[Curiosidades] PDL visita livrarias no Uruguai e na Argentina

Categoria: Curiosidades, Informação e Cultura

Janeiro é o mês de aniversário do PDL, e também aquele que a gente escolhe para dar uma descansadinha. Enquanto boa parte da equipe está de férias, acabamos aproveitando nossa viagem à Argentina e Uruguai para fazer uma das coisas que mais gostamos: visitar livrarias.

Muitos já ouviram que só em Buenos Aires há mais livrarias que em todo o Brasil. Constatar isso não foi surpresa. Surpresa foi chegar ao Uruguai, um dos países mais despovoados da América Latina, e encontrar bancas, sebos e livrarias em cada esquina. A economia do país é quase agrária, mas a população possui um nível educacional altíssimo.  Nos parques e praças, os livros tem presença obrigatória. Aliás, quem conhece o Uruguai não pode deixar de conhecer os Uruguaios, prestativos, atenciosos, gentis.

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Acho que nossos hermanos descobriram mais cedo que uma boa livraria deve ter um bom café, além de agradáveis espaços para relaxar e ler à vontade. Nesta elegante livraria (foto acima) que fica próxima ao famoso Mercado del Puerto, encontramos um bar no andar superior, com vista para a rua. Já na Puro Verso (foto abaixo), que fica na principal avenida de Montevidéo, encontramos um acervo imenso, em um prédio mais rústico. Ela também tem um sebo, mas essa parte é um tanto caótica.

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Infelizmente, continuamos subestimando o mercado editorial uruguaio. Naquela livraria elegante encontrei em uma pilha de edições de Dom Quixote o livro “Cervantes y el Quijote“, de Jorge Luis Borges. Borges é sem dúvida o expoente máximo da literatura argentina, e era absolutamente fascinado pelo Quixote. Como eu. A obra é uma coleção de textos do autor sobre o cavaleiro da triste figura, e eu, tonto que sou, pensei em deixar para comprar na Argentina, para não carregar peso à toa. Só que não achei na Argentina, e não existe no Brasil.

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Vista frontal e traseira do salão principal da El Ateneu Grand Splendid

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Seguimos para Buenos Aires, capital das livrarias. Tinhamos como parada certa a El Ateneu Grand Splendid, que, de fato, é explêndida. Ela é incrível porque foi montada em um antigo teatro, cujo espaço “para relaxar e ler à vontade” que mencionei é justamente o palco. Um informativo no interior da loja anuncia que em 2008 o jornal britânico The Guardian publicou um ranking das 10 melhores livrarias do mundo, tendo a El Ateneu Grand Splendid ficado com a segunda posição. Como contraponto, achei que pelas dimensões do espaço deveria haver mais atendentes, e os que já estão por lá poderiam ser um pouco mais atenciosos. Saí de lá sem comprar nada, mas logo ao lado já tinha outra, e outra…

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No Brasil, é trivial reclamar nos preços dos livros. Nos lugares que visitamos, os preços  realmente são mais baixos, mas nem tanto assim. Alguns bestsellers podem até ter preços melhores aqui. O que nos salvou foram as edições de bolso, compramos algumas jóias da literatura hispânica por poucos pesos. Já o caso das revistas foi diferente. Compramos uma edição da “Muy Interesante”, versão da nossa Superinteressante, por apenas 9.60 pesos, que no câmbio atual dá menos de 5 reais. Nada mal já que aqui ela custa mais que o dobro.

No fim das contas, a mala acabou mesmo voltando mais pesada. Deixamos, a título de curiosidade, nossa lista de aquisições, e mais algumas fotos da relação de nossos hermanos com os livros. Vamos sentir saudades.

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Jovens lendo em Colônia do Sacramento, Uruguai

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Painel em uma das ruas de Colônia do Sacramento, Uruguai

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Argentinos, livros e melancia. Parque Rosedal, Buenos Aires.

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O Quixote, finalmente! Calle Caminito, La Boca, Buenos Aires

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Mafalda, linda. San Telmo, Buenos Aires.

Lista de livros comprados:

Dormir al sol – Adolfo Bioy Casares – $15 pesos
El oro de los tigres – Jorge Luis Borges – $15 pesos
Ficciones – Jorge Luis Borges – $30 pesos
Intimate Frida – Isolda P. kahlo – $75 pesos
El reino del Dragón de Oro – Isabel Alende $29 pesos
Toda Mafalda – Quino – $165 pesos
Del Amor y otros Demonios – Gabriel Garcia Marquez – $35 pesos

[Papo Cabeça] O hábito faz o leitor – Um papo sobre e-books, leitura e neurociência

Categoria: Informação e Cultura, Papo Cabeça

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A americana Maryanne Wolf é uma das maiores especialistas na área da neurociência que estuda os efeitos da leitura no cérebro, tema sobre o qual já escreveu mais de uma dezena de livros. Hoje, ela se dedica a entender, cientificamente, como as pessoas assimilam conhecimento por meio de novas tecnologias, como o e-book. De Boston, onde comanda um centro de pesquisas na Universidade Tufts, Maryanne falou à repórter de Veja Renata Betti.

Suas pesquisas indicam que ler um livro digital não é o mesmo que no papel. Por quê?

A observação sistemática mostra que, com o e-book, as pessoas tendem a acelerar o ritmo de leitura e a absorver menos conteúdo. Isso porque a tela remete à ideia de que é preciso vencer etapas a cada instante, antes que a bateria termine ou que se perca a conexão. Ainda faltam, no entanto, evidências baseadas na neurociência, como as que já existem sobre a internet.

O que já se sabe sobre a leitura na rede?

Ela é mais superficial, segundo revelam as imagens dos neurônios quando alguém está diante do computador. As fotos mostram, com nitidez, que o circuito formado entre as áreas do cérebro envolvidas na leitura não chega, nesse caso, àquela região em que ela seria processada de maneira mais analítica.

Por que isso acontece?

A internet provê um excesso de estímulos que acabam atrapalhando. Enquanto você lê Shakespeare, não param de aparecer na tela pop-ups e e-mails. É naturalmente difícil manter a concentração e fazer uma leitura de padrão mais elevado, que abra espaço para um alto grau de processamento de ideias. A habilidade para ler deve ser treinada.

Como, exatamente?

Simples: lendo todo dia. Não existe no cérebro nada como uma estrutura previamente concebida para a leitura – é preciso construí-la e aprimorá-la. Funciona como no esporte: quanto mais se pratica, melhor é o resultado.

Como a neurociência explica a formação de tal estrutura no cérebro?

A repetição da leitura faz o cérebro desenvolver um circuito que passa a conectar, em questão de milésimos de segundo, três áreas distintas: a da visão, a da linguagem e uma que se encarrega de dar significado às palavras. Esse mesmo roteiro pode levar até 100 vezes mais tempo, caso a pessoa não tenha o hábito de ler. Seu cérebro fica tomado com a tarefa básica de decodificar o texto – e não consegue ir muito além disso.

Como alcançar um avançado estágio de leitura por meio das novas tecnologias?

É preciso enfatizar à atual geração multitarefas que leitura demanda altíssima atenção e não é conciliável com nenhuma outra atividade. Feita a ponderação, novas tecnologias, como o e-book, são mais do que bem-vindas. Elas têm ajudado, afinal, a despertar o interesse pelos livros num momento em que isso nunca foi tão difícil.

Veja,  Edição 2139, de 18 de Novembro de 2009

[Curiosidades] Dia Nacional do Livro no Brasil – 29 de Outubro

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dianacionaldolivro [Curiosidades] Dia Nacional do Livro no Brasil   29 de Outubro

No dia 29 de outubro é comemorado o dia nacional do livro.

Para a primeira biblioteca do Brasil, Portugal disponibilizou um acervo bibliográfico muito rico, vindos da Real Biblioteca Portuguesa, com mais de sessenta mil objetos. O acervo era composto por medalhas, moedas, livros, manuscritos, mapas, etc.

As primeiras acomodações da Biblioteca foram em salas do Hospital da Ordem Terceira do Carmo, na cidade do Rio de Janeiro.

A escolha da data foi em razão da transferência da mesma para outro local, no dia 29 de outubro de 1810, fundando-se assim a Biblioteca Nacional do Livro, pela coroa portuguesa.

Da data da fundação até por volta de 1914, para se fazer consultas aos materiais da biblioteca era necessária uma autorização prévia.

O primeiro livro publicado no Brasil foi Marília de Dirceu, escrito por Tomás Antônio Gonzaga. Na época, o imperador do país fazia uma leitura prévia dos mesmos, a fim de liberar ou não o seu conteúdo, funcionando como censura.

Em 1925, Monteiro Lobato, escritor e editor, autor do Jeca Tatu e do Sítio do Picapau Amarelo, fundou a Companhia Editora Nacional, trazendo grandes possibilidades de crescimento editorial para o Brasil.

Curiosidades sobre livros e leitura no Brasil:

O brasileiro lê, em média 4,7 livros por ano, contra 10 nos EUA ou na França e 15 nos países nórdicos. Dos 4,7 livros lidos pelos brasileiros,apenas 0,9 não são livros didáticos.

A Unesco ( Organizações das Nações Unidas para a Educação, a Ciência e a Cultura) recomenda que haja uma livraria para cada 10 mil pessoas. No Brasil ,com 190 mil habitantes,temos 2.700 livrarias uma para cada 70 mil habitantes.

Quem são os leitores no Brasil

Na última pesquisa Retratos da Leitura no Brasil, 95,6 milhões (55% da população estudada) declararam ter lido pelo menos 1 livro nos últimos 3 meses (outros 6 milhões leram em meses anteriores e não foram computados). Dentre esses, 47,4 milhões (50%) dos leitores são estudantes que leem livros indicados pelas escolas (inclusive didáticos). Do soutros 41,1 milhões que não são estudantes:

- 7,3 milhões (9%) têm até a 4ª série do Ensino Fundamental.
- 10,6 milhões (27%) têm de 5ª a 8ª série do Ensino Fundamental.
- 14,9 milhões (37%) têm Ensino Médio.
- 8,5 milhões (55%) têm Ensino Superior.

-  1/3 dos leitores afirma ler frequentemente.
- 55% são mulheres. Mulheres leem mais que homens em todos os gêneros, exceto em História, Política e Ciências Sociais.- 6,9 milhões (7%) dos leitores estavam lendo a Bíblia.

Quem mais influenciou os leitores a ler:

Mãe (ou responsável mulher)  49%
Professora  33%
Pai (ou responsável homem)  30%
Outro parente  14%
Amigo  8%
Padre, pastor ou líder religioso  5%
Colega ou superior no trabalho  2%
Outros  3%
Ninguém  14%
Não sabe ou não informou  1%

Perfil dos leitores que declaram gostar de ler em seu tempo livre e fazer isso com frequência

- Formação superior (79%)
- Renda familiar acima de 10 salários mínimos (78%)
- Chefes de família (76%)
- Espíritas (76%)
- Trabalham e estudam (73%)
- Membros das classes A (75%) e B (74%)
- Moradores da região Sul (72%)
- Moradores das regiões metropolitanas (69%)
- Jovens e adultos de 18 a 24 anos (67%) e 30 a 39 (68%)

Origem dos livros lidos, por classe social

Classe A Classe B Classe C Classe D Classe E
Comprado 73% 65% 48% 32% 27%
Xerocado 5% 8% 8% 5% 2%
Presenteado 30% 30% 21% 24% 25%
Emprestado por Biblioteca 24% 31% 37% 33% 22%
Emprestado por Particular 35% 47% 46% 44% 49%
Distribuídos pelo governo 3% 11% 15% 29% 40%
Baixado da Internet 10% 13% 9% 3% 3%

[Notícias] Famílias brasileiras gastam R$ 11 por ano com livros não didáticos

Categoria: Informação e Cultura, Notícias

Pesquisa comparou despesas com leitura a itens como celular e TV. Percentual gasto com livros aumenta conforme a renda familiar.

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As famílias brasileiras gastam, em média, R$ 11 por ano com livros não didáticos. O valor é bem menor do que a despesa com revistas (R$ 42) e jornais (R$ 17). Na verdade, ao comparar com outros tipos de lazer, os materiais de leitura ficam em último na lista de prioridades.

A preferência disparada é por itens eletrônicos, como TV, computador e CDs. Os gastos nessa área alcançam R$ 400 por ano. Em seguida, aparecem as despesas com telefonia celular (R$ 180 por ano), seguidas pelos passeios fora de casa (R$ 125). O gasto anual com livros, revistas, jornais e dicionários é de R$ 110.

Os dados fazem parte de uma pesquisa divulgada na terça-feira (8). Encomendado por oito entidades ligadas ao mercado editorial, o estudo se baseia nos números da Pesquisa de Orçamentos Familiares, do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), de 2002 e 2003, a última mais recente. Foi avaliada uma amostragem de cerca de 50 mil domicílios do país.

Nível de renda

A pesquisa aponta ainda que o nível de renda tem influência na escolha pela leitura. “Quanto maior a renda das pessoas, maior é o gasto percentual com material de leitura”, avalia Eduardo Mendes, diretor-executivo da Câmara Brasileira do Livro (CBL).

No caso das famílias com renda de até dois salários mínimos, 18,66% compram material de leitura. Entre aquelas que ganham de cinco a dez salários mínimos, esse percentual sobe para 45,56%. Ao comparar com famílias que recebem 15 salários mínimos, o índice alcança 71,24%.

Mendes ressalva que, desde a época em que os dados foram coletados (2002 e 2003), ocorreram mudanças importantes em relação ao número de pessoas com celular e computador.

“Os dados de que dispomos já são meio antigos. Estamos aguardando a nova Pesquisa de Orçamentos Familiares, do período de 2008 e 2009, para fazermos uma nova análise e podermos começar uma série histórica.”

G1

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