[Notícias] Quatro livros brasileiros no cinema em 2010

Postado por: PDL  /  Category: Informação e Cultura, Notícias

O cinema nacional deve ter em 2010 ao menos quatro estreias adaptadas de livros de destaque na literatura brasileira. Jorge Amado, por exemplo, terá duas de suas mais importantes obras levadas às telas.

Em A Morte e a Morte de Quincas Berro D’Água, inspirado no livro homônimo de 1961, o diretor Sérgio Machado (de Cidade Baixa, de 2005) vai mostrar a trajetória de Joaquim Soares da Cunha, que decide abandonar a família para viver como um vagabundo. No elenco, nomes como Paulo José e Marieta Severo. “A ideia é revelar justamente o ambiente e o visual da obra do escritor. Ao mesmo tempo, é desafiador: são muitos personagens e histórias a serem mostrados“, afirma o cineasta.

Outra obra do escritor a ser adaptada é Capitães da Areia (1937). O filme será dirigido por Cecília Amado, neta do escritor e assistente de direção de Mauá – O Imperador e o Rei (1999) e Batismo de Sangue (2006), e narrará a rotina de meninos de rua.

Já Malu de Bicicleta, adaptação do livro homônimo de Marcelo Rubens Paiva, é dirigido por Flávio Tambellini (Buffo & Spalanzani, de 2001). “Minha maior preocupação foi tornar o livro o mais cinematográfico possível” – afirma Tambellini.

Um dos mais aguardados da leva é a versão cinematográfica de O Doce Veneno do Escorpião, que narra a trajetória da ex-garota de programa Bruna Surfistinha e terá Deborah Secco no elenco. Confira a seguir um pouco mais de cada um dos quatro projetos.

quincas berro [Notícias] Quatro livros brasileiros no cinema em 2010

A Morte e a Morte de Quincas Berro D’Água – Jorge Amado / Sérgio Machado

Também baseado em obra de Jorge Amado, o filme narra a história de Joaquim Soares da Cunha, que recebe o apelido de Quincas Berro D’Água. O motivo? O senhor se entrega à cachaça, sua bebida favorita, decide viver como um vagabundo e abandona a família. Ao fazer isso, é decretada a sua primeira “morte”: a moral.

A segunda ocorre de fato quando ele é encontrado por uma amiga em um quarto sujo sem vida. A direção será de Sérgio Machado. No elenco estão nomes como Mariana Ximenes, Paulo José, que interpreta o protagonista, e Marieta Severo.

Curiosidade: para o diretor, o longa representa uma espécie de agradecimento a Jorge Amado. O cineasta conta que foi o escritor quem o apresentou a Walter Salles (de Central do Brasil, de 1998), que o ajudou bastante no início de sua carreira.

capitaes de areia [Notícias] Quatro livros brasileiros no cinema em 2010

Capitães da Areia – Jorge Amado / Cecília Amado

Baseado em um dos maiores sucessos do escritor Jorge Amado, o filme narra o cotidiano de um grupo de adolescentes que moram no cais do porto, em Salvador (BA). A chegada de uma garota ao bando muda a hierarquia e as relações dos capitães da areia.

Curiosidade: alguns atores – os papéis de destaque ficaram com Ana Graciela Conceição da Silva e Romário Santos de Assis – foram escolhidos depois de participarem da oficina Novos Capitães, em Salvador. Muitos deles vêm de projetos sociais desenvolvidos na Bahia.

malu de bicicleta [Notícias] Quatro livros brasileiros no cinema em 2010

Malu de Bicicleta – Marcelo Rubens Paiva / Flávio Tambellini

Adaptação do romance homônimo de Marcelo Rubens Paiva, com direção de Flávio Tambellini, o filme conta a história de Luiz, um empresário bem-sucedido de São Paulo. Para descansar, ele vai morar por um tempo no Rio, onde esbarra na carioca Malu e se apaixona por ela. O problema é que os dois levam uma vida diferente: enquanto ela é descolada e livre, ele é “galinha”.

No elenco, Fernanda de Freitas, Marcelo Serrado e Marjorie Estiano. Curiosidade: Paiva assina o roteiro do filme. Ele foi chamado para trabalhar no longa depois de Tambellini ter feito uma primeira versão da adaptação.

doce veneno [Notícias] Quatro livros brasileiros no cinema em 2010

O Doce Veneno do Escorpião – Raquel Pacheco / Marcus Baldini

O filme, baseado no livro escrito pela ex-garota de programa Raquel Pacheco, conhecida como Bruna Surfistinha, mostra a trajetória dela, que se tornou celebridade depois de contar suas experiências em um blog.

A direção será de Marcus Baldini, diretor de videclipes e filmes publicitários de 35 anos que estreia no longa-metragem. Quem vai interpretar a protagonista é Deborah Secco, que terá no elenco a companhia de Cássio Gabus Mendes e Fabiula Nascimento.

Curiosidade: algumas cenas foram rodadas na Love Story, uma das boates mais famosas de São Paulo. Inicialmente, Bruna Surfistinha seria vivida por Karen Junqueira, mas ela alegou que não poderia se dedicar integralmente ao projeto. Dos quatro filmes, este é o único que tem data de estreia confirmada: 16 de julho.

A repercussão toda que o projeto ganhou mostra que tem muita gente querendo ver o filme – aposta o diretor. – Mas não me deixo levar muito pelo que as pessoas têm dito. Só quero mostrar, com o longa, os motivos que levam uma menina a sair de casa e se tornar uma garota de programa.

Fonte: Zero Hora

[Cultura] Jorge amado em quadrinhos

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spacca [Cultura] Jorge amado em quadrinhos

AS CORES DE AMADO

Quadrinista paulista Spacca faz adaptação de Jubiabá para quadrinhos
Por Lidianne Andrade

Polêmico nos romances e com personagens fortes e caricaturados, o escritor Jorge Amado marcou a literatura brasileira com suas obras. Já recebeu diversas adaptações para TV e cinema, aumentando a apreciação de suas histórias pelo público popular, mas, para alguns, sua literatura continua com a linguagem censurável pela ausência de pudor narrativo, sem muito atrativo para os mais jovens. Talvez essa barreira seja rompida com a chegada nas livrarias de Jubiabá, adaptação em quadrinhos de obra homônima de Amado com ilustração e roteiro de Spacca pelo novo selo da Cia. das Letras, Quadrinhos na Cia.

Ao longo de suas 98 páginas, coloridas em formato 21 x 28, o HQ traz, na íntegra, a história do casamento de imagem e texto com síntese da obra escrita por Jorge Amado entre 1934 e 1935. Nascido no morro do Capa-Negro, em Salvador, Antônio Balduíno (Baldo) é protegido do pai-de-santo Jubiabá. Já na infância o protagonista aliena-se em seu mundo, liderando um pequeno grupo de moleques para furtos e arruaças.

Baldo vivencia o pior da sociedade baiana em uma luta por ascensão. Na trajetória da personagem, Jorge Amado constrói um painel da Bahia e conseqüentemente do Brasil. O Morro do Capa Negro é pincelado em detalhes, a paisagem ganha cores e movimentos, não esquecidos por Spacca nas páginas do quadrinho. Diferentemente de outros trabalhos do artista, aqui há desenhos mais realistas. “As situações exigem mais dramaticidade. Há cenas trágicas, comoventes, até piegas, e precisei de personagens um pouco mais próximos do real para parecerem mais convincentes ao leitor”, explica Spacca, em entrevista a Revista O Grito!.

Entre produção, pesquisa e finalização, foi um ano e meio de trabalho árduo. Só de pesquisa foram seis meses para retratar com fidelidade as paisagens, buscadas em fotos e livros e uma visita de cinco dias à Bahia. Entre as fontes, o livro Retrato da Bahia, do fotógrafo Pierre Verger, com fotos de 1946 que segundo o autor captam o espírito dos romances. O fotógrafo por sinal é homenageado na segunda contracapa, na cena do cordel, onde Spacca desenhou um turista segurando uma câmera Rolleiflex.

O convite para o trabalho veio da Cia das Letras quando ainda estava concorrendo com outras editoras do Brasil pelos direitos da obra de Jorge Amado. “Pediram para escolher uma obra para desenhar uma amostra de capa de HQ. Fiquei feliz em saber que a Cia ganhou, mesmo sem ter feito a proposta mais alta. Eles escolheram pelos projetos apresentados”, conta. A escolha por Jubiabá foi conjunta entre editora e desenhista. A editora pediu para o artista escolher qualquer uma momentaneamente para aprovação e Scappa escolheu esta. Gostou e resolveu ficar com ela. “Foi escolha nossa, minha com o aval deles”, diz.

Apesar de ter sido um convite, o ilustrador deixa claro que foi um trabalho árduo mas prazeroso. Para passar mais de um ano encarando Jorge Amado diariamente, precisa-se nutrir um carinho especial. “Gosto da prosa dele, com descrições sedutoras e saborosas como “o mistério escorre das ruas da cidade da Bahia feito azeite de dendê…”, cita o desenhista.

Spacca mostra-se preocupado com o destino do seu livro. Para muitos críticos e especialistas em literatura, adaptações de clássicos para quadrinhos não devem ser propagadas como substitutas das obras originais. Para o autor, a obra deve servir de introdução e não de única fonte. Ele ainda declara que o quadrinho seria um chamariz e uma introdução ao universo de Jorge Amado, não só pelos jovens mas por qualquer pessoa que, por algum motivo, não leu ou não gosta mesmo sem conhecer. “É importante mostrar que uma adaptação em HQ não seja vista como a obra em si, mas sim como a interpretação de um artista a partir daquela obra”, comenta o artista.

ouropreto1a [Cultura] Jorge amado em quadrinhos

Mais quadrinhos nas prateleiras
Editoras investem em adaptações de clássicos para HQ

De olho em um seguimento avesso à crise e aumentando cada vez mais o número de vendas, a editora Cia. das Letras lançou em dezembro do ano passado um selo próprio para as publicações em HQ, o Quadrinhos na Cia. A experiência de bons resultados foi comprovada com o próprio Spacca, com Santô e os Pais da Aviação contabilizando 30.000 exemplares vendidos. Vale lembrar que a obra é um registro histórico de vida e obra de Santos Dummont, considerado um pai da aviação e um tema não tão tragável para vendas, surpreendendo a editora.

As razões para expansão e investimento em tal fatia de mercado são diversas, mas podemos enumera algumas como o retorno de leitores de gibis do passado, ressuscitando uma fantasia de infância. A explosão das graphic novels norte-americanas (romances gráficos, termo de Will Eisner, mestre da área) também não deve ser descartada e, claro, os lideres de vendas nas bancas, os mangás, gibis japoneses

Juntando o sucesso de vendas do gênero e tentando popularizar obras clássicas, muitas editoras partiram para investir em quadrinhos. As prateleiras já possuem uma gama de ofertas como A Luneta Mágica, de Joaquim Manuel de Macedo, da Panda Books e O Cortiço, adaptado por Ivan Jaf e Rodrigo Rosa, além da premiada adaptação O Alienista, de Fábio Moon e Gabriel Bá.

Existe uma crítica de que há um interesse perverso das editoras em vendas graças há adoção de algumas escolas no gênero como leitura obrigatória. Algumas listas de recomendação do governo já trazem as adaptações para as escolas, mesmo sem ler. A principal é a do PNBE, Programa Nacional Biblioteca da Escola, do Governo Federal. O edital de concorrência dá especial atenção às adaptações. No mais, muitos saldos positivos: obras brasileiras chegando mais fácil nas mãos de crianças e desmistificando leituras consideradas complicadas e mais trabalho para quadrinistas brasileiros. A Cia das Letras colocou obras importantes nas HQ’s este mês, como Retalhos, de Graig Thompson e Nova York, de Will Eisner. Para este ano, ainda são aguardadas nomes como Chris Ware e mais Eisner.

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