[Notícias] Leia trecho de “Free” que fala a economia do gratuito no Brasil

Categoria: Informação e Cultura, Notícias, Papo Cabeça

O texto abaixo é um trecho do livro “Free”, de Chris Anderson, recém lançado no Brasil. Foi públicado pela revista InfoExame deste mês e digitalizado pela equipe do blog. Nele, o autor destaca o Brasil com um dos países pioneiros na exploração da economia do gratuito em diversas áreas, como a da música, software e medicamentos. Vale a pena ler!

chrisandersonlateralpdl [Notícias] Leia trecho de Free que fala a economia do gratuito no BrasilO PODER DOS CAMELÔS BRASILEIROS

Em uma agitada esquina em São Paulo, Brasil, camelôs vendem os últimos lançamentos do “tecnobrega”, incluindo uma banda de sucesso chamada Banda Calypso. A música “brega”, originada no Pará, um estado pobre do Norte do país, é um som de festa turbulento, que mistura música tradicional brasileira com batida tecno. Como os CDs vendidos pela maioria dos camelôs, não se trata de produtos oficiais de uma grande gravadora. Mas também não são ilícitos.

Os CDs são criados por estúdios de gravação locais, que tendem a ser de propriedade de DJs locais. Eles, por sua vez, obtêm os originais da própria banda, além da arte da capa. Os DJs locais trabalham com promotores de festas, camelôs e estações de rádio locais para promover os shows. Algumas vezes, os DJs locais atuam em todas essas áreas, produzindo, vendendo e promovendo os CDs para os shows que eles mesmos organizam.

A Banda Calypso não se importa de deixar de ganhar dinheiro com isso, porque a venda de discos não é sua principal fonte de renda. Na verdade, a banda está no negócio de shows — e é um bom negócio. Viajando de uma cidade à outra, sempre precedida por uma onda de CDs superbaratos, a Banda Calypso é capaz de lotar centenas de shows por ano. Em geral, a banda se apresenta duas ou três vezes a cada final de semana, viajando pelo país de micro-ônibus ou barco.

Mas as viagens não são só por estradas ou rios. Hermano Vianna, antropólogo e estudioso da música brasileira, conta uma história sobre a Banda Calypso para ilustrar seu sucesso. Enquanto planejava um perfil da banda para um programa da TV Globo, Vianna ofereceu um avião da Globo para transportar a banda para um show em uma região remota do país. A resposta da Banda Calypso: não precisa, nós temos nosso próprio avião.

Em certo sentido, os camelôs se tornaram a equipe de reconhecimento em cada cidade que a Banda Calypso visita. Eles podem ganhar dinheiro com os CDs de música, que chegam a vender por apenas U$0,75 e, por sua vez, dão grande visibilidade aos CDs. Ninguém pensa nos CDs baratos dos camelôs como pirataria. É só marketing, usando a economia das ruas para gerar credibilidade e destaque. Como resultado, quando a Banda Calypso chega à cidade, todo mundo já conhece suas músicas. A banda recebe enormes multidões em seus eventos, nos quais cobra não somente pela entrada, mas também pela comida e a bebida. O pessoal da banda também grava o show e queima CDs e DVDs no local, vendendo-os por cerca de US$2, de modo que os espectadores podem assistir ao show que acabaram de ver.

Mais de 10 milhões de CDs da Banda Calypso foram vendidos, em sua maioria não pela própria banda. E eles não estão sozinhos. Agora, a indústria do tecnobrega inclui centenas de bandas e milhares de shows por ano. Um estudo realizado por Ronaldo Lemos e seus colegas do Centro de Tecnologia e Sociedade da Fundação Getulio Vargas no Rio de Janeiro revelou que, entre os shows e a música, essa indústria gera Cerca de 90% das bandas não têm contrato de gravação nem gravadora. Elas não precisam disso. Deixar que os outros tenham acesso gratuito à música gera uma indústria maior do que a cobrança pela música jamais conseguiria. Isso é algo que o Brasil sabe melhor do que a maioria: seu ministro da cultura até 2008, a celebridade da música pop Gilberto Gil, lançou sua música sob uma licença gratuita da Creative Commons (inclusive em um CD que distribuímos de graça com a Wired).

Como ocorre na China, a atração do Grátis no Brasil se estende além da música. Em 1996, em resposta ao alarmante índice de casos de Aids no Brasil, o governo do então presidente Fernando Henrique Cardoso garantiu a distribuição de novos coquetéis de medicamentos a todos os portadores de HIV no país. Cinco anos mais tarde, com o número de casos de Aids caindo, ficou claro que o plano era bom, mas — aos preços sendo cobrados pelos medicamentos patenteados contidos no coquetel — absolutamente insustentável.

Então, o ministro da saúde do Brasil procurou os principais detentores das patentes, a gigante farmacêutica americana Merck e a empresa suíça Roche, e pediu desconto porvolume. Quando as empresas negaram, o ministro aumentou a aposta. De acordo com a lei brasileira — ele informou às empresas —, era dele o poder, em caso de emergência nacional, de licenciar laboratórios locais para produzir medicamentos patenteados, sem a necessidade de pagar pelos direitos, e ele exerceria esse direito, caso fosse necessário. As empresas cederam e os preços caíram mais de 50%. Hoje em dia, o Brasil tem uma das maiores indústrias de medicamentos genéricos do mundo. Não grátis, mas livres de direitos autorais, uma abordagem aos direitos de propriedade intelectual que a indústria compartilha com os DJs do tecnobrega.

E o Brasil também é líder global do software livre. 0 país construiu a primeira rede de caixas eletrônicos do mundo baseada no Linux. A principal diretriz do Instituto Nacional de Tecnologia da Informação é promover a adoção do software livre em todo o governo e, no final, por toda a nação. Ministérios e escolas estão migrando para sistemas de código aberto. E, nos programas de “inclusão digital” do governo -voltados a levar acesso a computadores aos 80% dos brasileiros que ainda não têm sequer um aparelho —, o Linux é a regra.
“Cada licença para o Office mais o Windows no Brasil — um país no qual 22 milhões de pessoas estão morrendo de fome — significa que teremos de exportar 60 sacas de soja”, Marcelo D’Elia Branco, coordenador do Projeto Software Livre do país, disse ao escritor Julian Dibbell. Desse ponto de vista, o software livre não é bom apenas para os consumidores; é bom para a nação.

[Entrevista] O jornalismo e a economia do gratuito: entrevista com Chris Anderson

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entrevista anderson 1 [Entrevista] O jornalismo e a economia do gratuito: entrevista com Chris Anderson

O jornalista inglês Chris Anderson, 49 anos, editor-chefe da revista “Wired”, ficou famoso em 2006 com o livro “The long tail”, no qual explicava a economia digital a partir do estudo de casos como o da Amazon.com, que transformou-se de uma livraria virtual em um grande supermercado de produtos os mais variados, uma espécie de entreposto gigantesco de comercio na internet. Agora, porem, Anderson dá um passo além na análise da economia digital, com uma tese ousada. Ele está lancando o livro “Free” para provar que o futuro dos negócios na internet tem um “preço radical”: a oferta gratuita de produtos e serviços. Anderson acredita que a rede habituou novas gerações de consumidores a terem acesso gratuito a informações e que o Google é a empresa modelo dos novos tempos do capitalismo: oferta de serviços gratuitos para milhões de usuários online e lucros vindos da cobrança de anúncios que aparecem nas buscas feitas por internautas. O livro menciona o Brasil e a China como grandes laboratórios da economia gratuita em mercados emergentes. Nesta entrevista exclusiva, Anderson explica sua visão do presente e do futuro da economia digital.

Não é uma contradição para alguém que fez do trabalho da internet uma profissão defender a idéia de que empresas e profissionais deveriam oferecer serviços e produtos gratuitos para aumentar os lucros?

CHRIS ANDERSON: Sim, é um paradoxo, temos a impressão de que oferecer algo de graça é algo que se opõe ao lucro. Todos fazem a pergunta: quem vai pagar a conta? Mas o Google é um caso exemplar da economia do gratuito e não pesa na conta do seu cartão de crédito… Muitos alegam que o Google perde muito dinheiro com o YouTube, mas ninguém repara que graças ao YouTube o Google tem hoje uma audiência mundial para mensagens de texto e de video. E até quando o público de TV tradicional migrar definitivamente para a internet, o YouTube vai estar pronto para ele. O mercado sonha com o que é gratuito: consumidores livres, num mercado livre, querem produtos e serviços gratuitos.

O seu livro “Free” menciona Brasil e China como as fronteiras da economia gratuita, por causa da força da pirataria e dos camelôs de rua. No caso brasileiro, a Banda Calypso é citada como um modelo de negócios. O senhor considera que os camelôs brasileiros são um modelo de negócios para o futuro do capitalismo?

CHRIS ANDERSON: Bem, a Banda Calypso não é o único modelo existente hoje para a indústria de música, mas é certamente um modelo de negócios muito interessante ara pensar sobre a força do gratuito. Eu fiquei impressionado ao andar por São Paulo e ver que a banda permitia que os camelôs vendessem seus CDs e DVDs a um custo tão baixo que era na prática gratuito… A banda Calypso prefere ganhar dinheiro em shows e o gesto de dar CDs e DVDs ao público ajudou a popularizar o nome da banda e fazer dos shows de música  tecnobrega um gênero comercialmente viável. Portanto, os camelôs brasileiros e a Banda Calypso são um exemplo de como a economia do gratuito está sendo desenvolvida em economias emergentes.

O senhor também menciona o ex-ministro da Cultura, Gilberto Gil, que lançou seu CD pela internet, e o escritor Paulo Coelho, que pirateou seus próprios livros. Mas há enorme diferença entre um artista de palco e um escritor…

CHRIS ANDERSON: O caso de Gilberto Gil mostra que um artista que foi ministro tem uma compreensão muito aguda das transformações que estão ocorrendo agora no mercado. E que o governo brasileiro também está atento, como também revela o programa de medicamentos gratuitos para portadores de HIV, criado por Fernando Henrique Cardoso e levado adiante no governo Lula. O Brasil tornou-se um dos maiores mercados mundiais de mediamentos genericos, o que também revela a força da economia do gratuito.

No caso da indústria farmacêutica, houve intervenção do Estado, mas no caso da indústria cultural as mudanças atuais são regidas apenas pelo mercado. Por isto, vale a pergunta: será que o sucesso editorial de Paulo Coelho pode servir de exemplo para outros escritores? Não se trata exatamente do oposto, de um caso excepcional?

CHRIS ANDERSON: Bem, certamente não. Paulo Coelho tem livros que venderam 100 milhões de exemplares, como “O Alquimista”. Mas o fato de que ele inventou um site chamado “Pirate Coelho” para piratear seus próprios livros e permitir o download gratuito de suas histórias mostra que ele é um autor que soube perceber que a internet não iria nibir e sim impulsionar a venda de seus livros. Coelho enfrentou a editora HarperCollins e causou a polemica que levou à explosão do sucesso editorial de seus livros. Foi uma excelente estratégia de marketing.

E como vão sobreviver autores de livros que não tiverem o sucesso editorial de Paulo Coelho se a internet tornar os livros disponíveis gratuitamente online? Como poderia sobreviver um filósofo, por exemplo?

CHRIS ANDERSON: Bem, existem várias espécies de escritores da internet. Os filósofos vão precisar da Academia para sobreviver… Muitos filósofos disponibilizam seus escritos na internet e ganham a vida participando de palestras ou dando aulas… No caso dos jornalistas vai ser um pouco mais complicado…

Qual o futuro do jornalismo? O senhor lê algum jornal diário? O San Francisco Chronicle está numa situação delicada e pode desaparecer…

CHRIS ANDERSON: Eu não iria sentir falta do San Francisco Chronicle… Aliás, eu sequer saberia o que estaria perdendo… Leio notícia pelo twitter. Não preciso procurar as notícias em jornais ou em sites. As notícias chegam até mim e elas não são produzidas apenas por jornalistas. Muita gente que não é jornalista escreve ótimas histórias na internet e as publica gratuitamente pelo twitter…

Mas o senhor considera que notícia, media e jornalismo são coisas do século passado?

CHRIS ANDERSON: Não! Eu tenho de fato problemas com as palavras “notícia”, “media” ou “jornalismo”. Porque acho que se usarmos essas palavras apenas no seu contexto commercial estaremos limitando a nossa compreensão do novo cenário tecnológico em que a informação se produz. Nós precisamos de novas palavras para definir o que está acontecendo hoje. Aquilo que chamamos de “social media”, que se compõe de milhares de blogs, sites, twitters, produz também informação e a entrega de forma gratuita para os usuários da internet…

Mas isto quer dizer que o jornalismo profissional está em vias de extinção? Que as empresas de comunicação vão desaparecer?

CHRIS ANDERSON: As empresas de comunicação e os profissionais de jornalismo deverão repensar seus negócios e suas atividades. O problema é que a “social media” distribui informações na mesma plataforma que é usada pelas empresas de comunicação. Hoje, muitas das informações que eu leio, que eu ouço e que eu vejo em vídeos na internet não são produzidas por empresas comerciais. Então há uma concorrência na produção de conteúdos com a qual os jornalistas e as empresas não contavam. E ambos terão que ajustar-se aos novos tempos.

Por enquanto, a “social media” é apenas um passo na direção certa, no sentido da economia do gratuito… Ainda estamos no começo de uma enorme transformação do modo de produzir e distribuir informações no mundo digital.

Isto significa o desaparecimento da profissão de jornalista  ou da media como negócio?

CHRIS ANDERSON: De jeito nenhum. Isto significa que as empresas terão que repensar seus modelos de negócio para torná-los comercialmente viáveis. E os jornalistas vão ter que oferecer aos leitores algo que os amadores e os diletantes da internet não oferecem… As empresas de comunicação não têm mais o monopólio do acesso à informação e esta é uma grande mudança. Isto vale para jornais, TVs, radios, produtoras de cinema, gravadoras… Vale enfim para toda a indústria de produção cultural.

O senhor acha que os modelos de sites da revista The economist e do jornal Wall Street Journal, que são parcialmente gratuitos e parcialmente pagos, são um caminho para empresas de comunicação?

CHRIS ANDERSON: Ambos têm um modelo que eu chamo de “Freemium”, em que parte do conteúdo é gratuito para atrair leitores e parte é paga, pela assinatura dos leitores e pelos anunciantes. Acho que este tem sido um modelo que funciona atualmente. A revista “Wired” também tem um modelo parecido. Mas acho que cada caso é um caso e o que vale para uma empresa pode não servir para outra…

E quanto à qualidade? A demanda por um jornalismo de qualidade na internet tem aumentado e a media tem hoje uma grande audiência online, sem contar os indices de circulação de jornais, que têm aumentado em países como o Brasil ou estão estáveis, em países como os EUA. O fato é que não existe redução de audiência, o que existe é uma crise do lado dos anunciantes… Andrew Keen alerta que a internet está distribuindo muita informação de má  qualidade e que a troca de profissionais por amadores sacrifica a qualidade da informação, que não tem mais credibilidade…

CHRIS ANDERSON: Não acredito que amadores possam substituir profissionais. Mas acho que temos que repensar o que é qualidade jornalística. Certamente credibilidade é um ingrediente da qualidade da informação, mas o ingrediente mais precioso hoje é a relevância. O quão relevante é a informação que um site, um blog ou um twitter distribui? Os profissionais de jornalismo terão que apresentar seus diferenciais para terem audiência, em qualquer que seja o meio que trabalhe. E esses diferenciais são: a relevância da informação que produzem, o acesso às pessoas, o talento na escrita e o tempo investido na coleta de dados. É evidente que o jornalismo investigativo, aquele que existe grande investimento de tempo e de dinheiro, continua a ser essencial, continua a ter um grande público. As pessoas querem pagar por aquilo que é relevante, pelo que é exclusivo, pelo que elas amam, pelo que dá status e pelo que economiza tempo. Isto não mudou.

Neste modelo da economia gratuita, existe lugar para o cinema? Como vão sobreviver atores, escritores, diretores? Só o teatro tem futuro, já que só a presença dos artista justifica um pagamento?

CHRIS ANDERSON: O cinema está numa situação tão difícil quanto a do jornalismo. Mas não vejo por enquanto nenhuma crise em Hollywood. Como vai ser o futuro? O sucesso do Netflix, o aluguel de DVDs com pagamento de uma assinatura mensal, aponta para um modelo baseado no interesse dos espectadores. Mas existe outro modelo que é a exibição de filmes pela TV, com o apoio de anunciantes. Os grandes produtores tendem a viabilizar seus filmes fazendo acordo com as emissoras de TV. É verdade que a produção independente vai ter dificuldade em fazer estes acordos, mas seus custos são também muito menores. Tudo isto é questão de tempo, de ajuste entre a produção e a demanda. A tendência é que o cinema independente trabalhe para atender uma audiência de nicho. Também as TVs vão ter que se adaptar: as TVs abertas já atuam num modelo gratuito, sustentado pelos anunciantes, mas vão enfrentar concorrência crescente num mundo em que as imagens de TV serão distribuídas pea internet…

Mas é bom lembrar também que o acesso à internet não é gratuito e que a economia do gratuito digital se sustenta nas costas do poder crescente dos provedores. Nos EUA produtores de conteúdo para a TV viraram provedores de internet, como foi o caso da Warner. No caso recente do Irã, quando houve censura do acesso ao twitter pela internet porque o governo exigiu o corte do acesso pelos provedores isto ficou bem claro… O senhor acredita que os provedores são as novas corporações a controlar o acesso à informação? A cultura do gratuito depende do acesso a computadores, o que grande parted a população mundial ainda não tem…

CHRIS ANDERSON: Não acredito que os provedores virem corporações capazes de controlar o acesso. É bom lembrar que telefones celulares também permitem acesso à internet. Quando se fala de inclusão digital, o tema é bastante complexo. Existem várias plataformas de acesso à rede e em muitas cidades as prefeituras estão abrindo áreas de acesso livre e gratuito… A questão da censura no Irã, como na China, é uma questão política…

Mas não há no seu livro uma reflexão política sobre os efeitos da economia do gratuito… Não há uma reflexão política sobre a censura à internet…

CHRIS ANDERSON: É verdade. Não escrevi sobre política  no meu livro…

Qual o efeito da crise econômica atual sobre a economia do gratuito, que no seu livro se chama “Freeconomics”?

CHRIS ANDERSON: Em tempos de recessão o gratuito é ainda mais atraente, tem um poder de marketing ainda maior. Afinal de contas, se você está sem dinheiro, o melhor preço é zero, não?

O senhor acredita que o custo da educação tende a ser zero. Como os professores vão se sustentar?

CHRIS ANDERSON: A oferta de educação gratuita na internet tende a aumentar de forma exponencial. Berkeley, Stanford e MIT são centros universitários americanos que já oferecem aulas de graça pelo YouTube. Já existem milhares cursos livres na internet… E o acesso à internet é hoje parte de qualquer escola e da vida de qualquer aluno… Além disto, os livros escolares serão oferecidos livremente pela internet, inclusive com imagens de video para atrair o interesse dos alunos… Como os professores vão se sustentar? Tirando as dúvidas dos alunos, o que sé poderá ser feito no contato direto entre o professor e o aluno. Neste caso, sim, haverá interesse em pagar pelo tempo do professor.

Por que o exemplar impresso do seu livro não é gratuito? O senhor disponibilizou o download pela internet gratis…

CHRIS ANDERSON: Os leitores pagam apenas a copia impressa. No Brasil, pagam também pela tradução para o português. Isto tem a ver com o custo do papel e dos profissionais envolvidos na produção do livro. O custo digital é praticamente zero e por isto posso dar gratuitamente o acesso ao livro e ao audiobook pela internet. Mas quem quiser a versão resumida de três horas do audiolivro terá que pagar.

Neste caso, paga-se para economizar tempo…

CHRIS ANDERSON: Exatamente. Tempo é dinheiro.

Fonte: O Globo

Publicaremos logo mais, em português, o trecho do livro Free que fala sobre o Brasil.

[Papo Cabeça] É tudo Free! Já está na internet o novo livro de Chris Anderson

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candersonfree [Papo Cabeça] É tudo Free! Já está na internet o novo livro de Chris Anderson

Ele já estava prometido há bastante tempo, mas agora finalmente foi lançado o livro “Free”, nova obra de Chris Anderson, autor de “A Cauda Longa“. A ideia central do livro é a de que em um futuro próximo, muitas produtos gerados pela indústria cultural (livros, inclusive) serão oferecidos de graça. O modelo de negócios já não é novidade, sendo facilmente indentificável em muitos serviços na internet. Mas o autor vai além, indicando o que vem por aí.

Como não poderia ser diferente, “Free” foi lançado também na internet inteiramente “free”, grátis. Você pode ler o livro ou ouvir o audiobook, que foi narrado pelo próprio autor. A atitude já foi largamente abordada aqui mesmo em nosso blog, em trabalhos acadêmicos e está cada vez mais presente na mídia, mas desta vez o debate promete esquentar mais. Além disso, estamos curiosos para saber como vai ficar essa política de oferecer o livro de graça em países um pouco mais caretas, como o Brasil. Será que a Editora Campus, que publicou “A Cauda Longa”, vai concordar em oferecer o livro gratuitamente, ou vai esperar que os próprios leitores se encarreguem da tarefa?

Uma coisa é certa. O lançamento de “Free” representa mais uma passo em direção a uma nova maneira de encarar o consumo de bens culturais na era da internet, causando indigestão a muitos figurões por aí,  que insistem em fazer valer seu modelo econômico por força da lei. Hoje para o consumidor estar dentro da lei,  pelo menos na indústria fonográfica, ele precisa se contentar com uma tecnologia ultrapassada e limitante, que já nem conta com o apoio dos  próprios fabricantes de aparelhos eletrônicos. Quando foi a última vez que você viu um discman?

Sabemos que o mercado editorial, tem sua próprias regras, e a situação é bastante diferente. Ainda é difícil encontrar alguém que prefira ler por meios eletrônicos, por melhores que eles sejam, e tudo indica que os livros digitais estimulem mesmo a venda de livros impressos. O papel ainda é uma tecnologia imbatível em conforto, além de possuir um valor cultural e simbólico agregado que é indiscutível. No entanto, caso as editoras continuem cegas às novas oportunidades que se abrem com o boom da internet, seu futuro pode não estar tão garantido assim.  É como diz um trecho de uma bela canção da banda Engenheiros do Hawai, que uso para fechar nossa conversa de hoje.

por Okidoki

rodapepdlanderson [Papo Cabeça] É tudo Free! Já está na internet o novo livro de Chris Anderson

“Força não há capaz de enfrentar
Uma idéia cujo tempo tenha chegado
A força não é capaz de salvar
Uma idéia cujo tempo tenha passado”

[Papo Cabeça] Escritores e livros na Era da Internet

Categoria: Informação e Cultura, Literatura Nacional, Papo Cabeça, Teatro, Contos e Biografias

O jornalista Carlos Motta é um exemplo de profissional que está atento às novas possibilidades que a internet oferece. Profissional desde a década de 70, já tendo trabalhado no Estadão,  Jornal da Tarde, e atualmente escrevendo para o Valor Econômico, ele mantém dois blogs, nos quais escreve livremente, sem a vergonha de dizer que não acredita em imparcialidade jornalística. Virtualmente (sic) sem as amarras das políticas editoriais, ele atrai uma audiência exclusivamente sua, a exemplo de outros profissionais da área. Até aí tudo bem. Mas o Carlos anda divulgando aos quatro ventos um ebook com 50 dos seus contos , e justamente pelas vias tidas como marginalizadas na internet, os grupos de discussão e sites que trocam conteúdos com copyright. E agora você, que provavelmente nunca ouviu falar  do cara, vai ter a oportunidade de conhecer o trabalho dele. E o Motta vai ganhar novos leitores. Vai, quem sabe, ganhar um tantinho mais de credibilidade e reputação, coisa que para se conseguir com uma edição impressa, convenhamos, é dificil pra caramba, mesmo para alguém com experiência como ele.

Chris Anderson, autor do livro A Cauda Longa, nos diz que nos Estados Unidos 90% dos livros não chegam nem às livrarias médias e 98% de tudo que é publicado não é economicamente viável. Se trouxermos para nossa humilde e muito mais precária realidade, fica fácil entender a postura do Motta ao nos enviar o livro. Como mostra Anderson, na era da internet

“o livro passa a ser não o produto de valor em si, mas a propaganda do produto de valor — os próprios autores. Muitos desses livros não-comerciais seriam mais bem entendidos como veículos de marketing, destinados a melhorar a reputação acadêmica dos autores, divulgar suas atividades de consultoria, render-lhes honorários por palestras ou simplesmente deixar sua marca no mundo. É uma maneira de divulgar sua mensagem (Anderson, 2006)

Confira portanto o livro do nosso amigo Carlos Motta, um sujeito que merece nossa consideração, que provavelmente merece um lugar nas prateleiras de nossas livrarias, mas prefere estar aqui, se oferecendo para você sem nenhum intermediário. Por enquanto.

motta [Papo Cabeça] Escritores e livros na Era da Internet

O riso frouxo do homem insignificante – 50 historietas tragicômicas

O livro é composto de 50 pequenos contos, escritos em 2007 e 2008. A maioria está no blog Contos do Motta. São historietas tragicômicas sobre o cotidiano de pessoas (aparentemente) normais.

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