[Poesia] Livro de mágoas – Florbela Espanca

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O «Livro de Mágoas», a primeira obra de Florbela a ver as bancas das livrarias, é editado em Junho de 1919 por Raul Proença, ao tempo um intelectual e crítico literário conceituado e influente, que reconhece o talento da jovem poetisa quando ela lhe envia um caderno contendo onze poesias de «Trocando Olhares» e apropriadamente chamado «Primeiros Passos», em Julho de 1916. Depois de os poemas serem corrigidos pelo crítico, Florbela escreve-lhe, de novo, acerca das críticas que ele lhe fizera e enviando mais alguns sonetos, que viriam a integrar o «Livro de Mágoas». Como em toda a sua produção poética publicada em vida, os sonetos aparecem alterados, por vezes, drasticamente.

No «Livro de Mágoas», dedicado ao seu pai, o seu melhor amigo, e à alma que considera irmã da sua, o seu irmão, Florbela centra-se na temática da mágoa, da dor e da saudade, inserindo-se, desde o início da obra, num contexto decadentista e, por vezes, turtuoso. À obra, que abre com uma epígrafe a Eugénio de Castro e a Verlaine, não falta o tom finissecular, dado pela tendência para chorar e lamentar-se que se manifesta ao longo da obra, que inclui sonetos como «Vaidade», «Neurastenia», «Castelã» e «Em Busca do Amor».

Abordando igualmente a temática do sonho, Florbela define para si um espaço poético único, isto é, faz do «Livro de Mágoas» um espaço poético com características muito peculiares. Quere-o, no fundo, como um espaço de comunicação entre os tristes e magoados, intenções que lembram António Nobre e o seu «Só», e que a poetisa expõe logo no primeiro soneto, «Este Livro…».

Apesar de desconhecida no meio literário da época, pode-se dizer que o sucesso de Florbela foi assinalável, já que a sua primeira obra, tal como a segunda, esgotaria rapidamente.

O livro de mágoas – Florbela Espanca

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[Poesia] Poemas de Álvaro de Campos – Fernando Pessoa

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Álvaro de Campos — um dos seus mais célebres heterônimos — nasceu em 1890, em Tavira (Portugal), e é engenheiro de profissão. Conheceu Alberto Caeiro (outro heterônimo de Pessoa) numa visita ao Ribatejo e tornou-se seu discípulo.O volume Poesia (1913-1935) de Fernando Pessoa/Álvaro de Campos é um dos mais altos momentos da poesia universal.Pessoa foi muitos ao mesmo tempo: moderno e clássico, nacionalista-místico e revolucionário, materialista e panteísta, por vezes com um humor frio e perturbador.

Poemas de Álvaro de Campos – Fernando Pessoa

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[Poesia] Poemas completos de Alberto Caeiro – Fernando Pessoa

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Nos Poemas Completos de Alberto Caeiro (1946), em versos simples e de um tom de parábolas, tudo se tece em torno da natureza contemplada.Alberto Caeiro é o heterônimo-“mestre” de todos os heterônimos de Fernando Pessoa. Seu processo criativo é espontâneo e de completa naturalidade. Seus poemas são sua própria biografia.

Poemas completos de Alberto Caeiro – Fernando Pessoa

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[Ensaios] Outras inquisições – Jorge Luis Borges

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Coletânea de ensaios publicados em revistas e jornais argentinos entre 1936 e 1952, OUTRAS INQUISIÇÕES é uma miscelânea bem ao gosto de Borges: uma reunião aparentemente arbitrária de textos, sem preocupação com rigor metodológico ou com um propósito deliberado (sem excluir, no entanto, simetrias secretas). No Epílogo que acrescentou ao volume, o próprio Borges diz que, ao corrigir as provas, descobriu duas tendências nessa miscelânea: “Uma, a apreciar as idéias religiosas e filosóficas por seu valor estético e mesmo pelo que encerram de singular e maravilhoso. Talvez isso seja indício de um ceticismo essencial. Outra, a pressupor (e verificar) que o número de fábulas ou de metáforas de que é capaz a imaginação humana é limitado, mas que essas contadas invenções podem ser tudo para todos, como disse o Apóstolo.” Uma trama literária, uma divagação imaginativa sobre determinada etimologia, uma frase peculiar de uma obra esquecida de uma cultura remota, uma lembrança idiossincrática de um evento histórico, uma metáfora curiosa, uma anedota, tudo serve para inspirá-lo de forma inesperada para compor digressões eruditas e curtas sobre temas essenciais da tradição do pensamento ocidental: o tempo, a morte, a natureza da literatura, o sentido da história. Mas Borges está longe do sisudo padrão da exegese acadêmica, preferindo entregar-se ao jogo livre e irônico de suas hipóteses, dos juízos de valor caprichosos, dos paradoxos inesperados, da perspectiva insólita sobre temas da literatura e da filosofia, em que o tempo e o infinito
se destacam como motivos centrais. O estilo narrativo e o caráter imaginoso da inquirição intelectual aproximam muitos destes ensaios do conto e dão, às vezes, a impressão de material disponível para a ficção ou de um texto de gênero ambíguo ou híbrido, mas sempre sugestivo e estimulante, em que as figuras do pensamento são também figuras da imaginação. O título, em que ecoa a etimologia esquecida do termo e a sinistra instituição das fogueiras punitivas, tinha um certo ar de provocação, em época de ditadura peronista, embora remetesse também a Inquisições, o primeiro livro de ensaios que publicou, em 1925, e renegou depois.

Outras inquisições – Jorge Luis Borges

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[Poesia] Livro Fervor de Buenos Aires – Jorge Luis Borges

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fervorbuenosairesvh6 [Poesia] Livro Fervor de Buenos Aires   Jorge Luis Borges

Nesses poemas, Borges, que havia passado seus anos de formação na Europa e convivera com as vanguardas literárias, reencontra sua cidade natal e uma literatura marcada pelo criollismo, voltada para o pampa e os valores nativos. Sentindo-se distante da racionalidade burguesa da metrópole moderna e sem se identificar com o nativismo militante, ele se volta para os arrabaldes, espaços de transição entre a cidade e o campo, e os entardeceres, tempo de transição entre o dia e a noite. Em vez da exaltação urbana e cosmopolita típica de movimentos literários da época, elese fixa num passado cristalizado no tempo, representado por próceres da história argentina e casas baixas com balaustradas.

Fervor de Buenos Aires – Jorge Luis Borges

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[Poesia] Livro O Fazedor – Jorge Luis Borges

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ofazedorwl2 [Poesia] Livro O Fazedor   Jorge Luis Borges

O fazedor, como o próprio Borges declarou no epílogo de O fazedor, trata-se de seu livro mais pessoal, porque cada peça que o compõe nasceu de uma verdadeira necessidade interior. E, de fato, há vários textos e poemas em que o homem Borges se faz presente, como quando fala de sua cegueira, em “O fazedor” e no “Poema dos dons”. Por outro lado, o livro é uma espécie de miscelânea de contos, ensaios e poemas líricos. Quando foi publicado em 1960, o traçado aparentemente aleatório de seus passos dava a exata imagem do autor, que sempre apreciou os livros que podem ser abertos em qualquer página sem causar decepção. Esses textos curtos, de grande complexidade e força imaginativa, admiravelmente bem escritos em sua concisão, foram incluídos pelo crítico Harold Bloom em seu cânone da literatura ocidental.

O Fazedor – Jorge Luis Borges

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[Poesia] Livro Para as Seis Cordas – Jorge Luis Borges

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paraasseiscordasgb0 [Poesia] Livro Para as Seis Cordas   Jorge Luis Borges

Toda leitura envolve colaboração e quase cumplicidade. No Fausto devemos admitir que um gaúcho possa acompanhar o argumento de uma ópera cantada em um idioma que não conhece; no Martín Fierro, um vaivém de bravatas e de queixumes justificados pelo propósito político da obra, mas inteiramente alheios à índole sofrida dos camponeses e às cautelosas maneiras do cantador. No caso modesto de minhas milongas, o leitor deve suprir a música ausente com a imagem de um homem que cantarola na entrada de seu vestíbulo ou em um armazém, acompanhando-se à guitarra. A mão demora-se nas cordas e as palavras contam menos que os acordes. Eu quis evitar o sentimentalismo do inconsolável “tango-canção” e o manejo sistemático do lunfardo, que infunde um ar artificioso às singelas coplas. Que eu saiba, estes versos não requerem nenhum outro esclarecimento.

Para as Seis Cordas – Jorge Luis Borges

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