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	<title>Blog E-books Grátis - Tudo sobre literatura, download de livros grátis, revistas, quadrinhos e muito mais! &#187; Papo Cabeça</title>
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		<title>[Incentivo à Leitura] Bando da Leitura: de portas abertas para livros e leitores</title>
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		<pubDate>Tue, 03 Jan 2012 20:00:34 +0000</pubDate>
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										</div>Em Ponta Grossa, no Paraná, um trabalho lindo e de grande importância cultural teve início em 2007. Trata-se do Bando da Leitura, iniciado pela professora aposentada Lucélia Clarindo e alguns de seus ex-alunos. Nós, do E-Books Grátis, apaixonados pela iniciativa, decidimos que seria fundamental divulgá-la aqui: afinal, a paixão pela leitura torna-se ainda mais doce [...]]]></description>
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										</div><p><a href="http://bandodaleitura.blogspot.com/search/label/O%20que%20%C3%A9%20o%20Bando%20da%20Leitura" target="_blank"><img class="aligncenter size-full wp-image-8309" title="bandoda leitura" src="http://ebooksgratis.com.br/wp-content/uploads/2012/01/bandoda-leitura.jpg" alt="bandoda leitura [Incentivo à Leitura] Bando da Leitura: de portas abertas para livros e leitores" width="500" height="375" /></a></p>
<p style="text-align: justify;">Em Ponta Grossa, no Paraná, um trabalho lindo e de grande importância cultural teve início em 2007. Trata-se do <a href="http://bandodaleitura.blogspot.com/" target="_blank">Bando da Leitura</a>, iniciado pela professora aposentada <a href="http://www.culturaplural.com.br/blocos/a-fada-que-comanda-o-bando-da-leitura" target="_blank">Lucélia Clarindo</a> e alguns de seus ex-alunos. Nós, do E-Books Grátis, apaixonados pela iniciativa, decidimos que seria fundamental divulgá-la aqui: afinal, a paixão pela leitura torna-se ainda mais doce quando compartilhada. E Lucélia nos cedeu, gentilmente, uma entrevista, contando um pouco da história desse Projeto encantador.</p>
<p style="text-align: justify;">Lucélia é formada em Pedagogia e tem pós-graduação em Arte e Literatura. Dava aulas para séries iniciais e desenvolveu projetos de leitura pela Secretaria Municipal de Educação, ministrando oficinas de incentivo à  leitura e de contação de histórias. Vive com os filhos, a sogra, o pai e o marido &#8211; além da cadela Belinha e da gata Moscovita. O marido, Américo, é artista, já fez teatro, é iluminador cênico e trabalha no Teatro Ópera, em Ponta Grossa. Os filhos também seguem o caminho das artes: Luam (23 anos) é bateirista (e professor e inglês), Amelu (21 anos) é bailarina e Iam (16 anos) é baixista.</p>
<p style="text-align: justify;">Sobre a história do Bando, ela explica:</p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;">&#8220;O projeto começou do interesse de algumas crianças, meus ex-alunos, que quando souberam que eu estava me aposentando me procuram para pedir para fazermos rodas de leitura em minha casa. Teve inicio dia 14 de março de 2007, com três meninas, depois vieram sete e assim por diante.</span> &#8220;</p>
<p style="text-align: justify;">Ela conta que, no terceiro encontro, uma das meninas sugeriu a formação de um &#8220;clubinho&#8221;. Foi realizada uma votação para a escolha do nome do vlube. O nome Bando da Leitura, sugerido por uma menina chamada Bianca, foi o mais votado.</p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;">&#8220;Depois um chargista local ficou sabendo que quis nos presentear com uma marca. Mais tarde cadastrei no PNLL , segundo eixo, veio o convite para participarmos da vigesima bienal do livro, ganhamos destaque cultural e participamos do concurso<a href="http://www.culturaplural.com.br/especial/bando-da-leitura-uma-historia-a-ser-contada/" target="_blank"> Machado de Assis, Pontos de Leitura</a>. Com a chegada do Prêmio, o Rotary Alagados construiu uma sala de leitura no quintal da minha casa.&#8221; &#8211; relata Lucélia.<br />
</span></p>
<p style="text-align: justify;">Foi assim que Lucélia abriu as portas de casa para o fascinante mundo da leitura. Os encontros ocorrem nas quartas-feiras à tarde, com grupos de quinze a trinta crianças. A frequência não é obrigatória. <span style="color: #000000;">&#8220;Além do encontro com rodas de leitura, teatro, poesia, oficinas, temos um lanche compartilhado e sorteio de brindes.&#8221; &#8211; conta Lucélia. Já foram realizados mais de 230 encontros e as oficinas são ministradas por voluntários e envolvem diversos segmentos da arte e do conhecimento. Os filhos de Lucélia oferecem importantes contribuições para o Bando: Luam compõe as músicas do Bando, Amelu realiza oficinas e Iam ajuda na parte burocrática e também na musical.  </span></p>
<p><a href="http://ebooksgratis.com.br/wp-content/uploads/2012/01/luceliaclarindo.jpg"><img class="aligncenter size-full wp-image-8310" title="luceliaclarindo" src="http://ebooksgratis.com.br/wp-content/uploads/2012/01/luceliaclarindo.jpg" alt="luceliaclarindo [Incentivo à Leitura] Bando da Leitura: de portas abertas para livros e leitores" width="498" height="372" /></a></p>
<p style="text-align: justify;">São várias as oficinas, com diferentes temas. Lucélia cita, como destaques:</p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #cc0000;"><span style="color: #000000;"><strong>Samba no pé e livro na mão:</strong> &#8220;Esta oficina foi desenvolvida no carnaval e as crianças buscaram nos livros de arte modelos de máscaras, adereços, e também aprenderam diversas canções carnavalesca dos tempos antigos.&#8221;</span></span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #cc0000;"><span style="color: #000000;"><strong>Plantas carnívoras: </strong>&#8220;Esta oficina foi desenvolvida por uma acadêmica de biologia e as crianças puderam observar as plantas, ver filmes , e buscar nos livros as espécies assim descobrir no acervo os livros sobre este assunto.&#8221;</span></span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;"><strong>Era uma vez com Yoga: </strong>Esta  oficina foi ministrada por uma professora de yoga, que apresentou os simbolos , contou histórias , fizeram exercícios e saboreraram comida natural.</span></p>
<p style="text-align: justify;"><strong><span style="color: #000000;">Releitura Flamenca:</span></strong> &#8220;Nesta oficina uma professora e bailarina apresentou para as crianças os adereços utilizados na dança e um pouco da História da Espanha com a localização no mapa.&#8221;</p>
<p style="text-align: justify;"><strong>Modelando com Argila:</strong> &#8220;A artista plástica ensinou as crianças a modelarem personagens preferidos em argila.&#8221;</p>
<p style="text-align: justify;"><strong>De mãos dadas com a leitura (para crianças cegas):</strong> &#8220;As crianças cegas fazem leitura de trechos em <a href="http://pt.wikipedia.org/wiki/Braille#cite_note-0" target="_blank">Braille</a> para as crianças do Bando e estas trechos de leitura para as crianças cegas. Contamos histórias, e também os meninos da banda do meus filhos fazem workshop de instrumentos musicais para todos.&#8221;</p>
<p><a href="http://ebooksgratis.com.br/wp-content/uploads/2012/01/crian%C3%A7asbando.jpg"><img class="aligncenter size-full wp-image-8312" title="criançasbando" src="http://ebooksgratis.com.br/wp-content/uploads/2012/01/crian%C3%A7asbando.jpg" alt="crian%C3%A7asbando [Incentivo à Leitura] Bando da Leitura: de portas abertas para livros e leitores" width="498" height="373" /></a></p>
<p style="text-align: justify;">No <a href="http://bandodaleitura.blogspot.com/" target="_blank">blog do Bando da Leitura</a>, podemos conhecer a história com mais detalhes &#8211; a história que continua sendo escrita, dia após dia, pelas mãos de Lucélia, sua família e tantas e tantas crianças apaixonadas por literatura!</p>
<p style="text-align: justify;">(Caso deseje divulgar em nosso blog um projeto cultural relacionado à literatura, escreva para <a href="mailto:webmaster@ebooksgratis.com.br" target="_blank">webmaster@ebooksgratis.com.<wbr>br</wbr></a>!)</p>
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		<title>[Papo Cabeça] Murar o medo – Mia Couto</title>
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		<pubDate>Fri, 28 Oct 2011 23:55:23 +0000</pubDate>
		<dc:creator>PDL</dc:creator>
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										</div>Mia Couto, nascido António Emílio Leite Couto, é um biólogo e escritor moçambicano. Chama-se Mia por causa dos gatos: &#8220;Eu era miúdo, tinha dois ou três anos e pensava que era um gato, comia com os gatos. Meus pais tinham que me puxar para o lado e me dizer que eu não era um gato. [...]]]></description>
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										</div><p><a href="http://ebooksgratis.com.br/wp-content/uploads/2011/10/miacouto.jpg"><img class="alignnone size-full wp-image-7850" title="miacouto" src="http://ebooksgratis.com.br/wp-content/uploads/2011/10/miacouto.jpg" alt="miacouto [Papo Cabeça] Murar o medo – Mia Couto" width="500" height="375" /></a><br />
<strong>Mia Couto</strong>, nascido <strong>António Emílio Leite Couto</strong>, é um biólogo e escritor moçambicano. Chama-se Mia por causa dos gatos: &#8220;Eu era miúdo, tinha dois ou três anos e pensava que era um gato, comia com os gatos. Meus pais tinham que me puxar para o lado e me dizer que eu não era um gato. E isto ficou.&#8221;</p>
<p>Em uma conferência sobre segurança, realizada em maio de 2011, o poeta-gato fala &#8211; com extrema sensibilidade &#8211; sobre o medo que nos aprisiona, silencia, o medo que nos impede de olhar o outro e descobrir as belezas do desconhecido. Escutemos, pois, a maravilhosa fala do escritor:</p>
<p><object width="480" height="360"><param name="movie" value="http://www.youtube.com/v/jACccaTogxE?version=3&amp;hl=pt_BR" /><param name="allowFullScreen" value="true" /><param name="allowscriptaccess" value="always" /><embed type="application/x-shockwave-flash" width="480" height="360" src="http://www.youtube.com/v/jACccaTogxE?version=3&amp;hl=pt_BR" allowscriptaccess="always" allowfullscreen="true"></embed></object></p>
<h3><strong>Murar o medo</strong> &#8211; Mia Couto</h3>
<p>O medo foi um dos meus primeiros mestres. Antes de ganhar confiança em  celestiais criaturas, aprendi a temer monstros, fantasmas e demónios. Os  anjos, quando chegaram, já era para me guardarem, servindo como agentes  da segurança privada das almas. Nem sempre os que me protegiam sabiam  da diferença entre sentimento e realidade. Isso acontecia, por exemplo,  quando me ensinavam a recear os desconhecidos. Na realidade, a maior  parte da violência contra as crianças sempre foi praticada não por  estranhos, mas por parentes e conhecidos. Os fantasmas que serviam na  minha infância reproduziam esse velho engano de que estamos mais seguros  em ambientes que reconhecemos. Os meus anjos da guarda tinham a  ingenuidade de acreditar que eu estaria mais protegido apenas por não me  aventurar para além da fronteira da minha língua, da minha cultura, do  meu território.</p>
<p>O medo foi, afinal, o mestre que mais me fez desaprender. Quando deixei a  minha casa natal, uma invisível mão roubava-me a coragem de viver e a  audácia de ser eu mesmo. No horizonte vislumbravam-se mais muros do que  estradas. Nessa altura, algo me sugeria o seguinte: que há neste mundo  mais medo de coisas más do que coisas más propriamente ditas.</p>
<p>No Moçambique colonial em que nasci e cresci, a narrativa do medo tinha  um invejável casting internacional: os chineses que comiam crianças, os  chamados terroristas que lutavam pela independência do país, e um ateu  barbudo com um nome alemão. Esses fantasmas tiveram o fim de todos os  fantasmas: morreram quando morreu o medo. Os chineses abriram  restaurantes junto à nossa porta, os ditos terroristas são governantes  respeitáveis e Karl Marx, o ateu barbudo, é um simpático avô que não  deixou descendência.</p>
<p>O preço dessa construção [narrativa] de terror foi, no entanto, trágico  para o continente africano. Em nome da luta contra o comunismo  cometeram-se as mais indizíveis barbaridades. Em nome da segurança  mundial foram colocados e conservados no Poder alguns dos ditadores mais  sanguinários de que há memória. A mais grave herança dessa longa  intervenção externa é a facilidade com que as elites africanas continuam  a culpar os outros pelos seus próprios fracassos.</p>
<p>A Guerra-Fria esfriou mas o maniqueísmo que a sustinha não desarmou,  inventando rapidamente outras geografias do medo, a Oriente e a  Ocidente. E porque se trata de novas entidades demoníacas não bastam os  seculares meios de governação&#8230; Precisamos de intervenção com  legitimidade divina&#8230; O que era ideologia passou a ser crença, o que  era política tornou-se religião, o que era religião passou a ser  estratégia de poder.</p>
<p>Para fabricar armas é preciso fabricar inimigos. Para produzir inimigos é  imperioso sustentar fantasmas. A manutenção desse alvoroço requer um  dispendioso aparato e um batalhão de especialistas que, em segredo,  tomam decisões em nosso nome. Eis o que nos dizem: para superarmos as  ameaças domésticas precisamos de mais polícia, mais prisões, mais  segurança privada e menos privacidade. Para enfrentar as ameaças globais  precisamos de mais exércitos, mais serviços secretos e a suspensão  temporária da nossa cidadania. Todos sabemos que o caminho verdadeiro  tem que ser outro. Todos sabemos que esse outro caminho começaria pelo  desejo de conhecermos melhor esses que, de um e do outro lado,  aprendemos a chamar de “eles”.</p>
<p>Aos adversários políticos e militares, juntam-se agora o clima, a  demografia e as epidemias. O sentimento que se criou é o seguinte: a  realidade é perigosa, a natureza é traiçoeira e a humanidade é  imprevisível. Vivemos – como cidadãos e como espécie – em permanente  situação de emergência. Como em qualquer estado de sítio, as liberdades  individuais devem ser contidas, a privacidade pode ser invadida e a  racionalidade deve ser suspensa.</p>
<p>Todas estas restrições servem para que não sejam feitas perguntas  [incomodas] como, por exemplo, estas: porque motivo a crise financeira  não atingiu a indústria de armamento? Porque motivo se gastou, apenas o  ano passado, um trilião e meio de dólares com armamento militar? Porque  razão os que hoje tentam proteger os civis na Líbia são exatamente os  que mais armas venderam ao regime do coronel Kadaffi? Porque motivo se  realizam mais seminários sobre segurança do que sobre justiça?</p>
<p>Se queremos resolver (e não apenas discutir) a segurança mundial –  teremos que enfrentar ameaças bem reais e urgentes. Há uma arma de  destruição massiva que está sendo usada todos os dias, em todo o mundo,  sem que sejam precisos pretextos de guerra. Essa arma chama-se fome. Em  pleno século 21, um em cada seis seres humanos passa fome. O custo para  superar a fome mundial seria uma fracção muito pequena do que se gasta  em armamento. A fome será, sem dúvida, a maior causa de insegurança do  nosso tempo.</p>
<p>Mencionarei ainda outra silenciada violência: em todo o mundo, uma em  cada três mulheres foi ou será vítima de violência física ou sexual  durante o seu tempo de vida&#8230; A verdade é que&#8230; pesa uma condenação  antecipada pelo simples facto de serem mulheres.</p>
<p>A nossa indignação, porém, é bem menor que o medo. Sem darmos conta,  fomos convertidos em soldados de um exército sem nome, e como militares  sem farda deixamos de questionar. Deixamos de fazer perguntas e de  discutir razões. As questões de ética são esquecidas porque está provada  a barbaridade dos outros. E porque estamos em guerra, não temos que  fazer prova de coerência nem de ética nem de legalidade.</p>
<p>É sintomático que a única construção humana que pode ser vista do espaço  seja uma muralha. A chamada Grande Muralha foi erguida para proteger a  China das guerras e das invasões. A Muralha não evitou conflitos nem  parou os invasores. Possivelmente, morreram mais chineses construindo a  Muralha do que vítimas das invasões do Norte. Diz-se que alguns dos  trabalhadores que morreram foram emparedados na sua própria construção.  Esses corpos convertidos em muro e pedra são uma metáfora de quanto o  medo nos pode aprisionar.</p>
<p>Há muros que separam nações, há muros que dividem pobres e ricos. Mas  não há hoje no mundo muro que separe os que têm medo dos que não têm  medo. Sob as mesmas nuvens cinzentas vivemos todos nós, do sul e do  norte, do ocidente e do oriente&#8230; Citarei Eduardo Galeano acerca disso  que é o medo global:</p>
<p>“Os que trabalham têm medo de perder o trabalho. Os que não trabalham  têm medo de nunca encontrar trabalho. Quem não têm medo da fome, têm  medo da comida. Os civis têm medo dos militares, os militares têm medo  da falta de armas, as armas têm medo da falta de guerras.”</p>
<p>E, se calhar, acrescento agora eu, há quem tenha medo que o medo acabe.</p>
<div>Mia Couto</div>
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		<title>[Curiosidades] Como você julga um livro? Go Beyond the Cover.</title>
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		<pubDate>Fri, 28 Oct 2011 19:59:05 +0000</pubDate>
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										</div>Você julga um livro pela capa? É enganado por encadernações luxuosas e gosto duvidoso? Se sim, acho que você deveria rever seus conceitos. Mas esse post não é sobre isso. O vídeo abaixo poderia muito bem ser uma ação do outubro rosa, defendendo uma visão para além dos preconceitos de cor, sexo ou religião. Poderia [...]]]></description>
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										</div><p>Você julga um livro pela capa? É enganado por encadernações luxuosas e gosto duvidoso? Se sim, acho que você deveria rever seus conceitos. Mas esse post não é sobre isso. O vídeo abaixo poderia muito bem ser uma ação do outubro rosa, defendendo uma visão para além dos preconceitos de cor, sexo ou religião. Poderia falar da necessidade de não julgar as pessoas pela aparência. Mas também não é sobre isso.</p>
<p>“<strong>Go beyond the cover</strong>”, é um vídeo que estourou na internet nos últimos dias, que traz uma revelação surpreendente ao final. Em inglês, a palavra <em>cover </em>tanto pode significar “capa” quanto “disfarce”, “maquiagem”, e aí está justamente a grande sacada. Go beyond the cover (vá além da aparência) pode não ser um vídeo de incentivo à leitura, ou de apoio à diversidade. Pode ser apenas mais um viral criado por um publicitário qualquer. Ou pode ser mais do que isso. Você decide. <em>Go beyond the cover</em>.</p>
<p style="text-align: center;"><object width="400" height="233"><embed type="application/x-shockwave-flash" width="400" height="233" src="http://www.youtube.com/v/9mIBKifOOQQ?version=3&amp;hl=pt_BR" allowscriptaccess="always" allowfullscreen="true"></embed></object></p>
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		<title>[Papo Cabeça] Professora explica a situação da educação no país aos nobres parlamentares (vídeo)</title>
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		<pubDate>Tue, 17 May 2011 14:52:54 +0000</pubDate>
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										</div>Em apenas alguns minutos, usando palavras simples e realistas, a professora Amanda Gurgel, que trabalha no Rio Grande do Norte, explica para seus conterrâneos parlamentares a caótica situação da educação naquele Estado, que nada mais é do que um resumo do que acontece em todo país. Uma realidade de salários ridículos, salas cheias e total [...]]]></description>
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										</div><p>Em apenas alguns minutos, usando palavras simples e realistas, a professora Amanda Gurgel, que trabalha no Rio Grande do Norte, explica para seus conterrâneos parlamentares a caótica situação da educação naquele Estado, que nada mais é do que um resumo do que acontece em todo país. Uma realidade de salários ridículos, salas cheias e total falta de infraestrutura.</p>
<p>Com muita humildade, ela não recorre a frases feitas, discursos inflamados nem a grandes teorias econômicas/políticas/educacionais. Fala apenas com a autoridade de sua experiência, e expõe verdades que até hoje nossos políticos fingem não entender. Uma verdadeira lição para esses senhores e essas senhoras que aumentam na surdina seus próprios salários astronômicos, enquanto as centenas de milhares de professores de nosso país sequer pode comer a merenda que é oferecida aos seus alunos no recreio.</p>
<p style="text-align: center;"><object width="480" height="390"><param name="movie" value="http://www.youtube.com/v/7iJ0NQziMrc?fs=1&amp;hl=pt_BR" /><param name="allowFullScreen" value="true" /><param name="allowscriptaccess" value="always" /><embed type="application/x-shockwave-flash" width="480" height="390" src="http://www.youtube.com/v/7iJ0NQziMrc?fs=1&amp;hl=pt_BR" allowscriptaccess="always" allowfullscreen="true"></embed></object></p>
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		<title>[Curiosidades] Por que o brasileiro lê pouco?</title>
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		<pubDate>Wed, 03 Nov 2010 17:53:39 +0000</pubDate>
		<dc:creator>PDL</dc:creator>
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		<category><![CDATA[hábitos de leitura]]></category>
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										</div>Fiquemos com a resposta da maior autoridade no mundo, a UNESCO. Para o setor da ONU que cuida de educação e cultura, só há leitura onde: 1) ler é uma tradição nacional, 2) o hábito de ler vem de casa e 3) são formados novos leitores. O problema é antigo: muitos brasileiros foram do analfabetismo [...]]]></description>
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										</div><div style="text-align: justify;"><a href="http://ebooksgratis.com.br/wp-content/uploads/2010/11/Por-que-o-brasileiro-lê-poruco-Super-interessante-outubro.jpg"><img class="alignnone size-full wp-image-7466" title="Por que o brasileiro lê poruco Super interessante outubro" src="http://ebooksgratis.com.br/wp-content/uploads/2010/11/Por-que-o-brasileiro-lê-poruco-Super-interessante-outubro.jpg" alt="Por que o brasileiro lê poruco Super interessante outubro [Curiosidades] Por que o brasileiro lê pouco?" width="499" height="453" /></a></div>
<div style="text-align: justify;">Fiquemos com a resposta da maior autoridade no  mundo, a UNESCO. Para o setor da ONU que cuida de educação e cultura, só  há leitura onde: 1) ler é uma tradição nacional, 2) o hábito de ler vem de casa e 3) são formados novos leitores. O  problema é antigo: muitos brasileiros foram do analfabetismo à TV sem  passar na biblioteca. Para piorar, especialistas culpam a escola pela  falta de leitores. &#8221; Os professores costumam indicar clássicos do século  19, maravilhosos, mas que não são adequados a um jovem de 15 anos&#8221;, diz  Zoara Failla, do Instituto Pró Livro. &#8220;Apresentado só a obras que  considera chatas, ele não busca mais o livro depois que sai do colégio.&#8221;  Muitos educadores defendem que o Brasil poderia adotar o esquema  anglo-saxão, em que os clássicos são um pouco mais próximos, dos anos 50  e 60, e há menos livros, que são analisados a fundo. mas aí teria de  mudar o vestibular, e isso já é outra história.</div>
<div style="text-align: justify;"></div>
<div style="text-align: justify;">Raphael Soeiro &#8211; Revista Super Interessante &#8211; edição 284 &#8211; novembro 2010</div>
<div style="text-align: justify;"></div>
<div style="text-align: justify;">Leia outras reportgens sobre <a href="http://ebooksgratis.com.br/tag/habitos-de-leitura/" target="_blank">Hábitos de Leitura no Brasil e No Mundo</a></div>
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		<item>
		<title>[Papo Cabeça] R$ 3 para downloads ilimitados. Como seria?</title>
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		<pubDate>Thu, 09 Sep 2010 22:07:27 +0000</pubDate>
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										</div>Para pesquisadores, faltou na proposta de reforma da Lei de Direitos Autorais a regulamentação do ambiente digital. Por que não aproveitar o momento de revisão para fazer uma lei que descriminalize o P2P e garanta a remuneração dos autores? Essa é a proposta de pesquisadores da UFRJ e do Gpopai (USP), que lançaram um site [...]]]></description>
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										</div><p style="text-align: justify;"><img src="http://a.imageshack.us/img529/4976/direitoautoral.jpg" alt="direitoautoral [Papo Cabeça] R$ 3 para downloads ilimitados. Como seria?" width="500" height="284" title="[Papo Cabeça] R$ 3 para downloads ilimitados. Como seria?" /></p>
<p style="text-align: justify;">Para pesquisadores, faltou na proposta de reforma da Lei de Direitos  Autorais a regulamentação do ambiente digital. Por que não aproveitar o  momento de revisão para fazer uma lei que descriminalize o P2P e garanta  a remuneração dos autores?</p>
<p style="text-align: justify;">Essa é a proposta de pesquisadores da UFRJ e do Gpopai (USP), que  lançaram um site com uma petição online pela inclusão do artigo 88-B na  reforma. O <a href="http://blogs.estadao.com.br/link/e-o-p2p-minc/" target="_blank"><em>Link</em> de segunda-feira, 6, falou disso</a> — mas, aqui, o pesquisador alemão Volker Ralf Grassmuck, que adaptou a  proposta internacional à realidade brasileira, explica como funcionaria o  modelo.</p>
<p style="text-align: justify;"><strong>O modelo de pagamento mensal por compartilhamento de arquivos  já existe em outros lugares do mundo. Você cita alguns no seu artigo.  Mas qual se aproxima mais do proposto por vocês?</strong></p>
<p style="text-align: justify;">Existe o modelo de uma taxa fixa sobre os dispositivos de cópia e mídias  graváveis. Este é um pagamento único por parte do consumidor para os  criadores em troca da liberdade de fazer cópias privadas. Criado na  Alemanha em 1965, este modelo foi adotado em muitos países. Como sou  alemão, este é o modelo — com todas as suas vantagens e problemas — que  eu tenho diante de mim, ao pensar sobre o compartilhamento de arquivos  online.</p>
<p style="text-align: justify;">Outro modelo que é muitas vezes mencionado é o rádio. Quando as  estações de rádio começaram, eles simplesmente tocavam música sem pedir  permissão ou pagar por isso. Rádios pirateavam gravadoras, que tinham  pirateado editores de música. A solução foi uma licença concedida por  lei para a radiodifusão de qualquer gravação de música em troca de uma  taxa paga aos criadores.</p>
<p style="text-align: justify;">O modelo de pagamento mensal por compartilhamento online foi a  primeira sugerida por estudiosos de lei de direitos autorais. William  Fisher, do Berkman Centre para Internet e Sociedade da Harvard Law  School foi um dos primeiros a discutir o assunto em seu livro de 2004, <em><a href="http://www.tfisher.org/PTK.htm" target="_blank">Promises to Keep. Technology, Law, and the Future of Entertainment</a></em>.</p>
<p style="text-align: justify;">Na França, em 2005, uma aliança de organizações de música, artes  visuais, sociedades de gestão coletiva, consumidores e usuários de  internet promoveram este modelo no <a href="http://alliance.bugiweb.com/pages/1_1.html" target="_blank">Alliance Public-Artistes</a>.  Deputados socialistas e conservadores do Parlamento apoiaram o modelo,  propondo alterações à lei de direitos autorais. Elas foram transformadas  em lei em dezembro do 2006, mas foram rapidamente revertidas depois que  a indústria do copyright proclamou “guerra total” na “licence globale”,  como o modelo foi chamado lá. Desde então, uma nova coalizão se formou  na França:<a href="http://www.creationpublicinternet.fr/blog/index.php" target="_blank"> Création Public Internet</a>.</p>
<p style="text-align: justify;">Na Itália, houve projetos de lei para introduzir o modelo. Na  Bélgica, existe atualmente um. Na Alemanha, o Partido Verde tenta  promovê-la. No Canadá, é a Songwriter Association.</p>
<p style="text-align: justify;">Portanto, a resposta é não. O modelo ainda não existe. O Brasil seria o primeiro a implementar na legislação nacional.</p>
<p style="text-align: justify;"><strong>No modelo proposto, vocês afirmam que é fundamental a  existência de uma entidade de gestão coletiva de direitos para arrecadar  o valor pago pelos provedores. Por que? </strong></p>
<p style="text-align: justify;">Quando eu sou um autor e você é um editor, podemos sentar e negociar um  contrato com todos os termos que considerar importantes. Mas, quando meu  livro for publicado, será emprestado a partir de bibliotecas, será  fotocopiado e talvez parte dele será lido num programa de rádio ou dele  será feito em um filme. Não posso negociar contratos individuais com  todos os usuários do meu livro. A única forma é a concessão de uma  licença pública para fazer essas coisas.</p>
<p style="text-align: justify;">Essas permissões legais podem ser gratuitas, como o “fair use” nos  EUA, ou podem ser condicionadas ao pagamento de uma taxa, como na  maioria dos países europeus. Sempre que há uma taxa, ela tem de ser  distribuída de forma justa com aqueles que criaram as obras. Para isso  precisamos da gestão coletiva. É geralmente reconhecido que a  importância dessas organizações coletivas dos autores e dos artistas  subirão na era digital.</p>
<p style="text-align: justify;"><strong>No seu artigo, você fala sobre o modelo alemão do meio do  século XX, em que o governo permitiu a cópia privada e exigiu que  produtores e importadores de gravadores de fitas adicionassem uma taxa  de direito autoral ao preço de seus equipamentos. Dá para criar um  paralelo direto entre essa situação e o projeto proposto por vocês?</strong></p>
<p style="text-align: justify;">Sim, em ambos os casos, os meios tecnológicos que foram reservados para  as grandes instituições ou corporações  tornaram-se disponíveis para  todos os cidadãos. Na década de 1950 gravadores de áudio pela primeira  vez permitiram aos indivíduos copiarem gravações de som, seguido de  gravadores de áudio e vídeo, fotocopiadoras, scanners etc. Os meios de  reprodução se democratizaram. A lei de direito autoral não deve tentar  bloquear o tsunami das cópias privadas que surgiu, mas permitir que ele e  reequilibre a relação entre autores e público por uma pequena taxa.</p>
<p style="text-align: justify;">Com a revolução digital na década de 1990, os meios de distribuição  tornaram-se acessíveis a todos. Pense nas frotas de caminhões que  transportam jornais, livros, CDs de música para as lojas de todo o país.  Pense em todas as infra-estruturas necessárias para manter uma rede de  TV nacional. Hoje é mais fácil. Você pode enviar um tweet para milhares  de pessoas a partir do seu telefone móvel ou publicar em seu blog ou  fazer upload de um vídeo no YouTube. Ou, na verdade, republicar seu  filme ou álbum favorito como um torrent ou no RapidShare. Novamente, a  mudança no ambiente de conhecimento é tão fundamental, tão grande, que  qualquer tentativa de revertê-la, está fadada ao fracasso. Só podemos  permitir que ela exista e remunerar isso.</p>
<p style="text-align: justify;">Há também o terceiro turno fundamental provocadas pela revolução  digital: não só os meios de distribuição e reprodução, mas igualmente  importante, os meios de produção foram democratizadas. O PC é, de fato, a  máquina universal de produção de qualquer tipo de bens simbólicos. Como  conseqüência, estamos vendo um tsunami de criatividade e de remix. E,  novamente, as velhas regras tornaram-se sem sentido. Novamente, a única  solução possível é permitir essa prática de massa, como o MinC já está  sugerindo em seu anteprojeto de lei de direitos autorais.</p>
<p style="text-align: justify;"><strong>O governo brasileiro está preparado para lidar com essa  questão? Quais são as principais diferenças, na sua opinião, entre os  governos do Brasil e da Alemanha em relação à cultura digital e, mais  especificamente, à proposta de legalização do P2P?</strong></p>
<p style="text-align: justify;">Sim, o governo brasileiro sinaliza claramente que está disposta a assumir a liderança no desenvolvimento de uma solução.</p>
<p style="text-align: justify;">Quando cheguei ao Brasil há um ano, os sinais que eu recebi são que o  P2P é uma questão controversa e quente. E é uma questão tão grande, que  nenhum país pode resolver sozinho. Só as Nações Unidas. Até não muito  tempo atrás, você podia ler no site da Consulta Pública sob o título  “Dúvidas Frequentes”, como resposta à pergunta sobre “liberando o upload  EO download” que “o anteprojeto de revisão da LDA não propõe a  liberação na internet de arquivos digitais de obras protegidas sem  autorização dos autores.” Mas isso tem mudado claramente. Desde meados  de agosto essa questão desapareceu do “Dúvidas Frequentes”.</p>
<p style="text-align: justify;">Na Alemanha, há pessoas individuais nas instituições, no GEMA (o  equivalente alemão ao ECAD) e também no Ministério da Justiça  (responsável por fazer a lei de direito autoral) que lhe dirão que uma  licença do compartilhamento é a única resposta possível. Nas comunidades  criativos e públicos e na oposição política, as vozes pedindo a  legalização do compartilhamento de arquivos e um fim à guerra da cópia  estão ficando mais forte. Mas a política oficial ainda é tímida.</p>
<p style="text-align: justify;">O Brasil é mais corajoso. Ele se levantou contra a indústria  farmacêutica e implementou as licenças compulsórias de medicamentos para  HIV. Ele levantou-se contra a Agenda do Desenvolvimento na OMPI. Ele se  levantou contra a indústria de software, promovendo uma política de  software livre abrangente. E o ex-ministro da Cultura de Gilberto Gil  estabeleceu uma política de cultura digital livre que muitos em todo o  mundo se maravilharam.</p>
<p style="text-align: justify;">Um novo acordo criativo entre artistas e público é claramente  necessário. A licença do compartilhamento é um elemento importante deste  acordo. O momento é propício e o Brasil é o país para fazê-lo. A  vontade política existe. Com o Marco Civil e a nova lei de direitos  autorais, o curso é definido no sentido de garantir o acesso à riqueza  de nossa cultura coletiva, a sua melhor utilização possível na educação e  na inclusão social.</p>
<p style="text-align: justify;">A licença de compartilhamento será um grande passo nessa direção. Irá  certamente enfrentar a resistência feroz dos quatro principais empresas  de música global e outras corporações de mídia. Mas, quando os artistas  do Brasil e o público decidirem pela remuneração coletiva para a  liberdade de compartilhamento, nada poderá detê-los.</p>
<p style="text-align: justify;"><em>Mais informações sobre a licença pública para compartilhamento proposta podem ser encontradas aqui: </em>http://www.gpopai.usp.br/compartilhamento/.</p>
<p style="text-align: right;"><em>Fonte: <a href="http://blogs.estadao.com.br/p2p/2010/09/09/r-3-para-downloads-limitados-como-seria/" target="_blank">Blog do Link</a></em></p>
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		<title>[Papo Cabeça] Jabor entra no twitter &#8211; &#8220;Estou nascendo hoje na internet&#8221;</title>
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		<pubDate>Wed, 25 Aug 2010 21:00:36 +0000</pubDate>
		<dc:creator>PDL</dc:creator>
				<category><![CDATA[Informação e Cultura]]></category>
		<category><![CDATA[Papo Cabeça]]></category>

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										</div>Afinal, quem sou eu? Descobri que há vários jabores dando sopa na web. Uma vez, disse aqui que jamais entraria nos twitters da vida, nos orkuts do pedaço, nos facebooks das quebradas&#8230; Claro que dá pra ficar fora dessas &#8220;redes sociais&#8221;, mas sinto-me isolado como aqueles caras que se recusam a ver televisão, para defender [...]]]></description>
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										</div><p style="text-align: justify;"><img src="http://a.imageshack.us/img831/4618/jabor.jpg" alt="jabor [Papo Cabeça] Jabor entra no twitter   Estou nascendo hoje na internet" width="500" height="375" title="[Papo Cabeça] Jabor entra no twitter   Estou nascendo hoje na internet" /></p>
<p style="text-align: justify;">Afinal, quem sou eu? Descobri que há vários jabores dando sopa na  web. Uma vez, <a href="http://ebooksgratis.com.br/informacao-e-cultura/papo-cabeca/papo-cabeca-blogs-twitter-orkut-e-outros-buracos/" target="_blank">disse aqui que jamais entraria nos twitters da vida, nos  orkuts do pedaço, nos facebooks das quebradas</a>&#8230; Claro que dá pra ficar  fora dessas &#8220;redes sociais&#8221;, mas sinto-me isolado como aqueles caras que  se recusam a ver televisão, para defender sua &#8220;individualidade&#8221;. No  entanto, que individualidade, que &#8220;eu&#8221; se manteria &#8220;puro&#8221; e protegido  longe da TV ou fora da web hoje? Que &#8220;eu&#8221; sobraria? Não há um &#8220;eu&#8221;  sozinho &#8211; esse sonho de pureza e originalidade acabou. O &#8220;eu&#8221; é feito de  detritos de lembranças, de sonhos, de traumas, mas também é fabricado  pelas coisas. A pílula fez mais pelo feminismo que mil livros de  militância. A internet criou um &#8220;eu&#8221; que muda dia a dia como uma máquina  que vai se modernizando, recebendo novas engrenagens. Em vez de  aniversários, em breve, vamos comemorar aperfeiçoamentos: &#8220;Estou  comemorando mais 8 gigabytes em minha alma!&#8221;</p>
<p style="text-align: justify;">Aliás, acho bom que a internet acabe com as ilusões individualistas  que sempre tivemos &#8211; de sermos puros e únicos. A verdade é que somos  parte de um processo de mutação permanente, e não por &#8220;autoanálise&#8221;, mas  pelos avanços da tecnociência. Assim como a biotecnologia cria seres  híbridos, somos cada vez mais híbridos&#8230; Somos de carne, osso, chips e  tocados por milhões de &#8220;outros eus&#8221; em rede. Rimbaud escreveu: &#8220;O eu é  um outro.&#8221; E o grande Mario de Sá Carneiro, poeta português, melhor do  que os uivos lamentosos de Fernando Pessoa, também escreveu:</p>
<p style="text-align: justify;">&#8220;Eu não sou eu nem o outro/ sou qualquer coisa de intermédio/ pilar  da ponte de tédio/ que vai de mim para o outro.&#8221; Sujeito e objeto se  confundem cada vez mais. Além disso, eu também achava que a cultura  humana era uma galáxia infinita de pensamentos e obras. O Google acabou  com este sonho infinito. Tudo se arquiva, se ordena. O futuro, como um  lugar a que chegaríamos um dia, também morreu. Só há um presente  incessante, um futuro minuto a minuto, e não temos ideia de onde  chegaremos, porque não há onde chegar&#8230;</p>
<p style="text-align: justify;">Bem, amigos, todo este &#8220;showzinho&#8221; de reflexões individualistas é, na  verdade, para comunicar que estou entrando no twitter. Resolvi. &#8220;Não  quero mais ser eterno, quero ser moderno.&#8221; Eu, que até pouco tempo só ia  até o micro-ondas (que sempre me puniu com apitinhos da porta aberta),  eu, que tremo diante de um celular, mudei muito. Saibam que comprei um  iPhone e que vou postar coisas no twitter, que se chamará &#8220;realjabor&#8221;. O  nome será este porque já existe no twitter um cara que usa meu nome&#8230;  Existe um &#8220;jabor&#8221; imaginário com, pasmem, 121.000 seguidores&#8230; Não o  digo por gabar-me, mas há um jabor com milhares de amigos que não  conheço. E aí me pergunto: quem sou eu? E esse cara no twitter &#8211; com 121  mil seguidores enganados &#8211; por que botou meu nome? Não é por inveja,  nem tietagem&#8230; Ele parece ser um bom sujeito pelas coisas que fala por  mim; não há insultos nem frases que possam me incriminar com meus  &#8220;seguidores&#8221;&#8230; (se bem que ele &#8220;posta&#8221; também bobagens apócrifas que  rolam na web, que me matam de vergonha). E ele? Quem será? Será que ele  ama alguém? Quem lhe mandará flores se ele morrer de amores? Por que  time ele torce? Como é seu rosto? Vejam meu drama: eu, que não existo,  acho boa-praça um cara que não sei quem é&#8230; Por que ele não se assume?  Eu estava nesta dúvida, quando se fez a luz e entendi: tanto faz ele ser  ele ou ser eu. Esta terceira pessoa, meio eu, meio ele, existe no  espaço virtual e assim não importa o nome, pois, como disse acima,  sujeito e objeto se confundem. Ser eu ou ele é um detalhe desprezível.</p>
<p style="text-align: justify;">Aliás, suponho que esses milhares de seguidores sejam ao menos meus  amigos&#8230; E aí me ocorre a pergunta: o que é um amigo hoje? Como posso  ser amigo de pessoas que nunca vi? Antes, amigos tomavam chope com a  gente, davam conselhos, faziam confidências: &#8220;Pô, cara, minha mulher me  traiu&#8230; que que eu faço?&#8221; Era assim. Hoje, os amigos você não vê, não  toca; os amigos são algoritmos.</p>
<p style="text-align: justify;">As redes sociais estão mudando o conceito de amizade, de amor&#8230; A  pior forma de solidão talvez seja o sexo virtual, a masturbação a longa  distância&#8230; Nada mais triste que o post-coitum na internet: gozos,  escape e &#8220;log off&#8221; com os orgasmos se esvaindo na velocidade da luz e a  realidade manchando o papel higiênico e as mãos pecadoras.</p>
<p style="text-align: justify;">Assim aprendemos que temos de celebrar as parcialidades; só o  fortuito é gozoso. Temos de parar de sofrer por uma plenitude que não  chega nunca.</p>
<p style="text-align: justify;">Aceitar a &#8220;incompletude&#8221; talvez seja a nova forma de felicidade. E  isso é bom. A web nos mostra que enquanto sonharmos com a plenitude,  seremos infelizes. Nunca seremos acompanhados nem totalmente amados. As  redes nos trazem uma desilusão fecunda. As redes sociais unem os homens  em uma grande solidão.</p>
<p style="text-align: justify;">Outra coisa que me intriga: dizer o que nos tweets? O que é  importante? Antigamente se dizia: este filme é importante, este texto é  importante&#8230; Mas, hoje, para quê? As revoluções clássicas já não  existem, a ideia de reunir objetos para um museu do futuro já era. Não  há mais algo a ser preservado para amanhã. A importância do futuro foi  substituída pelas &#8220;conexões&#8221; no presente.</p>
<p style="text-align: justify;">A própria ideia de &#8220;profundidade&#8221; ficou estranha&#8230; O que é profundo?  Hegel ou o frisson de informar a 121 mil pessoas que acordei com dor de  cabeça ou que detestei A Origem?&#8230; As irrelevâncias em rede ganham uma  densidade horizontal, uma superficialidade útil, ao invés de uma  grandeza definitiva. Quantidade é qualidade, hoje.</p>
<p style="text-align: justify;">Mas, é óbvio que há uma grande vitória para a democracia nas redes  sociais. Há pouco, o massacre de dissidentes no Irã escapou pela  internet. As redes denunciam crimes, alavancam negócios, expandem a  educação política.</p>
<p>Por isso, resolvi nascer. Estou nascendo hoje na web. Meus primeiro gemidos de recém-nascido começam hoje. Chamo-me agora <a href="http://www.twitter.com/realjabor">www.twitter.com/realjabor</a> e vou competir com o outro jabor, o falso, que me criou sem me consultar.</p>
<p style="text-align: right;"><strong>Fonte:</strong> Publicado no Estadão e diversos outros jornais</p>
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		<title>[Papo Cabeça] Mercado Editorial &#8211; O incerto caminho dos novos escritores até a publicação</title>
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		<pubDate>Mon, 02 Aug 2010 18:24:40 +0000</pubDate>
		<dc:creator>PDL</dc:creator>
				<category><![CDATA[Informação e Cultura]]></category>
		<category><![CDATA[Papo Cabeça]]></category>
		<category><![CDATA[Auto publicação]]></category>
		<category><![CDATA[Mercado Editorial]]></category>
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										</div>Em enquete com 60 escritores, levantamos os dilemas enfrentados por autores em busca de editoras Anos atrás, o editor Paulo Roberto Pires presenciou uma inflamada discussão acerca do excesso de autores estreantes que as grandes editoras andariam colocando no mercado. Ele sabia que, a qualquer momento, um dos críticos poderia apontá-lo entre os culpados pelo [...]]]></description>
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										</div><p><strong>Em enquete com 60 escritores, levantamos os dilemas enfrentados por autores em busca de editoras</strong></p>
<p style="text-align: justify;"><img src="http://peregrinacultural.files.wordpress.com/2009/06/escritor-de-novo.jpg?w=510&amp;h=421" alt=" [Papo Cabeça] Mercado Editorial   O incerto caminho dos novos escritores até a publicação" width="500" title="[Papo Cabeça] Mercado Editorial   O incerto caminho dos novos escritores até a publicação" /></p>
<p style="text-align: justify;">Anos atrás, o editor Paulo Roberto Pires presenciou uma inflamada  discussão acerca do excesso de autores estreantes que as grandes  editoras andariam colocando no mercado. Ele sabia que, a qualquer  momento, um dos críticos poderia apontá-lo entre os culpados pelo que  seria &#8220;falta de parcimônia&#8221; editorial. Como jornalista cultural, depois  um dos organizadores da primeira Flip (2003) e, por fim, editor em duas  das maiores casas publicadoras do País, a Planeta e a Ediouro, ele  apresentou a um público mais abrangente alguns dos principais nomes da  Geração 00, como João Paulo Cuenca, Joca Reiners Terron e Santiago  Nazarian.</p>
<p style="text-align: justify;">Pires não considera isso negativo. &#8220;Se um escritor é bom ou ruim, o  tempo é quem diz. Era preciso sacudir o mercado naquele momento em que  era enorme a diferença entre o que se editava e o que se via de  interessante na internet.&#8221; O fato é que atitudes como a dele ajudaram a  estimular a aceitação a novos autores. &#8220;A internet alterou o perfil do  lançamento de um estreante&#8221;, avalia Vivian Wyler, gerente editorial da  Rocco. &#8220;Está mais fácil ser autor agora do que quando quem badalava sua  obra era visto com desconfiança, como se não tivesse a pátina correta de  eruditismo. Hoje, ninguém vai criticar quem quer estar onde os leitores  estão. As feiras literárias estão aí para provar.&#8221;</p>
<p style="text-align: justify;">A exposição só não alterou o fato de que a publicação por uma grande  editora marca, em geral, o momento em que tudo muda na trajetória de  quem quer viver de literatura &#8211; ou se tornar uma pessoa jurídica, como  diz Cristovão Tezza, que pôde parar de dar aulas e viver apenas em razão  de seus livros desde que O Filho Eterno, publicado pela Record,  abocanhou quase todos os prêmios literários de 2008. &#8220;É importante a  recepção que o livro tem quando vem de uma grande. As pessoas olham  diferente para um livro da Companhia das Letras, por exemplo&#8221;, diz  Antonio Prata, que ingressou nesse olimpo literário em 2003, com As  Pernas da Tia Coralina, publicado pela Objetiva.</p>
<p style="text-align: justify;">O Sabático resolveu saber dos próprios autores qual o impacto de uma  grande editora em sua carreira, como foi o caminho até ela e como se  sentem a respeito numa época em que, cada vez mais, surgem boas casas de  pequeno ou médio porte no País &#8211; como a 34, a Iluminuras e a Ateliê  Editorial, só para ficar em três exemplos. Numa espécie de pesquisa  informal, enviamos pequenos questionários a quase 70 escritores de todas  as idades, dos quais 60 aceitaram participar. As questões foram feitas  em cima do primeiro título lançado com distribuição nacional e grande  alcance de divulgação. E que, na maior parte dos casos, não foi o  primeiro que tiveram editado &#8211; Lya Luft, por exemplo, escreveu o  primeiro livro 13 anos antes de chegar à Record, onde virou best-seller  com As Parceiras, em 1980; Ana Miranda escreveu dois de poesias por  editoras pequenas e ficou 10 anos retrabalhando o mesmo romance até  enviar os originais de Boca do Inferno para a Companhia das Letras &#8211;  foram mais de 200 mil exemplares desde 1989.</p>
<p style="text-align: justify;">É claro, o caminho é bem mais rápido para quem não se dedica a outros  trabalhos antes, como Lya, ou não se debruça tanto tempo sobre a mesma  obra, como Ana. As duas, que estrearam em grande editora com 40 e 37  anos, respectivamente, estão acima da média de idade que os  participantes da enquete tinham quando chegaram lá, 34 anos. Quase um  quarto dos escritores (23%) conseguiu fechar um contrato no mesmo ano em  que terminou de escrever o primeiro livro &#8211; apostas em iniciantes, como  no caso dos autores editados por Paulo Pires, ajudam a engrossar esse  número; prêmios literários e publicações anteriores de contos em  periódicos e antologias também.</p>
<p style="text-align: justify;">Mas um número parecido (20%) esperou mais de uma década desde as  primeiras tentativas literárias até receber um convite de uma grande  editora. Caso de gente como Affonso Romano de Sant&#8217;Anna (que esperou 22  anos até, aos 38, ter Poesia sobre Poesia publicado pela Imago),  Cristovão Tezza (17 anos tendo obras recusadas até Traposair pela  Brasiliense) e Marcelo Mirisola (15 anos escrevendo livros até ser  convidado pela Record a lançar Joana a Contragosto).</p>
<p style="text-align: justify;">Mas Mirisola, assim como Marcelino Freire e outros escritores, já era  conhecido quando teve o romance editado pela maior editora do País. O  reconhecimento chegou com Fátima Fez os Pés para Mostrar na Choperia,  que a Estação Editorial, uma editora de médio porte, publicou em 1998.  &#8220;No meu caso, não mudou nada&#8221;, diz o paulistano sobre o título que saiu  pela Record. Tanto que, depois disso, voltou para uma editora média, a  34, e em breve terá um infantil (a quatro mãos com Furio Lonza) pela  Barcarolla.</p>
<h3 style="text-align: justify;"><strong>Indicações </strong></h3>
<p style="text-align: justify;">Só quatro dos 60 autores (Mirisola, Ana Miranda, João Almino e Tiago  Melo Andrade) disseram que recomendações feitas por outros escritores ou  pessoas próximas não facilitam o caminho para um iniciante. Tirando um  ou outro que preferiu não emitir opinião a respeito, a grande maioria  respondeu ao Sabático que a indicação abre portas, sim &#8211; mas todos  ressalvaram que apenas permite aos manuscritos uma mãozinha para chegar  logo ao topo da pilha de originais. Vinte e um dos autores disseram que  escreveram a convite &#8211; está certo que boa parte deles já era algo  conhecida por textos em antologias, periódicos ou editoras pequenas.  Outros 38 afirmaram que enviaram originais; desses, 24 conheciam o  editor ou tiveram a tal recomendação, e os 14 restantes afirmaram só ter  oferecido os originais nas editoras. E uma única, dentre os 60,  recorreu a um agente &#8211; Ana Maria Machado, publicada pela Francisco  Alves, uma das grandes em 1983. &#8220;Nos EUA, é mais comum iniciantes  contratarem agentes. Por aqui é raro o autor se arriscar a pagar um  agente sem a certeza da publicação; isso só costuma acontecer quando  eles já estão com carreira mais estabelecida&#8221;, diz a editora Izabel  Aleixo.</p>
<p style="text-align: justify;">Por curiosidade, metade dos 38 autores que foram bem-sucedidos após  enviar originais preferiram fazê-lo para uma só editora &#8211; uma espécie de  ética que as casas publicadoras não exigem e que pode acabar sendo um  problema para quem aspira ser editado. Luciana Villas Boas, diretora  editorial da Record, por exemplo, diz que não vê mais originais em papel  não solicitados. &#8220;Não há como. Se vem um e-mail, a gente até se situa.  Se achar que a carta está bem feita e que existe um mínimo de potencial,  vai para leitura. Recebo uns 25 emails por mês, sem falar nos que  recebem todos os outros editores, e uma quantidade absurda de papel que  não serve para nada.&#8221;</p>
<p style="text-align: justify;">Vivian Wyler, gerente editorial da Rocco, diz que passam de 150 os  originais que chegam por mês à editora. A Rocco não veta os que chegam  em papel, mas exige que todos venham gravados em CD &#8211; se o autor quiser  mandar a impressão em anexo, fica por conta dele. &#8220;E, vou te dizer uma  coisa, 98% dos livros. logo nas primeiras páginas, senão na carta de  apresentação, você vê que não é um livro de verdade. Não falo nem de  regras gramaticais, e sim de um mínimo de estilo, de consciência  literária&#8221;, diz Izabel Aleixo, ex-diretora editorial da Nova Fronteira,  que acaba de assumir cargo na Paz e Terra. Isso faz com que bons livros  se percam na montanha de aspirações literárias. E é aí que entra a  recomendação. Não porque vá privilegiar alguém, mas porque permite a  triagem.</p>
<p style="text-align: justify;">Mas nem todos são adeptos da fidelidade. Elvira Vigna, ao terminar O  Assassinato de Bebê Martê, abriu um catálogo do Snel (sindicato dos  editores) e mandou uma cópia do romance a cada editora cujos nome  reconheceu. Em menos de um mês, recebeu a resposta de uma das melhores  do País, a Companhia das Letras. Nelson de Oliveira também mandou seus  contos de estreia para cerca de 20 editoras, mas precisou esperar oito  anos, ganhar um prêmio, o Casa de Las Americas, e ser recomendado por um  dos jurados, Rubem Fonseca, para publicar pela mesma casa Naquela Época  Tínhamos um Gato&gt;. Hoje, voltou a publicar por pequenas editoras:  &#8220;Não há mais muita diferença. Em geral, as pequenas se  profissionalizaram.&#8221; Ignácio de Loyola Brandão, que mandou cópias de seu  Depois do Sol para 13 editoras, recebeu cartas padrões de quase todas e  uma que não esqueceu, da Civilização Brasileira: &#8220;O autor escreve como  quem mija.&#8221; &#8220;Achei até que era elogio, mijar é um ato natural&#8221;, conta.  Acabou sendo publicado logo pela Brasiliense &#8211; e o editor Caio Graco,  lembra Ignácio, aceitou a obra sem nem fazer reparos de edição.</p>
<p style="text-align: justify;"><img src="http://a.imageshack.us/img101/2530/novosautores2.jpg" alt="novosautores2 [Papo Cabeça] Mercado Editorial   O incerto caminho dos novos escritores até a publicação" width="500" title="[Papo Cabeça] Mercado Editorial   O incerto caminho dos novos escritores até a publicação" /></p>
<h3 style="text-align: justify;"><strong>Autores falam sobre o primeiro livro</strong></h3>
<p style="text-align: justify;">&#8220;Já na Ateliê (de médio porte), com o Angu de Sangue, em 2000, minha  vida literária mudou. Fui bastante resenhado, divulgado. Não sou desses  que ficam com a bunda na cadeira, reclamando de editor&#8221;</p>
<p style="text-align: justify;"><em>Marcelino Freire</em></p>
<p style="text-align: justify;">&#8220;As pessoas olham diferente para um livro da Companhia das Letras,  por exemplo. Se fica mais fácil? Creio que sim. Mas não acho que no  Brasil publicar seja problema. Isso é fácil. Difícil é vender&#8221;</p>
<p style="text-align: justify;"><em>Antonio Prata</em></p>
<p style="text-align: justify;">&#8220;Aprendi que as pessoas não querem palpite nem sugestões, querem  endosso e apadrinhamento. Qualquer restrição ou dica, por mínima que  seja, é vista como ofensa e se ganha um desafeto&#8221;</p>
<p style="text-align: justify;"><em>Ana Maria Machado</em></p>
<p style="text-align: justify;">&#8220;A passagem da Revan (de pequeno porte) para a Nova Fronteira não  significou nada. Meu desempenho de público até piorou. Tanto que a Nova  Fronteira não quis um segundo livro meu&#8221;</p>
<p style="text-align: justify;"><em>Alberto Mussa</em></p>
<p style="text-align: justify;">&#8220;Aquele era o meu livro, era o livro possível, e se o editor fosse  mais invasivo a obra não seria tão autêntica. Prefiro caminhar com as  minhas próprias pernas e aprender com os meus próprios erros&#8221;</p>
<p style="text-align: justify;"><em>Adriana Lisboa</em></p>
<p style="text-align: justify;">&#8220;A gente também passa a fazer outros trabalhos: textos de prosa e  ficção para jornais, orelhas de livros, palestras. Para isso, é  imprescindível ser publicado por uma grande editora, é evidente&#8221;</p>
<p style="text-align: justify;"><em>Cintia Moscovich</em></p>
<p style="text-align: justify;">&#8220;Editoras grandes ajudam sobretudo em distribuição e divulgação, mas é  precipitado dizer que necessariamente trazem mais público. Nada impede  que isso seja alcançado em publicação independente&#8221;</p>
<p style="text-align: justify;"><em>Daniel Galera</em></p>
<p style="text-align: justify;">&#8220;Quem leu (o primeiro livro que escrevi) achou péssimo e tive de  concordar antes de enviar a qualquer editora. Mas todo livro é o  primeiro. Já tive livros recusados depois de publicar o primeiro&#8221;</p>
<p style="text-align: justify;"><em>Bernardo Carvalho</em></p>
<p style="text-align: justify;">&#8220;(A indicação) facilita o acesso à editora, mas não garante a  publicação. É lenda achar que, por conhecer o autor ou ser amigo de  alguém de seu círculo, o editor vai publicar o livro&#8221;</p>
<p style="text-align: justify;"><em>Cristovão Tezza</em></p>
<p style="text-align: right;"><em>Fonte: <a href="http://www.estadao.com.br/noticias/arteelazer,o-incerto-caminho-ate-a-publicacao,588356,0.htm" target="_blank">Estadão</a><br />
</em></p>
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		<title>[Dicas] Editora distribui e-books grátis de seus livros esgotados</title>
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		<pubDate>Tue, 27 Jul 2010 13:28:01 +0000</pubDate>
		<dc:creator>PDL</dc:creator>
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										</div>A reforma da lei de direitos autorais tem como objetivo melhorar algumas deficiências de nossa legislação. Uma das mais graves é o que acontece nos casos em que uma obra se esgota, e por algum motivo a editora já não tem mais interesse de reeditá-la. Nesses casos, ficamos reféns da disponibilidade em sebos e bibliotecas, [...]]]></description>
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										</div><p style="text-align: justify;"><img src="http://www.autenticaeditora.com.br/img/layout/new-home-autentica.jpg" alt="new home autentica [Dicas] Editora distribui e books grátis de seus livros esgotados" width="500" title="[Dicas] Editora distribui e books grátis de seus livros esgotados" /></p>
<p style="text-align: justify;">A reforma da lei de direitos autorais tem como objetivo melhorar algumas deficiências de nossa legislação. Uma das mais graves é o que acontece nos casos em que uma obra se esgota, e por algum motivo a editora já não tem mais interesse de reeditá-la. Nesses casos, ficamos reféns da disponibilidade em sebos e bibliotecas, e não é raro que um livro importante simplesmente desapareça sem que se possa fazer nada a respeito.</p>
<p style="text-align: justify;">Uma solução para esse problema são os livros digitais. Eles já estão entre nós há um bom tempo, mas só recentemente as empresas despertaram para as possibilidades desse negócio. Pouca gente ainda duvida que dá para ganhar dinheiro lançando versões digitais de livros esgotados. Por isso foi com agradável surpresa que encontramos no site da Editora Autêntica uma boa quantidade de livros esgotados de seu acervo sendo distribuídos gratuitamente. São obras de interesse acadêmico, que ainda podem ajudar muita gente, mas que estavam inacessíveis até agora.</p>
<p style="text-align: justify;">Vamos torcer para que o acervo disponível aumente, e que a iniciativa seja imitada por outras empresas. Em um setor que recebe tantos incentivos fiscais, e que tem no governo um de seus principais clientes, é bom ver atitudes que devolvam um pouco mais à sociedade.</p>
<p style="text-align: justify;"><a href="http://www.autenticaeditora.com.br/livros_digitais" target="_blank">Visite o site da editora e confira</a></p>
<p style="text-align: justify;"><img src="http://www.autenticaeditora.com.br/img/fotos_livros/nunca_fomos-z.jpg" alt="nunca fomos z [Dicas] Editora distribui e books grátis de seus livros esgotados" width="240" height="399" title="[Dicas] Editora distribui e books grátis de seus livros esgotados" /> <img src="http://www.autenticaeditora.com.br/img/fotos_livros/palavra_inquieta-z.jpg" alt="palavra inquieta z [Dicas] Editora distribui e books grátis de seus livros esgotados" width="239" height="400" title="[Dicas] Editora distribui e books grátis de seus livros esgotados" /></p>
<p style="text-align: justify;"><strong>Obras já disponíveis:</strong></p>
<p>Cartografias dos estudos culturais &#8211; Uma versão latino-americana &#8211; Ana Carolina D. Escosteguy</p>
<p>Corpo, identidade e bom-mocismo &#8211; Cotidiano de uma adolescência bem-comportada &#8211; Alex Branco Fraga</p>
<p>Os Deuses e os monstros &#8211; Euclídes Guimarães (Orgs.)</p>
<p>Currículo e políticas públicas &#8211; Luiz Alberto Oliveira Gonçalves</p>
<p>O Livro e ausência de livro em Tutaméia, de Guimarães Rosa -  Daisy Turrer</p>
<p>Nunca fomos humanos &#8211; Nos rastros do sujeito -  Tomaz Tadeu (Org.)</p>
<p>Palavra inquieta, A &#8211; Homenagem a Octávio Paz &#8211; Maria Esther Maciel (Orgs.)</p>
<p>Pedagogia dos monstros &#8211; Os prazeres e os perigos da confusão de fronteiras &#8211; José Gil , Ian Hunter , Jeffrey Jerome Cohen</p>
<p>Psicanálise e psiquiatria com crianças &#8211; Desenvolvimento ou estrutura &#8211; Oscar Cirino</p>
<p>Psicossociologia &#8211; Análise social e intervenção &#8211; Marília Novais da Mata Machado , Eliana de Moura Castro , José Newton Garcia Araújo , Sonia Roedel</p>
<p>Raízes da modernidade em Minas Gerais &#8211; João Antonio de Paula</p>
<p>Os Sete pecados capitais &#8211; Euclídes Guimarães (Orgs.)</p>
<p>Teoria cultural e educação &#8211; Um vocabulário crítico -  Tomaz Tadeu</p>
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		<title>[Papo Cabeça] Carta pela Inovação, Criatividade e Acesso ao Conhecimento</title>
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		<pubDate>Fri, 09 Jul 2010 15:03:26 +0000</pubDate>
		<dc:creator>PDL</dc:creator>
				<category><![CDATA[Informação e Cultura]]></category>
		<category><![CDATA[Papo Cabeça]]></category>
		<category><![CDATA[Creative Commons]]></category>
		<category><![CDATA[Cultura Digital]]></category>
		<category><![CDATA[Cultura Livre]]></category>
		<category><![CDATA[direitos autorais]]></category>

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										</div>Nós, uma ampla aliança formada por 20 países, centenas de milhares de cidadãos, usuários, consumidores, organizações, artistas, hackers, membros do movimento da cultura livre, economistas, advogados, professores, estudantes, pesquisadores, cientistas, ativistas, trabalhadores, desempregados, empresários, criativos&#8230; nós convidamos todos os cidadãos para divulgar esta Carta, compartilhar o conteúdo e praticar o que aqui propomos. Nós convidamos [...]]]></description>
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										</div><p style="text-align: justify;">Nós, uma ampla aliança formada por 20 países, centenas de milhares de cidadãos, usuários, consumidores, organizações, artistas, hackers, membros do movimento da cultura livre, economistas, advogados, professores, estudantes, pesquisadores, cientistas, ativistas, trabalhadores, desempregados, empresários, criativos&#8230;</p>
<p style="text-align: justify;">nós convidamos todos os cidadãos para divulgar esta Carta, compartilhar o conteúdo e praticar o que aqui propomos.</p>
<p style="text-align: justify;">Nós convidamos todos os governos, multinacionais e instituições a ouvirem urgentemente o que aqui dizemos – e que compreendam e executem nossa proposta.</p>
<p><object classid="clsid:d27cdb6e-ae6d-11cf-96b8-444553540000" width="500" height="305" codebase="http://download.macromedia.com/pub/shockwave/cabs/flash/swflash.cab#version=6,0,40,0"><param name="allowFullScreen" value="true" /><param name="allowscriptaccess" value="always" /><param name="src" value="http://www.youtube.com/v/2vGL6wasDRc&amp;hl=pt_BR&amp;fs=1&amp;color1=0x2b405b&amp;color2=0x6b8ab6" /><param name="allowfullscreen" value="true" /><embed type="application/x-shockwave-flash" width="500" height="305" src="http://www.youtube.com/v/2vGL6wasDRc&amp;hl=pt_BR&amp;fs=1&amp;color1=0x2b405b&amp;color2=0x6b8ab6" allowscriptaccess="always" allowfullscreen="true"></embed></object></p>
<h3><strong>1. </strong><strong>Introdução</strong></h3>
<p style="text-align: justify;">Nós estamos no meio de uma revolução dos modos de criação, acesso e transformação de conhecimento e cultura. Cidadãos, artistas e consumidores não se encontram mais impotentes e isolados perante os conteúdos fornecidos pelas indústrias: agora as pessoas, nas mais diversas esferas, colaboram, participam e decidem. A tecnologia digital é a ponte que permite que idéias e conhecimentos se espalhem. Ela desfez inúmeras barreiras geográficas e tecnológicas que impediam que idéias fossem compartilhadas.  Elas proporcionaram e proporcionam novas ferramentas educacionais e estimulam possibilidades de novas formas de organização social econômica e política. Essa revolução se assemelha às inúmeras mudanças alcançadas a partir do surgimento da imprensa.</p>
<p style="text-align: justify;">Apesar dessas transformações, a indústria de entretenimento, muitos serviços de comunicação, governos e organismos internacionais ainda baseiam a fonte de suas vantagens e lucros no controle do conteúdo e das ferramentas e na gestão por parte de poucos. Isso leva a restrições nos direitos dos cidadãos à educação, ao acesso a informação, cultura, ciência e tecnologia; liberdade de expressão; inviolabilidade das comunicações e privacidade. Eles colocam a proteção de interesses privados acima dos interesses públicos, buscando impedir o desenvolvimento da sociedade em geral, exatamente como a Inquisição fez quando buscou reagir ao nascimento e desenvolvimento da imprensa. Instituições, indústrias, estruturas ou convenções de hoje não sobreviverão futuramente a não ser que se adaptem a essas mudanças. Outras, no entanto, modificarão seus métodos e os tornarão mais refinados em resposta às novas realidades. E nós precisaremos dar conta dessas mudanças.</p>
<p><strong>Implicações políticas e econômicas da cultura livre</strong></p>
<p style="text-align: justify;">Cultura livre (referimo-nos aqui à liberdade, não à gratuidade) aumenta dramaticamente os espaços de engajamento cívico. Ela expande a faixa de pessoas e grupos capazes de contribuir com debates públicos. Trata-se, portanto, do fortalecimento da democracia em um tempo de crise, logo quando se clamam por formas mais potentes de democracia. Cultura livre é pré-condição para liberdade de expressão, liberdade essa que é pré-requisito fundamental para a democracia. Ela permite que se realize o potencial democrático das novas tecnologias, na medida em que reduz o isolamento. Cultura livre abre espaço para novas possibilidade de engajamento dos cidadãos na  produção de bens e serviços públicos. Isso se baseia em uma perspectiva dos “bens comuns” (“commons”). “Administração ou governança dos bens comuns” se refere à negociação de regras e limites para a gestão da produção coletiva, da administração e do acesso aos recursos compartilhados. A governança do dos bens comuns honra a participação, a inclusão, a transparência, a igualdade de acesso, e a sustentabilidade em longo prazo. Reconhecemos o espaço comum como uma forma distinta e desejável de governar. Ele não está necessariamente ligado ao Estado ou outras instituições políticas convencionais e demonstra que a sociedade civil é hoje uma força potente.</p>
<p style="text-align: justify;">Reconhecemos que essa nova economia social, para além do mercado privado, é uma importante fonte de valor. A nova reflexão sobre os ‘bens comuns’ (’Commons’), revitalizada pela tecnologia digital (entre outros fatores), alarga o espaço que constitui ‘a economia’. Neste momento da história, governos dão apoio considerável à economia de mercado privado; é urgente que seja dado à economia dos bens comuns o mesmo apoio extensivo que é oferecido ao mercado privado. Tudo o que esta nova perspectiva precisa para prosperar é uma economia com regras equilibradas para todos os modelos.</p>
<p style="text-align: justify;">A atual crise financeira demonstrou os limites estritos do fundamentalismo de mercado. As consequências sociais e econômicas devastadoras do colapso financeiro também demonstram que os mercados descontrolados, guiados apenas pela competição e pelo interesse individual, representam uma ameaça à civilização. A filosofia da Cultura Livre, uma herança dos movimentos pela livre circulação originados no software livre e aberto, é a prova empírica de que um novo tipo de ética e uma nova maneira de fazer negócios são possíveis. Estes movimentos criaram uma nova e viável forma de produção, com base em ofícios ou profissões, onde o autor-produtor não perde o controle do processo produtivo e não necessita da mediação dos grandes monopólios. Esta forma de produção se baseia na iniciativa autônoma em solidariedade com outros, em trocas configuradas de acordo com as habilidades e oportunidades de cada pessoa, na democratização do conhecimento, da educação e dos meios de produção, e em uma distribuição justa dos ganhos de acordo com o trabalho realizado.</p>
<p style="text-align: justify;">Declaramos nossa preocupação com o bem-estar dos artistas, pesquisadores, autores e produtores criativos. Nesta Carta, propomos uma série de possibilidades para a remuneração coletiva da criação e da inovação. O software livre e aberto, a Wikipedia, e muitos outros exemplos mostram que o modelo de cultura livre pode sustentar a inovação, e que os monopólios não são necessários para a produção de bens culturais e de conhecimento. Na produção cultural, o que é sustentável depende, em grande medida, do tipo de “produto” (os custos de um filme, por exemplo, são diferentes daqueles de uma enciclopédia colaborativa on-line). Projetos e iniciativas com base nos princípios da cultura livre utilizam uma variedade de maneiras de alcançar a sustentabilidade para além da economia voluntária. Algumas destas formas são consolidadas. Algumas estão ainda em fase experimental. A princípio generalizado é o de combinar várias fontes de financiamento. Este abordagem tem a vantagem de garantir a independência.</p>
<p style="text-align: justify;">Modelos de economia social comunitários já estão oferecendo um número de opções cada vez mais viável para manter a produção cultural. Estes incluem:</p>
<ul>
<li>doações não-monetárias e escambo (ex.: gift-economy, permutas);</li>
<li>financiamento direto (ex: subscrições e doações);</li>
<li>capital compartilhado (ex: fundos de contrapartida, cooperativas de produtores, interfinanciamento / economia social, Banco P2P, moeda virtual, crowd financing, capital aberto, cooperativas de investimento de base comunitária, e cooperativas de consumidores);</li>
<li>fundações garantindo infra-estrutura para os projetos;</li>
<li>financiamento público (ex:  renda básica, bolsas, prémios, subsídios, contratos públicos e comissões);</li>
<li>financiamento privado (ex: investimento de risco, ações, patrocínio privado, associações empresariais de infra-estrutura e investimento);</li>
<li>atividades comerciais (incluindo bens e serviços) e</li>
<li>combinações entre distribuição P2P e transmissão (streaming) de baixo custo.</li>
</ul>
<p>A combinação dessas opções é cada vez mais viável, tanto para os criadores independentes como para a indústria. Não apoiamos a maneira como as empresas comerciais têm explorado o trabalho voluntário como estratégia para obter lucros a partir do valor gerado coletiva e voluntariamente. Acreditamos também que não deveria ser permitido que conglomerados tivessem a oportunidade de dominar uma parte substancial de qualquer setor do mercado.</p>
<p style="text-align: justify;">A era digital traz a promessa histórica de aumento de justiça, o que será gratificante para todos.</p>
<p style="text-align: justify;">Esse é o objetivo das propostas que se seguem:</p>
<p style="text-align: justify;">Primeiro de tudo, transparência: é fundamental que haja transparência na execução das atividades (de lobby), incluindo informações acerca de quem são as autoridades encarregadas da aplicação das leis e quais os procedimentos obrigatórios, de modo a impedir a violação de qualquer direito fundamental. As ferramentas digitais em si têm o potencial promover mais transparência e abertura política. Por todas essas razões, a promoção de infraestrutura e de ferramentas digitais deve ser baseada em procedimentos transparentes.</p>
<h3><strong>2. Demandas legais</strong></h3>
<p style="text-align: justify;">Temos identificado, nas regulamentações nacionais e nos tratados internacionais, lacunas referentes à disseminação de cultura e conhecimento – no aspecto privado, em relações contratuais e nas políticas públicas internacionais. Propomos, então, reformas que consideramos necessárias para superar essas falhas.  As deficiências atuais nas regulamentações e nos tratados são prejudiciais ao interesse público e para uma indústria cultural moderna e democrática. Nesse contexto, serve-se melhor ao interesse público quando a criação de obras intelectuais de significativo valor social é apoiada e assegurada. Deve-se assegurar, também, a todos os cidadãos um acesso irrestrito a essas obras, que podem ser aproveitadas das mais variadas formas.</p>
<p><strong> </strong></p>
<p><strong>A. Conhecimentos comuns e o Domínio Público</strong></p>
<p><strong> </strong></p>
<p>A.1. A expansão do domínio público e do tempo de contrato de direitos autorais (menos de 50 anos);</p>
<p style="text-align: justify;">A.2. Pesquisas financiadas publicamente e trabalhos intelectuais e culturais devem estar disponíveis gratuitamente para o público em geral;</p>
<p style="text-align: justify;">A.3. Deve-se garantir que obras de domínio público sejam acessíveis para o público em geral.</p>
<p style="text-align: justify;">B. Defendendo acesso a infraestruturas intelectuais e neutralidade na internet.</p>
<p style="text-align: justify;">B.1. Os cidadãos devem ter o direito a uma conexão de Internet que permita que mandem e recebam os conteúdos que desejarem, que usem serviços e que executem arquivos de sua escolha, conectem o hardware e usem o software que lhes interesse e que não prejudiquem a rede.</p>
<p style="text-align: justify;">B.2. Os cidadãos devem ter o direito a uma conexão de Internet que seja livre de qualquer discriminação (seja bloqueando, limitando ou priorizando) quanto ao tipo de aplicação, serviço ou conteúdo ou que seja baseada no endereço do destinatário ou remetente.</p>
<p style="text-align: justify;">B.3. Nenhuma limitação (ou filtragem) no conteúdo da internet deve ser feita sem uma decisão judicial prévia.</p>
<p><strong>C. Direitos do cidadão no contexto digital</strong></p>
<p><strong> </strong></p>
<p style="text-align: justify;">C.1. O DIREITO DE CITAÇÃO, por motivos educacionais ou científicos ou por propósitos puramente informativos, criativos ou de qualquer outra ordem.</p>
<p style="text-align: justify;">C.2. CÓPIA PRIVADA: quando a reprodução é feita para usos privados ou de compartilhamento e quando nenhum lucro direto ou indireto é obtido devido à cópia/reprodução.</p>
<p style="text-align: justify;">C.3 USO JUSTO (FAIR USE): o direito ao acesso e ao uso de obras autorais, sem a autorização dos titulares de direito, para fins de educação, ensino, pesquisa científica ou informação, satírico ou complementar ao objeto criativo principal, desde se faça referência ao autor e que todos os direitos morais sejam respeitados.</p>
<p><strong>D. Estimulando criatividade e inovação</strong></p>
<p><strong> </strong></p>
<p style="text-align: justify;">Declaramos nossa preocupação com o bem-estar de artistas e autores. Propomos várias maneiras de gratificação coletiva à criação coletiva e à inovação:</p>
<p style="text-align: justify;">D.1. Royalyties não substituem um salário justo.</p>
<p style="text-align: justify;">D.2. Diferenças no poder de barganha produzem diferenças injustas entre as pessoas criam e as entidades comerciais. Essas diferenças devem ser sanadas.</p>
<p style="text-align: justify;">D.3. Quando há exploração comercial de um trabalho, regras que garantam direitos econômicos devem priorizar a proteção de interesses econômicos de comunidades criativas.</p>
<p style="text-align: justify;">D.4. Devem ser abolidas todas as “imposições digitais” injustas, que sancionam a todos indiscriminadamente em nome da “compensação para os artistas” e que se propõem a penalizar atividades que não são, de modo algum, criminosas.</p>
<p style="text-align: justify;">D.5. Deve ser permitido aos autores/criadores que revoguem o mandato de ENTIDADES DE GESTÃO dos direitos do autor.</p>
<p style="text-align: justify;">D.6. Não se deve permitir o monopólio de entidades de gestão nem que as mesmas impeçam artistas e autores de usarem licenças livres.</p>
<p style="text-align: justify;">D.7. Devem ser ilegais – e jamais podem ser concedidas – patentes que monopolizem qualquer tipo de software ou de atividade de desenvolvimento intelectual.</p>
<p><strong> </strong></p>
<p><strong>E. Acesso de pessoas com dificuldade de leitura</strong></p>
<p><strong> </strong></p>
<p style="text-align: justify;">Devem ser disponíveis formatos de texto acessíveis para pessoas com dificuldade de</p>
<p style="text-align: justify;">leitura. Os sistemas legais de todo o mundo devem facilitar a conversão de trabalhos em formatos acessíveis para pessoas com dificuldades de leitura, bem como o download e o upload dos mesmos.</p>
<h3><strong>3. Diretrizes para Educação e Acesso ao conhecimento</strong></h3>
<p><strong> </strong></p>
<p style="text-align: justify;">Aprender é um processo de construção social que acontece mediante a troca de conhecimentos, experiências e das diversas nuances culturais. A cultura se desenvolve na medida em que o conhecimento se espalha pela sociedade. Entendemos educação como processo social que envolve uma ampla gama de tecnologias, atores, entidades e atividades educacionais, e não apenas as formas tidas como “oficiais”. Nossa visão de educação consiste na cultura de troca de informações e conhecimentos e em inovações eficientes e sustentáveis, baseadas nos princípios desta carta.</p>
<p><strong>Software livre</strong></p>
<p><strong> </strong></p>
<p style="text-align: justify;">O software livre permite que as pessoas estudem e aprendam conceitos, possibilitam a transparência no processamento das informações, assegura competição e inovação, proporcionam independência em relação a interesse de coorporações e aumenta a autonomia dos cidadãos. O software livre deve, portanto, ser usado, promovido e implementado em instituições educacionais e em outros espaços em que se realizam trabalhos funções educativas. Além disso, todo software produzido em ambientes educacionais deve ser convertido em software livre.</p>
<p><strong>Compartilhamento de recursos educacionais</strong></p>
<p style="text-align: justify;">Recursos educacionais são uma ferramenta educacional básica. A publicação aberta em um domínio público estimula o desenvolvimento dos recursos e a participação de todos, promovendo diversidade cultural, ao mesmo tempo em que maximiza a reutilização e a eficiência.</p>
<p style="text-align: justify;">Livros-textos, apostilas e outros tipos de materiais devem ser, então, publicados como recursos abertos – assegurando o direito de uso, cópia, reutilização, adaptação, tradução e redistribuição.</p>
<p><strong>Acesso livre</strong></p>
<p><strong> </strong></p>
<p style="text-align: justify;">O acesso livre assegura o acesso a resultados de pesquisas científicas tanto para cientistas quando para o público em geral. Eles aumentam as possibilidades de aprendizado e propiciam que diversos pesquisadores descubram façam uso dos resultados uns dos outros.</p>
<p style="text-align: justify;">Universidades e centros de pesquisa devem aderir ao modelo do acesso livre, publicando os resultados de suas pesquisas. Devem ser desencorajadas as patentes nos resultados de pesquisas financiadas com dinheiro público. As patentes cujos titulares estejam ligados a instituições públicas devem ser irrevogavelmente liberadas.</p>
<p><strong>Padrões abertos</strong></p>
<p><strong> </strong></p>
<p style="text-align: justify;">O uso de padrões e formatos abertos é essencial para assegurar o compartilhamento e a inter-operabilidade técnica, proporcionando um acesso sem obstáculos à informação digital e a garantia da disponibilidade do conhecimento e da memória social, hoje e no futuro.</p>
<h3><strong>4. Estrutura requerida para uma sociedade inclusiva de conhecimento</strong></h3>
<p><strong> </strong></p>
<ol>
<li><strong>A. </strong><strong>Privacidade</strong></li>
</ol>
<p><strong> </strong></p>
<p style="text-align: justify;">Cidadãos têm o direito a:</p>
<p style="text-align: justify;">- Utilizar a internet e acessar conteúdos anonimamente;</p>
<p style="text-align: justify;">- Decidir a qualquer hora mover, modificar ou remover sua inscrição de usuário de qualquer serviço online</p>
<p style="text-align: justify;">- Não ter sua comunicação interceptada, a não ser a partir de ordem judicial prévia. Poder proteger suas comunicações com senhas.</p>
<ol>
<li><strong>B. </strong><strong>Direito no que diz respeito a redes (networks): liberdade de uso, criação e conexão</strong></li>
</ol>
<p><strong> </strong></p>
<p style="text-align: justify;">- Sociedade civil e administrações públicas devem ter o direito a prover e implementar serviços de rede, incluindo aqueles oferecidos gratuitamente. Não devem ser impostas condições aos cidadãos para tal.</p>
<ol>
<li><strong>C. </strong><strong>Infraestrutura e regulação de mercado:</strong></li>
</ol>
<p><strong> </strong></p>
<p style="text-align: justify;">- Neutralidade: A neutralidade na internet deve ser garantida (para uma definição precisa, leia o Glossário de termos e demandas legais – DEMANDAS LEGALES – o link se encontra no texto original)</p>
<p style="text-align: justify;">-Simetria; provedores de acesso à internet devem garantir conexões simétricas ou uma proporção razoável de download/upload. Deve haver acesso a banda larga a preços acessíveis a todos os cidadãos.</p>
<p style="text-align: justify;">- Diversidade: Devem ser evitados monopólios em infraestruturas de telecomunicações. Os cidadãos têm o direito ao acesso a mais de um provedor (público ou particular) e a oferta deste serviço de banda larga não deve estar vinculada à aquisição de outros produtos ou serviços. Nenhuma companhia de comunicação deve controlar mais de 25% de qualquer serviço no mercado.</p>
<p style="text-align: justify;">- Os provedores de telecomunicações devem satisfazer as velocidades de acesso decididas contratualmente; em contratos pré-pagos, só deve ser paga o serviço que seja explicitamente demandado pelo usuário. Os provedores devem garantir aos cidadãos a opção de tarifa plana.</p>
<ol>
<li><strong>D. </strong><strong>Administração Pública</strong></li>
</ol>
<p><strong> </strong></p>
<p style="text-align: justify;">- Setor público, projetos fundados com verba pública e aqueles que impliquem os cidadãos por lei ou de alguma forma que afete seus direitos fundamentais, deveriam usar sempre o software livre e os padrões abertos.</p>
<p style="text-align: justify;">- Quando uma solução por software livre ou por padrão aberto não existe, o governo ou autoridade pública correspondente deve promover o desenvolvimento do software necessário.</p>
<p style="text-align: justify;">- Governos devem garantir acesso à Internet gratuito a todos os cidadãos, independentemente de seu local de residência.</p>
<ol>
<li><strong>E. </strong><strong>Como deveria proceder a administração pública no que se refere a compra e avaliação de softwares.</strong></li>
</ol>
<p><strong> </strong></p>
<p style="text-align: justify;">- A compra pública de software deve avaliar o custo total do uso – incluindo os custos de finalizar o uso do software e de migrar para outro.</p>
<p style="text-align: justify;">- A contabilidade pública deve fazer uma separação clara entre os custos de licença e manutenção do software e o custo do hardware.</p>
<h3><strong>5. Transparência</strong></h3>
<p style="text-align: justify;">É fundamental que haja transparência nos processos de regulamentação e nas atividades de lobby, incluindo informações sobre quem são as autoridades responsáveis pela aplicação da lei e os procedimentos obrigatórios que devem ser colocados em prática, de modo a evitar a violação de qualquer direito fundamental. Os recursos e ferramentas digitais podem garantir mais transparência e credibilidade aos processos políticos. A existência e acesso às infra-estruturas e às ferramentas digitais devem se fundamentar em processos transparentes.</p>
<p style="text-align: justify;">Propomos um sistema de três avisos aos que violem o direito do cidadão à transparência nas informações.</p>
<p style="text-align: justify;">_________________________________________________________________________</p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #ff0000;">- Essa carta foi gentilmente traduzida para o português por colaboradores do PDL, e está sendo distribuída livremente sob <a href="http://creativecommons.org/licenses/by-sa/3.0/br/" target="_blank">licença creative commons 3.0.</a> Ajude a distribuí-la e divulgá-la!</span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #ff0000;">- Esta é uma versão resumida da carta. Você pode acessar a versão completa <a href="http://fcforum.net/" target="_blank">aqui</a> (em inglês ou espanhol).</span></p>
<p style="text-align: justify;">
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		<title>[Papo Cabeça] O que Neil Gaiman pensa sobre a pirataria?</title>
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		<pubDate>Wed, 23 Jun 2010 17:06:53 +0000</pubDate>
		<dc:creator>PDL</dc:creator>
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										</div>O vídeo abaixo não é novo. Ele é parte de uma entrevista dada por Neil Gaiman na Flip de 2008, mas assim como eu não o conhecia, acredito que muita gente também estará vendo pela primeira vez. Ao ser perguntado sobre sua opinião quanto a seus livros estarem disponíveis de graça na internet, Gaiman disse [...]]]></description>
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										</div><p style="text-align: justify;">O vídeo abaixo não é novo. Ele é parte  de uma entrevista dada por Neil Gaiman na Flip de 2008, mas assim como  eu não o conhecia, acredito que muita gente também estará vendo pela  primeira vez.</p>
<p style="text-align: justify;">Ao ser perguntado sobre sua opinião  quanto a seus livros estarem disponíveis de graça na internet, Gaiman  disse que isso não o incomoda. Pelo contrário, ele teria medo se as  pessoas não pudessem lê-los de forma alguma. <em>“O inimigo não é a  idéia de que as pessoas estão lendo livros de  graça. Ou lendo na  internet de graça. Da minha perspectiva o inimigo é as pessoas não  lerem.”</em></p>
<p style="text-align: justify;">Confesso que ao assistir fiquei surpreso  e contente por um escritor de tamanha envergadura apresentar uma  opinião tão coerente e sensata. Então o autor do Sandman seria um  socialista despreendido? Claro que não. Segundo ele, ninguém conhece um  novo autor indo a uma livraria e comprando um livro desconhecido. As  pessoas conhecem seus autores primeiro lendo de graça, por indicação de  um amigo, pegando na biblioteca, etc. Depois, elas certamente desejarão  adquirir o livro impresso.</p>
<p style="text-align: justify;">Certo barões da indústria acreditam que  cada download é um exemplar que deixa de ser vendido. Quanta miopia.   Estão há décadas no mercado e ainda não nos conhecem. Não sabem que para  nós um livro é mais que um amontoado de letras que pode ser  digitalizado e lido sem pagar nada. Não sabem que nossos livros têm  valor sentimental e simbólico. Que cada exemplar que conseguimos comprar  é como se materializassemos um pedacinho de nós mesmos para colocar na  estante. Será que alguém convida os amigos para, orgulhosamente, exibir  seus últimos livros baixados da internet? Ou sonha com o momento de ler  sua coleção de livros piratas para seus filhos? Ou, ainda, presenteia  uma pessoa querida com um livro em PDF e com  uma dedicatória escrita no  corpo de texto do e-mail?</p>
<p style="text-align: justify;">Assim  como Neil Gaiman, penso que se  suas condições econômicas permitirem, as pessoas comprarão os livros que  amam. E se elas não gostarem, não vão comprar. Afinal, porque não  podemos cuspir parte do que sempre nos empurraram goela abaixo?</p>
<p style="text-align: justify;">Acredito que os livros da internet são  capazes de estimular a venda de livros impressos, formar novos leitores   e despertar o prazer pela leitura, que é como o prazer do sexo: o  virtual até pode quebrar um galho, mas nada substitui o toque, o cheiro,  o estar perto. E nada substitui a sensação de possuir.</p>
<pre style="text-align: right;">Texto Por Marcus Vinícius em <a href="http://culturadigital.br/culturadigital/2010/06/20/o-prazer-de-possuir/" target="_blank">Cultura Digital</a>
</pre>
<p style="text-align: center;"><object classid="clsid:d27cdb6e-ae6d-11cf-96b8-444553540000" width="500" height="401" codebase="http://download.macromedia.com/pub/shockwave/cabs/flash/swflash.cab#version=6,0,40,0"><param name="allowFullScreen" value="true" /><param name="allowscriptaccess" value="always" /><param name="src" value="http://www.youtube.com/v/3odgel4zU6s&amp;hl=pt_BR&amp;fs=1&amp;" /><param name="allowfullscreen" value="true" /><embed type="application/x-shockwave-flash" width="500" height="401" src="http://www.youtube.com/v/3odgel4zU6s&amp;hl=pt_BR&amp;fs=1&amp;" allowscriptaccess="always" allowfullscreen="true"></embed></object></p>
<p style="text-align: left;"><strong>Transcrição da resposta:</strong></p>
<p>Isso realmente não me incomda.</p>
<p style="text-align: justify;">Obviamente eu preferia estar em um  mundo em que as pessoas  pudessem ter sua dose dos meus quadrinhos por meios mais legítimos e que  isso de vez em quando pagasse o meu jantar.</p>
<p style="text-align: justify;">Dado que não há canais legítimos lá fora, acho que seria muito  ingênuo da minha parte me opor.</p>
<p style="text-align: justify;">(…)</p>
<p style="text-align: justify;">Ontem no almoço, Zoe Heller, grande autora e muito inteligente, veio  até mim e disse: “Alguém me deu esse livro e são uma pessoas que acham  que os livros devem circular e quando você termina de ler deve dá-los a  alguém. E não sei o que pensar disso, porque  de certa forma eu  sobrevivo das pessoas comprarem novos livros.”</p>
<p style="text-align: justify;">E eu disse: Zoe, nenhum de nós descobriu seus escritores favoritos  comprando seus livros. Não é como isso acontece. Vocês aqui. Você  provavelmente tem um escritor favorito. E a resposta é que vocês  descobriram seu escritor favorito quando alguém disse: “Tome, eu acabei  de ler esse livro, é bom e você vai gostar”. Ou você pegou o livro da  prateleira de alguém e disse: “Isso parece interessante. Posso pegar  emprestado?” Ou você encontrou na biblioteca. Ou alguém esqueceu no  trem.</p>
<p style="text-align: justify;">É assim que as pessoas descobrem seus escritores favoritos.</p>
<p style="text-align: justify;">Não o descobrem entrando numa livraria e dizendo: “Vou  comprar este livro novo de  capa dura!”</p>
<p style="text-align: justify;">Acaba sempre acontecendo que novos autores  e autores famosos começam  sendo descobertos acidentalmente quando você tropeça neles.</p>
<p style="text-align: justify;">E são como aquela primeira dose de heroína e sem perceber você está  descendo a rua para comprar tudo o que aquele cara já escreveu.</p>
<p style="text-align: justify;">E até onde me interessa, qualquer maneira de fazer os livros  circularem é legítima. Eu amo o fato das pessoas estarem dando livros  que de outra forma ficariam esquecidos em uma prateleira.</p>
<p style="text-align: justify;">E certamente eu não acho que algum desses leitores seja uma venda  perdida. Porque da minha perspectiva o inimigo não é a idéia de que as  pessoas estão lendo livros de graça. Ou lendo na internet de graça.</p>
<p style="text-align: justify;">Da minha perspectiva o inimigo é as pessoas não lerem.</p>
<p style="text-align: justify;">Qualquer pessoa lendo algo de graça da internet ainda faz parte da  minha tribo.</p>
<p style="text-align: justify;">A tribo das pessoas que lêem.</p>
<p style="text-align: justify;">E se eles passarem adiante por fazerem parte dessa tribo eles querem  esses livros para si.</p>
<p style="text-align: justify;">Eles vão querer os livros de verdade. Eles vão querer comprar as  versões de capa dura. Eles vão querê-los. Porque eu quero. E isso é uma  coisa boa.</p>
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		<title>[Papo Cabeça] Uma conversa sobre direito autoral e direito à cultura</title>
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		<pubDate>Thu, 10 Jun 2010 17:18:42 +0000</pubDate>
		<dc:creator>PDL</dc:creator>
				<category><![CDATA[Informação e Cultura]]></category>
		<category><![CDATA[Papo Cabeça]]></category>
		<category><![CDATA[copyright]]></category>
		<category><![CDATA[Cultura Livre]]></category>
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										</div>De acordo com a lei de direito autoral vigente no Brasil, passar as músicas de um CD comprado para o próprio Ipod não é permitido. Apenas oito situações descritas em artigos do código não são consideradas ofensas ao direito de autor, como “a reprodução de pequenos trechos da obra”. Mas como definir o que é [...]]]></description>
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										</div><p style="text-align: justify;">De acordo com a lei de direito autoral vigente no Brasil, passar as  músicas de um CD comprado para o próprio Ipod não é permitido. Apenas  oito situações descritas em artigos do código não são consideradas  ofensas ao direito de autor, como “a reprodução de pequenos trechos da  obra”. Mas como definir o que é um pequeno trecho para um quadro ou uma  fotografia, por exemplo? A questão colocada pelo especialista em direito  autoral, o advogado Alexandre Pesserl, do Grupo de Estudos em Direito  Autoral e Informação da Universidade Federal de Santa Catarina (Gedai/ UFSC), é um  dos muitos argumentos usados pelos defensores de uma reforma urgente na  legislação. Veja a entrevista em vídeo:</p>
<p style="text-align: center;"><object classid="clsid:d27cdb6e-ae6d-11cf-96b8-444553540000" width="497" height="280" codebase="http://download.macromedia.com/pub/shockwave/cabs/flash/swflash.cab#version=6,0,40,0"><param name="allowfullscreen" value="true" /><param name="allowscriptaccess" value="always" /><param name="src" value="http://vimeo.com/moogaloop.swf?clip_id=12431353&amp;server=vimeo.com&amp;show_title=1&amp;show_byline=1&amp;show_portrait=0&amp;color=f7a916&amp;fullscreen=1" /><embed type="application/x-shockwave-flash" width="497" height="280" src="http://vimeo.com/moogaloop.swf?clip_id=12431353&amp;server=vimeo.com&amp;show_title=1&amp;show_byline=1&amp;show_portrait=0&amp;color=f7a916&amp;fullscreen=1" allowscriptaccess="always" allowfullscreen="true"></embed></object></p>
<p style="text-align: justify;">O tema foi bastante discutido no <a href="http://www.culturadigital.br/simposioacervosdigitais" target="_blank">Simpósio  Internacional de Políticas Públicas para Digitalização de Acervos</a>.  No evento, um dos participantes chegou a mostrar que a <a href="http://culturadigital.br/simposioacervosdigitais/2010/04/29/brasil-e-o-7%C2%BA-pais-mais-restritivo-em-direitos-autorais/" target="_blank">lei  do país é a sétima mais restritiva do mundo</a>, trazendo diversas  consequências e impedimentos à população no que diz respeito o acesso ao  conhecimento.</p>
<p style="text-align: justify;">Como os acervos digitalizados pelas bibliotecas atualmente não  pertencem a essas instituições, a maior parte dos livros passam pelo  processo e não ficam disponíveis para consulta. “Isso acontece por conta  das incertezas jurídicas que rondam essas obras”, explica Pesserl.</p>
<pre style="text-align: right;">Texto por Gabriela Agustini em <a href="http://culturadigital.br/simposioacervosdigitais/2010/06/09/livros-digitalizados-nao-estao-acessiveis-para-o-publico/" target="_blank">Acervos Digitais</a>
</pre>
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		<title>[Papo Cabeça] Eletrônicos duram 10 anos; livros, 5 séculos’ (Umberto Eco)</title>
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		<pubDate>Fri, 07 May 2010 17:33:08 +0000</pubDate>
		<dc:creator>PDL</dc:creator>
				<category><![CDATA[Informação e Cultura]]></category>
		<category><![CDATA[Papo Cabeça]]></category>
		<category><![CDATA[Cultura Digital]]></category>
		<category><![CDATA[Livro Digital]]></category>
		<category><![CDATA[Umberto Eco]]></category>

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										</div>Umberto Eco assina novo trabalho em parceria com o roteirista francês Jean-Claude Carrière. ‘Eletrônicos duram 10 anos; livros, 5 séculos’, diz Umberto Eco Ensaísta e escritor italiano fala em entrevista exclusiva de seu novo trabalho, ‘Não Contem com o Fim do Livro’ MILÃO – O bom humor parece ser a principal característica do semiólogo, ensaísta [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<div style="padding-top:5px;padding-right:0px;padding-bottom:5px;padding-left:0px;;">
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										</div><p style="text-align: center;">Umberto  Eco assina novo trabalho em parceria com o roteirista francês  Jean-Claude Carrière.</p>
<p style="text-align: center;"><a href="http://ebooksgratis.com.br/wp-content/uploads/2010/05/umberto_eco_wideweb__470x3140.jpg"><img class="size-full wp-image-6548 aligncenter" title="umberto_eco_wideweb__470x314,0" src="http://ebooksgratis.com.br/wp-content/uploads/2010/05/umberto_eco_wideweb__470x3140.jpg" alt="umberto eco wideweb  470x3140 [Papo Cabeça] Eletrônicos duram 10 anos; livros, 5 séculos’ (Umberto Eco)" width="470" height="314" /></a></p>
<p><strong>‘Eletrônicos duram 10 anos; livros, 5  séculos’, diz Umberto Eco</strong></p>
<p style="text-align: justify;">Ensaísta e escritor italiano fala em entrevista exclusiva de seu novo  trabalho, ‘Não Contem com o Fim do Livro’</p>
<p style="text-align: justify;"><strong>MILÃO </strong>– O bom humor parece ser a principal característica do semiólogo,  ensaísta e escritor italiano Umberto Eco. Se não, é a mais evidente. Ao  pasmado visitante, boquiaberto diante de sua coleção de 30 mil volumes  guardados em seu escritório/residência em Milão, ele tem duas respostas  prontas quando é indagado se leu toda aquela vastidão de papel. “Não.  Esses livros são apenas os que devo ler na semana que vem. Os que já li  estão na universidade” – é a sua preferida. “Não li nenhum”, começa a  segunda. “Se não, por que os guardaria?”</p>
<p style="text-align: justify;">Na  verdade, a coleção é maior, beira os 50 mil volumes, pois os demais  estão em outra casa, no interior da Itália. E é justamente tal paixão  pela obra em papel que convenceu Eco a aceitar o convite de um colega  francês, Jean-Phillippe de Tonac, para, ao lado de outro incorrigível  bibliófilo, o escritor e roteirista Jean-Claude Carrière, discutir a  perenidade do livro tradicional. Foram esses encontros (“muito  informais, à beira da piscina e regados com bons uísques”, informa  Umberto Eco) que resultaram em Não Contem Com o Fim do Livro, que a  editora Record lança na segunda quinzena de abril.</p>
<p style="text-align: justify;">A  conclusão é óbvia: tal qual a roda, o livro é uma invenção consolidada, a  ponto de as revoluções tecnológicas, anunciadas ou temidas, não terem  como detê-lo. Qualquer dúvida é sanada ao se visitar o recanto milanês  de Eco, como fez o Estado na última quarta-feira. Localizado diante do  Castelo Sforzesco, o apartamento – naquele dia soprado por temperaturas  baixíssimas, a neve pesada insistindo em embranquecer a formidável  paisagem que se avista de sua sacada – encontra-se em um andar onde  antes fora um pequeno hotel. “Se eram pouco funcionais para os hóspedes,  os longos corredores são ótimos para mim pois estendo aí minhas  estantes”, comenta o escritor, com indisfarçável prazer, ao apontar uma  linha reta de prateleiras repletas que não parecem ter fim. Os antigos  quartos? Transformaram-se em escritórios, dormitórios, sala de jantar,  etc. O mais desejado, no entanto, é fechado a chave, climatizado e com  uma janela que veda a luz solar: lá estão as raridades, obras produzidas  há séculos, verdadeiros tesouros. Isso mesmo: tesouros de papel.</p>
<p style="text-align: justify;">Conhecido  tanto pela obra acadêmica (é professor aposentado de semiótica, mas  ainda permanece na ativa na Faculdade de Bolonha) como pelos romances (O  Nome da Rosa, publicado em 1980, tornou-se um best-seller mundial), Eco  é um colecionador nato; além de livros, gosta também de selos,  cartões-postais, rolhas de champanhe. Na sala de seu apartamento,  estantes de vidro expõem tantos os livros raros – que, no momento,  lideram sua preferência – como conchas, pedras, pedaços de madeira. As  paredes expõem quadros que Eco arrematou nas visitas que fez a vários  países ou que simplesmente ganhou de amigos – caso de Mário Schenberg  (1914-1990), físico, político e crítico de arte brasileiro, de quem o  escritor guarda as melhores recordações.</p>
<p style="text-align: justify;">Aos  78 anos, Eco – que tem relançado no País Arte e Beleza na Estética  Medieval (Record, 368 págs., R$ 47,90, tradução de Mario Sabino) – exibe  uma impressionante vitalidade. Diverte-se com todo tipo de cinema (ao  lado de seu aparelho de DVD repousa uma cópia da animação Ratatouille),  mantém contato com seus alunos em Bolonha, escreve artigos para jornais e  revistas e aceita convites para organizar exposições, como a que o  transformou, no ano passado, em curador, no Museu do Louvre, em Paris.  Lá, o autor teve o privilégio de passear sozinho pelos corredores do  antigo palácio real francês nos dias em que o museu está fechado. E,  como um moleque levado, aproveitou para alisar o bumbum da Vênus de  Milo. Foi com esse mesmo espírito bem-humorado que Eco – envergando um  elegante terno azul-marinho, que uma revolta gravata da mesma cor  tratava de desalinhar; o rosto sem a característica barba grisalha  (raspada religiosamente a cada 20 anos e, da última vez, em 2009, também  porque o resistente bigode preto o fazia parecer Gengis Khan nas fotos)  – conversou com a reportagem do Sabático.</p>
<p style="text-align: justify;"><strong>O livro não está condenado, como apregoam os adoradores das novas  tecnologias?</strong></p>
<p style="text-align: justify;">O  desaparecimento do livro é uma obsessão de jornalistas, que me perguntam  isso há 15 anos. Mesmo eu tendo escrito um artigo sobre o tema,  continua o questionamento. O livro, para mim, é como uma colher, um  machado, uma tesoura, esse tipo de objeto que, uma vez inventado, não  muda jamais. Continua o mesmo e é difícil de ser substituído. O livro  ainda é o meio mais fácil de transportar informação. Os eletrônicos  chegaram, mas percebemos que sua vida útil não passa de dez anos.  Afinal, ciência significa fazer novas experiências. Assim, quem poderia  afirmar, anos atrás, que não teríamos hoje computadores capazes de ler  os antigos disquetes? E que, ao contrário, temos livros que sobrevivem  há mais de cinco séculos? Conversei recentemente com o diretor da  Biblioteca Nacional de Paris, que me disse ter escaneado praticamente  todo o seu acervo, mas manteve o original em papel, como medida de  segurança.</p>
<p style="text-align: justify;"><strong>Qual a diferença entre o conteúdo disponível na internet e o de uma  enorme biblioteca?</strong></p>
<p style="text-align: justify;">A  diferença básica é que uma biblioteca é como a memória humana, cuja  função não é apenas a de conservar, mas também a de filtrar – muito  embora Jorge Luis Borges, em seu livro Ficções, tenha criado um  personagem, Funes, cuja capacidade de memória era infinita. Já a  internet é como esse personagem do escritor argentino, incapaz de  selecionar o que interessa – é possível encontrar lá tanto a Bíblia como  Mein Kampf, de Hitler. Esse é o problema básico da internet: depende da  capacidade de quem a consulta. Sou capaz de distinguir os sites  confiáveis de filosofia, mas não os de física. Imagine então um  estudante fazendo uma pesquisa sobre a 2.ª Guerra Mundial: será ele  capaz de escolher o site correto? É trágico, um problema para o futuro,  pois não existe ainda uma ciência para resolver isso. Depende apenas da  vivência pessoal. Esse será o problema crucial da educação nos próximos  anos.</p>
<p style="text-align: justify;"><strong>Não é possível prever o futuro da internet?</strong></p>
<p style="text-align: justify;">Não  para mim. Quando comecei a usá-la, nos anos 1980, eu era obrigado a  colocar disquetes, rodar programas. Hoje, basta apertar um botão. Eu não  imaginava isso naquela época. Talvez, no futuro, o homem não precise  escrever no computador, apenas falar e seu comando de voz será  reconhecido. Ou seja, trocará o teclado pela voz. Mas realmente não sei.</p>
<p><span id="more-6549"></span></p>
<p style="text-align: justify;"><strong>Como a crescente velocidade de processar dados de um computador  poderá influenciar a forma como absorvemos informação?</strong></p>
<p style="text-align: justify;">O  cérebro humano é adaptável às necessidades. Eu me sinto bem em um carro  em alta velocidade, mas meu avô ficava apavorado. Já meu neto consegue  informações com mais facilidade no computador do que eu. Não podemos  prever até que ponto nosso cérebro terá capacidade para entender e  absorver novas informações. Até porque uma evolução física também é  necessária. Atualmente, poucos conseguem viajar longas distâncias – de  Paris a Nova York, por exemplo – sem sentir o desconforto do jet lag.  Mas quem sabe meu neto não poderá fazer esse trajeto no futuro em meia  hora e se sentir bem?</p>
<p style="text-align: justify;"><strong>É possível existir contracultura na internet?</strong></p>
<p style="text-align: justify;">Sim,  com certeza, e ela pode se manifestar tanto de forma revolucionária como  conservadora. Veja o que acontece na China, onde a internet é um meio  pelo qual é possível se manifestar e reagir contra a censura política.  Enquanto aqui as pessoas gastam horas batendo papo, na China é a única  forma de se manter contato com o restante do mundo.</p>
<p style="text-align: justify;"><strong>Em um determinado trecho de ‘Não Contem Com o Fim do Livro’, o  senhor e Jean-Claude Carrière discutem a função e preservação da memória  – que, como se fosse um músculo, precisa ser exercitada para não  atrofiar.</strong></p>
<p style="text-align: justify;">De  fato, é importantíssimo esse tipo de exercício, pois estamos perdendo a  memória histórica. Minha geração sabia tudo sobre o passado. Eu posso  detalhar sobre o que se passava na Itália 20 anos antes do meu  nascimento. Se você perguntar hoje para um aluno, ele certamente não  saberá nada sobre como era o país duas décadas antes de seu nascimento,  pois basta dar um clique no computador para obter essa informação.  Lembro que, na escola, eu era obrigado a decorar dez versos por dia.  Naquele tempo, eu achava uma inutilidade, mas hoje reconheço sua  importância. A cultura alfabética cedeu espaço para as fontes visuais,  para os computadores que exigem leitura em alta velocidade. Assim, ao  mesmo tempo que aprimora uma habilidade, a evolução põe em risco outra,  como a memória. Lembro-me de uma maravilhosa história de ficção  científica escrita por Isaac Asimov, nos anos 1950. É sobre uma  civilização do futuro em que as máquinas fazem tudo, inclusive as mais  simples contas de multiplicar. De repente, o mundo entra em guerra,  acontece um tremendo blecaute e nenhuma máquina funciona mais.  Instala-se o caos até que se descobre um homem do Tennessee que ainda  sabe fazer contas de cabeça. Mas, em vez de representar uma salvação,  ele se torna uma arma poderosa e é disputado por todos os governos – até  ser capturado pelo Pentágono por causa do perigo que representa  (risos). Não é maravilhoso?</p>
<p style="text-align: justify;"><strong>No livro, o senhor e Carrière comentam sobre como a falta de  leitura de alguns líderes influenciou suas errôneas decisões.</strong></p>
<p style="text-align: justify;">Sim,  escrevi muito sobre informação cultural, algo que vem marcando a atual  cultura americana que parece questionar a validade de se conhecer o  passado. Veja um exemplo: se você ler a história sobre as guerras da  Rússia contra o Afeganistão no século 19, vai descobrir que já era  difícil combater uma civilização que conhece todos os segredos de se  esconder nas montanhas. Bem, o presidente George Bush, o pai,  provavelmente não leu nenhuma obra dessa natureza antes de iniciar a  guerra nos anos 1990. Da mesma forma que Hitler devia desconhecer os  relatos de Napoleão sobre a impossibilidade de se viajar para Moscou por  terra, vindo da Europa Ocidental, antes da chegada do inverno. Por  outro lado, o também presidente americano Roosevelt, durante a 2.ª  Guerra, encomendou um detalhado estudo sobre o comportamento dos  japoneses para Ruth Benedict, que escreveu um brilhante livro de  antropologia cultural, O Crisântemo e a Espada. De uma certa forma, esse  livro ajudou os americanos a evitar erros imperdoáveis de conduta com  os japoneses, antes e depois da guerra. Conhecer o passado é importante  para traçar o futuro.</p>
<p style="text-align: justify;"><strong>Diversos historiadores apontam os ataques terroristas contra os  americanos em 11 de setembro de 2001 como definidores de um novo curso  para a humanidade. O senhor pensa da mesma forma?</strong></p>
<p style="text-align: justify;">Foi  algo realmente modificador. Na primeira guerra americana contra o  Iraque, sob o governo de Bush pai, havia um confronto direto: a imprensa  estava lá e presenciava os combates, as perdas humanas, as conquistas  de território. Depois, em setembro de 2001, se percebeu que a guerra  perdera a essência de confronto humano direto – o inimigo  transformara-se no terrorismo, que podia se personificar em uma nação ou  mesmo nos vizinhos do apartamento ao lado. Deixou de ser uma guerra  travada por soldados e passou para as mãos dos agentes secretos. Ao  mesmo tempo, a guerra globalizou-se; todos podem acompanhá-la pela  televisão, pela internet. Há discussões generalizadas sobre o assunto.</p>
<p style="text-align: justify;"><strong>Falando agora sobre sua biblioteca, é verdade que ela conta com 50  mil volumes?</strong></p>
<p style="text-align: justify;">Sim,  de uma forma geral. Nesse apartamento em Milão, estão apenas 30 mil – o  restante está no interior da Itália, onde tenho outra casa. Mas sempre  me desfaço de algumas centenas, pois, como disse antes, é preciso fazer  uma filtragem.</p>
<p style="text-align: justify;"><strong>Por que o senhor impediu sua secretária de catalogá-los?</strong></p>
<p style="text-align: justify;">Porque  a forma como você organiza seus livros depende da sua necessidade  atual. Tenho um amigo que mantém os seus em ordem alfabética de autores,  o que é absolutamente estúpido, pois a obra de um historiador francês  vai estar em uma estante e a de outro em um lugar diferente. Eu tenho  aqui literatura contemporânea separada por ordem alfabética de países.  Já a não contemporânea está dividida por séculos e pelo tipo de arte.  Mas, às vezes, um determinado livro pode tanto ser considerado por mim  como filosófico ou de estética da arte; depende do motivo da minha  pesquisa. Assim, reorganizo minha biblioteca segundo meus critérios e  somente eu, e não uma secretária, pode fazer isso. Claro que, com um  acervo desse tamanho, não é fácil saber onde está cada livro. Meu método  facilita, eu tenho boa memória, mas, se algum idiota da família retira  alguma obra de um lugar e a coloca em outro, esse livro está perdido  para sempre. É melhor comprar outro exemplar (risos).</p>
<p style="text-align: justify;"><strong>Um estudioso que também é seu amigo, Marshall Blonsky, escreveu  certa vez que existe de um lado Umberto, o famoso romancista, e de outro  Eco, professor de semiótica.</strong></p>
<p style="text-align: justify;">E  ambos sou eu (risos). Quando escrevo romances, procuro não pensar em  minhas pesquisas acadêmicas – por isso, tiro férias. Mesmo assim,  leitores e críticos traçam diversas conexões, o que não discuto. Lembro  de que, quando escrevia O Pêndulo de Foucault, fiz diversas pesquisas  sobre ciência oculta até que, em um determinado momento, elas atingiram  tal envergadura que temi uma teorização exagerada no romance. Então,  transformei todo o material em um curso sobre ciência oculta, o que foi  muito bem-feito.</p>
<p style="text-align: justify;"><strong>Por falar em ‘O Pêndulo de Foucault’, comenta-se que o senhor  antecipou em muito tempo O Código de Da Vinci, de Dan Brown.</strong></p>
<p style="text-align: justify;">Quem  leu meu livro sabe que é verdade. Mas, enquanto são os meus personagens  que levam a sério esse ocultismo barato, Dan Brown é quem leva isso a  sério e tenta convencer os leitores de que realmente é um assunto a ser  considerado. Ou seja, fez uma bela maquiagem. Fomos apresentados neste  ano em uma première do Teatro Scala e ele assim se apresentou: “O senhor  não me admira, mas eu gosto de seus livros.” Respondi: Não é que eu não  goste de você – afinal, eu criei você (risos).</p>
<p style="text-align: justify;"><strong>Em seu mais conhecido romance, O Nome da Rosa, há um momento em que  se discute se Jesus chegou a sorrir. É possível pensar em senso de  humor quando se trata de Deus?</strong></p>
<p style="text-align: justify;">De  acordo com Baudelaire, é o Diabo quem tem mais senso de humor (risos).  E, se Deus realmente é bem-humorado, é possível entender por que certos  homens poderosos agem de determinada maneira. E se ainda a vida é como  uma história contada por um idiota, cheia de som e fúria, como  Shakespeare apregoa em Macbeth, é preciso ainda mais senso de humor para  entender a trajetória da humanidade.</p>
<p style="text-align: justify;"><strong>Como foi a exposição no Museu do Louvre, em Paris, da qual o senhor  foi curador, no ano passado?</strong></p>
<p style="text-align: justify;">Há  quatro anos, o museu reserva um mês para um convidado (Toni Morrison foi  escolhida certa vez) organizar o que bem entender. Então, me convidaram  e eu respondi que queria fazer algo sobre listas. “Por quê?”,  perguntaram. Ora, sempre usei muitas listas em meus romances – até  pensei em escrever um ensaio sobre esse hábito. Bem, quando se fala em  listas na cultura, normalmente se pensa em literatura. Mas, como se  trata de um museu, decidi elaborar uma lista visual e musical, essa  sugerida pela direção do Louvre. Assim, tive o privilégio (que não foi  oferecido a Dan Brown) de visitar o museu vazio, às terças-feiras,  quando está fechado. E pude tocar a bunda da Vênus de Milo (risos) e  admirar a Mona Lisa a apenas 20 centímetros de distância.</p>
<p style="text-align: justify;"><strong>O senhor esteve duas vezes no Brasil, em 1966 e 1979. Que  recordações guarda dessas visitas?</strong></p>
<p style="text-align: justify;">Muitas.  A primeira, em São Paulo, onde dei algumas aulas na Faculdade de  Arquitetura (da USP), que originaram o livro A Estrutura Ausente. Já na  segunda fui acompanhado da família e viajamos de Manaus a Curitiba. Foi  maravilhoso. Lembro-me de meu editor na época pedindo para eu ficar para  o carnaval e assistir ao desfile das escolas de samba de camarote, o  que não pude atender. E também me recordo de imagens fortes, como a da  moça que cai em transe em um terreiro (para o qual fui levado por Mario  Schenberg) e que reproduzo em O Pêndulo de Foucault.</p>
<p style="text-align: right;"><em><strong>Ubiratan Brasil</strong>, para o Caderno 2 do Estadão. Extraído de <a href="http://digitalmanuscripts.wordpress.com/2010/03/13/nao-contem-com-o-fim-do-livro/" target="_blank">DigitalManuscripts</a></em></p>
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		<title>[Papo Cabeça] Copyright: a batalha</title>
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		<pubDate>Mon, 03 May 2010 22:15:33 +0000</pubDate>
		<dc:creator>PDL</dc:creator>
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<p style="text-align: justify;">“Em todo lugar a que vou, tenho que debater com o Ecad. Não tem  ninguém do Ecad aqui?”, provocou Marcos Souza, coordenador-geral de  direitos autorais do Ministério da Cultura (MinC), no Simpósio  Internacional de Políticas Públicas para Acervos Digitais. Ali, por  acaso, não tinha. O evento, que aconteceu semana passada em São Paulo,  reuniu especialistas de vários países para discutir a digitalização de  acervos. E quase todos concordaram em uma questão: os direitos autorais  são um dos maiores impedimentos para digitalizar acervos, mesmo que seja  só para fins de preservação.</p>
<p style="text-align: justify;">São vários exemplos: quase 80% do acervo digitalizado pelo Google  Books não pode ser colocado na web por causa de direitos autorais. A  Brasiliana, biblioteca digital da USP, não pôde digitalizar obras raras  de Guimarães Rosa. A Cinemateca assiste sem ter o que fazer o tempo  destruir o original do filme A Hora e a Vez de Augusto Matraga (1965),  de Leonardo Villar, porque os herdeiros estão brigando por quanto vão  cobrar pela digitalização da obra. E, só para dar mais um exemplo:  Marcos Souza contou que foi alertado por uma entidade de proteção aos  direitos autorais que uma biblioteca não poderia emprestar livros porque  “isso fere os direitos autorais”.</p>
<p style="text-align: justify;">“Hoje, se uma biblioteca tem um livro que não caiu em domínio publico  que começa a ser estragado pela umidade, ela tem que deixar estragar”,  diz o coordenador do MinC. A lei brasileira impede, por exemplo, a cópia  de um livro mesmo que ele esteja esgotado. Não há menção às novas  possibilidades da tecnologia – como a digitalização para restauração.</p>
<p style="text-align: justify;">Por que chegamos a esse ponto? “A lei é de 1998. Havia uma  perspectiva de que o direito autoral era só no âmbito privado. A lei  ficou mais de 11 anos tramitando no Congresso e foi objeto de vários  interesses específicos, e nenhum deles era o interesse público”, critica  Marcos Souza.</p>
<p style="text-align: justify;">O texto da reforma da lei de direitos autorais vem sendo discutido em  fóruns desde 2007. O projeto encabeçado pelo MinC prevê a criação de um  órgão nacional para fiscalizar as entidades arrecadadoras de direitos.  Cogitou-se a criação de um Instituto Nacional de Direito Autoral – mas  esse e outros pontos não são confirmados pelo MinC.</p>
<p style="text-align: justify;">Em entrevista ao Link, o coordenador falou sobre o campo minado  autoral. De um lado estão ativistas da internet, blogueiros, bibliotecas  digitais e artistas independentes; do outro, estão as associações de  proteção aos direitos autorais e alguns artistas, que criticam o MinC de  “estatização” de um direito privado e de não tê-los ouvido na  elaboração da reforma.</p>
<p style="text-align: justify;">A oposição culminou na criação do Comitê Nacional de Cultura e  Direitos Autorais, um movimento de “resistência” da classe artística  contra a reforma na lei. “O papel do Estado não é interferir numa gestão  que pertence claramente à sociedade civil”, disse ao Link Roberto  Mello, presidente da Abramus. “Nós temos uma lei nova. Não é que nós  sejamos contra tudo. Mas você não pode fazer isso sem consultar a classe  autoral brasileira”.</p>
<p style="text-align: justify;">O MinC classifica como “legítima” a mobilização de setores da  sociedade. Mas Souza alfineta: “nesse caso específico são setores que  tinham se recusado a participar mais efetivamente do debate. Quando  participavam, em vez de apresentar propostas, atacavam quem falava  qualquer coisa que não fosse aquilo com que eles concordavam”.</p>
<p style="text-align: justify;">Souza diz que o País é um dos únicos no mundo onde não há uma  entidade pública que fiscalize o que chama de monopólio do Ecad na  arrecadação dos direitos. E isso, afirma, pode render problemas  diplomáticos. O País é signatário do Trips (Acordo sobre Aspectos dos  Direitos de Propriedade Intelectual Relacionados ao Comércio) e,  portanto, se o Ecad não recolhe os direitos sobre uma música  internacional tocada no rádio, o Brasil está sujeito a retaliação. Já  houve um caso: “Nós ingenuamente argumentamos ‘mas o Brasil não  supervisiona…’, e responderam ‘o problema é de vocês, que são  signatários do Trips”. “É uma preocupação que o Estado tem que ter, e  todos têm menos o Brasil. Ficamos vulneráveis”, diz.</p>
<p style="text-align: justify;">O coordenador diz que, por enquanto, acordos como o Acta não afetarão  o Brasil. “Não somos parte da negociação e não pretendemos aderir”.  Mas, no futuro, o acordo que endurece a batalha antipirataria no mundo  pode preocupar: “Podem tentar empurrar o Acta como instrumento de  pressão para qualquer coisa. Isso é preocupante”. Por enquanto, porém, é  melhor voltar a atenção ao próprio umbigo. O texto da reforma da lei  seria apresentado no final de 2009, mas o lançamento foi adiado. Hoje,  Souza diz que prefere não divulgar datas para evitar novos adiamentos.  Mas que vai sair, isso vai.</p>
<p style="text-align: justify;"><strong>O que pode mudar</strong></p>
<p style="text-align: justify;"><strong>Uso privado</strong><br />
O usuário poderá fazer cópia das obras para uso privado e também para  interoperabilidade (por exemplo, copiar uma música do CD para o MP3).</p>
<p style="text-align: justify;"><strong>Remix</strong><br />
Pequenos trechos poderão ser usados sem a necessidade de autorização nem  pagamento.</p>
<p style="text-align: justify;"><strong>Exceções</strong><br />
A lei permite a cópia sem autorização se a obra estiver esgotada, para  conservação e pesquisa (por museus e bibliotecas), para fins de difusão  cultural sem lucro (como cineclubes) e para garantir a acessibilidade.</p>
<p style="text-align: justify;"><strong>Licença</strong><br />
O Estado poderá licenciar obras consideradas de interesse público. O  mecanismo será aplicado para obras órfãs (aquelas em que não é possível  localizar o autor), esgotadas ou para aquelas em que os titulares  colocam obstáculos ao licenciamento</p>
<p style="text-align: justify;"><strong>Papel do Estado</strong><br />
Será criado um órgão estatal para área. Segundo o MinC, a ideia não  arrecadar direitos, mas regular a atuação do Ecad (que hoje tem  monopólio sobre a arrecadação de direitos). A criação de um instituto  não foi confirmada.</p>
<p style="text-align: justify;"><strong>“Não vamos amarelar a essa altura”, diz ministro da Cultura</strong></p>
<p style="text-align: justify;">O Ministro da Cultura, Juca Ferreira, garantiu: a reforma da lei dos  Direitos Autorais vai sair. E rápido. Convidado para fechar o Simpósio  Internacionais para Políticas Públicas para Acervos Digitais, Ferreira  recebeu da mão de várias entidades uma carta aberta cobrando a rápida  aprovação da reforma da lei. “É uma questão de honra para esse mandato  que essa proposta seja encaminhada urgentemente para consulta pública e  ao Congresso”, diz o documento.</p>
<p style="text-align: justify;">Ferreira disse que atenderá ao chamado. Afirmou que o ministério não  “vai amarelar” e que ele mesmo, hoje, “está ilegal” por ter músicas em  um iPod.</p>
<p style="text-align: justify;">O Brasil tem uma das piores leis de autorais do mundo, segundo a ONG  Consumers International. “Uma grande proteção intelectual não leva ao  desenvolvimento”, disse o australiano Jeremy Malcolm, representante da  ONG no Simpósio, mostrando um ranking dos países com os melhores índices  de proteção ao consumidor. “Os mais bem colocados são os que têm a  legislação mais flexível”, explica.</p>
<p style="text-align: justify;">Os direitos autorais foram tema das principais discussões no  Simpósio. Para Pedro Puntoni, coordenador da biblioteca digital da USP,  os direitos autorais hoje são o “gargalo” na digitalização de acervos.  “Esse é um problema que complica o direito maior: a obrigação do Estado  de preservar e garantir o acesso do cidadão à cultura”, diz.</p>
<p style="text-align: justify;">“O acervo digital não pode ter o mesmo tratamento do acervo  analógico”, sintetizou Marcos Wachowicz, professor de direito da UFSC. O  problema é conceitual: no meio digital há a cópia perfeita. Não é  possível encontrar o original. “Por isso o conceito de cópia deve ser  revisto”, explica. “Toda a população vira contraventora. A legislação  brasileira ainda não percebeu o ambiente digital”.</p>
<p style="text-align: justify;">Fonte: <a href="http://blogs.estadao.com.br/link/copyright-a-batalha/" target="_blank">Blog do Link</a></p>
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		<title>[Papo Cabeça] Temos a oportunidade histórica de devolver ao direito autoral sua atribuição original</title>
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		<pubDate>Thu, 29 Apr 2010 01:26:39 +0000</pubDate>
		<dc:creator>PDL</dc:creator>
				<category><![CDATA[Informação e Cultura]]></category>
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		<category><![CDATA[Direito autoral]]></category>
		<category><![CDATA[direitos autorais]]></category>
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		<category><![CDATA[Mercado Editorial]]></category>

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<p style="text-align: justify;">De tão precisa e cartesiana, a teoria defendida pelo historiador <strong><a href="http://culturadigital.br/members/pablo/" target="_blank">Pablo Ortellado</a></strong> (<a href="http://www.gpopai.usp.br/wiki/index.php/P%C3%A1gina_principal" target="_blank">Gpopai-USP</a>)  causa estranhamento. Durante o <a href="http://culturadigital.br/simposioacervosdigitais/" target="_blank">Simpósio  Internacional de Políticas Públicas para Acervos Digitais</a>, ele  procura provar com números e relações/deduções inteligentes que o <strong>direito  autoral não faria sentido no contexto da produção/consumo de livros no  Brasil</strong>.</p>
<p style="text-align: justify;">É simples de entender, na verdade. Para Ortellado, a “missão pública”  do direito autoral foi subordinada aos interesses econômicos. “Com a  tecnologia e a internet, temos a oportunidade histórica de colocar o  direito autoral no seu lugar original, de promover a criação e o  reembolso justo dos criadores”, diz.</p>
<p style="text-align: justify;"><strong>Acompanhe a argumentação:</strong></p>
<p style="text-align: justify;">- 70% do mercado de livros no Brasil é educacional (livros didáticos  ou técnico-cientificos), visto que o país tem baixa taxa de leitura e  alta taxa de analfabetismo. Por isso, a leitura se concentra em locais  compulsórios, como escolas e universidades.</p>
<p style="text-align: justify;">- Mas 85% dos estudantes comprometeriam <em>toda</em> a renda  familiar se fossem adquirir os livros requeridos na bibliografia básica  dos cursos por um ano.</p>
<p style="text-align: justify;">- 30% da bibliografia utilizada nos cursos são livros esgotados no  mercado. Portanto, os estudantes ou não têm o livro porque ele não está  no mercado ou porque é caro.</p>
<p style="text-align: justify;">- Nos últimos 10 anos, o número de vagas no ensino superior  brasileiro aumentou 238%, mas a produção e venda de livros  técnico-científicos ficou estagnada. Tradução: mais gente está na  faculdade, depois de políticas de incentivo como o <a href="http://siteprouni.mec.gov.br/">ProUni</a>, mas os novos estudantes  não podem comprar livros.</p>
<p style="text-align: justify;"><strong>A presença do Estado neste setor é bastante significativa:</strong></p>
<p style="text-align: justify;">1 – paga salários a cientistas e financia a pesquisa<br />
2 – dá imunidade tributária e incentivos a empresas editoras<br />
3 – mantém editoras públicas, com recursos que seriam das universidades<br />
4 – compra 30% do mercado editorial para distribuir os livros na rede  pública de ensino</p>
<p style="text-align: justify;"><strong>Sobre cada um dos pontos:</strong></p>
<p style="text-align: justify;">1- de 26% a 86% dos autores de livros estavam trabalhando em setor  público com dedicação integral quando escreveram o livro. O livro foi um  subproduto desses funcionários públicos, que faziam isso em horas  vagas. Além disso, 92% do financiamento da pesquisa acadêmica no país  tem origem em fundos públicos (agências de fomento à pesquisa  científica). Conclusão: quase todos os conteúdos são fruto de  investimento público direto.</p>
<p style="text-align: justify;">2- A isenção do setor livreiro de impostos faz com que deixe de se  arrecadar mais de R$ 1 bilhão, algo equivalente ao orçamento de todo o  Ministério da Cultura.</p>
<p style="text-align: justify;">3- As editoras públicas não têm um modelo de gestão em que algum  lucro é previsto, para reinvestimento, como no caso da Petrobras. É tudo  integralmente subsidiado pelo governo nesse cenário.</p>
<p style="text-align: justify;">- Por isso, a conclusão: se há financiamento público maciço em toda a  cadeia, por que falar em direito autoral? “É um salário duplo”, afirma.</p>
<p style="text-align: justify;">- Ainda mais pensando que a produção anual média no melhor  departamento de sociologia do país (escolhido de propósito como modelo) é  de apenas um livro completo publicado, fora alguas coletâneas de  artigos. Média: dois capítulos por professor por ano. Salário do  professor universitario: R$ 9.500 em média. Direito autoral sobre as  obras produzidas: R$ 100. “É absolutamente irrelevante. Isso porque  geralmente o professor nem recebe o direito autoral,,  prefere receber  em livros.”</p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #ff0000;">- Se é um setor altamente subsidiado pelos governos, como dizer que  há prejuizo ao setor de livros com pirataria e xerox? A Associação Brasileira de Direitos  Reprográficos (ABDR) divulga que 2 bilhões de cópias não autorizadas  são feitas no Brasil por ano, o que gera R$ 400 milhões de prejuizo e  R$ 60 milhões de impostos não arrecadados ao governo. “Mas essa  pesquisa, se sequer foi feita, nunca é apresentada, divulgada de forma  aberta, não se sabe a metodologia”, diz Ortellado.</span></p>
<p style="text-align: justify;">“Um setor com tanto subsídio precisa dar um retorno à sociedade.  Precisa levar à sociedade o retorno e o interesse público da ciência,  que está hoje subjugado ao interesse econômico dos direitos autorais”, é  a conclusão do professor Pablo Ortellado. Ele faz a afirmação final e é  aplaudido.</p>
<p style="text-align: right;">Por Lucas Pretti</p>
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