[Revista] Veja – 3 de Junho de 2009 – Os loucos atômicos
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junho 27th, 2009 at 21:18
INSEGURANÇA PÚBLICA NA BAHIA, ATÉ QUANDO?
Os 1.050 investigadores e escrivães aprovados em concurso da Polícia Civil e já treinados pela Acadepol retomaram a esperança de assumir brevemente suas funções. Indicado mediador pela Comissão de Direitos Humanos e Segurança Pública da Assembleia Legislativa, o deputado Yulo Oiticica tentará marcar uma audiência dos concursados, antes do recesso parlamentar, com os secretários Walter Pinheiro (Planejamento) e Rui Costa (Relações Institucionais) para definir um cronograma de nomeações a ser cumprido até dezembro.
Yulo afirmou que “é vontade do governo resolver o assunto ainda este ano”, instituindo o escalonamento para evitar um impacto financeiro na folha do Estado. O representante dos concursados, Marco Antonio Deiró, disse que o aumento das despesas em 2009 está em torno de R$ 12 milhões, quantia que considera pequena “diante da necessidade de melhorar a segurança pública”, mas o deputado preferiu não entrar nessa questão por entender que somente a administração pode aferir o montante correto.
Os problemas na segurança pública foram amplamente debatidos na reunião. O deputado Fernando Torres (PRTB) queixou-se do agravamento da situação em Feira de Santana, onde “no mês de maio ocorreram 28 homicídios, praticamente um por dia”. Ele disse que pediu a ação do 35º Batalhão de Infantaria do Exército no policiamento, mas o comandante alegou que seria necessária autorização do Ministério da Defesa. Torres quer que o requerimento seja feito ao ministro Nelson Jobim pela comissão, o que será decidido na próxima sessão.
Torres entende que “o governo não está pensando em investimento, e a prova disso é que reluta em contratar não somente os 1..050 investigadores e escrivães, mas também os 100 delegados aprovados, enquanto delegacias estão sem comando em diversos municípios”. Para ele, “o clima de guerra civil em que vive a Bahia” é resultado da omissão do governo: “O investimento em segurança pública no último ano do governo Paulo Souto foi de 11,70% do orçamento do Estado, enquanto o governo Wagner, no terceiro ano, destina somente 10%”.
O deputado Capitão Tadeu (PSB), apontado como um crítico da segurança na bancada da maioria, ressaltando sua condição de “coerente” e “não-radical”, fez um elogio ao atual governo: “Tenho documentos de estudos comparativos mostrando que, quanto aos anseios dos policiais, os dois anos de Wagner foram melhores que os 16 anos do carlismo”. Observou que o governo “fez muito pouco em relação à expectativa que criou durante a campanha eleitoral”.