[Fragmentos Poéticos] Se eu calar a fêmea…
Postado por: PDL / Categoria: Fragmentos Poéticos, Informação e CulturaSe eu calar a fêmea, o que me restará? As palavras certas, mas jamais certeiras e muito bem talhadas feito estátuas mortas? A voz, a voz, a voz que não amolece no canto da boca? A resposta dura, bem feita, insossa? É a fêmea quem fala, quem pulsa, quem ama, é a fêmea em versos tolices sonhos. A fêmea em sexo, vontade, fúria. Fêmea em lamúria. Mas é sempre a fêmea quem grita aqui e desencadeia minhas letras vãs – todas tortas, letras impossíveis de nossas manhãs…
Se eu calar a fêmea, nada mais me resta, a não ser os sinos da igreja antiga e aquela saudade mal pronunciada. Nada dito. Tudo calado cruelmente cortando os verbos. E papéis amarelados gastos pelo tempo. Rotos, sem vida, pobres documentos. Nem um vinho tinto pra contar história, nem a nossa língua perfurando corpos. Nada de serpentes no meu Paraíso…
Se eu calar a fêmea, resta-me um passado. Passado parado duro sem voltas. Tempo mudo estático feito de uma linha. Nada da elipse de meus saltos gritos. Nada da mulher que envenena estrelas…
por Carla Jaia
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Tags: Carja Jaia, Poesia, Prosa Poética

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setembro 19th, 2009 at 22:12
oi Carla
gosto do seu estilo. essa mania q a nossa cultura tem de querer calar a fêmea em cada mulher. Já leu mulheres q correm com os lobos?
Sucesso pra vc.
Beijão
outubro 12th, 2009 at 15:02
Gostei muito da imagem do post…