[Parabéns] 91 anos de Clarice Lispector

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“A família pouco a pouco foi chegando. O que vieram de Olaria estavam muito bem vestidos porque a visita significava ao mesmo tempo um passeio a Copacabana. A nora de Olaria apareceu de azul-marinho, com enfeites de paetês e um drapeado disfarçando a barriga sem cinta. O marido não veio por razões óbvias: não queria ver os irmãos. Mas mandara sua mulher para que nem todos os laços fossem cortados – e esta vinha com o seu melhor vestido para mostrar que não precisava de nenhum deles, acompanhada dos três filhos: duas meninas já de peito nascendo, infantilizadas em babados cor-de-rosa e anáguas engomadas, e o menino acovardado pelo terno novo e pela gravata.” – assim se inicia o conto Feliz Aniversário, de Clarice Lispector.

O conto trata da festa de aniversário de 89 anos de uma senhora e traz, de forma pungente, as hipocrisias que atravessam relações familiares e a angústia da velhice, da solidão e do abandono. Se estivesse viva, Clarice completaria nesse sábado – dia 10 de dezembro – 91 anos de idade, dois a mais do que a personagem central de seu conto. O E-books Grátis faz, então, um post de Feliz Aniversário a essa escritora profunda e intensa que costumava tocar – e rasgar – a alma e os sentidos do leitor com seus contos e seus romances.

Clarice nasceu no dia 10 de dezembro de 1920, em Tchetchelnik, na Ucrânia. Em março de 1922 chegou ao Brasil, em Maceió – AL, com sua família. Clarice viveu em Alagoas, em Pernambuco e, mais tarde, no Rio de Janeiro. Estudou Direito e deu aulas particulares de português e matemática. Seu primeiro livro, Perto do Coração Selvagem, foi publicado em 1943. Clarice escreveu, escreveu, escreveu. Infinitamente, intensamente, loucamente. Lindamente. O Lustre, A Cidade Sitiada, Água Viva, A Paixão Segundo G.H., A Hora da Estrela e tantos outros. Em 9 de dezembro de 1977, às vésperas de completar 57 anos, Clarice morreu de câncer.

Aqui, ela persiste viva e intensa. Nós, nesta breve homenagem, deixamos alguns trechos de seus belos escritos:

“Sobretudo um dia virá em que todo meu movimento será criação, nascimento, eu romperei todos os nãos que existem dentro de mim, provarei a mim mesma que nada há a temer, que tudo o que eu for será sempre onde haja uma mulher com meu princípio, erguerei dentro de mim o que sou um dia, a um gesto meu minhas vagas se levantarão poderosas, água pura submergindo a dúvida, a consciência, eu serei forte como a alma de um animal e quando eu falar serão palavras não pensadas e lentas, não levemente sentidas, não cheias de vontade de humanidade, não o passado corroendo o futuro! O que eu disser soará fatal e inteiro!” (Perto do Coração Selvagem)

 “Ficaram em silêncio muito tempo, um silêncio que não pesava. Até que ele, como se quisesse lhe dar alguma coisa, disse:

-Olhe para esse pardal, Lóri – mandou ele – não pára de ciscar o chão que aparentemente está vazio mas com certeza seus olhos vêem comida.

Obediente, ela olhou. E de súbito eis que o pardal alçou vôo, e na surpresa Lóri esqueceu-se de si própria e disse como uma criança para Ulisses:

-É tão bonito que voa!
Falara com a inocência que usava nas aulas com as crianças, quando não temia ser julgada. Inquieta então olhou rápido para o lado de Ulisses. Ele a olhava. Com um susto Lóri notou: era um olhar… de amor?” (Uma Aprendizagem ou O Livro dos Prazeres)

“Não é confortável o que te escrevo. Não faço confidências. Antes me metalizo. E não te sou e me sou confortável; minha palavra estala no espaço do dia. O que saberás de mim é a sombra da flecha que se fincou no alvo. Só pegarei inutilmente uma sombra que não ocupa lugar no espaço, e o que apenas importa é o dardo”. (Água Viva)

“Se tivesse a tolice de se perguntar ‘quem sou eu?’ cairia estatelada e em cheio no chão. É que ‘quem sou eu?’ provoca necessidade. E como satisfazer a necessidade? Quem se indaga é incompleto.” (A Hora da Estrela)

“Estou desorganizada porque perdi o que não precisava? Nesta minha nova covardia – a covardia é o que de mais novo já me aconteceu, é a minha maior aventura, essa minha covardia é um campo tão amplo que só a grande coragem me leva a aceitá-la –, na minha nova covardia, que é como acordar de manhã na casa de um estrangeiro, não sei se terei coragem de simplesmente ir. É difícil perder-se. É tão difícil que provavelmente arrumarei depressa um modo de me achar, mesmo que achar-me mesmo seja de novo a mentira que vivo.” (A Paixão Segundo G. H.)

Sua história contada com mais detalhes, bem como sua obra completa, podem ser conferidas nessa página dedicada especialmente a Clarice Lispector.

[Contos e Crônicas] O pequeno livro das Grandes Emoções – Vários autores

Categoria: Literatura Nacional, Teatro, Contos e Biografias

pequenolivro [Contos e Crônicas] O pequeno livro das Grandes Emoções   Vários autores

Uma antologia de trabalhos literários brasileiros. Os textos sâo inspiradores, emocionantes e de leitura fácil.

Por mais que avancemos nas novas tecnologias da comunicação, a leitura do impresso continua desempenhando um papel crítico na nossa formação humana e cidadã. Lemos para nos informar e, sobretudo, na busca do prazer e do descobrimento do novo. É uma maneira de viajar – no espaço, no tempo e nas ideias – sem sair das nossas próprias casas.

No campo educacional, há uma grande lacuna quanto a textos literários escritos ou escolhidos especialmente para os neoleitores jovens e adultos em processo de formação como leitores. Por esse motivo, a UNESCO e a Secad consideram importante incentivar a produção de material de leitura e facilitar o acesso ao livro e à leitura para pessoas de todas as idades como parte da política da educação e aprendizagem ao longo da vida. Políticas de educação e aprendizagem ao longo da vida e de acesso ao livro e à leitura são dois lados da mesma moeda.

Esse pequeno grande livro não foi concebido como livro didático. Ninguém vai ser obrigado a lê-lo. Foi pensado como uma coletânea de textos literários de diversos tipos e estilos, escritos por alguns dos melhores escritores brasileiros para suprir a lacuna identificada e, para acima de tudo, dar prazer aos jovens e adultos que estão iniciando a grande aventura da leitura. Esperamos que “quando fechar o livro”, você também, como nas palavras de Mario Quintana, “alçe voo como de um alçapão”.

Autores: Mário Quintana; Carlos Drummond de Andrade; Clarice Lispector; Cora Rónai; Victor Giudice; Humberto Teixeira; Luiz Gonzaga; Lygia Fagundes Telles; Chico Buarque; Paulo Mendes Campos; Marina Colasanti; Cora Coralina

O pequeno livro das Grandes Emoções – Vários autores

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[Contos] A Memória de Shakespeare – Jorge Luis Borges

Categoria: Literatura Estrangeira, Teatro, Contos e Biografias

borgesshakespeare [Contos] A Memória de Shakespeare   Jorge Luis Borges

Eis que se reúnem alguns dos mais importantes e significativos textos do imenso escritor argentino. Os escritos que se publicam neste volume são absolutamente essenciais para quem queira conhecer este nome central da literatura universal. Reedição aumentada de uma obra que constitui por si só a grande introdução a uma obra espantosa de um dos maiores vultos da literatura universal do século XX. Com efeito, quem queira conhecer a obra do fabuloso escritor argentino tem que ler este notável conjunto de contos-crónicas-ensaios onde o autor espraia toda a sua capacidade de moldar a literatura aos seus desejos oferecendo todo um leque da vastidão de conhecimentos, da inteligência e espírito humanista, da noção universalista da literatura que muitos tentaram imitar mas poucos ou nenhuns conseguiram igualar

A Memória de Shakespeare – Jorge Luis Borges

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[Contos] A Tragicomédia Acadêmica – Yuri Vieira

Categoria: Literatura Nacional, Teatro, Contos e Biografias

cover front big [Contos] A Tragicomédia Acadêmica   Yuri Vieira

Livro de Yuri V. Santos, coleção de contos sobre o cotidiano acadêmico. O autor é escritor e já passou por 5 (cinco) faculdades da qual concluiu nenhuma, porém adquiriu uma incomparável experiência de observação da vida universitária que é bem explicitada nesse livro.

A Tragicomédia Acadêmica – Yuri Vieira

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[Terror] Necrópole – Histórias de Fantasmas – Volume 02

Categoria: Ficção, Policial, Terror e Suspense, Literatura Nacional

NECROPOLE 02 [Terror] Necrópole   Histórias de Fantasmas   Volume 02

Autores:
Alexandre Heredia
Camila Fernandes
Eric Novello
Gianpaolo Celli
Nazarethe Fonseca
Richard Diegues

“Necrópole – Histórias de Fantasmas” é o segundo volume da série de uma coleção dedicada à nova nata dos suspense e do terror. A cada livro, um tema diferente, sempre com escritores brasileiros, que apresentam histórias distintas, mas o mesmo cenário: a Necrópole, metrópole que noite e dia digere nossas almas, gerando em seu ventre cadáveres célebres e assassinos anônimos.

Necrópole – Histórias de Fantasmas – Volume 02

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