[Documentário] Encontro marcado com o Cinema de Fernando Sabino

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Que Fernando Sabino (1923-2004) é um dos maiores cronistas da Literatura Brasileira – e seu livro Encontro Marcado tornou-se nos últimos 50 anos um clássico contemporâneo da língua portuguesa – é informação que qualquer cidadão com gosto pela vida cultural brasileira tem em conta.

Mas o Sabino homem de cinema, que realizou películas em curta-metragem ao lado do diretor David Neves – a partir de 1972, quando a dupla criou a produtora Bem-te-vi Filmes – é tesouro que constituía privilégio de pesquisadores e amigos. O DVD “Encontro Marcado com o cinema de Fernando Sabino e David Neves” reúne 10 curtas, realizados em 35 mm, com dez minutos de duração cada, retratando alguns dos maiores escritores brasileiros de qualquer tempo.

São instantâneos pessoais de rara intimidade flagrados em momentos tão preciosos quanto banais, por sua ambiência doméstica – com Carlos Drummond de Andrade, Jorge Amado, Vinicius de Moraes, João Cabral de Melo Neto, Guimarães Rosa, Érico Verissimo, José Américo de Almeida, Afonso Arinos, Pedro Nava, além do curta de Joaquim Pedro de Andrade com Manuel Bandeira.

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O Fazendeiro do ar – Carlos Drummond de Andrade

O Fazendeiro do ar apresenta Carlos Drummond de Andrade (1902-1987) mais carioca que itabirano, falando das raízes mineiras (da fixação sentimental pelas origens), admirando a vista da Pedra do Arpoador e brincando de esconder entre as pilastras do Ministério da Educação – onde foi chefe de gabinete do ministro Gustavo Capanema. O poeta aparece como prosaico passageiro do coletivo que o conduzia de sua casa, no Posto 6, ao centro da cidade para trabalhar como funcionário público.

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A casa do Rio Vermelho -  Jorge Amado

A casa do Rio Vermelho, mostra o cotidiano tropical de Jorge Amado (1912-2001) na residência de Salvador em que viveu ao lado de Zélia Gattai, cercado dos filhos, netos e amigos – Mario Cravo, Scliar, Mirabeau, Calazans Neto, Carybé, Dorival Caymmi, Mãe Menininha do Gantois. Jorge visita o Mercado Modelo, onde se encontra com Camafeu de Oxóssi. Entre pinturas, esculturas e romances, o ambiente de Amado parece ser a própria Pasárgada de Bandeira.

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O habitante de Pasárgada – Manuel Bandeira

O habitante de Pasárgada – instantâneo do Cinema Novo sob as lentes de Joaquim Pedro – apresenta um Manuel Bandeira (1886-1968) solitário, de hábitos frugais: sopra a boca do fogão em busca de um café fresco, de pijama, escreve à máquina; compra jornais e leite nas redondezas, caminha pela Avenida Rio Branco; e recita seus próprios versos, que saltam de sua imensa generosidade como os pães da torradeira no apartamento na Lapa.

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Veredas de Minas – Guimarães Rosa

Veredas de Minas mostra os homens do sertão que se tornaram personagens de Guimarães Rosa (1908-1967). Manuelzão e Zito relembram passagens ao lado do criador de Grande Sertão Veredas, outra obra a completar 50 anos em 2006. O documentário inclui trechos de filmes inspirados no escritor – de Paulo Thiago, Maurice Capovilla e Roberto Santos – e imagens de sua Cordisburgo natal, e fotos da posse na Academia Brasileira de Letras, dois dias antes de sua morte, em 1967, em que profetizou: As pessoas não morrem, ficam encantadas.

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O curso do poeta -  João Cabral de Melo Neto

O curso do poeta, com João Cabral de Melo Neto (1920-1999), propõe uma metáfora da obra do autor de Morte e vida Severina com as águas do Capibaribe (a cidade é passada pelo rio / como uma rua é passada por um cachorro / uma fruta por uma espada), incorporando a produção do poeta à paisagem do Recife e demais localidades de Pernambuco. Cabral tece loas às cabras e pedras do sertão de Pernambuco, bem como às usinas e canaviais da Zona da Mata. Dirigido por Renato Newman, o filme mostra o poeta no auditório da Cinemateca do MAM, no Rio.

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Romancista ao norte – José Américo de Almeida

José Américo de Almeida (1887-1980), autor de A bagaceira, tem sua imagem registrada aos 87 anos, duas décadas depois de retirar-se da vida pública. Em sua casa, na praia de Tambaú, em João Pessoa, o escritor, ex-governador e senador pela Paraíba, fala de sua obra que inaugurou o neo-regionalismo nordestino na literatura e comenta o período em que foi ministro da aviação e obras públicas de Vargas, até candidatar-se à presidência da República, sem o respaldo federal: Getúlio nunca me apoiou, lamenta. O filme conta ainda com o depoimento de Tristão de Athayde.

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Poesia, música e amorVinicius de Moraes

Poesia, música e amor flagra Vinicius de Moraes (1913-1980) em sua fase baiana, ao lado de Toquinho, Maria Creuza, Aloysio de Oliveira, a mulher Gesse e do inseparável copo de uísque, sob o disque-disque dos coqueirais de sua idílica Itapoã. Fala de suas características poéticas (O pronome da primeira pessoa vem sendo, pouco a pouco, substituído pela terceira) e assume as influências de Rimbaud, Baudelaire, Verlaine e Manuel Bandeira. O filme mostra Vinicius acompanhando-se sozinho ao violão em sambas de sua lavra, como Quando tu passas por mim.

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Em tempo de Nava – Pedro Nava

Em tempo de Nava enfoca o médico, artista plástico e escritor Pedro Nava (1903-1984), em sua casa e seu consultório. Nascido em Belo Horizonte, orgulha-se de conhecer profundamente o Rio por ter sido médico de assistência: Ia-se ao mangue, à zona, palacetes, morro acima. Éramos bem tratados mesmo nas áreas mais perigosas, atesta. Ele reclama da efemeridade das convicções na medicina: Um livro no fim de 15 anos não vale mais nada. Vivemos de uma ciência provisória. A mutabilidade decepciona o médico que pensa sua arte.

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Um contador de histórias – Érico Verissimo

O Rio Grande do Sul, de Érico Verissimo (1905-1975), é o cenário de Um contador de histórias, onde o escritor aparece em família. Imita um samurai, faz mágicas para os netos, caminha nas ruas de Porto Alegre. Verissimo reencontra sua cidade natal, Cruz Alta, onde volta à casa da infância, sempre ao lado da mulher, Mafalda: Sei que não é fácil ser mulher de um escritor como eu. Eu me amo, mas não me admiro. Preciso de sua presença vigilante e amorosa, declara.

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O escritor na vida pública – Afonso Arinos de Melo Franco

Em O escritor na vida pública, o intelectual, ex-parlamentar e advogado mineiro Afonso Arinos de Melo Franco (1905-1990) recebe os amigos Prudente de Moraes Neto e Pedro Nava em seu palacete no bairro carioca de Botafogo. Fala sobre o gênero mais recorrente em sua obra – o ensaio – que, em seu depoimento, reúne a vocação literária que muito modesta existe em mim com a inclinação pela vida pública. Arinos revela que a lei anti-racismo que celebrizou seu nome foi inspirada em seu motorista depois de este ser impedido de entrar em uma confeitaria, no Rio.

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Encontro Marcado com Fernando Sabino

No extra Encontro Marcado com Fernando Sabino, há depoimentos do cronista e dos escritores Luis Fernando Veríssimo e Affonso Romano de Sant´anna; da secretária Fabiana Rodrigues, da filha Verônica e do ator Paulo Betti, além de imagens do filme de Oswaldo Caldeira, O grande mentecapto, inspirado no romance do escritor que elevou a crônica à categoria de alta literatura. Nas palavras de Zuenir Ventura, Fernando é o mestre de todos nós.

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[Notícias] Mocidade Independente faz homenagem a Machado de Assis e Guimarães Rosa

Categoria: Informação e Cultura, Notícias

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A escola detentora de cinco títulos veio com cerca de 4.000 componentes em 36 alas e oito carros alegóricos.

A comissão de frente da escola veio representando os imortais da Academia Brasileira de Letras, além de serem os guardiões da estrela-guia da Mocidade, representada no carro abre-alas. Os componentes usavam livros durante a apresentação, interagindo com uma biblioteca, acoplada na parte de baixo do primeiro carro. As fantasias, em verde-escuro com detalhes dourados, eram muito semelhantes aos fardões dos acadêmicos da ABL. Os componentes também representavam a tradicional cerimônia do chá dos imortais.

Marcela Vianna, destaque na alegoria de abertura, pintou o cabelo de verde para combinar com as cores exibidas pela escola durante a sua apresentação, que ocorreu a 15 metros do chão em uma grua. Foram usados mil metros de aros de neon que compunham o carro, com 80 homens representando anjos dentro de flores copo de leite.

O casal de mestre-sala e porta-bandeira Raphael Rodrigues e Marcella Alves desfilou com fantasias em tom de dourado com muitas plumas marrons. O vestido da porta-bandeira pesava 40 quilos.

“Flores para Literatura” foi o nome dado para a ala das baianas, que jogavam pétalas de rosa para o público. O amarelo predominava nas fantasias, em um arranjo farto de plumas, complementadas pelo vestido em branco e dourado.

O segundo carro, “Machado de Assis – Sua Vida em Verso e Prosa” retratou momentos da vida do escritor. O terceiro carro “O Cronista e o Literato, Obras Machadianas”, trouxe o Bruxo do Cosme Velho, com referência ao hábito do escritor de queimar papéis velhos em um caldeirão. A grande alegoria de nove metros de altura possuía um rosto que se abria em uma máscara dividida ao meio.

Na ala “Contos Romances e Poesias” veio com fantasias em preto e branco” trazendo notas musicais.

O carro “ABL Clube Literário Beethoven Teatro e Música – O Sarau” fez referência ao clube frequentado por Machado de Assis, onde o escritor tinha o hábito de dançar o minueto.

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O carro “Nasce o Novo Sol da Literatura – Rosa dos Ventos, Rosa de Minas, Guimarães Rosa” deu início a homenagem ao escritor mineiro. A alegoria cor-de-rosa, trazia um grande livro aberto à frente, além de cata-ventos dourados e bandeiras do estado de Minas Gerais.

Guimarães Rosa acreditava em forças ocultas e era muito místico, o que aparece representado na ala “Feiticeiro Superstição e Misticismo”, onde os componentes apareciam fantasiados de preto, com cabeças de águia e muitas penas marrons. Foi seguida pela a ala “Ciganos”

Ala “Utopia O Crocodilo no Rio São Francisco” representava o animal nos delírios de Guimarães Rosa, querendo ser um crocodilo para mergulhar nas águas do rio e descobrir os mistérios da alma. Os componentes vinham com o animal preso às costas.

O carro “Guimarães Rosa: Superstição e Misticismo” veio com um grande crocodilo à frente. No centro, uma alegoria com o rosto do escritor se abria e fechava se revezando com a imagem do carcará, um pássaro do sertão.

Na ala “O Conto da Onça” é representava um conto de Guimarães onde um caçador se embriaga e conta histórias para um viajante. As fantasias traziam onças e cactus.

O sétimo carro representou o livro “Grande Sertão Veredas”, tendo à frente uma alegoria com um rosto e tronco de homem misturado ao corpo de um escorpião.

“Estrelas em Poesia” foi o último carro que trouxe para o Carnaval a imagem do pierrô, da colombina e do arlequim, em tom predominantemente verde. Nas laterais da alegoria, plasmas mostravam as imagens de Machado e Guimarães dentro de estrelas.

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Samba Enredo

Mocidade apresenta: Clube Literário – Machado de Assis e Guimarães Rosa… Estrela em Poesia!

A Mocidade Independente faz uma grande homenagem aos 100 anos dos escritores brasileiros Machado de Assis e Guimarães Rosa. A escola fala da emoção, da magia da poesia e das palavras que tocam a alma.

Leia a íntegra

Reluzente, estrela de um encontro divinal
Risca o céu em poesias
Traz a magia pra reger meu carnaval
Despertam das páginas do tempo
Romances, personagens, sentimentos…
Machado de Assis que fez da vida sua inspiração
Um literato iluminado
As obras, um destino a superação
Nos olhos da arte, reflete o legado
Do gênio imortal, do bruxo amado
Que deu ao jornal, um tom verdadeiro
Apaixonado pelo Rio de Janeiro

A canção do meu sarau, te faz sonhar
A emoção vai te levar
A estrela adormece, na paz do amor
Abençoado um novo sol brilhou

O vento traz Rosa de Minas
Rosa do mundo pra te encantar
Palavras que tocam a alma
Fascinam e tem poder de curar
Pelas veredas do sertão, a fé, o povo em oração
Pedindo a santa em romaria, pra chover em nosso chão
Mistérios na vida desse escritor
Revelam histórias de um sonhador
Brasil de tantas artes, nas letras sedução
Herança em cada coração

Mocidade, a sua estrela sempre vai brilhar
Um show de poesia, em nossa Academia
Saudade em verso e prosa vai ficar

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