos livros tem anotações feitas por Pessoa. Pizarro conta que nas margens dos livros aparecem os pré-heterônimos, o primeiro deles em um livro de quando Pessoa tinha perto de 15 anos. “Num livro de latim de 1904 aparece o nome de F. Pyps. Um dos primeiros heterônimos a assinar um poema em português é Pyp.”

Ele conta que o acesso à biblioteca também vai permitir entender como Pessoa construía seu pensamentos. Pizarro diz que os livros com mais anotações de Pessoa são os que ele leu durante a adolescência.

Fonte: Estadão

Imagem: Reprodução de livro pessoal do autor, com dedicatória de Mário de Sá Carneiro

[Papo Cabeça] Eletrônicos duram 10 anos; livros, 5 séculos’ (Umberto Eco)

Categoria: Informação e Cultura, Papo Cabeça

Umberto Eco assina novo trabalho em parceria com o roteirista francês Jean-Claude Carrière.

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‘Eletrônicos duram 10 anos; livros, 5 séculos’, diz Umberto Eco

Ensaísta e escritor italiano fala em entrevista exclusiva de seu novo trabalho, ‘Não Contem com o Fim do Livro’

MILÃO – O bom humor parece ser a principal característica do semiólogo, ensaísta e escritor italiano Umberto Eco. Se não, é a mais evidente. Ao pasmado visitante, boquiaberto diante de sua coleção de 30 mil volumes guardados em seu escritório/residência em Milão, ele tem duas respostas prontas quando é indagado se leu toda aquela vastidão de papel. “Não. Esses livros são apenas os que devo ler na semana que vem. Os que já li estão na universidade” – é a sua preferida. “Não li nenhum”, começa a segunda. “Se não, por que os guardaria?”

Na verdade, a coleção é maior, beira os 50 mil volumes, pois os demais estão em outra casa, no interior da Itália. E é justamente tal paixão pela obra em papel que convenceu Eco a aceitar o convite de um colega francês, Jean-Phillippe de Tonac, para, ao lado de outro incorrigível bibliófilo, o escritor e roteirista Jean-Claude Carrière, discutir a perenidade do livro tradicional. Foram esses encontros (“muito informais, à beira da piscina e regados com bons uísques”, informa Umberto Eco) que resultaram em Não Contem Com o Fim do Livro, que a editora Record lança na segunda quinzena de abril.

A conclusão é óbvia: tal qual a roda, o livro é uma invenção consolidada, a ponto de as revoluções tecnológicas, anunciadas ou temidas, não terem como detê-lo. Qualquer dúvida é sanada ao se visitar o recanto milanês de Eco, como fez o Estado na última quarta-feira. Localizado diante do Castelo Sforzesco, o apartamento – naquele dia soprado por temperaturas baixíssimas, a neve pesada insistindo em embranquecer a formidável paisagem que se avista de sua sacada – encontra-se em um andar onde antes fora um pequeno hotel. “Se eram pouco funcionais para os hóspedes, os longos corredores são ótimos para mim pois estendo aí minhas estantes”, comenta o escritor, com indisfarçável prazer, ao apontar uma linha reta de prateleiras repletas que não parecem ter fim. Os antigos quartos? Transformaram-se em escritórios, dormitórios, sala de jantar, etc. O mais desejado, no entanto, é fechado a chave, climatizado e com uma janela que veda a luz solar: lá estão as raridades, obras produzidas há séculos, verdadeiros tesouros. Isso mesmo: tesouros de papel.

Conhecido tanto pela obra acadêmica (é professor aposentado de semiótica, mas ainda permanece na ativa na Faculdade de Bolonha) como pelos romances (O Nome da Rosa, publicado em 1980, tornou-se um best-seller mundial), Eco é um colecionador nato; além de livros, gosta também de selos, cartões-postais, rolhas de champanhe. Na sala de seu apartamento, estantes de vidro expõem tantos os livros raros – que, no momento, lideram sua preferência – como conchas, pedras, pedaços de madeira. As paredes expõem quadros que Eco arrematou nas visitas que fez a vários países ou que simplesmente ganhou de amigos – caso de Mário Schenberg (1914-1990), físico, político e crítico de arte brasileiro, de quem o escritor guarda as melhores recordações.

Aos 78 anos, Eco – que tem relançado no País Arte e Beleza na Estética Medieval (Record, 368 págs., R$ 47,90, tradução de Mario Sabino) – exibe uma impressionante vitalidade. Diverte-se com todo tipo de cinema (ao lado de seu aparelho de DVD repousa uma cópia da animação Ratatouille), mantém contato com seus alunos em Bolonha, escreve artigos para jornais e revistas e aceita convites para organizar exposições, como a que o transformou, no ano passado, em curador, no Museu do Louvre, em Paris. Lá, o autor teve o privilégio de passear sozinho pelos corredores do antigo palácio real francês nos dias em que o museu está fechado. E, como um moleque levado, aproveitou para alisar o bumbum da Vênus de Milo. Foi com esse mesmo espírito bem-humorado que Eco – envergando um elegante terno azul-marinho, que uma revolta gravata da mesma cor tratava de desalinhar; o rosto sem a característica barba grisalha (raspada religiosamente a cada 20 anos e, da última vez, em 2009, também porque o resistente bigode preto o fazia parecer Gengis Khan nas fotos) – conversou com a reportagem do Sabático.

O livro não está condenado, como apregoam os adoradores das novas tecnologias?

O desaparecimento do livro é uma obsessão de jornalistas, que me perguntam isso há 15 anos. Mesmo eu tendo escrito um artigo sobre o tema, continua o questionamento. O livro, para mim, é como uma colher, um machado, uma tesoura, esse tipo de objeto que, uma vez inventado, não muda jamais. Continua o mesmo e é difícil de ser substituído. O livro ainda é o meio mais fácil de transportar informação. Os eletrônicos chegaram, mas percebemos que sua vida útil não passa de dez anos. Afinal, ciência significa fazer novas experiências. Assim, quem poderia afirmar, anos atrás, que não teríamos hoje computadores capazes de ler os antigos disquetes? E que, ao contrário, temos livros que sobrevivem há mais de cinco séculos? Conversei recentemente com o diretor da Biblioteca Nacional de Paris, que me disse ter escaneado praticamente todo o seu acervo, mas manteve o original em papel, como medida de segurança.

Qual a diferença entre o conteúdo disponível na internet e o de uma enorme biblioteca?

A diferença básica é que uma biblioteca é como a memória humana, cuja função não é apenas a de conservar, mas também a de filtrar – muito embora Jorge Luis Borges, em seu livro Ficções, tenha criado um personagem, Funes, cuja capacidade de memória era infinita. Já a internet é como esse personagem do escritor argentino, incapaz de selecionar o que interessa – é possível encontrar lá tanto a Bíblia como Mein Kampf, de Hitler. Esse é o problema básico da internet: depende da capacidade de quem a consulta. Sou capaz de distinguir os sites confiáveis de filosofia, mas não os de física. Imagine então um estudante fazendo uma pesquisa sobre a 2.ª Guerra Mundial: será ele capaz de escolher o site correto? É trágico, um problema para o futuro, pois não existe ainda uma ciência para resolver isso. Depende apenas da vivência pessoal. Esse será o problema crucial da educação nos próximos anos.

Não é possível prever o futuro da internet?

Não para mim. Quando comecei a usá-la, nos anos 1980, eu era obrigado a colocar disquetes, rodar programas. Hoje, basta apertar um botão. Eu não imaginava isso naquela época. Talvez, no futuro, o homem não precise escrever no computador, apenas falar e seu comando de voz será reconhecido. Ou seja, trocará o teclado pela voz. Mas realmente não sei.

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[Notícias] Toda a poesia de Vinicius de Moraes na internet

Categoria: Informação e Cultura, Notícias

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Quarenta anos antes de passar ao domínio público, a poesia completa de Vinícius de Moraes está agora disponível de graça na internet.

A ação só foi possível devido à raríssima liberação dos direitos autorais pela família do poeta, por meio da VM Empreendimentos Artísticos e Culturais. A realização do projeto ficou a cargo da Biblioteca Brasiliana USP e foi feito a partir do acervo doado pelo bibliófilo José Mindlin, atualmente em processo de total digitalização.

Os 15 livros digitalizados são: “O caminho para a distância” (1933), “Forma e exegese” (1935), “Ariana, a mulher” (1936), “Novos poemas” (1938), “Cinco elegias” (1943), “Poemas, sonetos e baladas” (1946), “Pátria minha” (1949), “Orfeu da conceição” (1956), “Livro de sonetos” (1957), “Receita de mulher” (1957), “Novos poemas II” (1959), “Antologia poética” (1960) (1ª ed. 1954), “O mergulhador” (1968), “A casa” (1975) e “Um signo, uma mulher” (1975).

Nessa segunda-feira, 26 de abril, “Toda a poesia de Vinicius de Moraes” (título da iniciativa) pôde ser encontrada não apenas na página especial posta ao ar pela Brasiliana USP, como esteve também circulando por São Paulo em um ônibus-biblioteca de 1928, réplica dos primeiros veículos do tipo, idealizados por Mário de Andrade. O carro antigo foi agora equipado com cinco leitores de e-books devidamente carregados com a obra do ‘Poetinha’.

Tudo para marcar a abertura do primeiro Simpósio Internacional de Políticas Públicas para Acervos Digitais que começa no mesmo dia 26 de abril em evento fechado, mas que segue entre os dias 27 e 28 com mesas de discussão e grupos de trabalho gratuitos e abertos ao público geral no Hotel Jaraguá (Rua Martins Fontes, 71 – Centro, São Paulo – SP). As inscrições podem ser feitas no local, sujeito à lotação do auditório de 250 lugares. Para quem não puder comparecer em pessoa, as atividades serão transmitidas ao vivo aqui.

Organizado pelo Ministério da Cultura, Projeto Brasiliana USP e Casa de Cultura Digital, o simpósio é realizado no oportuno momento em que o governo federal mostra disposição em discutir tanto uma nova lei de direitos autorais, como o estabelecimento do Marco Civil da Internet, além de ter posto como prioridade um plano nacional de banda larga no país.

O recente anúncio de que a Biblioteca do Congresso dos EUA passará a arquivar todas as mensagens públicas postadas no Twitter é apenas uma das inúmeras evidências da importância que a preservação de acervos digitais ganha nos últimos anos. Uma dos problemas a ser resolvido é encontrar normas e padrões de armazenamento que permitam a leitura dos arquivos digitais sem dificuldades no futuro. Muitas informações guardadas no século XX acabaram obsoletas devido ao desaparecimento de softwares e hardwares que permitiam sua decodificação. Mais sobre isso pode ser lido na matéria veiculada pelo Link do Estadão nessa segunda-feira, 26 de abril.

Outro ponto que aumenta a relevância do simpósio é a importância da digitalização de acervos culturais físicos para a política de acesso à cultura no Brasil. Cerca de 60% das bibliotecas públicas e comunitárias estão concentradas em sete dos 27 estados do país e mais de 90% da população nunca pos os pés em um museu. O acesso ao patrimônio cultural brasileiro (quadros, livros, filmes e áudio) por meio da internet é uma alternativa para as muitas localidades afastadas de grandes centros urbanos que não possuem centros culturais, cinemas ou bibliotecas.

Fonte: portalLiteral

[Cultura Digital] O Futuro do livro depois do livro – Giselle Beiguelman

Categoria: Ciências Políticas e Sociais, Técnicos e Científicos

livrodepois [Cultura Digital] O Futuro do livro depois do livro   Giselle Beiguelman

O Livro depois do Livro é um ensaio sobre literatura, leitura e Internet, escrito em dois formatos: website e livro. Contudo, essa operação não se faz por relação de complementaridade, mas, sim, pela de fricção, soma e
intersecção.

A nomenclatura dos dois formatos foi propositadamente invertida. Enquanto a versão livro tem seus capítulos divididos com termos de computação (label, instalação, configuração e sair), a versão Web apropria-se dos recursos de organização dos impressos (índice, capa, colofon etc.), revalidando suas funções de localização e referência.

Inspirado no conto “O Livro de Areia”, de Jorge Luis Borges, tem números negativos e exponenciais associados às páginas (como -1 e 0n) e recursos técnicos que impedem voltar às páginas lidas pelos botões de avanço e retorno do navegador.

Realizado em 1999, com o auxílio de uma Bolsa Vitae de Artes, o site foi lançado na exposição NET_CONDITION, realizada pelo ZKM (Museu de Arte e Mídia da Alemanha), a convite de seu curador, Peter Weibel. O livro foi escrito entre 2002 e 2003, e sua estrutura contradiz as etapas de instalação de um programa, permitindo que os capítulos sejam lidos em qualquer ordem e como ensaios independentes.

O Futuro do livro depois do livro – Giselle Beiguelman

Tamanho: 811kb | Formato: pdf | Ditribuído sob licença Creative Commons

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[Notícias] Skilf Reader, novo leitor de ebooks terá tela flexível

Categoria: Informação e Cultura, Notícias

A Hearst, gigante do meio editorial, divulgou mais detalhes do Skilf Reader, seu próprio dispositivo para ler e-books. O Skilf é considerado o maior do mercado. Tem 11,5 polegadas, resolução de 1200×1600 e é sensível ao toque. Vai competir diretamente com o Kindle DX, que tem visor de 9,7 polegadas.

Além de trabalhar com textos tradicionais, voltados para livros e PDF, o Skiff também promete visar formatos para revistas, o que pode expandir ainda mais sua abrangência. A tela touchscreen aproxima o leitor do formato tradicional de livro, permitindo que o usuário possa “virar” as páginas com os dedos.

O aparelho também vem com 3G e Wi-Fi e tem visualização em preto e branco, mas inova ao utilizar o e-paper: é feito de uma chapa de aço flexível criada pela LG, que pode ser dobrada. O leitora ainda não tem data de lançamento ou preço definido.

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