[Documentário] Encontro marcado com o Cinema de Fernando Sabino

Categoria: Documentários, Filmes e Documentários

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Que Fernando Sabino (1923-2004) é um dos maiores cronistas da Literatura Brasileira – e seu livro Encontro Marcado tornou-se nos últimos 50 anos um clássico contemporâneo da língua portuguesa – é informação que qualquer cidadão com gosto pela vida cultural brasileira tem em conta.

Mas o Sabino homem de cinema, que realizou películas em curta-metragem ao lado do diretor David Neves – a partir de 1972, quando a dupla criou a produtora Bem-te-vi Filmes – é tesouro que constituía privilégio de pesquisadores e amigos. O DVD “Encontro Marcado com o cinema de Fernando Sabino e David Neves” reúne 10 curtas, realizados em 35 mm, com dez minutos de duração cada, retratando alguns dos maiores escritores brasileiros de qualquer tempo.

São instantâneos pessoais de rara intimidade flagrados em momentos tão preciosos quanto banais, por sua ambiência doméstica – com Carlos Drummond de Andrade, Jorge Amado, Vinicius de Moraes, João Cabral de Melo Neto, Guimarães Rosa, Érico Verissimo, José Américo de Almeida, Afonso Arinos, Pedro Nava, além do curta de Joaquim Pedro de Andrade com Manuel Bandeira.

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O Fazendeiro do ar – Carlos Drummond de Andrade

O Fazendeiro do ar apresenta Carlos Drummond de Andrade (1902-1987) mais carioca que itabirano, falando das raízes mineiras (da fixação sentimental pelas origens), admirando a vista da Pedra do Arpoador e brincando de esconder entre as pilastras do Ministério da Educação – onde foi chefe de gabinete do ministro Gustavo Capanema. O poeta aparece como prosaico passageiro do coletivo que o conduzia de sua casa, no Posto 6, ao centro da cidade para trabalhar como funcionário público.

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A casa do Rio Vermelho -  Jorge Amado

A casa do Rio Vermelho, mostra o cotidiano tropical de Jorge Amado (1912-2001) na residência de Salvador em que viveu ao lado de Zélia Gattai, cercado dos filhos, netos e amigos – Mario Cravo, Scliar, Mirabeau, Calazans Neto, Carybé, Dorival Caymmi, Mãe Menininha do Gantois. Jorge visita o Mercado Modelo, onde se encontra com Camafeu de Oxóssi. Entre pinturas, esculturas e romances, o ambiente de Amado parece ser a própria Pasárgada de Bandeira.

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O habitante de Pasárgada – Manuel Bandeira

O habitante de Pasárgada – instantâneo do Cinema Novo sob as lentes de Joaquim Pedro – apresenta um Manuel Bandeira (1886-1968) solitário, de hábitos frugais: sopra a boca do fogão em busca de um café fresco, de pijama, escreve à máquina; compra jornais e leite nas redondezas, caminha pela Avenida Rio Branco; e recita seus próprios versos, que saltam de sua imensa generosidade como os pães da torradeira no apartamento na Lapa.

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Veredas de Minas – Guimarães Rosa

Veredas de Minas mostra os homens do sertão que se tornaram personagens de Guimarães Rosa (1908-1967). Manuelzão e Zito relembram passagens ao lado do criador de Grande Sertão Veredas, outra obra a completar 50 anos em 2006. O documentário inclui trechos de filmes inspirados no escritor – de Paulo Thiago, Maurice Capovilla e Roberto Santos – e imagens de sua Cordisburgo natal, e fotos da posse na Academia Brasileira de Letras, dois dias antes de sua morte, em 1967, em que profetizou: As pessoas não morrem, ficam encantadas.

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O curso do poeta -  João Cabral de Melo Neto

O curso do poeta, com João Cabral de Melo Neto (1920-1999), propõe uma metáfora da obra do autor de Morte e vida Severina com as águas do Capibaribe (a cidade é passada pelo rio / como uma rua é passada por um cachorro / uma fruta por uma espada), incorporando a produção do poeta à paisagem do Recife e demais localidades de Pernambuco. Cabral tece loas às cabras e pedras do sertão de Pernambuco, bem como às usinas e canaviais da Zona da Mata. Dirigido por Renato Newman, o filme mostra o poeta no auditório da Cinemateca do MAM, no Rio.

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Romancista ao norte – José Américo de Almeida

José Américo de Almeida (1887-1980), autor de A bagaceira, tem sua imagem registrada aos 87 anos, duas décadas depois de retirar-se da vida pública. Em sua casa, na praia de Tambaú, em João Pessoa, o escritor, ex-governador e senador pela Paraíba, fala de sua obra que inaugurou o neo-regionalismo nordestino na literatura e comenta o período em que foi ministro da aviação e obras públicas de Vargas, até candidatar-se à presidência da República, sem o respaldo federal: Getúlio nunca me apoiou, lamenta. O filme conta ainda com o depoimento de Tristão de Athayde.

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Poesia, música e amorVinicius de Moraes

Poesia, música e amor flagra Vinicius de Moraes (1913-1980) em sua fase baiana, ao lado de Toquinho, Maria Creuza, Aloysio de Oliveira, a mulher Gesse e do inseparável copo de uísque, sob o disque-disque dos coqueirais de sua idílica Itapoã. Fala de suas características poéticas (O pronome da primeira pessoa vem sendo, pouco a pouco, substituído pela terceira) e assume as influências de Rimbaud, Baudelaire, Verlaine e Manuel Bandeira. O filme mostra Vinicius acompanhando-se sozinho ao violão em sambas de sua lavra, como Quando tu passas por mim.

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Em tempo de Nava – Pedro Nava

Em tempo de Nava enfoca o médico, artista plástico e escritor Pedro Nava (1903-1984), em sua casa e seu consultório. Nascido em Belo Horizonte, orgulha-se de conhecer profundamente o Rio por ter sido médico de assistência: Ia-se ao mangue, à zona, palacetes, morro acima. Éramos bem tratados mesmo nas áreas mais perigosas, atesta. Ele reclama da efemeridade das convicções na medicina: Um livro no fim de 15 anos não vale mais nada. Vivemos de uma ciência provisória. A mutabilidade decepciona o médico que pensa sua arte.

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Um contador de histórias – Érico Verissimo

O Rio Grande do Sul, de Érico Verissimo (1905-1975), é o cenário de Um contador de histórias, onde o escritor aparece em família. Imita um samurai, faz mágicas para os netos, caminha nas ruas de Porto Alegre. Verissimo reencontra sua cidade natal, Cruz Alta, onde volta à casa da infância, sempre ao lado da mulher, Mafalda: Sei que não é fácil ser mulher de um escritor como eu. Eu me amo, mas não me admiro. Preciso de sua presença vigilante e amorosa, declara.

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O escritor na vida pública – Afonso Arinos de Melo Franco

Em O escritor na vida pública, o intelectual, ex-parlamentar e advogado mineiro Afonso Arinos de Melo Franco (1905-1990) recebe os amigos Prudente de Moraes Neto e Pedro Nava em seu palacete no bairro carioca de Botafogo. Fala sobre o gênero mais recorrente em sua obra – o ensaio – que, em seu depoimento, reúne a vocação literária que muito modesta existe em mim com a inclinação pela vida pública. Arinos revela que a lei anti-racismo que celebrizou seu nome foi inspirada em seu motorista depois de este ser impedido de entrar em uma confeitaria, no Rio.

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fernandosabino [Documentário] Encontro marcado com o Cinema de Fernando Sabino

Encontro Marcado com Fernando Sabino

No extra Encontro Marcado com Fernando Sabino, há depoimentos do cronista e dos escritores Luis Fernando Veríssimo e Affonso Romano de Sant´anna; da secretária Fabiana Rodrigues, da filha Verônica e do ator Paulo Betti, além de imagens do filme de Oswaldo Caldeira, O grande mentecapto, inspirado no romance do escritor que elevou a crônica à categoria de alta literatura. Nas palavras de Zuenir Ventura, Fernando é o mestre de todos nós.

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[Notícias] Quincas Berro D´água, de Jorge Amado, estreia no cinema

Categoria: Informação e Cultura, Notícias

paulo jose contracena com duas atrizes no filme quiancas berro dagua 2010 de sergio machado 1269460784905 560x400 [Notícias] Quincas Berro D´água, de Jorge Amado, estreia no cinema

SÃO PAULO (Reuters) – Quincas Berro D’Água, nascido Joaquim Soares da Cunha, um dia foi um respeitado funcionário público. Mas isso foi há muitos anos, quando ele ainda acreditava na humanidade, na família, nos valores burgueses. Infelizmente, ele morre no dia em que completaria 72 anos. Esse detalhe, no entanto, não impede que seus quatro amigos – que estão mais para escudeiros – lhe dêem uma última noitada.

“Quincas Berro D’Água”, adaptação do romance “A Morte e a Morte de Quincas Berro D’Água”, de Jorge Amado, roteirizada e dirigida por Sérgio Machado (“Cidade Baixa”), que chega aos cinemas do Brasil nessa sexta-feira, segue em linhas gerais a obra original, uma das mais vendidas do escritor baiano, morto em 2001.

O livro, no entanto, é apenas um ponto de partida – nunca o de chegada, ou seja, o longa não se limita apenas a explorar os personagens e situações do original.

Com elegância e respeito pelo original, Machado toma os personagens e temas de Jorge Amado para si e os transforma em personagens cinematográficos.

Fora das páginas do livro, eles ganham outra dimensão, outros significados, assim, como a morte do protagonista. Paulo José, que em seu currículo conta com personagens marcantes como o padre, de “O Padre e a Moça”, “Macunaíma”, ou Edu, de “Edu Coração de Ouro”, acaba de criar mais um tipo inesquecível – especialmente por conta de sua interpretação.

Pode parecer simples interpretar o papel de um morto, mas Paulo empresta ao personagem nuances e cores que faltam a muitos vivos (dentro e fora das telas). Seu risinho irônico é um comentário mordaz à hipocrisia de sua família que insiste em varrer para debaixo do tapete seu passado recente de boemia. Mariana Ximenes (“Hotel Atlântico”) faz a filha, Vanda, e Vladmir Brichta (“Romance”) é o genro almofadinha, acomodado na vidinha burguesa.

Essa é a família oficial. Mas, no fundo, mais conta aquela família de amigos que escolhemos para nós e, nesse quesito, Quincas estava muito bem servido com Pastinha (Flavio Bauraqui, de “Meu Nome não é Johnny”), Pé de Vento (Luis Miranda, de “Jean Charles”), Cabo Martim (Irandhir Santos, de “Viajo Porque Preciso, Volto Porque te Amo”) e Curió (Frank Menezes, conhecido ator de comédia baiano, que também participou de filmes como “Tieta”).

Cada um tem o seu perfil, suas qualidades e fraquezas. Tal qual Dorothy e seus três amigos em “O Mágico de Oz”, Quincas e seu quarteto estão em busca de algo, para o grupo e para si – mas, talvez, não estejam cientes dessa jornada.

Pastinha é medroso, Pé de Vento é desbocado, o Cabo tem a bravura, mas talvez lhe falte um pouco de modéstia, e Curió é o eterno sonhador que busca um amor. Dos quatro, ele é a figura mais patética, querendo declamar versos com a maquiagem do rosto borrada de lágrimas.

Fora os amigos, Quincas deixa para trás um grande amor, Manuela, prostituta madura, melancólica e infeliz com a perda do amado. Marieta Severo, que faz a personagem, lhe confere uma dose de dignidade que talvez outra atriz não conseguisse.

O amor, que a muita coisa redime, é a razão de ser dessa mulher que, agora, sem Quincas estará sozinha. Com o peso da idade, talvez jamais encontre novamente outro homem para estar com ela. Amor mesmo, esse parece que foi só um.

Já a personagem da filha Vanda é mais bem desenvolvida no filme que no livro. A morte do pai, com quem ela não tinha contato há alguns anos, é uma catarse, um grito, um aviso de que a vida passa. A faz perceber como o tempo passa rápido e talvez não tenhamos chance de fazer tudo aquilo que queremos, pretendemos ou merecemos.

“Quincas Berro D’Água” deixa uma lição não apenas para Vanda. É preciso viver intensamente o presente. Quincas teve a chance de ganhar uma última noite de esbórnia, de festa com os amigos. Ele pode, mesmo morto, aproveitar a vida. Mas é um caso raro.

(Por Alysson Oliveira, do Cineweb)

* As opiniões expressas são responsabilidade do Cineweb

[Notícias] Quatro livros brasileiros no cinema em 2010

Categoria: Informação e Cultura, Notícias

O cinema nacional deve ter em 2010 ao menos quatro estreias adaptadas de livros de destaque na literatura brasileira. Jorge Amado, por exemplo, terá duas de suas mais importantes obras levadas às telas.

Em A Morte e a Morte de Quincas Berro D’Água, inspirado no livro homônimo de 1961, o diretor Sérgio Machado (de Cidade Baixa, de 2005) vai mostrar a trajetória de Joaquim Soares da Cunha, que decide abandonar a família para viver como um vagabundo. No elenco, nomes como Paulo José e Marieta Severo. “A ideia é revelar justamente o ambiente e o visual da obra do escritor. Ao mesmo tempo, é desafiador: são muitos personagens e histórias a serem mostrados“, afirma o cineasta.

Outra obra do escritor a ser adaptada é Capitães da Areia (1937). O filme será dirigido por Cecília Amado, neta do escritor e assistente de direção de Mauá – O Imperador e o Rei (1999) e Batismo de Sangue (2006), e narrará a rotina de meninos de rua.

Já Malu de Bicicleta, adaptação do livro homônimo de Marcelo Rubens Paiva, é dirigido por Flávio Tambellini (Buffo & Spalanzani, de 2001). “Minha maior preocupação foi tornar o livro o mais cinematográfico possível” – afirma Tambellini.

Um dos mais aguardados da leva é a versão cinematográfica de O Doce Veneno do Escorpião, que narra a trajetória da ex-garota de programa Bruna Surfistinha e terá Deborah Secco no elenco. Confira a seguir um pouco mais de cada um dos quatro projetos.

quincas berro [Notícias] Quatro livros brasileiros no cinema em 2010

A Morte e a Morte de Quincas Berro D’Água – Jorge Amado / Sérgio Machado

Também baseado em obra de Jorge Amado, o filme narra a história de Joaquim Soares da Cunha, que recebe o apelido de Quincas Berro D’Água. O motivo? O senhor se entrega à cachaça, sua bebida favorita, decide viver como um vagabundo e abandona a família. Ao fazer isso, é decretada a sua primeira “morte”: a moral.

A segunda ocorre de fato quando ele é encontrado por uma amiga em um quarto sujo sem vida. A direção será de Sérgio Machado. No elenco estão nomes como Mariana Ximenes, Paulo José, que interpreta o protagonista, e Marieta Severo.

Curiosidade: para o diretor, o longa representa uma espécie de agradecimento a Jorge Amado. O cineasta conta que foi o escritor quem o apresentou a Walter Salles (de Central do Brasil, de 1998), que o ajudou bastante no início de sua carreira.

capitaes de areia [Notícias] Quatro livros brasileiros no cinema em 2010

Capitães da Areia – Jorge Amado / Cecília Amado

Baseado em um dos maiores sucessos do escritor Jorge Amado, o filme narra o cotidiano de um grupo de adolescentes que moram no cais do porto, em Salvador (BA). A chegada de uma garota ao bando muda a hierarquia e as relações dos capitães da areia.

Curiosidade: alguns atores – os papéis de destaque ficaram com Ana Graciela Conceição da Silva e Romário Santos de Assis – foram escolhidos depois de participarem da oficina Novos Capitães, em Salvador. Muitos deles vêm de projetos sociais desenvolvidos na Bahia.

malu de bicicleta [Notícias] Quatro livros brasileiros no cinema em 2010

Malu de Bicicleta – Marcelo Rubens Paiva / Flávio Tambellini

Adaptação do romance homônimo de Marcelo Rubens Paiva, com direção de Flávio Tambellini, o filme conta a história de Luiz, um empresário bem-sucedido de São Paulo. Para descansar, ele vai morar por um tempo no Rio, onde esbarra na carioca Malu e se apaixona por ela. O problema é que os dois levam uma vida diferente: enquanto ela é descolada e livre, ele é “galinha”.

No elenco, Fernanda de Freitas, Marcelo Serrado e Marjorie Estiano. Curiosidade: Paiva assina o roteiro do filme. Ele foi chamado para trabalhar no longa depois de Tambellini ter feito uma primeira versão da adaptação.

doce veneno [Notícias] Quatro livros brasileiros no cinema em 2010

O Doce Veneno do Escorpião – Raquel Pacheco / Marcus Baldini

O filme, baseado no livro escrito pela ex-garota de programa Raquel Pacheco, conhecida como Bruna Surfistinha, mostra a trajetória dela, que se tornou celebridade depois de contar suas experiências em um blog.

A direção será de Marcus Baldini, diretor de videclipes e filmes publicitários de 35 anos que estreia no longa-metragem. Quem vai interpretar a protagonista é Deborah Secco, que terá no elenco a companhia de Cássio Gabus Mendes e Fabiula Nascimento.

Curiosidade: algumas cenas foram rodadas na Love Story, uma das boates mais famosas de São Paulo. Inicialmente, Bruna Surfistinha seria vivida por Karen Junqueira, mas ela alegou que não poderia se dedicar integralmente ao projeto. Dos quatro filmes, este é o único que tem data de estreia confirmada: 16 de julho.

A repercussão toda que o projeto ganhou mostra que tem muita gente querendo ver o filme – aposta o diretor. – Mas não me deixo levar muito pelo que as pessoas têm dito. Só quero mostrar, com o longa, os motivos que levam uma menina a sair de casa e se tornar uma garota de programa.

Fonte: Zero Hora

[Audiobook] Capitães de Areia – Jorge Amado

Categoria: Audiobooks e arquivos de áudio

capitaesdaareiacapa [Audiobook] Capitães de Areia   Jorge Amado

Desde o seu lançamento, em 1937, ‘Capitães da Areia’ causou escândalo: inúmeros exemplares do livro foram queimados em praça pública, por determinação do Estado Novo. Ao longo de sete décadas a narrativa não perdeu viço nem atualidade, pelo contrário: a vida urbana dos meninos pobres e infratores ganhou contornos trágicos e urgentes. Várias gerações de brasileiros sofreram o impacto e a sedução desses meninos que moram num trapiche abandonado no areal do cais de Salvador, vivendo à margem das convenções sociais. Verdadeiro romance de formação, o livro nos torna íntimos de suas pequenas criaturas, cada uma delas com suas carências e ambições: do líder Pedro Bala ao religioso Pirulito, do ressentido e cruel Sem-Pernas ao aprendiz de cafetãoGato, do sensato Professor ao rústico sertanejo Volta Seca. Com a força envolvente de sua prosa, Jorge Amado nos aproxima desses garotos e nos contagia com seu intenso desejo de liberdade.

Audiobook – Capitães de Areia – Jorge Amado

Tamanho: 481,66mb | Formato: mp3 | Gravado pelo Projeto Amu – Bragança Paulista

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[Cultura] Jorge amado em quadrinhos

Categoria: Informação e Cultura, Papo Cabeça

spacca [Cultura] Jorge amado em quadrinhos

AS CORES DE AMADO

Quadrinista paulista Spacca faz adaptação de Jubiabá para quadrinhos
Por Lidianne Andrade

Polêmico nos romances e com personagens fortes e caricaturados, o escritor Jorge Amado marcou a literatura brasileira com suas obras. Já recebeu diversas adaptações para TV e cinema, aumentando a apreciação de suas histórias pelo público popular, mas, para alguns, sua literatura continua com a linguagem censurável pela ausência de pudor narrativo, sem muito atrativo para os mais jovens. Talvez essa barreira seja rompida com a chegada nas livrarias de Jubiabá, adaptação em quadrinhos de obra homônima de Amado com ilustração e roteiro de Spacca pelo novo selo da Cia. das Letras, Quadrinhos na Cia.

Ao longo de suas 98 páginas, coloridas em formato 21 x 28, o HQ traz, na íntegra, a história do casamento de imagem e texto com síntese da obra escrita por Jorge Amado entre 1934 e 1935. Nascido no morro do Capa-Negro, em Salvador, Antônio Balduíno (Baldo) é protegido do pai-de-santo Jubiabá. Já na infância o protagonista aliena-se em seu mundo, liderando um pequeno grupo de moleques para furtos e arruaças.

Baldo vivencia o pior da sociedade baiana em uma luta por ascensão. Na trajetória da personagem, Jorge Amado constrói um painel da Bahia e conseqüentemente do Brasil. O Morro do Capa Negro é pincelado em detalhes, a paisagem ganha cores e movimentos, não esquecidos por Spacca nas páginas do quadrinho. Diferentemente de outros trabalhos do artista, aqui há desenhos mais realistas. “As situações exigem mais dramaticidade. Há cenas trágicas, comoventes, até piegas, e precisei de personagens um pouco mais próximos do real para parecerem mais convincentes ao leitor”, explica Spacca, em entrevista a Revista O Grito!.

Entre produção, pesquisa e finalização, foi um ano e meio de trabalho árduo. Só de pesquisa foram seis meses para retratar com fidelidade as paisagens, buscadas em fotos e livros e uma visita de cinco dias à Bahia. Entre as fontes, o livro Retrato da Bahia, do fotógrafo Pierre Verger, com fotos de 1946 que segundo o autor captam o espírito dos romances. O fotógrafo por sinal é homenageado na segunda contracapa, na cena do cordel, onde Spacca desenhou um turista segurando uma câmera Rolleiflex.

O convite para o trabalho veio da Cia das Letras quando ainda estava concorrendo com outras editoras do Brasil pelos direitos da obra de Jorge Amado. “Pediram para escolher uma obra para desenhar uma amostra de capa de HQ. Fiquei feliz em saber que a Cia ganhou, mesmo sem ter feito a proposta mais alta. Eles escolheram pelos projetos apresentados”, conta. A escolha por Jubiabá foi conjunta entre editora e desenhista. A editora pediu para o artista escolher qualquer uma momentaneamente para aprovação e Scappa escolheu esta. Gostou e resolveu ficar com ela. “Foi escolha nossa, minha com o aval deles”, diz.

Apesar de ter sido um convite, o ilustrador deixa claro que foi um trabalho árduo mas prazeroso. Para passar mais de um ano encarando Jorge Amado diariamente, precisa-se nutrir um carinho especial. “Gosto da prosa dele, com descrições sedutoras e saborosas como “o mistério escorre das ruas da cidade da Bahia feito azeite de dendê…”, cita o desenhista.

Spacca mostra-se preocupado com o destino do seu livro. Para muitos críticos e especialistas em literatura, adaptações de clássicos para quadrinhos não devem ser propagadas como substitutas das obras originais. Para o autor, a obra deve servir de introdução e não de única fonte. Ele ainda declara que o quadrinho seria um chamariz e uma introdução ao universo de Jorge Amado, não só pelos jovens mas por qualquer pessoa que, por algum motivo, não leu ou não gosta mesmo sem conhecer. “É importante mostrar que uma adaptação em HQ não seja vista como a obra em si, mas sim como a interpretação de um artista a partir daquela obra”, comenta o artista.

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Mais quadrinhos nas prateleiras
Editoras investem em adaptações de clássicos para HQ

De olho em um seguimento avesso à crise e aumentando cada vez mais o número de vendas, a editora Cia. das Letras lançou em dezembro do ano passado um selo próprio para as publicações em HQ, o Quadrinhos na Cia. A experiência de bons resultados foi comprovada com o próprio Spacca, com Santô e os Pais da Aviação contabilizando 30.000 exemplares vendidos. Vale lembrar que a obra é um registro histórico de vida e obra de Santos Dummont, considerado um pai da aviação e um tema não tão tragável para vendas, surpreendendo a editora.

As razões para expansão e investimento em tal fatia de mercado são diversas, mas podemos enumera algumas como o retorno de leitores de gibis do passado, ressuscitando uma fantasia de infância. A explosão das graphic novels norte-americanas (romances gráficos, termo de Will Eisner, mestre da área) também não deve ser descartada e, claro, os lideres de vendas nas bancas, os mangás, gibis japoneses

Juntando o sucesso de vendas do gênero e tentando popularizar obras clássicas, muitas editoras partiram para investir em quadrinhos. As prateleiras já possuem uma gama de ofertas como A Luneta Mágica, de Joaquim Manuel de Macedo, da Panda Books e O Cortiço, adaptado por Ivan Jaf e Rodrigo Rosa, além da premiada adaptação O Alienista, de Fábio Moon e Gabriel Bá.

Existe uma crítica de que há um interesse perverso das editoras em vendas graças há adoção de algumas escolas no gênero como leitura obrigatória. Algumas listas de recomendação do governo já trazem as adaptações para as escolas, mesmo sem ler. A principal é a do PNBE, Programa Nacional Biblioteca da Escola, do Governo Federal. O edital de concorrência dá especial atenção às adaptações. No mais, muitos saldos positivos: obras brasileiras chegando mais fácil nas mãos de crianças e desmistificando leituras consideradas complicadas e mais trabalho para quadrinistas brasileiros. A Cia das Letras colocou obras importantes nas HQ’s este mês, como Retalhos, de Graig Thompson e Nova York, de Will Eisner. Para este ano, ainda são aguardadas nomes como Chris Ware e mais Eisner.

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