[Curiosidades] Revolucionário dispositivo para leitura

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Em tempos de Kindles, Ipads e revolucionários aparatos tecnológicos para leitura, quando se discute até mesmo o fim do livro impresso, vale este pequeno resgate para falar de uma das maiores invenções da humanidade. O texto foi escrito pelo Millor em 2001 e o vídeo, mais recente, é uma interpretação do mesmo, só que em espanhol (legendas em português).

HighTech -  Millor Fernandes

Na deixa da virada do milênio, anuncia-se um revolucionário conceito de tecnologia de informação, chamado de Local de Informações Variadas, Reutilizáveis e Ordenadas – L.I.V.R.O.

L.I.V.R.O. representa um avanço fantástico na tecnologia. Não tem fios, circuitos elétricos, pilhas. Não necessita ser conectado a nada nem ligado. E tão fácil de usar que ate uma criança pode opera-lo. Basta abri-lo!

Cada L.I.V.R.O. é formado por uma seqüência de páginas numeradas, feitas de papel reciclável e são capazes de conter milhares de informações. As páginas são unidas por um sistema chamado lombada, que as mantém automaticamente em sua seqüência correta.

Através do uso intensivo do recurso TPA – Tecnologia do Papel Opaco permite que os fabricantes usem as duas faces da folha de papel. Isso possibilita duplicar a quantidade de dados inseridos e reduzir os seus custos pela metade! Especialistas dividem-se quanto aos projetos de expansão da inserção de dados em cada unidade. E que, para se fazer L.I.V.R.O.s com mais informações, basta se usar mais páginas. Isso porem os torna mais grossos e mais difíceis de serem transportados, atraindo críticas dos adeptos da portabilidade do sistema.

Cada página do L.I.V.R.O. deve ser escaneada opticamente, e as informações transferidas diretamente para a CPU do usuário, em seu cérebro. Lembramos que quanto maior e mais complexa a informação a ser transmitida, maior deverá ser a capacidade de processamento do usuário.

Outra vantagem do sistema é que, quando em uso, um simples movimento de dedo permite o acesso instantâneo à próxima pagina. O L.I.V.R.O. pode ser rapidamente retomado a qualquer momento, bastando abri-lo. Ele nunca apresenta “ERRO GERAL DE PROTEÇÃO”, nem precisa ser reinicializado, embora se torne inutilizável caso caia no mar, por exemplo. O comando “browse” permite acessar qualquer página instantaneamente e avançar ou retroceder com muita facilidade. A maioria dos modelos à venda já vem com o equipamento “índice” instalado, o qual indica a localização exata de grupos de dados selecionados.

Um acessório opcional, o marca-páginas, permite que você acesse o L.I.V.R.O. exatamente no local em que o deixou na ultima utilização mesmo que ele esteja fechado. O compatibilidade dos marcadores de página é total, permitindo que funcionem em qualquer modelo ou marca de L.I.V.R.O. sem necessidade de configuração. Além disso, qualquer L.I.V.R.O. suporta o uso simultâneo de vários marcadores de pagina, caso seu usuário deseje manter selecionados vários trechos ao mesmo tempo. A capacidade máxima para uso de marcadores coincide com o número de páginas.

Pode-se ainda personalizar o conteúdo do L.I.V.R.O., através de anotações em suas margens. Para isso, deve-se utilizar de um periférico de Linguagem Apagável Portátil de Intercomunicação Simplificada – L.A.P.I.S. Portátil, durável e barato, o L.I.V.R.O. vem sendo apontado como o instrumento de entretenimento e cultura do futuro. Milhares de programadores desse sistema já disponibilizaram vários títulos e upgrades utilizando a plataforma L.I.V.R.O.

Contribuição de lucas, no Fórum PDL

[Notícias] Skilf Reader, novo leitor de ebooks terá tela flexível

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A Hearst, gigante do meio editorial, divulgou mais detalhes do Skilf Reader, seu próprio dispositivo para ler e-books. O Skilf é considerado o maior do mercado. Tem 11,5 polegadas, resolução de 1200×1600 e é sensível ao toque. Vai competir diretamente com o Kindle DX, que tem visor de 9,7 polegadas.

Além de trabalhar com textos tradicionais, voltados para livros e PDF, o Skiff também promete visar formatos para revistas, o que pode expandir ainda mais sua abrangência. A tela touchscreen aproxima o leitor do formato tradicional de livro, permitindo que o usuário possa “virar” as páginas com os dedos.

O aparelho também vem com 3G e Wi-Fi e tem visualização em preto e branco, mas inova ao utilizar o e-paper: é feito de uma chapa de aço flexível criada pela LG, que pode ser dobrada. O leitora ainda não tem data de lançamento ou preço definido.

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[Papo Cabeça] O hábito faz o leitor – Um papo sobre e-books, leitura e neurociência

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A americana Maryanne Wolf é uma das maiores especialistas na área da neurociência que estuda os efeitos da leitura no cérebro, tema sobre o qual já escreveu mais de uma dezena de livros. Hoje, ela se dedica a entender, cientificamente, como as pessoas assimilam conhecimento por meio de novas tecnologias, como o e-book. De Boston, onde comanda um centro de pesquisas na Universidade Tufts, Maryanne falou à repórter de Veja Renata Betti.

Suas pesquisas indicam que ler um livro digital não é o mesmo que no papel. Por quê?

A observação sistemática mostra que, com o e-book, as pessoas tendem a acelerar o ritmo de leitura e a absorver menos conteúdo. Isso porque a tela remete à ideia de que é preciso vencer etapas a cada instante, antes que a bateria termine ou que se perca a conexão. Ainda faltam, no entanto, evidências baseadas na neurociência, como as que já existem sobre a internet.

O que já se sabe sobre a leitura na rede?

Ela é mais superficial, segundo revelam as imagens dos neurônios quando alguém está diante do computador. As fotos mostram, com nitidez, que o circuito formado entre as áreas do cérebro envolvidas na leitura não chega, nesse caso, àquela região em que ela seria processada de maneira mais analítica.

Por que isso acontece?

A internet provê um excesso de estímulos que acabam atrapalhando. Enquanto você lê Shakespeare, não param de aparecer na tela pop-ups e e-mails. É naturalmente difícil manter a concentração e fazer uma leitura de padrão mais elevado, que abra espaço para um alto grau de processamento de ideias. A habilidade para ler deve ser treinada.

Como, exatamente?

Simples: lendo todo dia. Não existe no cérebro nada como uma estrutura previamente concebida para a leitura – é preciso construí-la e aprimorá-la. Funciona como no esporte: quanto mais se pratica, melhor é o resultado.

Como a neurociência explica a formação de tal estrutura no cérebro?

A repetição da leitura faz o cérebro desenvolver um circuito que passa a conectar, em questão de milésimos de segundo, três áreas distintas: a da visão, a da linguagem e uma que se encarrega de dar significado às palavras. Esse mesmo roteiro pode levar até 100 vezes mais tempo, caso a pessoa não tenha o hábito de ler. Seu cérebro fica tomado com a tarefa básica de decodificar o texto – e não consegue ir muito além disso.

Como alcançar um avançado estágio de leitura por meio das novas tecnologias?

É preciso enfatizar à atual geração multitarefas que leitura demanda altíssima atenção e não é conciliável com nenhuma outra atividade. Feita a ponderação, novas tecnologias, como o e-book, são mais do que bem-vindas. Elas têm ajudado, afinal, a despertar o interesse pelos livros num momento em que isso nunca foi tão difícil.

Veja,  Edição 2139, de 18 de Novembro de 2009

[Notícias] Justiça autoriza importação do Kindle sem imposto

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Uma decisão da Justiça Federal autorizou um consumidor a comprar o leitor de e-books Kindle sem o pagamento de imposto de importação, o que reduz a quase metade o preço do dispositivo.

A ação foi movida pelo advogado Marcel Leonardi que pedia à Justiça o direito de comprar o Kindle nos mesmos termos da lei para importação de livros e manuais impressos.

Se for encarado como um eletrônico, o Kindle só entra legalmente no país após recolher 70% de seu valor declarado em imposto de importação.

A lei serve, em tese, para fomentar o mercado nacional de eletrônicos e favorecer que fabricantes produzam ou montem seus produtos no Brasil. No entanto, o se o Kindle for classificado como um livro, então não precisa recolher impostos de importação.

Ao ler o pedido de Macel Leonardi, a juíza Marcelle Ragazzoni Carvalho, da 22ª Vara da Justiça Federal em São Paulo, considerou a solicitação justa. Na interpretação de Marcelle, o Kindle tem função exclusiva de leitura e, por isso, deve ser classificado como um livro, ainda que em formato eletrônico.

A decisão tem caráter liminar e vale apenas para o pedido de Marcel. Se for seguida em outros processos ou instâncias judiciais, é possível que o Kindle chegue aos brasileiros por um preço quase 50% inferior ao atual.

Um Kindle Internacional é vendido pela Amazon para brasileiros por US$ 259, com impostos e taxa de entrega, este número chega a US$ 545 ou em torno de R$ 900. Sem o imposto de importação, este valor cairia para cerca de R$ 600.

Vale lembrar, no entanto, que esta é uma decisão pontual da Justiça. É possível, por exemplo, que prevaleça o entendimento que comprar arquivos digitais de livros seja algo isento de tributação de importação, mas que o dispositivo eletrônico de leitura continue sendo taxado.

Fonte: Info Online

[Papo Cabeça] De site renovado, Cosac Naify oferece ‘Flores’, do mexicano Mario Bellatin, para download

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cosac [Papo Cabeça] De site renovado, Cosac Naify oferece Flores, do mexicano Mario Bellatin, para download

No começo deste mês a Cosac Naify, conhecida pelas suas caprichadas edições em papel, colocou no ar seu novo site (imagem acima), recheado de novidades. O destaque fica para o blog, que atualmente oferece um capítulo inédito do clássico ‘Guerra e Paz’, de Tolstói, em nova versão de Rubens Figueiredo. O lançamento do livro está previsto para novembro de 2010 e a editora promete adiantar, no blog, outros trechos de livros, além de curiosidades sobre a escolha das capas e detalhes sobre os próximos lançamentos. Mas, há muito mais no novo site, como a nova Loja Virtual e a seção Raríssimos, voltada a bibliófilos.

Além disso, a partir desta semana, a Cosac Naify está oferecendo para download em PDF ou iPhone o livro ‘Flores’, do escritor mexicano Marion Bellatin, que foi destaque durante a Flip 2009. O livro é formado por narrativas curtas – todas com nomes de flores. A trama narra fragmentos de vida de personagens solitários e ambíguos, como um cientista que descobre um fármaco causador de formações físicas e um escritor que pesquisa formas incomuns de sexualidade. As tramas possuem uma violência implícita, num mundo em que a anormalidade é a regra, conforme informa a editora. E mais: Bellatin escreveu uma “flor” nova, um conto novo, especialmente para a promoção. É só baixar. Mais sobre Bellatin aqui.

Em entrevista, Daniela Senador, gerente de mídias digitais da Cosac Naify, contou que a editora pretende “criar uma espécie de ‘biblioteca de downloads’ na qual oferecerá periodicamente um livro de seu catálogo para (as pessoas) baixarem na íntegra”. Além disso, ela falou sobre Kindle, Google Books, pirataria e escritores iniciantes. Alguns dos principais trechos da entrevista, você confere aí embaixo:

“Considero as mudanças (promovidas pela internet e as novas tecnologias) favoráveis porque potencializam o livro como produto em seu próprio mercado tornando o seu conteúdo mais acessível a diversos perfis de público. Não acredito que as mudanças impressas pela web e novas tecnologias estejam oprimindo a indústria do livro nem que ferramentas como Kindle concorram com o livro físico. Talvez colaborem para incentivar ainda mais a leitura”, afirmou.

“Certamente a internet oferece aos escritores iniciantes diversas possibilidades para que possam ter o seu trabalho mais conhecido e discutido, e não apenas restrito à avaliação de amigos. Blogs são as ferramentas que mais se destacam pela acessibilidade, visibilidade e interatividade que oferecem aos escritores-internautas. Tendo em vista este cenário não há como negar que a maneira de encontrar/descobrir um novo escritor e interagir com ele mudou”, contou.

“Uma obra protegida por direitos autorais que é apropriada indevidamente por um usuário e difundida na rede é considerada pirateada. Porém, não é qualquer troca que pode ser considerada pirataria até mesmo porque hoje as obras podem ser registradas em Creative Commons. É certo que detentores de diretos que têm a sua obra violada perdem com as facilidades oferecidas pela rede, mas, no caso de obras que possam circular, a ampliação da difusão só tende a contribuir para que se tornem conhecidas”, afirmou.

E continuou: “Discordo que a difusão ilegal de arquivos na internet provoque diminuição considerável na venda de livros. Pesquisadores que tenham acesso aos arquivos talvez tenham mais facilidade para encontrar o assunto específico que estudam pelo fato de chegarem até ele rapidamente acionando a busca. No entanto, a experiência de ler um livro digital não substitui a de ler um impresso. Não há concorrência entre ambos e também por isso a editora não ignora outras possibilidades de rendas futuras como as provenientes de downloads de livros na integra no Google Books (por exemplo)”.

Esta é a primeira de uma série que o Link está publicando com executivos das principais editoras e escritores sobre os desafios dos livros na era digital

[Notícias] Google vai lançar livraria virtual

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Em meio a toda polêmica que vem circulando o assunto Google Books, a gigante da internet anunciou nesta quinta-feira, na Feira do Livro de Frankfurt (Alemanha), que vai lançar no primeiro semestre de 2010 um serviço de venda de e-books.

Intitulado Google Editions, o site planeja oferecer cerca de meio milhão de títulos inicialmente – superando os pouco mais de 300 mil disponíveis via Amazon para o Kindle.

A empresa vai permitir que os preços sejam determinados pelas editoras, com 37% do lucro voltando para o Google. A revenda através de outros sites também será possivel – nesse caso, revendedor e editora levam a maior parte do lucro, com apenas 5% ficando para a companhia californiana.

O Google informou ainda que não pretende desenvolver equipamento específico para os e-books, que poderão ser lidos de qualquer navegador.

A loja virtual foi apresentada uma semana após a Amazon anunciar que vai distribuir o leitor de livros digitais Kindle em 100 países, fora os Estados Unidos.

Uma pesquisa da empresa Forrester mostra que só nos Estado Unidos cerca de três milhões de aparelhos como o Kindle serão comercializados.

O novo negócio do Google permitirá que a empresa ganhe dinheiro com base em uma estratégia polêmica de digitalização de obras literárias com parcerias com bibliotecas em vários países do mundo.

Turvey disse que o Google vai distribuir 63% dos ganhos com as editoras parceiras e ficará com 37% para manter o serviço e aumentar os investimentos. Nos casos em que os e-livros são comprados através de outros varejistas online, editoras recebem 45% e a maior parte dos 55% restantes vão para o varejista, com uma pequena participação para o Google.

Os leitores serão capazes de acessar e-books que tenham sido comprado pelo Google em qualquer dispositivo, incluindo PCs, laptops, computadores portáteis e smartphones como o iPhone da Apple, por meio de uma conta do Gmail.

Fonte: Blog do Link e R7 Notícias

[Papo Cabeça] O Futuro (e o fim?) do Livro

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Reportagem extraída da Revista Superinteressante de Setembro/2009.

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Ele tomou um banho de tecnologia e ganhou superpoderes. Ficou ágil, coletivo e revolucionário. Sua velha versão ainda resiste – mas por quanto tempo?

Todos os meses cerca de 20 pessoas comparecem a um encontro marcado em um prédio na região de Pinheiros, em São Pauio. É um grupo heterogêneo. Ali tem advogado, empresário, executivo, consultor. Eles se reúnem porque possuem algo em comum – sabem que o futuro de todos ali está ameaçado. Pra que você entenda o que está acontecendo, vamos às explicações. O prédio de Pinheiros é a sede da Câmara Brasileira do Livro. O pessoal que se reúne lá é formado, na maioria, por representantes de editoras e distribuidoras de livros. E o que os preocupa é um concorrente que vem desafiando o reinado do livro impresso, mantido há 6 séculos, desde a Bíblia de Gutenberg: o livro digital. “A tecnologia está avançando rapidamente. E nós, produtores de livros, ainda estamos presos ao papel”. diz Henrique Farinha, coordenador do grupo e diretor da Editora Gente.

O comandante desse ataque à literatura de papel tem um nome: Kindle. É o leitor eletrônico de livros lançado pela loja virtual americana Amazon. uma tela digital capaz de reproduzir as páginas de qualquer livro, ainda que com algumas limitações. Tem enormes vantagens na disputa com o papel. Digamos que você está lendo esta SUPER enquanto descansa numa paradisíaca praia do Nordeste. Você se interessou pela entrevista com Dan Ariely, na página 34, e resolveu comprar o livro Previsivelmente Irracional de autoria dele. Basta tirar o Kindle da mochila, navegar com ele pelo site da Amazon e fazer a compra na hora. Em coisa de um minuto, você terá o livro inteiro disponível no aparelho. Não é feitiçaria. é tecnologia – uma função wireless parecida com a de alguns celulares. O pagamento seria feito com o cartão de crédito. O preço: USS 9.99. uns RS 19 reais. Bem mais barato que o livro impresso. que custaria o equivalente a RS 31 na mesma loja. Sem contar que daria para ler ali, com o pé pra cima, qualquer outro livro que você já tivesse comprado pelo Kindle. O bichinho armazena mais de 1 500 obras. É o mesmo que carregar por aí uma biblioteca formada durante toda a vida.

A praticidade é a sacada revolucionária que fez do Kindle um hit entre os americanos, por enquanto os únicos a aproveitar suas funcionalidades (a rede wireless usada para venda dos livros ainda não funciona em outros países). Segundo a Amazon. um livro que tenha uma versão digital para o Kindle vende 35% mais cópias. De cada 4 exemplares vendidos de uma obra. um já é digital. Tem até gente pedindo autógrafo pra escritor no e-reader. (Aconteceu de verdade em Nova York, com o humorista David Sedaris. no lançamento de seu livro Engolido pelas Labaredas, no ano passado.) E olha que o Kindle ainda vive a sua infância. A tela já mostra texto e imagens, mas em branco e preto. Cores? Só daqui a alguns anos, segundo JeffBezos, o presidente da Amazon.

Conclusão 1: para os nossos amigos lá na Câmara Brasileira do Livro: o livro digital já pegou. Conclusão 2: se ficar ainda melhor, vai nocautear o livro impresso. Para piorar, uma legião de soldados vem na retaguarda do Kindle. tão ansiosa para vencer a batalha quanto seu líder. Os outros e-readers no mercado estão se sofisticando. Caso do Reader Digital Book. da Sony. Lançado em 2006, ele acabou de ganhar uma turbinada. Em março, a Sony dispo¬nibilizou para os donos de seu e-reader mais de 1 milhão de livros clássicos – de graça. Comor Uma parceria com o Google, que vem digitalizando obras por meio de acordos com editoras. Aliás, são textos que estão dispo níveis para a leitura também na internet. Basta entrar no Google Books – há outros 6 milhões de livros lá.

Sem contar que dá para ler um livro até pelo celular. Por enquanto, a coisa funciona graças ao Kindle – você baixa um aplicativo da Amazon pelo iPhone e manda ver na leitura. Mas já tem gente apostando que a Apple vem aí com uma idéia jobsiana para transformar o iPhone em um e-reader sofisticado. No Brasil, nada disso vale ainda. O primeiro a chegar deve ser criação tupiniquim mesmo: o Braview, previsto para outubro

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E eu com isso?

Beleza, o livro digital é mais prático e barato do que o impresso. E daír Daí que a transição vai mexer diretamente com a sua vida. Veja este caso: na cidade inglesa de Hacknev, a escola City Academy vai adotar e-books em formato PDF para ensinar seus alunos, uma criançada de 11 a 16 anos. Nada mais de livros convencionais. Para viabilizar a digitalização, a escola está trabalhando com editoras de livros que compõem o currículo escolar. Chega de ver criancinhas com mochilas de 3, 4, 5 quilos nas costas. No caso do Kindle, tudo caberia em menos de 300 gramas. O mesmo que você teria de carregar se saísse de férias e levasse 5 livros pra ler na viagem.

A dor na coluna vai diminuir. Mas a dor no bolso pode aumentar. É verdade, os e-books custam menos do que o livro impresso. O problema é que um modelo como o Kindle permite que você tenha um livro no momento em que quiser – nem sobra tempo para pensar duas vezes. É a oportunidade perfeita para as compras por impulso. E quem é mão de vaca não vai ter moleza pra pegar livro dos outros. Hoje, não dá para emprestar as obras digitais para os parentes ou amigos. A exceção é o Cool-er. da fabricante britânica ínteread. que deixa você repassar um arquivo para até 4 pessoas.

O livro digital também pode transformar a leitura em um ato coletivo. Não. não é que você vai reunir a galera pra contar historinha. É só a influência da web 2.0. Sabe aquelas anotações que a gente faz no canto da página? Com o livro em bibliotecas como a do Google, vai dar para ler seu conteúdo e deixar anotações para o próximo leitor. Teríamos acesso aos pensamentos e referências que outra pessoa, que nem conhecemos, deixou ali.

Bacana, não é? Mas as mudanças podem não ser tão positivas para o pessoal da indústria do livro, como aquele grupo do começo da reportagem. Pense aqui com a gente: se não vamos precisar de papel, tinta e distribuição pra fazer e vender livros…pra que servirão as editoras e distribuidoras? Aí é que o bicho pega. Autores best sellers não precisam de tanta orientação ou promoção pra vender livros. Poderiam cortar os intermediários e negociar direto com as lojas. Isso aumentaria a participação nos lucros. O movimento já começou: a Interead, aquela do Cool-er, ofereceu 50% do dinheiro das vendas para os escritores que coloquem seus livros à venda no site do e-reader, o Coolerbooks.com. Uma editora tradicional costuma pagar até 10%. Mas e os autores menos famosos? Eles ainda precisam das editoras. E a morte delas pode ser a morte de grande parte da boa literatura. Ou não: talvez qualquer um possa escrever um livro e colocar na internet. São questões ainda sem resposta.

De qualquer jeito, o modelo tradicional não vai desaparecer da noite para o dia – as vendas de livros eletrônicos não passam de 2″ o do mercado livreiro, e isso nos países em que o e-reader já é realidade. Mesmo assim, editoras e lojas estão se mexendo, seja digitalizando o catálogo, seja criando negócios no mundo virtual. Elas têm, no entanto, uma dor de cabeça maior pela frente. No empenho para consolidar seu leitor eletrônico, a Amazon cravou um preço para a venda da maioria de seus livros.- USS 9.99 – enquanto um título em capa dura custa em média entre US$ 25 e USS 35. Só que a própria Amazon paga entre USS 12 e USS 13 pra comprar obras das editoras. Ou seja, tem prejuízo. É uma aposta para o futuro: o preço baixo ajuda a atrair clientes a rodo. isso pode pressionar as editoras a baixar os preços para competir, sacrificando os lucros. E talvez as levando à falência. Só a Amazon se daria bem. porque teria a clientela formada e conseguiria colocar o negócio no azul.

Até as bibliotecas terão de aprender a viver nessa nova ordem. No exterior, os bibliotecários estão se especializando em pesquisas online. Querem ser profissionais preparados para ajudar estudantes e interessados a filtrar informações encontradas em sites. “Tem muito lixo na internet. As pessoas assumem como verdade qualquer informação achada na Wikipedia”, diz Nêmora Rodrigues, presidente do Conselho Federal de Biblioteconomia. “O bibliotecário precisará indicar o caminho para as fontes mais relevantes e fidedignas.”

Pois é, o livro eletrônico chegou botando banca. Mas o fato é que ele ainda não chegou de verdade. Há muito a ser aprimorado até que os aparelhos e bibliotecas online caiam nos braços do povo. “O livro impresso terá seu espaço até aparecer um leitor eletrônico que seja acessível, agradável de usar e tenha um formato atraente. A questão é quando vai surgir”. diz Henrique Farinha. De qualquer forma, o ringue está pronto. E o livro impresso, com suas capas coloridas, o cheiro de tinta e uma experiência de tato ainda inigualável, terá de barrar o ímpeto de seu oponente – mais jovem e cheio de novidades. Antes que o novato vire um produto a que nem o leitor mais conservador consiga resistir.

Os Rivais

Conheça os grandes concorrentes do livro impresso – eles poderão engolir a sua biblioteca em breve

KINDLE/AMAZON

PREÇO: Duas versões. Uma por US$ 299 e outra, maior, por U5$ 489.
PONTOS FORTES: Nos EUA, dá para comprar mais de 275 mil livros em qualquer hora e lugar, pelo próprio e-reader.
PONTOS FRACOS: A Amazon tem controle sobre sua coleção. Pode deletar qualquer Livro, como fez em julho com 1984, por uma questão de direitos autorais- E não está disponível no Brasil

READER DIGITAL BOOK/SONY

PREÇO: Duas versões. Uma por US$ 279 e outra, pocket, por US$ 199.
PONTOS FORTES: Acesso gratuito a mais de 1 milhão de Livros do acervo do Google. E é mais barato do que o Kindle.
PONTOS FRACOS
: O downLoad para o e-reader não é automático. É preciso conectar o aparelho ao computador para baixar os livros. Não está disponível no Brasil.

BR-100-NTX/ BRAVIEW

PREÇO: O equivalente a US$ 200.
PONTOS FORTES: É coisa nossa! Previsto para ser lançado por aqui em outubro, deve ser o único no país por um tempo.
PONTOS FRACOS: Será mais simples que seus amigos estrangeiros, sem wi-fi ou tela sensível ao toque. Ainda não divulgou quais e quantas serão as obras disponíveis para Leitura no e-reader.

Baixe a reportagem original clicando aqui

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