[Papo Cabeça] Jabor entra no twitter – “Estou nascendo hoje na internet”
Postado por: PDL / Categoria: Informação e Cultura, Papo Cabeça![[Papo Cabeça] Jabor entra no twitter Estou nascendo hoje na internet jabor [Papo Cabeça] Jabor entra no twitter Estou nascendo hoje na internet](http://a.imageshack.us/img831/4618/jabor.jpg)
Afinal, quem sou eu? Descobri que há vários jabores dando sopa na web. Uma vez, disse aqui que jamais entraria nos twitters da vida, nos orkuts do pedaço, nos facebooks das quebradas… Claro que dá pra ficar fora dessas “redes sociais”, mas sinto-me isolado como aqueles caras que se recusam a ver televisão, para defender sua “individualidade”. No entanto, que individualidade, que “eu” se manteria “puro” e protegido longe da TV ou fora da web hoje? Que “eu” sobraria? Não há um “eu” sozinho – esse sonho de pureza e originalidade acabou. O “eu” é feito de detritos de lembranças, de sonhos, de traumas, mas também é fabricado pelas coisas. A pílula fez mais pelo feminismo que mil livros de militância. A internet criou um “eu” que muda dia a dia como uma máquina que vai se modernizando, recebendo novas engrenagens. Em vez de aniversários, em breve, vamos comemorar aperfeiçoamentos: “Estou comemorando mais 8 gigabytes em minha alma!”
Aliás, acho bom que a internet acabe com as ilusões individualistas que sempre tivemos – de sermos puros e únicos. A verdade é que somos parte de um processo de mutação permanente, e não por “autoanálise”, mas pelos avanços da tecnociência. Assim como a biotecnologia cria seres híbridos, somos cada vez mais híbridos… Somos de carne, osso, chips e tocados por milhões de “outros eus” em rede. Rimbaud escreveu: “O eu é um outro.” E o grande Mario de Sá Carneiro, poeta português, melhor do que os uivos lamentosos de Fernando Pessoa, também escreveu:
“Eu não sou eu nem o outro/ sou qualquer coisa de intermédio/ pilar da ponte de tédio/ que vai de mim para o outro.” Sujeito e objeto se confundem cada vez mais. Além disso, eu também achava que a cultura humana era uma galáxia infinita de pensamentos e obras. O Google acabou com este sonho infinito. Tudo se arquiva, se ordena. O futuro, como um lugar a que chegaríamos um dia, também morreu. Só há um presente incessante, um futuro minuto a minuto, e não temos ideia de onde chegaremos, porque não há onde chegar…
Bem, amigos, todo este “showzinho” de reflexões individualistas é, na verdade, para comunicar que estou entrando no twitter. Resolvi. “Não quero mais ser eterno, quero ser moderno.” Eu, que até pouco tempo só ia até o micro-ondas (que sempre me puniu com apitinhos da porta aberta), eu, que tremo diante de um celular, mudei muito. Saibam que comprei um iPhone e que vou postar coisas no twitter, que se chamará “realjabor”. O nome será este porque já existe no twitter um cara que usa meu nome… Existe um “jabor” imaginário com, pasmem, 121.000 seguidores… Não o digo por gabar-me, mas há um jabor com milhares de amigos que não conheço. E aí me pergunto: quem sou eu? E esse cara no twitter – com 121 mil seguidores enganados – por que botou meu nome? Não é por inveja, nem tietagem… Ele parece ser um bom sujeito pelas coisas que fala por mim; não há insultos nem frases que possam me incriminar com meus “seguidores”… (se bem que ele “posta” também bobagens apócrifas que rolam na web, que me matam de vergonha). E ele? Quem será? Será que ele ama alguém? Quem lhe mandará flores se ele morrer de amores? Por que time ele torce? Como é seu rosto? Vejam meu drama: eu, que não existo, acho boa-praça um cara que não sei quem é… Por que ele não se assume? Eu estava nesta dúvida, quando se fez a luz e entendi: tanto faz ele ser ele ou ser eu. Esta terceira pessoa, meio eu, meio ele, existe no espaço virtual e assim não importa o nome, pois, como disse acima, sujeito e objeto se confundem. Ser eu ou ele é um detalhe desprezível.
Aliás, suponho que esses milhares de seguidores sejam ao menos meus amigos… E aí me ocorre a pergunta: o que é um amigo hoje? Como posso ser amigo de pessoas que nunca vi? Antes, amigos tomavam chope com a gente, davam conselhos, faziam confidências: “Pô, cara, minha mulher me traiu… que que eu faço?” Era assim. Hoje, os amigos você não vê, não toca; os amigos são algoritmos.
As redes sociais estão mudando o conceito de amizade, de amor… A pior forma de solidão talvez seja o sexo virtual, a masturbação a longa distância… Nada mais triste que o post-coitum na internet: gozos, escape e “log off” com os orgasmos se esvaindo na velocidade da luz e a realidade manchando o papel higiênico e as mãos pecadoras.
Assim aprendemos que temos de celebrar as parcialidades; só o fortuito é gozoso. Temos de parar de sofrer por uma plenitude que não chega nunca.
Aceitar a “incompletude” talvez seja a nova forma de felicidade. E isso é bom. A web nos mostra que enquanto sonharmos com a plenitude, seremos infelizes. Nunca seremos acompanhados nem totalmente amados. As redes nos trazem uma desilusão fecunda. As redes sociais unem os homens em uma grande solidão.
Outra coisa que me intriga: dizer o que nos tweets? O que é importante? Antigamente se dizia: este filme é importante, este texto é importante… Mas, hoje, para quê? As revoluções clássicas já não existem, a ideia de reunir objetos para um museu do futuro já era. Não há mais algo a ser preservado para amanhã. A importância do futuro foi substituída pelas “conexões” no presente.
A própria ideia de “profundidade” ficou estranha… O que é profundo? Hegel ou o frisson de informar a 121 mil pessoas que acordei com dor de cabeça ou que detestei A Origem?… As irrelevâncias em rede ganham uma densidade horizontal, uma superficialidade útil, ao invés de uma grandeza definitiva. Quantidade é qualidade, hoje.
Mas, é óbvio que há uma grande vitória para a democracia nas redes sociais. Há pouco, o massacre de dissidentes no Irã escapou pela internet. As redes denunciam crimes, alavancam negócios, expandem a educação política.
Por isso, resolvi nascer. Estou nascendo hoje na web. Meus primeiro gemidos de recém-nascido começam hoje. Chamo-me agora www.twitter.com/realjabor e vou competir com o outro jabor, o falso, que me criou sem me consultar.
Fonte: Publicado no Estadão e diversos outros jornais










setembro 7th, 2010 at 6:11
Jabor você também esta com cara de LOUCO desvairado vampirão “privatário alucinado,
meu amigo procure urgente um psiquiatra forense! vá se tratar………isso pega ! e vê se muda logo dai da vizinhança do Zé Bonzinho coitadinho,pobrezinho,verdureirozinho o Zé Serra Feirante da Mooca.
setembro 26th, 2010 at 19:04
A lápide de Jerônimo de Albuquerque Maranhão
Forte dos Reis Magos na visão de Frans Post ao tempo de Jerônimo de Albuquerque.
Aspecto do Engenho Cunhaú em desenho de Frans Post.
Lápide do Fundador Jerônimo de Albuquerque Maranhão. (Foto Anderson Tavares, 2008)
Jerônimo de Albuquerque, que posteriormente acrescentou o agnome Maranhão, nasceu em 1548 na Vila de Olinda, era o terceiro e último filho varão do casal Jerônimo de Albuquerque e Maria do Espírito Santo Arcoverde. Esta, filha do chefe tabajara Arco-Verde. Segundo o genealogista Borges da Fonseca, “viveu Jerônimo d’Albuquerque na pátria com a honra própria do seu nascimento”.
Jerônimo teve destacada atuação nos fatos relacionados com a reconquista da Capitânia do Rio Grande aos franceses, como capitão de uma companhia trazida em dezembro de 1597 ao Potengi, pelo capitão-mor de Pernambuco Manuel Mascarenhas Homem.
Filho de índia, Jerônimo de Albuquerque sabia se entender com sua gente. Logo que toma posse do Forte dos Reis Magos, entra em contato com um dos principais chefes indígenas locais – Poti – com o objetivo de captar as simpatias dos demais. Obtida a pacificação dos índios, Jerônimo se sentiu seguro para demarcar em terreno firme e elevado, o sitio da nova cidade, na margem direita do rio Potengi.
Aos 9 de janeiro de 1603, Jerônimo foi nomeado Capitão-mor do Rio Grande, em substituição a João Rodrigues Colaço, que o antecedera no cargo. Concedeu-lhe a mercê D. Filipe II de Castela, que então acumulava a coroa de Portugal.
Jerônimo de Albuquerque assumiu o governo do Rio Grande no dia 7 de julho de 1603 e já no ano seguinte, a 2 de maio, concedeu uma sesmaria de 5.000 braças em quadra, aos seus filhos Matias e Antônio de Albuquerque, em cujas terras logo foi instalado um engenho de cana, o famoso engenho Cunhaú, que se tornaria o mais importante núcleo econômico da Capitania.
Jerônimo foi nomeado, em 17 de junho de 1614, capitão da conquista e descobrimento do Maranhão, região que então se achava sob o domínio dos franceses. Em 19 de novembro de 1614Jerônimo alcançou uma decisiva vitória sobre os franceses comandados por La Ravardiere, no chamado combate de Guaxenduba.
Oito dias depois, ainda sobe a alegria da vitória alcançada, Jerônimo acrescentou ao seu nome o apelido “Maranhão”, conforme consta de sua assinatura aposta em documento de 27 de novembro. O genealogista Borges da Fonseca, na sua Nobiliarquia Pernambucana, ensina que a aposição do topônimo ao nome primitivo de Jerônimo de Albuquerque, foi uma mercê do Rei D. Filipe II, por remuneração do serviço da conquista do território maranhense, gesto “de que muito se prezaram seus descendentes”.
Jerônimo de Albuquerque Maranhão, por sua condição de Fidalgo Real, casou com d. Catarina Feijó, filha de Antônio Pinheiro Feijó e Leonor Guardes. Jerônimo de Albuquerque Maranhão foi o primeiro capitão-mor do Maranhão, de 1616 a 1618, cargo em que foi substituído, por sua morte, pelo filho Antônio de Albuquerque Maranhão.
O Barão do Rio Branco afirma em seu livro “Efemérides Brasileiras” que Jerônimo de Albuquerque faleceu no dia 11 de fevereiro de 1618 em São Luis do Maranhão. Já Borges da Fonseca, em seu livro já citado destaca que o fundador de Natal faleceu no seu engenho Cunhaú. Com quem está a razão?
Na tradicional Capela do Engenho Cunhaú, encontra-se uma antiga pedra tumular, já bastante desgastada pelo atrito ocasionado pelos pés dos freqüentadores daquele templo, no decorrer de quase quatro séculos de presença religiosa.
A placa mede cerca de 1,24 x 0,69m, a pedra encontra-se posicionada no piso da capela, ao pé do retábulo. O historiador Olavo Medeiros conseguiu, ao cabo de muito esforço decifrar a inscrição lapidada: QUIJA O DADO JNIMODE ALBUQ.MARANHÃO. (AQUI JAZ O FUNDADOR JERÔNIMO DE ALBUQUERQUE MARANHÃO).
Atraves da leitura do texto contido na pedra tumular, fica definitivamente esclarecido o fato de ter falecido e sido sepultado em Cunhaú, o velho Capitão-Mor, fundador da Cidade do Natal Jerônimo de Albuquerque Maranhão, figura de destaque que marcou a história nordestina.
outubro 2nd, 2010 at 13:07
Não é a situação, mas gostaria de dizer que gosto do tom áspero que você tem. Bem vindo ao twitter
outubro 15th, 2010 at 9:06
Quem é você? Você é único! uma das figuras mais reacionárias da mídia. Acho que por mais que os “falsos arnaldos” se esforcem jamais chegarão ao que você representa : Uma pessoa que crê representar uma verdade inteira, quando representa a parte mais a direita da realidade.
dezembro 29th, 2010 at 13:39
Arnaldo…
Vc já deve ter ouvido isso bastante, mas eu sou sua fã… mas não daquelas que iriam até vc pedir autógrafo ou tentaria jogar peça íntima para vc pegar… sou fã admiradora, fã de suas obras, fã de suas letras bem colocadas e das idéias bem organizadas, escritas de maneira tão poética quanto realista. Já li bastante, um pouco de tudo (de revistinhas em quadrinhos a psicologia e espiritismo), mas essa sua sensatez e poesia são raras, essa mistura da verdade com humor e bom senso ditas de forma tão simples, é avassaldora aos meus olhos quando leem. Eu fico encantada diante de tamanha criatividade e sensibilidade!! Vc é único! Estou repetindo a afirmação do João Guedes (que escreveu aí abaixo). Cada texto seu é uma chuva de realismo e sentimento, colocados por palavras sinceras e delicadas, em especial os que se referem às mulheres. Eu, mulher que sou, comum e racional, me deleito com seus textos e sinto-me apreciada de longe por vc… Obrigada por nos respeitar, nos admirar e escrever textos tão belos dedicados a nós (as conclusões vieram a partir de seus textos escritos).
Sou sua fã, sempre. Não deixe de escrever, em nenhuma hipótese, principalmente por causa de críticos neuróticos de plantão, que sempre tem algo negativo de qualquer obra para difamar e encontrar defeitos.
Agradeço suas palavras ditas em todos seus textos, que embora não tenham sido direcionado especificamente a mim, me alcançaram com tamanha dimensão. Grande abraço da sua fã e admiradora. Nush Magalhães (nushm@hotmail.com).
agosto 4th, 2011 at 17:31
Só respeito inteligência e cultura, como bom filho de filósofo e criado em meio acadêmico. E o Jabor o é, (como diria o Jânio Quadros em dos seus ataques de purismo).Ele consegue ser prolixo e falar do óbvio ululante sic de forma engraçada. Seja bem vindo. A nossa essência não se perde nestas redes sociais e como tudo na vida, como diria o saudoso Ibraim Sued ” Os cães ladram e a craavana passa” kkkkkkkkkkkkkkkkkkkk
setembro 20th, 2011 at 3:36
Nas palavras singelas e exclarecedoras desta fã incondicional, faltaram ainda muitos mais elogios que este senhor respeitavel e intelectual brasileiro mereceria.
A mim jamais importou se alguem seria de direita ou de esquerda , bastava para mim que a leitura fosse boa, E boa é aquela por mim escolhida , e o que importa ao se ler é entender o que o escritor quis dizer , nas linhas e entrelinhas, entender o contexto do texto onde se eu não existo, passo a existir .
Ser intelectual não é querer ser é ser mesmo sem querer.
Alguns curtos emburrecidos como o “tal” José Maranhão ,vulgo zeca “infelizmente” “(brasileiro ) até sonham em se-lo mas jamais chegarão., (pede pra sair )
Que suicide-se de inveja, pois nem clone jamais terá, e abusando do popular; (que dirá com + de 121.000 seguidores kkk, quem é bom até o clone respeita….(vá ser seguidor do Sarney,”zequinha ninguem”….. seja bem vindo a web senhor magnifico..ARNALDO JABOR…..
Ps:,
Para piorar o sobrenome do infeliz lembra aquele coronelismo apodrecido que tanto atraso trouxe para o nosso maravilhoso torrão natal …
Ps do Ps:
O engodo sempre é descoberto e agora na corrida do eu sai na frente o Arnaldo Jabor, e em segundo lugar segue celere , ele mesmo só que agora sem nenhum seguidor…..
Para deleite de todos nós 119.999 mais eu….(como diria um maravilhoso poéta baiano)
maio 12th, 2012 at 13:34
olá pessoas, sou fã do que o Jabor “de verdade” fala e ainda não participo muito do twitter (apesar d já ter um, com 5 seguidores), achei sensata sua decisão de entrar para as redes,tornando sua projeção filosófica hiper-texto,assim como todos somos, um link ligado ao outro…
maio 12th, 2012 at 13:36
sigam meu humilde blog: http://themarcossaraiva.blogspot.com/, pois meu twitter é uma vergonha. E me procurem no face, gosto de adicionar a minha lista de amigos pessoas que nunca vi nem vou ver; Marcos Saraiva Ufrpe