[Papo Cabeça] Lei do Preço Único para livros: mais livrarias para quem?
Postado por: PDL / Categoria: Informação e Cultura, Papo Cabeça![[Papo Cabeça] Lei do Preço Único para livros: mais livrarias para quem? livrariacultura02 [Papo Cabeça] Lei do Preço Único para livros: mais livrarias para quem?](http://img12.imageshack.us/img12/5906/livrariacultura02.jpg)
Circula nos setores integrantes da cadeia produtiva do livro e agora também na Câmara dos Deputados uma proposta que pretende instituir um preço único para venda de lançamentos e relançamentos no país, em todos os canais de distribuição. Segundo a proposta, até 12 meses após o lançamento somente seriam permitidos descontos na ordem de 5 a 10% sobre o preço definido pela editora. A medida serviria para evitar a concorrência desleal das grandes livrarias e redes varejistas com as pequenas e médias, cuja principal fonte de renda tende a ser justamente os chamados best-sellers e lançamentos.
Os que são a favor da medida argumentam que essa prática já é comum e funciona muito bem em países como a França, e até na Argentina, para citar um exemplo latino. No entanto, parece quase surreal comparar o poder aquisitivo e o grau de desenvolvimento econômico Francês com o brasileiro. Além disso, é fato conhecido que nossos vizinhos têm um hábito de leitura muito mais arraigado que o nosso, o que reflete em um consumo de livros proporcionalmente maior.
Em um país com baixo índice de leitura como o Brasil, resultado da falta de estímulo, baixo poder aquisitivo da população e do preço exorbitante dos livros, acreditar que as pequenas livrarias fecham as portas só por não conseguirem competir com as grandes é abusar da inocência e boa vontade do consumidor, que é quem vai pagar a conta. Ao invés de se discutir meios de estimular o consumo de livros entre as camadas mais carentes da população e repensar o falido modelo editorial que privilegia as editoras e grandes livrarias em detrimento dos autores e consumidores, acabamos, como sempre, deixando o custo nas mãos do lado mais fraco. Será que obrigar os leitores a pagar mais caro por um produto que já é um artigo de luxo em nossas casas é a melhor solução? Para que precisamos de mais livrarias, se não pudermos pagar pelo que nos é oferecido?
A proposta não deixa de lembrar certas práticas que em outros setores como supermercados e postos de gasolina são passíveis de punições e até prisão dos envolvidos. Da forma como está sendo apresentada, além de ferir um dos preceitos mais básicos para manutenção dos direitos do consumidor, que é a livre concorrência, a padronização dos preços dos livros tende a nivelar por cima um mercado que não possui maturidade para isso, provocando uma queda ainda maior no consumo de livros no país.
Seus partidários parecem vilanizar os grandes varejistas, esquecendo-se que as próprias editoras concedem esses descontos e ganham em cima disso, uma vez que a atividade livreira é a menos tributada do país e ninguém em sã consciência vai achar que elas estão perdendo dinheiro fazendo isso. Para a editora, o custo de um livro que vai para o Submarino é o mesmo do que vai para um pequeno revendedor. É um ponto a se pensar. Se as editoras praticassem preços mais razoáveis e tivessem uma política mais transparente de descontos, não poderíamos ter um consumo expressivamente maior em todos os níveis? No conflito de interesses, elas parecem representar o lado que sai sempre ganhando, não importa o ângulo para o qual se olhe.
Por Okidoki
Tags: Democratização da Leitura, Lei do Preço Único, Mercado Editorial










abril 14th, 2009 at 21:07
Não só o livro, mas tudo o que toca a cultura é muito caro no Brasil e impossibilita a maioria da população de usufruir do conhecimento. É um absurdo que alguns livros didáticos cheguem, por exemplo, à casa dos 100 reais, impedindo que estudantes possam adquiri-los. Tudo que é caro gera pirataria. Se fosse barato, não compensaria correr o risco. Por que não interessa aos editores colocar livros a preços baratos na internet? Porque ganham horrores com o livro de papel. Ó Lula, não é só faculdade que é necessário para o país não! É livros e mais livros, a preço de jornal.
abril 15th, 2009 at 11:01
Rs, as peq. e médias livrarias não vão mais fechar por causa da concorrência, mas sim pela pura falta de consumidores… triste!!
Mas é a política, ao fazer uma lei como essa, eles “demonstram” que estão “cuidando”, do pequeno e médio empresário, com leis que os protegem. E o país sofre com mais leis que não massificam valores culturais.
abril 15th, 2009 at 14:02
Segundo um atendente me disse, os preços já são tabelados. O que muda é que as livrarias podem dar descontos, se quiserem.
Acredito que o problema da venda não é pela falta de tabela mas pelos preços em si.
Agora – de que livrarias de bairro eles estão falando? Moro no centro de São Paulo e não conheço nenhuma, só grandes redes.
Já que não querem diminuir os lucros, por que eles não pensam em editar livros de forma mais barata, com papel de qualidade inferior, como aqueles que são vendidos na maquina do metro de SP?
abril 15th, 2009 at 20:39
Enquanto as tiragens forem pequenas o preço unitário do livro vai continuar alto. Não tem jeito. Livros com qualidade inferior só vale a pena se for de literatura e tal. Para livros de direito, por exemplo, é inviável fazer assim. E dizer que livro no Brasil é caro é brincadeira. Brasileiro não gosta de ler, só isso. Vai ver barzinho, micareta, carnaval, são joão, show de kiss, e coisas do tipo. Tá tudo cheio de gente enchendo a cara e gastando dinheiro. Aí o pessoal vem dizer que livro é caro. Caro é cerveja e uisque.