[Papo Cabeça] Brasileiro não gosta de ler brasileiro
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Brasileiro não gosta de ler escritor brasileiro. Basta conferir nas listas “dos mais vendidos” que saem nos cadernos culturais e nas revistas semanais. Pegue as listas da Veja, por exemplo. Se for obra de ficção o cara só vai encontrar “best-seller” de escritor estrangeiro, norte-americano de preferência. Na da Veja desta semana dos dez livros de ficção mais vendidos, 8 são de autores norte-americanos, 1 canadense e 1 (viva!) brasileiro. Só que o patrício, de nome Augusto Cury, psiquiatra, joga mais no time de escritores tipo autoajuda e não entendi como chegou à categoria de ficção.
A campeoníssima é a escritora Stephanie Meyer, dos Estados Unidos. Está no placar com quatro livros, sendo que um deles, “Crepúsculo”, tem lugar cativo na lista há 85 semanas. Outra norte-americana, L.S. Smith, comparece com dois livros. Os outros gringos são Dan Brown e Rick Riordan, americanos, e William Young, canadense, que fala muito do amor de Deus em sua literatura. Europa toda de fora; escritor latino-americano nem pensar. Africano faz muito tempo que não é citado e olhe, cara, que tem muita gente boa, alguns com o Nobel brilhando no peito, isso sem falar em Mia Couto, Pepetela, Manoel Lopes, José Craverinha, Helder Macedo, José Eduardo Agualusa, Ondjaki, Agostinho Neto, Gonçalo M. Tavares, africanos que falam e escrevem em língua portuguesa.
Entre os leitores natalenses, claro, acontece o mesmo “fenômeno”. Confiro na lista da Siciliano, que sai colada à coluna de Carlos Souza, “Toque – Livros & Cultura”, todas as quartas-feiras nesta brava Tribuna do Norte, às vésperas (será em março) de comemorar 60 anos. Um detalhe: no placar dos livros de ficção mais vendidos na Siciliano de Natal não há nenhum autor brasileiro. Só a danada da americana Stephanie Meyer ocupa a metade da lista dos “10 mais”.
Se for livro de Poesia, aí, então, é uma verdadeira catástrofe. Em lista nenhuma encontra-se um livro de poema, um só. Nem de poeta de além mar, nem de nativo das praias de cá. Nem um Fernando Pessoa, nem um Carlos Drummond de Andrade. Nem na Veja nem na Siciliano. Bom, na lista da Siciliano, abre-se, aqui e acolá uma exceção, mormente dias após o lançamento para livro de poeta desta aldeia de Poti mais esquecida. Olhe lá.
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Nem os premiados
Nem entre os autores brasileiros premiados, em cujos céus flutua a nata de nossa literatura, são encontrados nas listas dos “10 mais lidos”. Brasileiro também não gosta de ler escritor premiado. Estou aqui com a relação dos premiados nos três mais importantes prêmios literários do país, ano passado, e não vejo nenhum deles em lista nenhuma. Os prêmios são o Jabuti – o mais antigo dos três -, o Portugal Telecom de Literatura em Língua Portuguesa e o Prêmio São Paulo de Literatura, este pagando uma nota de 200 mil reais ao vencedor.
O Jabuti de 2009, categoria Romance, foi para o escritor gaúcho Moacyr Scliar, com Manual da Paixão Solitária. O segundo lugar ficou com o amazonense Milton Hatoum, Órfãos do Eldorado. Na categoria Poesia, venceu Alice Ruiz S. com Dois em um. Ela é paranaense e tem mais de vinte livros publicados. Os três estão ausentes.
O vencedor do Prêmio Telecom foi o escritor e artista plástico paulista Nuno Ramos, com o romance Ó, que eu não vi ainda em nenhuma lista. Nem daqui e nem de fora. O cara enfrentou feras, entre eles um verdadeiro escrete de escritores portugueses começando por José Saramago (A viagem do elefante), António Lobo Antunes (Ontem não te vi em Babilônia), Inês Pedrosa (A eternidade e o desejo), Gonçalo M. Tavares (Aprender a rezar na era da técnica) e Miguel de Souza Tavares (Rio das Flores).
O romance de Nuno Ramos foi um dos livros que mais me encantou em minhas leituras do ano passado. O poeta Alex Nascimento, que o leu numa noitada só, anda dizendo loas para o livro. Também não está na lista da Siciliano, mas foi lá onde eu peguei.
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Nem Galiléia
O prêmio literário brasileiro de maior valor em dinheiro, o São Paulo de Literatura de 2009, coube a um escritor nordestino: Ronaldo Correia de Brito. Excelente contista, estreava no romance com Galiléia, escolhido como o “Livro do Ano de 2008”. Não me lembro de ter visto Galiléia nas listas dos 10 livros mais vendidos no Recife, onde vive o escritor, nem na lista dos jornais do Ceará, onde ele nasceu. Na revista Veja, nem pensar. Mas ler Ronaldo Correia de Brito, que andou por aqui ano passado na Festa Literária de Pipa, é uma delícia. Conversar com ele, também.
O gancho que me levou a essas notas partiu de uma leitura de revistas e jornais que o Marechal Porpa (Luiz Antônio Porpino) me trouxe de Portugal, por onde andou recentemente depois de escorregar nas neves da Alemanha e Holanda. Conferi em “NS”, revista semanal que sai na edição de sábado do Diário de Notícias, de Lisboa, as novidades literárias de Portugal. Fui à lista dos “mais vendidos”. Ficção. Lá são cinco. Quatro são portugueses e um norte-americano. O gringo é o Dan Brown, que aparece nas listas brasileiras (Veja). É o mesmo autor de “O Código da Vinci” e que agora reina nos best-selers com “Símbolo Perdido”. Lá e cá.
Os portugueses são: José Rodrigues dos Santos (Fúria Divina), nascido em Moçambique e que também integra o time dos mais importantes jornalistas de Portugal, Margarida Rebelo Pinto (O dia em que te esquecerei), José Saramago (Caim) e Ricardo Araújo Pereira (Novas Crônicas da Boca do Inferno). A revista do DN, edição de 2 a 8 de janeiro, abre ainda espaços para Garcia Lorca e Albert Camus
O número de 26 de dezembro de 2009 a 1 de janeiro traz textos de Inês Pedrosa, Gonçalo M. Tavares, Irene Pimentel, José Luís Peixoto, José Tolentino Mendonça, Lídia Jorge, Margarida Rebelo Pinto, Nuno Júdice, Rita Ferro e Vasco Graça Moura sobre fotos de alguns dos principais fatos ocorridos no mundo. Faz resenhas também dos últimos livros de Saramago (Caim) e Antônio Lobo Antunes (Que cavalos são aqueles que fazem sobra no mar), apontando-o como “candidato ao melhor romance do ano”.
Fernando Pessoa
Na secção de Livros do Jornal de Negócios tem o registro do lançamento do livro de Fernando Pessoa. Livro de Viagem, afirmando que é “sempre agradável viajar à boleia de seus poemas”. Tem uns versos que eu destaco: O comboio abranda, é o Cais de Sodré. / Cheguei a Lisboa, mas não a uma conclusão.
Fonte: Tribuna do Norte, de Natal
Tags: hábitos de leitura, Papo Cabeça, Prêmio Jabuti, Prêmio Nobel de Literatura










fevereiro 10th, 2010 at 8:34
Olá à tds. ao ler essa nota não pude me conter, pois td o que nela está escrito é a mais pura verdade e confesso, senti vergonha de mim mesma, pois assim como muitos, acabei de ler o mais novo livro do americano Dan Brown. Não q não seja bom, pois considero toda forma de leitura interessante, desde que seja leitura, mas não se compara com um “Riacho Doce” de José Lins do Rego, o qual, para me redimir, eu peguei para ler. Estou em estado de graça com tamanho brilhantismo. Essa nota só fez confirmar aquilo que muitas vezes eu teimo em dispensar achando q o que é de fora sempre é melhor. Ainda bem que td dia podemos fazer escolhas diferentes em nossa vida.
Um grande abraço.
fevereiro 10th, 2010 at 9:58
Concordo em genero e gral ,com a nota escrita , e coma Simone , pois naventa por cento do que li em 2009 foi estrangeiro. Adorei os dois livros de Algusto Cury O vendedor de sonhos , mais reconheço que leio muito pouco literatura nacional.
fevereiro 10th, 2010 at 11:24
Mas se eu quiser ler livros de escritores brasileiros procuro uma biblioteca pública, é o que mais tem. Já escritores estrageiros dificilmente encontro.Nessas listas encontram só os mais vendidos.
fevereiro 10th, 2010 at 14:51
Mais que de acordo. Brasileiro não prestigia a própria cultura. E eu já tinha criado até um tópico no fórum, mas o que muita gente fez foi dar desculpas ou dizer que essa aversão não existia. Tá aí a prova.
Félix – Se vc for ler os escritores que ela citou aí (são novos), vc dificilmente vai encontrar numa biblioteca pública…
fevereiro 10th, 2010 at 15:10
é verdade. snto vergonha desse fato tambem mais sou uma das que le apenas livros estrangeiros. acho que nao dou muito valor a cultura nacional pois livros e filmes nacionais evito sempre…
fevereiro 13th, 2010 at 16:50
Essas listas de mais vistos e mais vendidos sempre tiveram muitas bombas aHhuahua! Vishhh!
fevereiro 27th, 2010 at 12:54
Temos uma cultura há muito tempo alinhada com os ideais norte-americanos, consumimos muita coisa boa e ruim deles, desde filmes e seriados a quadrinhos e literatura. Fomos (e aida somos) doutrinados pelos irmãos do norte, quando criança achávamos bonito ter uma bandeira americana no nosso quarto – como nos filmes que nós vemos no cinema! Não precisamos ser xenófobos, podemos assimilar a cultura desses tapados, mas precisamos valorizar a nossa. Falta mais orgulho de nós mesmos (mas estamos melhorando).
Abraços a todos, ótima matéria!
março 6th, 2010 at 18:33
é uma vergonha ok se passa em nosso pais,totalmente norte americanizado,eu que vivi na espanha vejo tanta diferença agora que estou aqui ,que me da nojo.vamos valorizar nosssas raizes,nosso pais ,tome uma coca cola e deixe os norte americanos mais ricos averdade doi…
maio 12th, 2010 at 10:57
então, acontece que não temos bons autores na categoria ficção atualmente. O autor brasileiro que mais li – e recomendo – foi Érico Veríssimo. Outro bom autor é Monteiro Lobato, com seu jeito singular de ensinar História de forma divertida. Temos outros nomes, como o próprio Ariano Suassuna.
Paulo Coelho é uma fraude, perdi meu tempo lendo quase toda sua coleção plagiada do escritor Carlos Castañeda. Outros autores ditos de auto-ajuda foram parar no psicólogo tentando o suicídio. como deixar uma pessoa desta me influenciar? os outros “clássicos” da literatura brasileira são uma leitura pesada, indigesta e enfadonha. sinceramente, tentei.
Infelizmente o Brasil tem uma política de contar a história apenas do ponto de vista do governo. Prova o fato da guerra do Paraguay, que na verdade foi um massacre, ser contada como fato heróico dos soldados e aponta o Duque de Caxias como símbolo a ser seguido. quer saber a verdade? leia um livro Inglês que conte a mesma história sob outro prisma.
Outro caso foi a guerra de canudos. tem um livro que conta a história oficial,muito convenientemente divulgado, escrito por Euclides da Cunha – “Os Sertões”, e outra publicada quatro anos antes, mas que não foi adotada por contar a história por tras da história. a verdade sobre o assentamento de canudos e de Antonio Conselheiro: “O Rei dos Jagunços” – de Manoel Benício.
Quanto aos novos autores, me perdoem, mas têm que melhorar muito pra ficarem mais verossímeis. um abraço.
junho 14th, 2010 at 11:53
É triste constatar que além de ler pouco, o brasileiro lê em sua maioria, porcarias descartáveis da moda, como é o caso destas horrorosas e boçais séries sobre vampirinhos.
Sobretudo os adolescentes são os maiores exemplos do estilo ” maria vai com as outras ” a maioria lê porque não quer estar fora das rodinhas de conversas – é o motivo mais ridículo do mundo para se ler um livro!!! Não é a toa que a maioria hoje cursando faculdade saiba escrever pouco mais que seu próprio nome, 99% são analfabetos funcionais e que ainda querem ter suas opiniões respeitadas! É uma comédia!
Resultado com certeza também da doutrinação analfabeta-esquerdista de nossas faculdades, a exemplo que futuro tem um país que considera Che Guevara um semi nazista assassino, como herói? É a total falta de cultura que assola nosso país!
agosto 5th, 2010 at 15:30
Adorei encontrar este blog. Ideia genial e muito bem aplicada.
Considero verdade suas palavras apesar de não estar enquadrada. Minhas leituras são nacionais e recentes. Não aprecio livros dos escritores mais antigos, mas valorizo muito a nova literatura. Ultimamente leio André Vianco. Criativo e interessante.
Indico: “A Casa.”
novembro 7th, 2010 at 20:56
pois vc estar emganada pois eu sou brasieleira.eu tenho coleção de livros de escritores brasileiros.
dezembro 22nd, 2010 at 19:03
gostei dos papos supramencionados… gostaria de saber se alguem ja leu “sao tome das letras e o pacifista”,em caso positivo, se sabe o e mail do autor, ou telefone etc.
obrigado.
janeiro 27th, 2011 at 1:09
Eu gosto mais de literatura estrangeira e não tenho vergonha de admitir isso. É questão de gosto literário, o estilo é diferente.
fevereiro 7th, 2011 at 11:45
O capitalismo americano sempre foi influente, eles vendem utopia e nos empurram, as vezes, goela abaixo, a sua maneira de ver o mundo.
Mas temos muito coisa interessante para ser vista nos autores nacionais.
Gostaria de registrado, para o Leandro, que li “sao tome das letras e o pacifista”, nao tenho dados do autor, trata-se um e-Book, e parece-me que existe impresso… talvez por isso nao esteja entre os DEZ… desculpe! é bricadeira
fevereiro 10th, 2011 at 9:40
Obrigado, renato.
Na livraria Curitiba obtve uma pista do que estou procurando.
estou com voce quanto a influencia que sofremos por sermos terceirosmundistas, isso tambem, com relaçao a musica e filmes nacionais.
abril 16th, 2011 at 12:37
A meu ver, a literatura, bem como todas as manifestações artísticas são resultantes da criação humana, dessa forma, graças aos céus, (a criação) não conhece fronteiras…
Ainda, na minha simples maneira de ver, o homem só será tranquilo e talvez mais feliz, quando não houver nenhuma fronteira… em qualquer lugar em que estiver estará sempre pisando num solo fraterno, num mundo de todos. Nesse mundo de todos não haverá museu de armas porque todas foram fundidas e transformadas em máquinas agrícolas
julho 5th, 2011 at 10:29
eu admito , adoro literatura estrangeira. quando era pequena, lia monteiro lobato mas agora os meus favorito são romances históricos e contemporâneos e quando vejo um resumo nesse género , de um autor brasileiro , fico desapontada, prefiro jane austen , a ler paulo coelho, que é um plagio total.
é tirste que os brasileiros so leiam autores estrangeiros, mas no meu caso , que sou adolescente , não quero auto-ajuda,historia brasileira,quero ler as sociedades antigamente, mas sou excepção pois moro em portugal e tudo que chega aqui é paulo coelho, mas livros bons em português não me atraem , aqui é só historias de vida ,de como voltar a se apaixonar depois de um relacionamento mal sucedido ou politica, só alguns livros me interessaram , e eram um pouco de comédia do ricardo araujo pereira ,que faz piada dos hábitos da sociedade atual, mas são muitos poucos.
mas não adianta dizer que temos vergonha de lermos poucos autores nacionais,se querem que os jovens leiam mais livros, é só escrever livros que atraiam a atenção dos jovens,auto ajuda de certeza que não chama.nem clássicos portugueses ,os lusíadas foi escrito há 500 anos,e me parece ser um autentico graxista,só a honrar o rei , já para não falar dos Maias , o coisa mais chata.portanto não adianta reclamar ,tem é de se encontrar um jeito de fazer os jovens interessarem-se pela leitura, mas obrigar a ler coisas que não lhes interessam não é a solução , é até desmotivante, muito dos meus colegas ,do 10º ano ,lêem no máximo um livro por ano , primeiro porque os pais não lhes incentivam a ler , mas ambiente porque lhes recomendam ler kafka , que é complicado e obrigar a ler um livro que não se gosta até ao fim, perde-se a vontade de ler qualquer coisa.
setembro 6th, 2011 at 16:38
Concordo porque essa situação é óbvia.Não tinha fome por livros ( só lia o que a professora pedia , por causa das provas). Mas eu mesma não me contentava em não gostar de ler se era tão legal. Procurei livros nacionais,mas as sinopses não me chamavam a atenção,as capas também não.Só fui encontrar coisas legais em livros gringos ,mas é óbvio também que caí nas técnicas logísticas.OOO consumiiismo.No fim das contas, todos os livros que me chamaram atençao,me agradaram bastante.
setembro 6th, 2011 at 16:43
Observação:o único de autor brasileiro que li esse ano ( e meu preferido até agora) foi A Batalha do Apocalipse , do Eduardo Sphor