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	<title>Blog E-books Grátis - Tudo sobre literatura, download de livros grátis, revistas, quadrinhos e muito mais!&#187; Papo Cabeça</title>
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		<title>[Dicas] Editora distribui e-books grátis de seus livros esgotados</title>
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		<pubDate>Tue, 27 Jul 2010 13:28:01 +0000</pubDate>
		<dc:creator>PDL</dc:creator>
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A reforma da lei de direitos autorais tem como objetivo melhorar algumas deficiências de nossa legislação. Uma das mais graves é o que acontece nos casos em que uma obra se esgota, e por algum motivo a editora já não tem mais interesse de reeditá-la. Nesses casos, ficamos reféns da disponibilidade em sebos e bibliotecas, [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p style="text-align: justify;"><img src="http://www.autenticaeditora.com.br/img/layout/new-home-autentica.jpg" alt="new home autentica [Dicas] Editora distribui e books grátis de seus livros esgotados" width="500" title="[Dicas] Editora distribui e books grátis de seus livros esgotados" /></p>
<p style="text-align: justify;">A reforma da lei de direitos autorais tem como objetivo melhorar algumas deficiências de nossa legislação. Uma das mais graves é o que acontece nos casos em que uma obra se esgota, e por algum motivo a editora já não tem mais interesse de reeditá-la. Nesses casos, ficamos reféns da disponibilidade em sebos e bibliotecas, e não é raro que um livro importante simplesmente desapareça sem que se possa fazer nada a respeito.</p>
<p style="text-align: justify;">Uma solução para esse problema são os livros digitais. Eles já estão entre nós há um bom tempo, mas só recentemente as empresas despertaram para as possibilidades desse negócio. Pouca gente ainda duvida que dá para ganhar dinheiro lançando versões digitais de livros esgotados. Por isso foi com agradável surpresa que encontramos no site da Editora Moderna uma boa quantidade de livros esgotados de seu acervo sendo distribuídos gratuitamente. São obras de interesse acadêmico, que ainda podem ajudar muita gente, mas que estavam inacessíveis até agora.</p>
<p style="text-align: justify;">Vamos torcer para que o acervo disponível aumente, e que a iniciativa seja imitada por outras empresas. Em um setor que recebe tantos incentivos fiscais, e que tem no governo um de seus principais clientes, é bom ver atitudes que devolvam um pouco mais à sociedade.</p>
<p style="text-align: justify;"><a href="http://www.autenticaeditora.com.br/livros_digitais" target="_blank">Visite o site da editora e confira</a></p>
<p style="text-align: justify;"><img src="http://www.autenticaeditora.com.br/img/fotos_livros/nunca_fomos-z.jpg" alt="nunca fomos z [Dicas] Editora distribui e books grátis de seus livros esgotados" width="240" height="399" title="[Dicas] Editora distribui e books grátis de seus livros esgotados" /> <img src="http://www.autenticaeditora.com.br/img/fotos_livros/palavra_inquieta-z.jpg" alt="palavra inquieta z [Dicas] Editora distribui e books grátis de seus livros esgotados" width="239" height="400" title="[Dicas] Editora distribui e books grátis de seus livros esgotados" /></p>
<p style="text-align: justify;"><strong>Obras já disponíveis:</strong></p>
<p>Cartografias dos estudos culturais &#8211; Uma versão latino-americana &#8211; Ana Carolina D. Escosteguy</p>
<p>Corpo, identidade e bom-mocismo &#8211; Cotidiano de uma adolescência bem-comportada &#8211; Alex Branco Fraga</p>
<p>Os Deuses e os monstros &#8211; Euclídes Guimarães (Orgs.)</p>
<p>Currículo e políticas públicas &#8211; Luiz Alberto Oliveira Gonçalves</p>
<p>O Livro e ausência de livro em Tutaméia, de Guimarães Rosa -  Daisy Turrer</p>
<p>Nunca fomos humanos &#8211; Nos rastros do sujeito -  Tomaz Tadeu (Org.)</p>
<p>Palavra inquieta, A &#8211; Homenagem a Octávio Paz &#8211; Maria Esther Maciel (Orgs.)</p>
<p>Pedagogia dos monstros &#8211; Os prazeres e os perigos da confusão de fronteiras &#8211; José Gil , Ian Hunter , Jeffrey Jerome Cohen</p>
<p>Psicanálise e psiquiatria com crianças &#8211; Desenvolvimento ou estrutura &#8211; Oscar Cirino</p>
<p>Psicossociologia &#8211; Análise social e intervenção &#8211; Marília Novais da Mata Machado , Eliana de Moura Castro , José Newton Garcia Araújo , Sonia Roedel</p>
<p>Raízes da modernidade em Minas Gerais &#8211; João Antonio de Paula</p>
<p>Os Sete pecados capitais &#8211; Euclídes Guimarães (Orgs.)</p>
<p>Teoria cultural e educação &#8211; Um vocabulário crítico -  Tomaz Tadeu</p>
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		<title>[Papo Cabeça] Carta pela Inovação, Criatividade e Acesso ao Conhecimento</title>
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		<pubDate>Fri, 09 Jul 2010 15:03:26 +0000</pubDate>
		<dc:creator>PDL</dc:creator>
				<category><![CDATA[Informação e Cultura]]></category>
		<category><![CDATA[Papo Cabeça]]></category>
		<category><![CDATA[Creative Commons]]></category>
		<category><![CDATA[Cultura Digital]]></category>
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		<description><![CDATA[Nós, uma ampla aliança formada por 20 países, centenas de milhares de cidadãos, usuários, consumidores, organizações, artistas, hackers, membros do movimento da cultura livre, economistas, advogados, professores, estudantes, pesquisadores, cientistas, ativistas, trabalhadores, desempregados, empresários, criativos&#8230;
nós convidamos todos os cidadãos para divulgar esta Carta, compartilhar o conteúdo e praticar o que aqui propomos.
Nós convidamos todos os [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p style="text-align: justify;">Nós, uma ampla aliança formada por 20 países, centenas de milhares de cidadãos, usuários, consumidores, organizações, artistas, hackers, membros do movimento da cultura livre, economistas, advogados, professores, estudantes, pesquisadores, cientistas, ativistas, trabalhadores, desempregados, empresários, criativos&#8230;</p>
<p style="text-align: justify;">nós convidamos todos os cidadãos para divulgar esta Carta, compartilhar o conteúdo e praticar o que aqui propomos.</p>
<p style="text-align: justify;">Nós convidamos todos os governos, multinacionais e instituições a ouvirem urgentemente o que aqui dizemos – e que compreendam e executem nossa proposta.</p>
<p><object classid="clsid:d27cdb6e-ae6d-11cf-96b8-444553540000" width="500" height="305" codebase="http://download.macromedia.com/pub/shockwave/cabs/flash/swflash.cab#version=6,0,40,0"><param name="allowFullScreen" value="true" /><param name="allowscriptaccess" value="always" /><param name="src" value="http://www.youtube.com/v/2vGL6wasDRc&amp;hl=pt_BR&amp;fs=1&amp;color1=0x2b405b&amp;color2=0x6b8ab6" /><param name="allowfullscreen" value="true" /><embed type="application/x-shockwave-flash" width="500" height="305" src="http://www.youtube.com/v/2vGL6wasDRc&amp;hl=pt_BR&amp;fs=1&amp;color1=0x2b405b&amp;color2=0x6b8ab6" allowscriptaccess="always" allowfullscreen="true"></embed></object></p>
<h3><strong>1. </strong><strong>Introdução</strong></h3>
<p style="text-align: justify;">Nós estamos no meio de uma revolução dos modos de criação, acesso e transformação de conhecimento e cultura. Cidadãos, artistas e consumidores não se encontram mais impotentes e isolados perante os conteúdos fornecidos pelas indústrias: agora as pessoas, nas mais diversas esferas, colaboram, participam e decidem. A tecnologia digital é a ponte que permite que idéias e conhecimentos se espalhem. Ela desfez inúmeras barreiras geográficas e tecnológicas que impediam que idéias fossem compartilhadas.  Elas proporcionaram e proporcionam novas ferramentas educacionais e estimulam possibilidades de novas formas de organização social econômica e política. Essa revolução se assemelha às inúmeras mudanças alcançadas a partir do surgimento da imprensa.</p>
<p style="text-align: justify;">Apesar dessas transformações, a indústria de entretenimento, muitos serviços de comunicação, governos e organismos internacionais ainda baseiam a fonte de suas vantagens e lucros no controle do conteúdo e das ferramentas e na gestão por parte de poucos. Isso leva a restrições nos direitos dos cidadãos à educação, ao acesso a informação, cultura, ciência e tecnologia; liberdade de expressão; inviolabilidade das comunicações e privacidade. Eles colocam a proteção de interesses privados acima dos interesses públicos, buscando impedir o desenvolvimento da sociedade em geral, exatamente como a Inquisição fez quando buscou reagir ao nascimento e desenvolvimento da imprensa. Instituições, indústrias, estruturas ou convenções de hoje não sobreviverão futuramente a não ser que se adaptem a essas mudanças. Outras, no entanto, modificarão seus métodos e os tornarão mais refinados em resposta às novas realidades. E nós precisaremos dar conta dessas mudanças.</p>
<p><strong>Implicações políticas e econômicas da cultura livre</strong></p>
<p style="text-align: justify;">Cultura livre (referimo-nos aqui à liberdade, não à gratuidade) aumenta dramaticamente os espaços de engajamento cívico. Ela expande a faixa de pessoas e grupos capazes de contribuir com debates públicos. Trata-se, portanto, do fortalecimento da democracia em um tempo de crise, logo quando se clamam por formas mais potentes de democracia. Cultura livre é pré-condição para liberdade de expressão, liberdade essa que é pré-requisito fundamental para a democracia. Ela permite que se realize o potencial democrático das novas tecnologias, na medida em que reduz o isolamento. Cultura livre abre espaço para novas possibilidade de engajamento dos cidadãos na  produção de bens e serviços públicos. Isso se baseia em uma perspectiva dos “bens comuns” (“commons”). “Administração ou governança dos bens comuns” se refere à negociação de regras e limites para a gestão da produção coletiva, da administração e do acesso aos recursos compartilhados. A governança do dos bens comuns honra a participação, a inclusão, a transparência, a igualdade de acesso, e a sustentabilidade em longo prazo. Reconhecemos o espaço comum como uma forma distinta e desejável de governar. Ele não está necessariamente ligado ao Estado ou outras instituições políticas convencionais e demonstra que a sociedade civil é hoje uma força potente.</p>
<p style="text-align: justify;">Reconhecemos que essa nova economia social, para além do mercado privado, é uma importante fonte de valor. A nova reflexão sobre os ‘bens comuns’ (’Commons’), revitalizada pela tecnologia digital (entre outros fatores), alarga o espaço que constitui ‘a economia’. Neste momento da história, governos dão apoio considerável à economia de mercado privado; é urgente que seja dado à economia dos bens comuns o mesmo apoio extensivo que é oferecido ao mercado privado. Tudo o que esta nova perspectiva precisa para prosperar é uma economia com regras equilibradas para todos os modelos.</p>
<p style="text-align: justify;">A atual crise financeira demonstrou os limites estritos do fundamentalismo de mercado. As consequências sociais e econômicas devastadoras do colapso financeiro também demonstram que os mercados descontrolados, guiados apenas pela competição e pelo interesse individual, representam uma ameaça à civilização. A filosofia da Cultura Livre, uma herança dos movimentos pela livre circulação originados no software livre e aberto, é a prova empírica de que um novo tipo de ética e uma nova maneira de fazer negócios são possíveis. Estes movimentos criaram uma nova e viável forma de produção, com base em ofícios ou profissões, onde o autor-produtor não perde o controle do processo produtivo e não necessita da mediação dos grandes monopólios. Esta forma de produção se baseia na iniciativa autônoma em solidariedade com outros, em trocas configuradas de acordo com as habilidades e oportunidades de cada pessoa, na democratização do conhecimento, da educação e dos meios de produção, e em uma distribuição justa dos ganhos de acordo com o trabalho realizado.</p>
<p style="text-align: justify;">Declaramos nossa preocupação com o bem-estar dos artistas, pesquisadores, autores e produtores criativos. Nesta Carta, propomos uma série de possibilidades para a remuneração coletiva da criação e da inovação. O software livre e aberto, a Wikipedia, e muitos outros exemplos mostram que o modelo de cultura livre pode sustentar a inovação, e que os monopólios não são necessários para a produção de bens culturais e de conhecimento. Na produção cultural, o que é sustentável depende, em grande medida, do tipo de “produto” (os custos de um filme, por exemplo, são diferentes daqueles de uma enciclopédia colaborativa on-line). Projetos e iniciativas com base nos princípios da cultura livre utilizam uma variedade de maneiras de alcançar a sustentabilidade para além da economia voluntária. Algumas destas formas são consolidadas. Algumas estão ainda em fase experimental. A princípio generalizado é o de combinar várias fontes de financiamento. Este abordagem tem a vantagem de garantir a independência.</p>
<p style="text-align: justify;">Modelos de economia social comunitários já estão oferecendo um número de opções cada vez mais viável para manter a produção cultural. Estes incluem:</p>
<ul>
<li>doações não-monetárias e escambo (ex.: gift-economy, permutas);</li>
<li>financiamento direto (ex: subscrições e doações);</li>
<li>capital compartilhado (ex: fundos de contrapartida, cooperativas de produtores, interfinanciamento / economia social, Banco P2P, moeda virtual, crowd financing, capital aberto, cooperativas de investimento de base comunitária, e cooperativas de consumidores);</li>
<li>fundações garantindo infra-estrutura para os projetos;</li>
<li>financiamento público (ex:  renda básica, bolsas, prémios, subsídios, contratos públicos e comissões);</li>
<li>financiamento privado (ex: investimento de risco, ações, patrocínio privado, associações empresariais de infra-estrutura e investimento);</li>
<li>atividades comerciais (incluindo bens e serviços) e</li>
<li>combinações entre distribuição P2P e transmissão (streaming) de baixo custo.</li>
</ul>
<p>A combinação dessas opções é cada vez mais viável, tanto para os criadores independentes como para a indústria. Não apoiamos a maneira como as empresas comerciais têm explorado o trabalho voluntário como estratégia para obter lucros a partir do valor gerado coletiva e voluntariamente. Acreditamos também que não deveria ser permitido que conglomerados tivessem a oportunidade de dominar uma parte substancial de qualquer setor do mercado.</p>
<p style="text-align: justify;">A era digital traz a promessa histórica de aumento de justiça, o que será gratificante para todos.</p>
<p style="text-align: justify;">Esse é o objetivo das propostas que se seguem:</p>
<p style="text-align: justify;">Primeiro de tudo, transparência: é fundamental que haja transparência na execução das atividades (de lobby), incluindo informações acerca de quem são as autoridades encarregadas da aplicação das leis e quais os procedimentos obrigatórios, de modo a impedir a violação de qualquer direito fundamental. As ferramentas digitais em si têm o potencial promover mais transparência e abertura política. Por todas essas razões, a promoção de infraestrutura e de ferramentas digitais deve ser baseada em procedimentos transparentes.</p>
<h3><strong>2. Demandas legais</strong></h3>
<p style="text-align: justify;">Temos identificado, nas regulamentações nacionais e nos tratados internacionais, lacunas referentes à disseminação de cultura e conhecimento – no aspecto privado, em relações contratuais e nas políticas públicas internacionais. Propomos, então, reformas que consideramos necessárias para superar essas falhas.  As deficiências atuais nas regulamentações e nos tratados são prejudiciais ao interesse público e para uma indústria cultural moderna e democrática. Nesse contexto, serve-se melhor ao interesse público quando a criação de obras intelectuais de significativo valor social é apoiada e assegurada. Deve-se assegurar, também, a todos os cidadãos um acesso irrestrito a essas obras, que podem ser aproveitadas das mais variadas formas.</p>
<p><strong> </strong></p>
<p><strong>A. Conhecimentos comuns e o Domínio Público</strong></p>
<p><strong> </strong></p>
<p>A.1. A expansão do domínio público e do tempo de contrato de direitos autorais (menos de 50 anos);</p>
<p style="text-align: justify;">A.2. Pesquisas financiadas publicamente e trabalhos intelectuais e culturais devem estar disponíveis gratuitamente para o público em geral;</p>
<p style="text-align: justify;">A.3. Deve-se garantir que obras de domínio público sejam acessíveis para o público em geral.</p>
<p style="text-align: justify;">B. Defendendo acesso a infraestruturas intelectuais e neutralidade na internet.</p>
<p style="text-align: justify;">B.1. Os cidadãos devem ter o direito a uma conexão de Internet que permita que mandem e recebam os conteúdos que desejarem, que usem serviços e que executem arquivos de sua escolha, conectem o hardware e usem o software que lhes interesse e que não prejudiquem a rede.</p>
<p style="text-align: justify;">B.2. Os cidadãos devem ter o direito a uma conexão de Internet que seja livre de qualquer discriminação (seja bloqueando, limitando ou priorizando) quanto ao tipo de aplicação, serviço ou conteúdo ou que seja baseada no endereço do destinatário ou remetente.</p>
<p style="text-align: justify;">B.3. Nenhuma limitação (ou filtragem) no conteúdo da internet deve ser feita sem uma decisão judicial prévia.</p>
<p><strong>C. Direitos do cidadão no contexto digital</strong></p>
<p><strong> </strong></p>
<p style="text-align: justify;">C.1. O DIREITO DE CITAÇÃO, por motivos educacionais ou científicos ou por propósitos puramente informativos, criativos ou de qualquer outra ordem.</p>
<p style="text-align: justify;">C.2. CÓPIA PRIVADA: quando a reprodução é feita para usos privados ou de compartilhamento e quando nenhum lucro direto ou indireto é obtido devido à cópia/reprodução.</p>
<p style="text-align: justify;">C.3 USO JUSTO (FAIR USE): o direito ao acesso e ao uso de obras autorais, sem a autorização dos titulares de direito, para fins de educação, ensino, pesquisa científica ou informação, satírico ou complementar ao objeto criativo principal, desde se faça referência ao autor e que todos os direitos morais sejam respeitados.</p>
<p><strong>D. Estimulando criatividade e inovação</strong></p>
<p><strong> </strong></p>
<p style="text-align: justify;">Declaramos nossa preocupação com o bem-estar de artistas e autores. Propomos várias maneiras de gratificação coletiva à criação coletiva e à inovação:</p>
<p style="text-align: justify;">D.1. Royalyties não substituem um salário justo.</p>
<p style="text-align: justify;">D.2. Diferenças no poder de barganha produzem diferenças injustas entre as pessoas criam e as entidades comerciais. Essas diferenças devem ser sanadas.</p>
<p style="text-align: justify;">D.3. Quando há exploração comercial de um trabalho, regras que garantam direitos econômicos devem priorizar a proteção de interesses econômicos de comunidades criativas.</p>
<p style="text-align: justify;">D.4. Devem ser abolidas todas as “imposições digitais” injustas, que sancionam a todos indiscriminadamente em nome da “compensação para os artistas” e que se propõem a penalizar atividades que não são, de modo algum, criminosas.</p>
<p style="text-align: justify;">D.5. Deve ser permitido aos autores/criadores que revoguem o mandato de ENTIDADES DE GESTÃO dos direitos do autor.</p>
<p style="text-align: justify;">D.6. Não se deve permitir o monopólio de entidades de gestão nem que as mesmas impeçam artistas e autores de usarem licenças livres.</p>
<p style="text-align: justify;">D.7. Devem ser ilegais – e jamais podem ser concedidas – patentes que monopolizem qualquer tipo de software ou de atividade de desenvolvimento intelectual.</p>
<p><strong> </strong></p>
<p><strong>E. Acesso de pessoas com dificuldade de leitura</strong></p>
<p><strong> </strong></p>
<p style="text-align: justify;">Devem ser disponíveis formatos de texto acessíveis para pessoas com dificuldade de</p>
<p style="text-align: justify;">leitura. Os sistemas legais de todo o mundo devem facilitar a conversão de trabalhos em formatos acessíveis para pessoas com dificuldades de leitura, bem como o download e o upload dos mesmos.</p>
<h3><strong>3. Diretrizes para Educação e Acesso ao conhecimento</strong></h3>
<p><strong> </strong></p>
<p style="text-align: justify;">Aprender é um processo de construção social que acontece mediante a troca de conhecimentos, experiências e das diversas nuances culturais. A cultura se desenvolve na medida em que o conhecimento se espalha pela sociedade. Entendemos educação como processo social que envolve uma ampla gama de tecnologias, atores, entidades e atividades educacionais, e não apenas as formas tidas como “oficiais”. Nossa visão de educação consiste na cultura de troca de informações e conhecimentos e em inovações eficientes e sustentáveis, baseadas nos princípios desta carta.</p>
<p><strong>Software livre</strong></p>
<p><strong> </strong></p>
<p style="text-align: justify;">O software livre permite que as pessoas estudem e aprendam conceitos, possibilitam a transparência no processamento das informações, assegura competição e inovação, proporcionam independência em relação a interesse de coorporações e aumenta a autonomia dos cidadãos. O software livre deve, portanto, ser usado, promovido e implementado em instituições educacionais e em outros espaços em que se realizam trabalhos funções educativas. Além disso, todo software produzido em ambientes educacionais deve ser convertido em software livre.</p>
<p><strong>Compartilhamento de recursos educacionais</strong></p>
<p style="text-align: justify;">Recursos educacionais são uma ferramenta educacional básica. A publicação aberta em um domínio público estimula o desenvolvimento dos recursos e a participação de todos, promovendo diversidade cultural, ao mesmo tempo em que maximiza a reutilização e a eficiência.</p>
<p style="text-align: justify;">Livros-textos, apostilas e outros tipos de materiais devem ser, então, publicados como recursos abertos – assegurando o direito de uso, cópia, reutilização, adaptação, tradução e redistribuição.</p>
<p><strong>Acesso livre</strong></p>
<p><strong> </strong></p>
<p style="text-align: justify;">O acesso livre assegura o acesso a resultados de pesquisas científicas tanto para cientistas quando para o público em geral. Eles aumentam as possibilidades de aprendizado e propiciam que diversos pesquisadores descubram façam uso dos resultados uns dos outros.</p>
<p style="text-align: justify;">Universidades e centros de pesquisa devem aderir ao modelo do acesso livre, publicando os resultados de suas pesquisas. Devem ser desencorajadas as patentes nos resultados de pesquisas financiadas com dinheiro público. As patentes cujos titulares estejam ligados a instituições públicas devem ser irrevogavelmente liberadas.</p>
<p><strong>Padrões abertos</strong></p>
<p><strong> </strong></p>
<p style="text-align: justify;">O uso de padrões e formatos abertos é essencial para assegurar o compartilhamento e a inter-operabilidade técnica, proporcionando um acesso sem obstáculos à informação digital e a garantia da disponibilidade do conhecimento e da memória social, hoje e no futuro.</p>
<h3><strong>4. Estrutura requerida para uma sociedade inclusiva de conhecimento</strong></h3>
<p><strong> </strong></p>
<ol>
<li><strong>A. </strong><strong>Privacidade</strong></li>
</ol>
<p><strong> </strong></p>
<p style="text-align: justify;">Cidadãos têm o direito a:</p>
<p style="text-align: justify;">- Utilizar a internet e acessar conteúdos anonimamente;</p>
<p style="text-align: justify;">- Decidir a qualquer hora mover, modificar ou remover sua inscrição de usuário de qualquer serviço online</p>
<p style="text-align: justify;">- Não ter sua comunicação interceptada, a não ser a partir de ordem judicial prévia. Poder proteger suas comunicações com senhas.</p>
<ol>
<li><strong>B. </strong><strong>Direito no que diz respeito a redes (networks): liberdade de uso, criação e conexão</strong></li>
</ol>
<p><strong> </strong></p>
<p style="text-align: justify;">- Sociedade civil e administrações públicas devem ter o direito a prover e implementar serviços de rede, incluindo aqueles oferecidos gratuitamente. Não devem ser impostas condições aos cidadãos para tal.</p>
<ol>
<li><strong>C. </strong><strong>Infraestrutura e regulação de mercado:</strong></li>
</ol>
<p><strong> </strong></p>
<p style="text-align: justify;">- Neutralidade: A neutralidade na internet deve ser garantida (para uma definição precisa, leia o Glossário de termos e demandas legais – DEMANDAS LEGALES – o link se encontra no texto original)</p>
<p style="text-align: justify;">-Simetria; provedores de acesso à internet devem garantir conexões simétricas ou uma proporção razoável de download/upload. Deve haver acesso a banda larga a preços acessíveis a todos os cidadãos.</p>
<p style="text-align: justify;">- Diversidade: Devem ser evitados monopólios em infraestruturas de telecomunicações. Os cidadãos têm o direito ao acesso a mais de um provedor (público ou particular) e a oferta deste serviço de banda larga não deve estar vinculada à aquisição de outros produtos ou serviços. Nenhuma companhia de comunicação deve controlar mais de 25% de qualquer serviço no mercado.</p>
<p style="text-align: justify;">- Os provedores de telecomunicações devem satisfazer as velocidades de acesso decididas contratualmente; em contratos pré-pagos, só deve ser paga o serviço que seja explicitamente demandado pelo usuário. Os provedores devem garantir aos cidadãos a opção de tarifa plana.</p>
<ol>
<li><strong>D. </strong><strong>Administração Pública</strong></li>
</ol>
<p><strong> </strong></p>
<p style="text-align: justify;">- Setor público, projetos fundados com verba pública e aqueles que impliquem os cidadãos por lei ou de alguma forma que afete seus direitos fundamentais, deveriam usar sempre o software livre e os padrões abertos.</p>
<p style="text-align: justify;">- Quando uma solução por software livre ou por padrão aberto não existe, o governo ou autoridade pública correspondente deve promover o desenvolvimento do software necessário.</p>
<p style="text-align: justify;">- Governos devem garantir acesso à Internet gratuito a todos os cidadãos, independentemente de seu local de residência.</p>
<ol>
<li><strong>E. </strong><strong>Como deveria proceder a administração pública no que se refere a compra e avaliação de softwares.</strong></li>
</ol>
<p><strong> </strong></p>
<p style="text-align: justify;">- A compra pública de software deve avaliar o custo total do uso – incluindo os custos de finalizar o uso do software e de migrar para outro.</p>
<p style="text-align: justify;">- A contabilidade pública deve fazer uma separação clara entre os custos de licença e manutenção do software e o custo do hardware.</p>
<h3><strong>5. Transparência</strong></h3>
<p style="text-align: justify;">É fundamental que haja transparência nos processos de regulamentação e nas atividades de lobby, incluindo informações sobre quem são as autoridades responsáveis pela aplicação da lei e os procedimentos obrigatórios que devem ser colocados em prática, de modo a evitar a violação de qualquer direito fundamental. Os recursos e ferramentas digitais podem garantir mais transparência e credibilidade aos processos políticos. A existência e acesso às infra-estruturas e às ferramentas digitais devem se fundamentar em processos transparentes.</p>
<p style="text-align: justify;">Propomos um sistema de três avisos aos que violem o direito do cidadão à transparência nas informações.</p>
<p style="text-align: justify;">_________________________________________________________________________</p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #ff0000;">- Essa carta foi gentilmente traduzida para o português por colaboradores do PDL, e está sendo distribuída livremente sob <a href="http://creativecommons.org/licenses/by-sa/3.0/br/" target="_blank">licença creative commons 3.0.</a> Ajude a distribuí-la e divulgá-la!</span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #ff0000;">- Esta é uma versão resumida da carta. Você pode acessar a versão completa <a href="http://fcforum.net/" target="_blank">aqui</a> (em inglês ou espanhol).</span></p>
<p style="text-align: justify;">
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		<title>[Papo Cabeça] O que Neil Gaiman pensa sobre a pirataria?</title>
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		<pubDate>Wed, 23 Jun 2010 17:06:53 +0000</pubDate>
		<dc:creator>PDL</dc:creator>
				<category><![CDATA[Informação e Cultura]]></category>
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		<category><![CDATA[Pirataria]]></category>

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		<description><![CDATA[O vídeo abaixo não é novo. Ele é parte  de uma entrevista dada por Neil Gaiman na Flip de 2008, mas assim como  eu não o conhecia, acredito que muita gente também estará vendo pela  primeira vez.
Ao ser perguntado sobre sua opinião  quanto a seus livros estarem disponíveis de graça na [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p style="text-align: justify;">O vídeo abaixo não é novo. Ele é parte  de uma entrevista dada por Neil Gaiman na Flip de 2008, mas assim como  eu não o conhecia, acredito que muita gente também estará vendo pela  primeira vez.</p>
<p style="text-align: justify;">Ao ser perguntado sobre sua opinião  quanto a seus livros estarem disponíveis de graça na internet, Gaiman  disse que isso não o incomoda. Pelo contrário, ele teria medo se as  pessoas não pudessem lê-los de forma alguma. <em>“O inimigo não é a  idéia de que as pessoas estão lendo livros de  graça. Ou lendo na  internet de graça. Da minha perspectiva o inimigo é as pessoas não  lerem.”</em></p>
<p style="text-align: justify;">Confesso que ao assistir fiquei surpreso  e contente por um escritor de tamanha envergadura apresentar uma  opinião tão coerente e sensata. Então o autor do Sandman seria um  socialista despreendido? Claro que não. Segundo ele, ninguém conhece um  novo autor indo a uma livraria e comprando um livro desconhecido. As  pessoas conhecem seus autores primeiro lendo de graça, por indicação de  um amigo, pegando na biblioteca, etc. Depois, elas certamente desejarão  adquirir o livro impresso.</p>
<p style="text-align: justify;">Certo barões da indústria acreditam que  cada download é um exemplar que deixa de ser vendido. Quanta miopia.   Estão há décadas no mercado e ainda não nos conhecem. Não sabem que para  nós um livro é mais que um amontoado de letras que pode ser  digitalizado e lido sem pagar nada. Não sabem que nossos livros têm  valor sentimental e simbólico. Que cada exemplar que conseguimos comprar  é como se materializassemos um pedacinho de nós mesmos para colocar na  estante. Será que alguém convida os amigos para, orgulhosamente, exibir  seus últimos livros baixados da internet? Ou sonha com o momento de ler  sua coleção de livros piratas para seus filhos? Ou, ainda, presenteia  uma pessoa querida com um livro em PDF e com  uma dedicatória escrita no  corpo de texto do e-mail?</p>
<p style="text-align: justify;">Assim  como Neil Gaiman, penso que se  suas condições econômicas permitirem, as pessoas comprarão os livros que  amam. E se elas não gostarem, não vão comprar. Afinal, porque não  podemos cuspir parte do que sempre nos empurraram goela abaixo?</p>
<p style="text-align: justify;">Acredito que os livros da internet são  capazes de estimular a venda de livros impressos, formar novos leitores   e despertar o prazer pela leitura, que é como o prazer do sexo: o  virtual até pode quebrar um galho, mas nada substitui o toque, o cheiro,  o estar perto. E nada substitui a sensação de possuir.</p>
<pre style="text-align: right;">Texto Por Marcus Vinícius em <a href="http://culturadigital.br/culturadigital/2010/06/20/o-prazer-de-possuir/" target="_blank">Cultura Digital</a>
</pre>
<p style="text-align: center;"><object classid="clsid:d27cdb6e-ae6d-11cf-96b8-444553540000" width="500" height="401" codebase="http://download.macromedia.com/pub/shockwave/cabs/flash/swflash.cab#version=6,0,40,0"><param name="allowFullScreen" value="true" /><param name="allowscriptaccess" value="always" /><param name="src" value="http://www.youtube.com/v/3odgel4zU6s&amp;hl=pt_BR&amp;fs=1&amp;" /><param name="allowfullscreen" value="true" /><embed type="application/x-shockwave-flash" width="500" height="401" src="http://www.youtube.com/v/3odgel4zU6s&amp;hl=pt_BR&amp;fs=1&amp;" allowscriptaccess="always" allowfullscreen="true"></embed></object></p>
<p style="text-align: left;"><strong>Transcrição da resposta:</strong></p>
<p>Isso realmente não me incomda.</p>
<p style="text-align: justify;">Obviamente eu preferia estar em um  mundo em que as pessoas  pudessem ter sua dose dos meus quadrinhos por meios mais legítimos e que  isso de vez em quando pagasse o meu jantar.</p>
<p style="text-align: justify;">Dado que não há canais legítimos lá fora, acho que seria muito  ingênuo da minha parte me opor.</p>
<p style="text-align: justify;">(…)</p>
<p style="text-align: justify;">Ontem no almoço, Zoe Heller, grande autora e muito inteligente, veio  até mim e disse: “Alguém me deu esse livro e são uma pessoas que acham  que os livros devem circular e quando você termina de ler deve dá-los a  alguém. E não sei o que pensar disso, porque  de certa forma eu  sobrevivo das pessoas comprarem novos livros.”</p>
<p style="text-align: justify;">E eu disse: Zoe, nenhum de nós descobriu seus escritores favoritos  comprando seus livros. Não é como isso acontece. Vocês aqui. Você  provavelmente tem um escritor favorito. E a resposta é que vocês  descobriram seu escritor favorito quando alguém disse: “Tome, eu acabei  de ler esse livro, é bom e você vai gostar”. Ou você pegou o livro da  prateleira de alguém e disse: “Isso parece interessante. Posso pegar  emprestado?” Ou você encontrou na biblioteca. Ou alguém esqueceu no  trem.</p>
<p style="text-align: justify;">É assim que as pessoas descobrem seus escritores favoritos.</p>
<p style="text-align: justify;">Não o descobrem entrando numa livraria e dizendo: “Vou  comprar este livro novo de  capa dura!”</p>
<p style="text-align: justify;">Acaba sempre acontecendo que novos autores  e autores famosos começam  sendo descobertos acidentalmente quando você tropeça neles.</p>
<p style="text-align: justify;">E são como aquela primeira dose de heroína e sem perceber você está  descendo a rua para comprar tudo o que aquele cara já escreveu.</p>
<p style="text-align: justify;">E até onde me interessa, qualquer maneira de fazer os livros  circularem é legítima. Eu amo o fato das pessoas estarem dando livros  que de outra forma ficariam esquecidos em uma prateleira.</p>
<p style="text-align: justify;">E certamente eu não acho que algum desses leitores seja uma venda  perdida. Porque da minha perspectiva o inimigo não é a idéia de que as  pessoas estão lendo livros de graça. Ou lendo na internet de graça.</p>
<p style="text-align: justify;">Da minha perspectiva o inimigo é as pessoas não lerem.</p>
<p style="text-align: justify;">Qualquer pessoa lendo algo de graça da internet ainda faz parte da  minha tribo.</p>
<p style="text-align: justify;">A tribo das pessoas que lêem.</p>
<p style="text-align: justify;">E se eles passarem adiante por fazerem parte dessa tribo eles querem  esses livros para si.</p>
<p style="text-align: justify;">Eles vão querer os livros de verdade. Eles vão querer comprar as  versões de capa dura. Eles vão querê-los. Porque eu quero. E isso é uma  coisa boa.</p>
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		<title>[Papo Cabeça] Uma conversa sobre direito autoral e direito à cultura</title>
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		<pubDate>Thu, 10 Jun 2010 17:18:42 +0000</pubDate>
		<dc:creator>PDL</dc:creator>
				<category><![CDATA[Informação e Cultura]]></category>
		<category><![CDATA[Papo Cabeça]]></category>
		<category><![CDATA[copyright]]></category>
		<category><![CDATA[Cultura Livre]]></category>
		<category><![CDATA[direitos autorais]]></category>

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		<description><![CDATA[De acordo com a lei de direito autoral vigente no Brasil, passar as  músicas de um CD comprado para o próprio Ipod não é permitido. Apenas  oito situações descritas em artigos do código não são consideradas  ofensas ao direito de autor, como “a reprodução de pequenos trechos da  obra”. Mas como [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p style="text-align: justify;">De acordo com a lei de direito autoral vigente no Brasil, passar as  músicas de um CD comprado para o próprio Ipod não é permitido. Apenas  oito situações descritas em artigos do código não são consideradas  ofensas ao direito de autor, como “a reprodução de pequenos trechos da  obra”. Mas como definir o que é um pequeno trecho para um quadro ou uma  fotografia, por exemplo? A questão colocada pelo especialista em direito  autoral, o advogado Alexandre Pesserl, do Grupo de Estudos em Direito  Autoral e Informação da Universidade Federal de Santa Catarina (Gedai/ UFSC), é um  dos muitos argumentos usados pelos defensores de uma reforma urgente na  legislação. Veja a entrevista em vídeo:</p>
<p style="text-align: center;"><object classid="clsid:d27cdb6e-ae6d-11cf-96b8-444553540000" width="497" height="280" codebase="http://download.macromedia.com/pub/shockwave/cabs/flash/swflash.cab#version=6,0,40,0"><param name="allowfullscreen" value="true" /><param name="allowscriptaccess" value="always" /><param name="src" value="http://vimeo.com/moogaloop.swf?clip_id=12431353&amp;server=vimeo.com&amp;show_title=1&amp;show_byline=1&amp;show_portrait=0&amp;color=f7a916&amp;fullscreen=1" /><embed type="application/x-shockwave-flash" width="497" height="280" src="http://vimeo.com/moogaloop.swf?clip_id=12431353&amp;server=vimeo.com&amp;show_title=1&amp;show_byline=1&amp;show_portrait=0&amp;color=f7a916&amp;fullscreen=1" allowscriptaccess="always" allowfullscreen="true"></embed></object></p>
<p style="text-align: justify;">O tema foi bastante discutido no <a href="http://www.culturadigital.br/simposioacervosdigitais" target="_blank">Simpósio  Internacional de Políticas Públicas para Digitalização de Acervos</a>.  No evento, um dos participantes chegou a mostrar que a <a href="http://culturadigital.br/simposioacervosdigitais/2010/04/29/brasil-e-o-7%C2%BA-pais-mais-restritivo-em-direitos-autorais/" target="_blank">lei  do país é a sétima mais restritiva do mundo</a>, trazendo diversas  consequências e impedimentos à população no que diz respeito o acesso ao  conhecimento.</p>
<p style="text-align: justify;">Como os acervos digitalizados pelas bibliotecas atualmente não  pertencem a essas instituições, a maior parte dos livros passam pelo  processo e não ficam disponíveis para consulta. “Isso acontece por conta  das incertezas jurídicas que rondam essas obras”, explica Pesserl.</p>
<pre style="text-align: right;">Texto por Gabriela Agustini em <a href="http://culturadigital.br/simposioacervosdigitais/2010/06/09/livros-digitalizados-nao-estao-acessiveis-para-o-publico/" target="_blank">Acervos Digitais</a>
</pre>
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		<title>[Papo Cabeça] Eletrônicos duram 10 anos; livros, 5 séculos’ (Umberto Eco)</title>
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		<pubDate>Fri, 07 May 2010 17:33:08 +0000</pubDate>
		<dc:creator>PDL</dc:creator>
				<category><![CDATA[Informação e Cultura]]></category>
		<category><![CDATA[Papo Cabeça]]></category>
		<category><![CDATA[Cultura Digital]]></category>
		<category><![CDATA[Livro Digital]]></category>
		<category><![CDATA[Umberto Eco]]></category>

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		<description><![CDATA[Umberto  Eco assina novo trabalho em parceria com o roteirista francês  Jean-Claude Carrière.

‘Eletrônicos duram 10 anos; livros, 5  séculos’, diz Umberto Eco
Ensaísta e escritor italiano fala em entrevista exclusiva de seu novo  trabalho, ‘Não Contem com o Fim do Livro’
MILÃO – O bom humor parece ser a principal característica do semiólogo, [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p style="text-align: center;">Umberto  Eco assina novo trabalho em parceria com o roteirista francês  Jean-Claude Carrière.</p>
<p style="text-align: center;"><a href="http://ebooksgratis.com.br/wp-content/uploads/2010/05/umberto_eco_wideweb__470x3140.jpg"><img class="size-full wp-image-6548 aligncenter" title="umberto_eco_wideweb__470x314,0" src="http://ebooksgratis.com.br/wp-content/uploads/2010/05/umberto_eco_wideweb__470x3140.jpg" alt="umberto eco wideweb  470x3140 [Papo Cabeça] Eletrônicos duram 10 anos; livros, 5 séculos’ (Umberto Eco)" width="470" height="314" /></a></p>
<p><strong>‘Eletrônicos duram 10 anos; livros, 5  séculos’, diz Umberto Eco</strong></p>
<p style="text-align: justify;">Ensaísta e escritor italiano fala em entrevista exclusiva de seu novo  trabalho, ‘Não Contem com o Fim do Livro’</p>
<p style="text-align: justify;"><strong>MILÃO </strong>– O bom humor parece ser a principal característica do semiólogo,  ensaísta e escritor italiano Umberto Eco. Se não, é a mais evidente. Ao  pasmado visitante, boquiaberto diante de sua coleção de 30 mil volumes  guardados em seu escritório/residência em Milão, ele tem duas respostas  prontas quando é indagado se leu toda aquela vastidão de papel. “Não.  Esses livros são apenas os que devo ler na semana que vem. Os que já li  estão na universidade” – é a sua preferida. “Não li nenhum”, começa a  segunda. “Se não, por que os guardaria?”</p>
<p style="text-align: justify;">Na  verdade, a coleção é maior, beira os 50 mil volumes, pois os demais  estão em outra casa, no interior da Itália. E é justamente tal paixão  pela obra em papel que convenceu Eco a aceitar o convite de um colega  francês, Jean-Phillippe de Tonac, para, ao lado de outro incorrigível  bibliófilo, o escritor e roteirista Jean-Claude Carrière, discutir a  perenidade do livro tradicional. Foram esses encontros (“muito  informais, à beira da piscina e regados com bons uísques”, informa  Umberto Eco) que resultaram em Não Contem Com o Fim do Livro, que a  editora Record lança na segunda quinzena de abril.</p>
<p style="text-align: justify;">A  conclusão é óbvia: tal qual a roda, o livro é uma invenção consolidada, a  ponto de as revoluções tecnológicas, anunciadas ou temidas, não terem  como detê-lo. Qualquer dúvida é sanada ao se visitar o recanto milanês  de Eco, como fez o Estado na última quarta-feira. Localizado diante do  Castelo Sforzesco, o apartamento – naquele dia soprado por temperaturas  baixíssimas, a neve pesada insistindo em embranquecer a formidável  paisagem que se avista de sua sacada – encontra-se em um andar onde  antes fora um pequeno hotel. “Se eram pouco funcionais para os hóspedes,  os longos corredores são ótimos para mim pois estendo aí minhas  estantes”, comenta o escritor, com indisfarçável prazer, ao apontar uma  linha reta de prateleiras repletas que não parecem ter fim. Os antigos  quartos? Transformaram-se em escritórios, dormitórios, sala de jantar,  etc. O mais desejado, no entanto, é fechado a chave, climatizado e com  uma janela que veda a luz solar: lá estão as raridades, obras produzidas  há séculos, verdadeiros tesouros. Isso mesmo: tesouros de papel.</p>
<p style="text-align: justify;">Conhecido  tanto pela obra acadêmica (é professor aposentado de semiótica, mas  ainda permanece na ativa na Faculdade de Bolonha) como pelos romances (O  Nome da Rosa, publicado em 1980, tornou-se um best-seller mundial), Eco  é um colecionador nato; além de livros, gosta também de selos,  cartões-postais, rolhas de champanhe. Na sala de seu apartamento,  estantes de vidro expõem tantos os livros raros – que, no momento,  lideram sua preferência – como conchas, pedras, pedaços de madeira. As  paredes expõem quadros que Eco arrematou nas visitas que fez a vários  países ou que simplesmente ganhou de amigos – caso de Mário Schenberg  (1914-1990), físico, político e crítico de arte brasileiro, de quem o  escritor guarda as melhores recordações.</p>
<p style="text-align: justify;">Aos  78 anos, Eco – que tem relançado no País Arte e Beleza na Estética  Medieval (Record, 368 págs., R$ 47,90, tradução de Mario Sabino) – exibe  uma impressionante vitalidade. Diverte-se com todo tipo de cinema (ao  lado de seu aparelho de DVD repousa uma cópia da animação Ratatouille),  mantém contato com seus alunos em Bolonha, escreve artigos para jornais e  revistas e aceita convites para organizar exposições, como a que o  transformou, no ano passado, em curador, no Museu do Louvre, em Paris.  Lá, o autor teve o privilégio de passear sozinho pelos corredores do  antigo palácio real francês nos dias em que o museu está fechado. E,  como um moleque levado, aproveitou para alisar o bumbum da Vênus de  Milo. Foi com esse mesmo espírito bem-humorado que Eco – envergando um  elegante terno azul-marinho, que uma revolta gravata da mesma cor  tratava de desalinhar; o rosto sem a característica barba grisalha  (raspada religiosamente a cada 20 anos e, da última vez, em 2009, também  porque o resistente bigode preto o fazia parecer Gengis Khan nas fotos)  – conversou com a reportagem do Sabático.</p>
<p style="text-align: justify;"><strong>O livro não está condenado, como apregoam os adoradores das novas  tecnologias?</strong></p>
<p style="text-align: justify;">O  desaparecimento do livro é uma obsessão de jornalistas, que me perguntam  isso há 15 anos. Mesmo eu tendo escrito um artigo sobre o tema,  continua o questionamento. O livro, para mim, é como uma colher, um  machado, uma tesoura, esse tipo de objeto que, uma vez inventado, não  muda jamais. Continua o mesmo e é difícil de ser substituído. O livro  ainda é o meio mais fácil de transportar informação. Os eletrônicos  chegaram, mas percebemos que sua vida útil não passa de dez anos.  Afinal, ciência significa fazer novas experiências. Assim, quem poderia  afirmar, anos atrás, que não teríamos hoje computadores capazes de ler  os antigos disquetes? E que, ao contrário, temos livros que sobrevivem  há mais de cinco séculos? Conversei recentemente com o diretor da  Biblioteca Nacional de Paris, que me disse ter escaneado praticamente  todo o seu acervo, mas manteve o original em papel, como medida de  segurança.</p>
<p style="text-align: justify;"><strong>Qual a diferença entre o conteúdo disponível na internet e o de uma  enorme biblioteca?</strong></p>
<p style="text-align: justify;">A  diferença básica é que uma biblioteca é como a memória humana, cuja  função não é apenas a de conservar, mas também a de filtrar – muito  embora Jorge Luis Borges, em seu livro Ficções, tenha criado um  personagem, Funes, cuja capacidade de memória era infinita. Já a  internet é como esse personagem do escritor argentino, incapaz de  selecionar o que interessa – é possível encontrar lá tanto a Bíblia como  Mein Kampf, de Hitler. Esse é o problema básico da internet: depende da  capacidade de quem a consulta. Sou capaz de distinguir os sites  confiáveis de filosofia, mas não os de física. Imagine então um  estudante fazendo uma pesquisa sobre a 2.ª Guerra Mundial: será ele  capaz de escolher o site correto? É trágico, um problema para o futuro,  pois não existe ainda uma ciência para resolver isso. Depende apenas da  vivência pessoal. Esse será o problema crucial da educação nos próximos  anos.</p>
<p style="text-align: justify;"><strong>Não é possível prever o futuro da internet?</strong></p>
<p style="text-align: justify;">Não  para mim. Quando comecei a usá-la, nos anos 1980, eu era obrigado a  colocar disquetes, rodar programas. Hoje, basta apertar um botão. Eu não  imaginava isso naquela época. Talvez, no futuro, o homem não precise  escrever no computador, apenas falar e seu comando de voz será  reconhecido. Ou seja, trocará o teclado pela voz. Mas realmente não sei.</p>
<p><span id="more-6549"></span></p>
<p style="text-align: justify;"><strong>Como a crescente velocidade de processar dados de um computador  poderá influenciar a forma como absorvemos informação?</strong></p>
<p style="text-align: justify;">O  cérebro humano é adaptável às necessidades. Eu me sinto bem em um carro  em alta velocidade, mas meu avô ficava apavorado. Já meu neto consegue  informações com mais facilidade no computador do que eu. Não podemos  prever até que ponto nosso cérebro terá capacidade para entender e  absorver novas informações. Até porque uma evolução física também é  necessária. Atualmente, poucos conseguem viajar longas distâncias – de  Paris a Nova York, por exemplo – sem sentir o desconforto do jet lag.  Mas quem sabe meu neto não poderá fazer esse trajeto no futuro em meia  hora e se sentir bem?</p>
<p style="text-align: justify;"><strong>É possível existir contracultura na internet?</strong></p>
<p style="text-align: justify;">Sim,  com certeza, e ela pode se manifestar tanto de forma revolucionária como  conservadora. Veja o que acontece na China, onde a internet é um meio  pelo qual é possível se manifestar e reagir contra a censura política.  Enquanto aqui as pessoas gastam horas batendo papo, na China é a única  forma de se manter contato com o restante do mundo.</p>
<p style="text-align: justify;"><strong>Em um determinado trecho de ‘Não Contem Com o Fim do Livro’, o  senhor e Jean-Claude Carrière discutem a função e preservação da memória  – que, como se fosse um músculo, precisa ser exercitada para não  atrofiar.</strong></p>
<p style="text-align: justify;">De  fato, é importantíssimo esse tipo de exercício, pois estamos perdendo a  memória histórica. Minha geração sabia tudo sobre o passado. Eu posso  detalhar sobre o que se passava na Itália 20 anos antes do meu  nascimento. Se você perguntar hoje para um aluno, ele certamente não  saberá nada sobre como era o país duas décadas antes de seu nascimento,  pois basta dar um clique no computador para obter essa informação.  Lembro que, na escola, eu era obrigado a decorar dez versos por dia.  Naquele tempo, eu achava uma inutilidade, mas hoje reconheço sua  importância. A cultura alfabética cedeu espaço para as fontes visuais,  para os computadores que exigem leitura em alta velocidade. Assim, ao  mesmo tempo que aprimora uma habilidade, a evolução põe em risco outra,  como a memória. Lembro-me de uma maravilhosa história de ficção  científica escrita por Isaac Asimov, nos anos 1950. É sobre uma  civilização do futuro em que as máquinas fazem tudo, inclusive as mais  simples contas de multiplicar. De repente, o mundo entra em guerra,  acontece um tremendo blecaute e nenhuma máquina funciona mais.  Instala-se o caos até que se descobre um homem do Tennessee que ainda  sabe fazer contas de cabeça. Mas, em vez de representar uma salvação,  ele se torna uma arma poderosa e é disputado por todos os governos – até  ser capturado pelo Pentágono por causa do perigo que representa  (risos). Não é maravilhoso?</p>
<p style="text-align: justify;"><strong>No livro, o senhor e Carrière comentam sobre como a falta de  leitura de alguns líderes influenciou suas errôneas decisões.</strong></p>
<p style="text-align: justify;">Sim,  escrevi muito sobre informação cultural, algo que vem marcando a atual  cultura americana que parece questionar a validade de se conhecer o  passado. Veja um exemplo: se você ler a história sobre as guerras da  Rússia contra o Afeganistão no século 19, vai descobrir que já era  difícil combater uma civilização que conhece todos os segredos de se  esconder nas montanhas. Bem, o presidente George Bush, o pai,  provavelmente não leu nenhuma obra dessa natureza antes de iniciar a  guerra nos anos 1990. Da mesma forma que Hitler devia desconhecer os  relatos de Napoleão sobre a impossibilidade de se viajar para Moscou por  terra, vindo da Europa Ocidental, antes da chegada do inverno. Por  outro lado, o também presidente americano Roosevelt, durante a 2.ª  Guerra, encomendou um detalhado estudo sobre o comportamento dos  japoneses para Ruth Benedict, que escreveu um brilhante livro de  antropologia cultural, O Crisântemo e a Espada. De uma certa forma, esse  livro ajudou os americanos a evitar erros imperdoáveis de conduta com  os japoneses, antes e depois da guerra. Conhecer o passado é importante  para traçar o futuro.</p>
<p style="text-align: justify;"><strong>Diversos historiadores apontam os ataques terroristas contra os  americanos em 11 de setembro de 2001 como definidores de um novo curso  para a humanidade. O senhor pensa da mesma forma?</strong></p>
<p style="text-align: justify;">Foi  algo realmente modificador. Na primeira guerra americana contra o  Iraque, sob o governo de Bush pai, havia um confronto direto: a imprensa  estava lá e presenciava os combates, as perdas humanas, as conquistas  de território. Depois, em setembro de 2001, se percebeu que a guerra  perdera a essência de confronto humano direto – o inimigo  transformara-se no terrorismo, que podia se personificar em uma nação ou  mesmo nos vizinhos do apartamento ao lado. Deixou de ser uma guerra  travada por soldados e passou para as mãos dos agentes secretos. Ao  mesmo tempo, a guerra globalizou-se; todos podem acompanhá-la pela  televisão, pela internet. Há discussões generalizadas sobre o assunto.</p>
<p style="text-align: justify;"><strong>Falando agora sobre sua biblioteca, é verdade que ela conta com 50  mil volumes?</strong></p>
<p style="text-align: justify;">Sim,  de uma forma geral. Nesse apartamento em Milão, estão apenas 30 mil – o  restante está no interior da Itália, onde tenho outra casa. Mas sempre  me desfaço de algumas centenas, pois, como disse antes, é preciso fazer  uma filtragem.</p>
<p style="text-align: justify;"><strong>Por que o senhor impediu sua secretária de catalogá-los?</strong></p>
<p style="text-align: justify;">Porque  a forma como você organiza seus livros depende da sua necessidade  atual. Tenho um amigo que mantém os seus em ordem alfabética de autores,  o que é absolutamente estúpido, pois a obra de um historiador francês  vai estar em uma estante e a de outro em um lugar diferente. Eu tenho  aqui literatura contemporânea separada por ordem alfabética de países.  Já a não contemporânea está dividida por séculos e pelo tipo de arte.  Mas, às vezes, um determinado livro pode tanto ser considerado por mim  como filosófico ou de estética da arte; depende do motivo da minha  pesquisa. Assim, reorganizo minha biblioteca segundo meus critérios e  somente eu, e não uma secretária, pode fazer isso. Claro que, com um  acervo desse tamanho, não é fácil saber onde está cada livro. Meu método  facilita, eu tenho boa memória, mas, se algum idiota da família retira  alguma obra de um lugar e a coloca em outro, esse livro está perdido  para sempre. É melhor comprar outro exemplar (risos).</p>
<p style="text-align: justify;"><strong>Um estudioso que também é seu amigo, Marshall Blonsky, escreveu  certa vez que existe de um lado Umberto, o famoso romancista, e de outro  Eco, professor de semiótica.</strong></p>
<p style="text-align: justify;">E  ambos sou eu (risos). Quando escrevo romances, procuro não pensar em  minhas pesquisas acadêmicas – por isso, tiro férias. Mesmo assim,  leitores e críticos traçam diversas conexões, o que não discuto. Lembro  de que, quando escrevia O Pêndulo de Foucault, fiz diversas pesquisas  sobre ciência oculta até que, em um determinado momento, elas atingiram  tal envergadura que temi uma teorização exagerada no romance. Então,  transformei todo o material em um curso sobre ciência oculta, o que foi  muito bem-feito.</p>
<p style="text-align: justify;"><strong>Por falar em ‘O Pêndulo de Foucault’, comenta-se que o senhor  antecipou em muito tempo O Código de Da Vinci, de Dan Brown.</strong></p>
<p style="text-align: justify;">Quem  leu meu livro sabe que é verdade. Mas, enquanto são os meus personagens  que levam a sério esse ocultismo barato, Dan Brown é quem leva isso a  sério e tenta convencer os leitores de que realmente é um assunto a ser  considerado. Ou seja, fez uma bela maquiagem. Fomos apresentados neste  ano em uma première do Teatro Scala e ele assim se apresentou: “O senhor  não me admira, mas eu gosto de seus livros.” Respondi: Não é que eu não  goste de você – afinal, eu criei você (risos).</p>
<p style="text-align: justify;"><strong>Em seu mais conhecido romance, O Nome da Rosa, há um momento em que  se discute se Jesus chegou a sorrir. É possível pensar em senso de  humor quando se trata de Deus?</strong></p>
<p style="text-align: justify;">De  acordo com Baudelaire, é o Diabo quem tem mais senso de humor (risos).  E, se Deus realmente é bem-humorado, é possível entender por que certos  homens poderosos agem de determinada maneira. E se ainda a vida é como  uma história contada por um idiota, cheia de som e fúria, como  Shakespeare apregoa em Macbeth, é preciso ainda mais senso de humor para  entender a trajetória da humanidade.</p>
<p style="text-align: justify;"><strong>Como foi a exposição no Museu do Louvre, em Paris, da qual o senhor  foi curador, no ano passado?</strong></p>
<p style="text-align: justify;">Há  quatro anos, o museu reserva um mês para um convidado (Toni Morrison foi  escolhida certa vez) organizar o que bem entender. Então, me convidaram  e eu respondi que queria fazer algo sobre listas. “Por quê?”,  perguntaram. Ora, sempre usei muitas listas em meus romances – até  pensei em escrever um ensaio sobre esse hábito. Bem, quando se fala em  listas na cultura, normalmente se pensa em literatura. Mas, como se  trata de um museu, decidi elaborar uma lista visual e musical, essa  sugerida pela direção do Louvre. Assim, tive o privilégio (que não foi  oferecido a Dan Brown) de visitar o museu vazio, às terças-feiras,  quando está fechado. E pude tocar a bunda da Vênus de Milo (risos) e  admirar a Mona Lisa a apenas 20 centímetros de distância.</p>
<p style="text-align: justify;"><strong>O senhor esteve duas vezes no Brasil, em 1966 e 1979. Que  recordações guarda dessas visitas?</strong></p>
<p style="text-align: justify;">Muitas.  A primeira, em São Paulo, onde dei algumas aulas na Faculdade de  Arquitetura (da USP), que originaram o livro A Estrutura Ausente. Já na  segunda fui acompanhado da família e viajamos de Manaus a Curitiba. Foi  maravilhoso. Lembro-me de meu editor na época pedindo para eu ficar para  o carnaval e assistir ao desfile das escolas de samba de camarote, o  que não pude atender. E também me recordo de imagens fortes, como a da  moça que cai em transe em um terreiro (para o qual fui levado por Mario  Schenberg) e que reproduzo em O Pêndulo de Foucault.</p>
<p style="text-align: right;"><em><strong>Ubiratan Brasil</strong>, para o Caderno 2 do Estadão. Extraído de <a href="http://digitalmanuscripts.wordpress.com/2010/03/13/nao-contem-com-o-fim-do-livro/" target="_blank">DigitalManuscripts</a></em></p>
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		<title>[Papo Cabeça] Copyright: a batalha</title>
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		<pubDate>Mon, 03 May 2010 22:15:33 +0000</pubDate>
		<dc:creator>PDL</dc:creator>
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“Em todo lugar a que vou, tenho que debater com o Ecad. Não tem  ninguém do Ecad aqui?”, provocou Marcos Souza, coordenador-geral de  direitos autorais do Ministério da Cultura (MinC), no Simpósio  Internacional de Políticas Públicas para Acervos Digitais. Ali, por  acaso, não tinha. O evento, que aconteceu semana passada em [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p style="text-align: center;"><img class="aligncenter" src="http://farm5.static.flickr.com/4025/4564740272_d0ec6f5245.jpg" alt="4564740272 d0ec6f5245 [Papo Cabeça] Copyright: a batalha" width="500" height="333" title="[Papo Cabeça] Copyright: a batalha" /></p>
<p style="text-align: justify;">“Em todo lugar a que vou, tenho que debater com o Ecad. Não tem  ninguém do Ecad aqui?”, provocou Marcos Souza, coordenador-geral de  direitos autorais do Ministério da Cultura (MinC), no Simpósio  Internacional de Políticas Públicas para Acervos Digitais. Ali, por  acaso, não tinha. O evento, que aconteceu semana passada em São Paulo,  reuniu especialistas de vários países para discutir a digitalização de  acervos. E quase todos concordaram em uma questão: os direitos autorais  são um dos maiores impedimentos para digitalizar acervos, mesmo que seja  só para fins de preservação.</p>
<p style="text-align: justify;">São vários exemplos: quase 80% do acervo digitalizado pelo Google  Books não pode ser colocado na web por causa de direitos autorais. A  Brasiliana, biblioteca digital da USP, não pôde digitalizar obras raras  de Guimarães Rosa. A Cinemateca assiste sem ter o que fazer o tempo  destruir o original do filme A Hora e a Vez de Augusto Matraga (1965),  de Leonardo Villar, porque os herdeiros estão brigando por quanto vão  cobrar pela digitalização da obra. E, só para dar mais um exemplo:  Marcos Souza contou que foi alertado por uma entidade de proteção aos  direitos autorais que uma biblioteca não poderia emprestar livros porque  “isso fere os direitos autorais”.</p>
<p style="text-align: justify;">“Hoje, se uma biblioteca tem um livro que não caiu em domínio publico  que começa a ser estragado pela umidade, ela tem que deixar estragar”,  diz o coordenador do MinC. A lei brasileira impede, por exemplo, a cópia  de um livro mesmo que ele esteja esgotado. Não há menção às novas  possibilidades da tecnologia – como a digitalização para restauração.</p>
<p style="text-align: justify;">Por que chegamos a esse ponto? “A lei é de 1998. Havia uma  perspectiva de que o direito autoral era só no âmbito privado. A lei  ficou mais de 11 anos tramitando no Congresso e foi objeto de vários  interesses específicos, e nenhum deles era o interesse público”, critica  Marcos Souza.</p>
<p style="text-align: justify;">O texto da reforma da lei de direitos autorais vem sendo discutido em  fóruns desde 2007. O projeto encabeçado pelo MinC prevê a criação de um  órgão nacional para fiscalizar as entidades arrecadadoras de direitos.  Cogitou-se a criação de um Instituto Nacional de Direito Autoral – mas  esse e outros pontos não são confirmados pelo MinC.</p>
<p style="text-align: justify;">Em entrevista ao Link, o coordenador falou sobre o campo minado  autoral. De um lado estão ativistas da internet, blogueiros, bibliotecas  digitais e artistas independentes; do outro, estão as associações de  proteção aos direitos autorais e alguns artistas, que criticam o MinC de  “estatização” de um direito privado e de não tê-los ouvido na  elaboração da reforma.</p>
<p style="text-align: justify;">A oposição culminou na criação do Comitê Nacional de Cultura e  Direitos Autorais, um movimento de “resistência” da classe artística  contra a reforma na lei. “O papel do Estado não é interferir numa gestão  que pertence claramente à sociedade civil”, disse ao Link Roberto  Mello, presidente da Abramus. “Nós temos uma lei nova. Não é que nós  sejamos contra tudo. Mas você não pode fazer isso sem consultar a classe  autoral brasileira”.</p>
<p style="text-align: justify;">O MinC classifica como “legítima” a mobilização de setores da  sociedade. Mas Souza alfineta: “nesse caso específico são setores que  tinham se recusado a participar mais efetivamente do debate. Quando  participavam, em vez de apresentar propostas, atacavam quem falava  qualquer coisa que não fosse aquilo com que eles concordavam”.</p>
<p style="text-align: justify;">Souza diz que o País é um dos únicos no mundo onde não há uma  entidade pública que fiscalize o que chama de monopólio do Ecad na  arrecadação dos direitos. E isso, afirma, pode render problemas  diplomáticos. O País é signatário do Trips (Acordo sobre Aspectos dos  Direitos de Propriedade Intelectual Relacionados ao Comércio) e,  portanto, se o Ecad não recolhe os direitos sobre uma música  internacional tocada no rádio, o Brasil está sujeito a retaliação. Já  houve um caso: “Nós ingenuamente argumentamos ‘mas o Brasil não  supervisiona…’, e responderam ‘o problema é de vocês, que são  signatários do Trips”. “É uma preocupação que o Estado tem que ter, e  todos têm menos o Brasil. Ficamos vulneráveis”, diz.</p>
<p style="text-align: justify;">O coordenador diz que, por enquanto, acordos como o Acta não afetarão  o Brasil. “Não somos parte da negociação e não pretendemos aderir”.  Mas, no futuro, o acordo que endurece a batalha antipirataria no mundo  pode preocupar: “Podem tentar empurrar o Acta como instrumento de  pressão para qualquer coisa. Isso é preocupante”. Por enquanto, porém, é  melhor voltar a atenção ao próprio umbigo. O texto da reforma da lei  seria apresentado no final de 2009, mas o lançamento foi adiado. Hoje,  Souza diz que prefere não divulgar datas para evitar novos adiamentos.  Mas que vai sair, isso vai.</p>
<p style="text-align: justify;"><strong>O que pode mudar</strong></p>
<p style="text-align: justify;"><strong>Uso privado</strong><br />
O usuário poderá fazer cópia das obras para uso privado e também para  interoperabilidade (por exemplo, copiar uma música do CD para o MP3).</p>
<p style="text-align: justify;"><strong>Remix</strong><br />
Pequenos trechos poderão ser usados sem a necessidade de autorização nem  pagamento.</p>
<p style="text-align: justify;"><strong>Exceções</strong><br />
A lei permite a cópia sem autorização se a obra estiver esgotada, para  conservação e pesquisa (por museus e bibliotecas), para fins de difusão  cultural sem lucro (como cineclubes) e para garantir a acessibilidade.</p>
<p style="text-align: justify;"><strong>Licença</strong><br />
O Estado poderá licenciar obras consideradas de interesse público. O  mecanismo será aplicado para obras órfãs (aquelas em que não é possível  localizar o autor), esgotadas ou para aquelas em que os titulares  colocam obstáculos ao licenciamento</p>
<p style="text-align: justify;"><strong>Papel do Estado</strong><br />
Será criado um órgão estatal para área. Segundo o MinC, a ideia não  arrecadar direitos, mas regular a atuação do Ecad (que hoje tem  monopólio sobre a arrecadação de direitos). A criação de um instituto  não foi confirmada.</p>
<p style="text-align: justify;"><strong>“Não vamos amarelar a essa altura”, diz ministro da Cultura</strong></p>
<p style="text-align: justify;">O Ministro da Cultura, Juca Ferreira, garantiu: a reforma da lei dos  Direitos Autorais vai sair. E rápido. Convidado para fechar o Simpósio  Internacionais para Políticas Públicas para Acervos Digitais, Ferreira  recebeu da mão de várias entidades uma carta aberta cobrando a rápida  aprovação da reforma da lei. “É uma questão de honra para esse mandato  que essa proposta seja encaminhada urgentemente para consulta pública e  ao Congresso”, diz o documento.</p>
<p style="text-align: justify;">Ferreira disse que atenderá ao chamado. Afirmou que o ministério não  “vai amarelar” e que ele mesmo, hoje, “está ilegal” por ter músicas em  um iPod.</p>
<p style="text-align: justify;">O Brasil tem uma das piores leis de autorais do mundo, segundo a ONG  Consumers International. “Uma grande proteção intelectual não leva ao  desenvolvimento”, disse o australiano Jeremy Malcolm, representante da  ONG no Simpósio, mostrando um ranking dos países com os melhores índices  de proteção ao consumidor. “Os mais bem colocados são os que têm a  legislação mais flexível”, explica.</p>
<p style="text-align: justify;">Os direitos autorais foram tema das principais discussões no  Simpósio. Para Pedro Puntoni, coordenador da biblioteca digital da USP,  os direitos autorais hoje são o “gargalo” na digitalização de acervos.  “Esse é um problema que complica o direito maior: a obrigação do Estado  de preservar e garantir o acesso do cidadão à cultura”, diz.</p>
<p style="text-align: justify;">“O acervo digital não pode ter o mesmo tratamento do acervo  analógico”, sintetizou Marcos Wachowicz, professor de direito da UFSC. O  problema é conceitual: no meio digital há a cópia perfeita. Não é  possível encontrar o original. “Por isso o conceito de cópia deve ser  revisto”, explica. “Toda a população vira contraventora. A legislação  brasileira ainda não percebeu o ambiente digital”.</p>
<p style="text-align: justify;">Fonte: <a href="http://blogs.estadao.com.br/link/copyright-a-batalha/" target="_blank">Blog do Link</a></p>
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		<title>[Papo Cabeça] Temos a oportunidade histórica de devolver ao direito autoral sua atribuição original</title>
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		<pubDate>Thu, 29 Apr 2010 01:26:39 +0000</pubDate>
		<dc:creator>PDL</dc:creator>
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		<description><![CDATA[
De tão precisa e cartesiana, a teoria defendida pelo historiador Pablo Ortellado (Gpopai-USP)  causa estranhamento. Durante o Simpósio  Internacional de Políticas Públicas para Acervos Digitais, ele  procura provar com números e relações/deduções inteligentes que o direito  autoral não faria sentido no contexto da produção/consumo de livros no  Brasil.
É simples de [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p style="text-align: center;"><img src="http://farm4.static.flickr.com/3612/4559160498_0e3c709e39.jpg" alt="4559160498 0e3c709e39 [Papo Cabeça] Temos a oportunidade histórica de devolver ao direito autoral sua atribuição original" width="500" height="333" title="[Papo Cabeça] Temos a oportunidade histórica de devolver ao direito autoral sua atribuição original" /></p>
<p style="text-align: justify;">De tão precisa e cartesiana, a teoria defendida pelo historiador <strong><a href="http://culturadigital.br/members/pablo/" target="_blank">Pablo Ortellado</a></strong> (<a href="http://www.gpopai.usp.br/wiki/index.php/P%C3%A1gina_principal" target="_blank">Gpopai-USP</a>)  causa estranhamento. Durante o <a href="http://culturadigital.br/simposioacervosdigitais/" target="_blank">Simpósio  Internacional de Políticas Públicas para Acervos Digitais</a>, ele  procura provar com números e relações/deduções inteligentes que o <strong>direito  autoral não faria sentido no contexto da produção/consumo de livros no  Brasil</strong>.</p>
<p style="text-align: justify;">É simples de entender, na verdade. Para Ortellado, a “missão pública”  do direito autoral foi subordinada aos interesses econômicos. “Com a  tecnologia e a internet, temos a oportunidade histórica de colocar o  direito autoral no seu lugar original, de promover a criação e o  reembolso justo dos criadores”, diz.</p>
<p style="text-align: justify;"><strong>Acompanhe a argumentação:</strong></p>
<p style="text-align: justify;">- 70% do mercado de livros no Brasil é educacional (livros didáticos  ou técnico-cientificos), visto que o país tem baixa taxa de leitura e  alta taxa de analfabetismo. Por isso, a leitura se concentra em locais  compulsórios, como escolas e universidades.</p>
<p style="text-align: justify;">- Mas 85% dos estudantes comprometeriam <em>toda</em> a renda  familiar se fossem adquirir os livros requeridos na bibliografia básica  dos cursos por um ano.</p>
<p style="text-align: justify;">- 30% da bibliografia utilizada nos cursos são livros esgotados no  mercado. Portanto, os estudantes ou não têm o livro porque ele não está  no mercado ou porque é caro.</p>
<p style="text-align: justify;">- Nos últimos 10 anos, o número de vagas no ensino superior  brasileiro aumentou 238%, mas a produção e venda de livros  técnico-científicos ficou estagnada. Tradução: mais gente está na  faculdade, depois de políticas de incentivo como o <a href="http://siteprouni.mec.gov.br/">ProUni</a>, mas os novos estudantes  não podem comprar livros.</p>
<p style="text-align: justify;"><strong>A presença do Estado neste setor é bastante significativa:</strong></p>
<p style="text-align: justify;">1 – paga salários a cientistas e financia a pesquisa<br />
2 – dá imunidade tributária e incentivos a empresas editoras<br />
3 – mantém editoras públicas, com recursos que seriam das universidades<br />
4 – compra 30% do mercado editorial para distribuir os livros na rede  pública de ensino</p>
<p style="text-align: justify;"><strong>Sobre cada um dos pontos:</strong></p>
<p style="text-align: justify;">1- de 26% a 86% dos autores de livros estavam trabalhando em setor  público com dedicação integral quando escreveram o livro. O livro foi um  subproduto desses funcionários públicos, que faziam isso em horas  vagas. Além disso, 92% do financiamento da pesquisa acadêmica no país  tem origem em fundos públicos (agências de fomento à pesquisa  científica). Conclusão: quase todos os conteúdos são fruto de  investimento público direto.</p>
<p style="text-align: justify;">2- A isenção do setor livreiro de impostos faz com que deixe de se  arrecadar mais de R$ 1 bilhão, algo equivalente ao orçamento de todo o  Ministério da Cultura.</p>
<p style="text-align: justify;">3- As editoras públicas não têm um modelo de gestão em que algum  lucro é previsto, para reinvestimento, como no caso da Petrobras. É tudo  integralmente subsidiado pelo governo nesse cenário.</p>
<p style="text-align: justify;">- Por isso, a conclusão: se há financiamento público maciço em toda a  cadeia, por que falar em direito autoral? “É um salário duplo”, afirma.</p>
<p style="text-align: justify;">- Ainda mais pensando que a produção anual média no melhor  departamento de sociologia do país (escolhido de propósito como modelo) é  de apenas um livro completo publicado, fora alguas coletâneas de  artigos. Média: dois capítulos por professor por ano. Salário do  professor universitario: R$ 9.500 em média. Direito autoral sobre as  obras produzidas: R$ 100. “É absolutamente irrelevante. Isso porque  geralmente o professor nem recebe o direito autoral,,  prefere receber  em livros.”</p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #ff0000;">- Se é um setor altamente subsidiado pelos governos, como dizer que  há prejuizo ao setor de livros com pirataria e xerox? A Associação Brasileira de Direitos  Reprográficos (ABDR) divulga que 2 bilhões de cópias não autorizadas  são feitas no Brasil por ano, o que gera R$ 400 milhões de prejuizo e  R$ 60 milhões de impostos não arrecadados ao governo. “Mas essa  pesquisa, se sequer foi feita, nunca é apresentada, divulgada de forma  aberta, não se sabe a metodologia”, diz Ortellado.</span></p>
<p style="text-align: justify;">“Um setor com tanto subsídio precisa dar um retorno à sociedade.  Precisa levar à sociedade o retorno e o interesse público da ciência,  que está hoje subjugado ao interesse econômico dos direitos autorais”, é  a conclusão do professor Pablo Ortellado. Ele faz a afirmação final e é  aplaudido.</p>
<p style="text-align: right;">Por Lucas Pretti</p>
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		<title>[Papo Cabeça] Porque os &#8220;direitos de autor&#8221; devem voltar à sua intenção original (The Economist)</title>
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		<pubDate>Tue, 27 Apr 2010 20:33:48 +0000</pubDate>
		<dc:creator>PDL</dc:creator>
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		<description><![CDATA[
Quando o Parlamento decidiu, em 1709, criar uma lei  que protejesse os livros da pirataria, as editoras e livreiros com sede  em Londres, que vinham clamando por proteção, ficaram extasiados. Quando  a Rainha Anne deu seu parecer favorável em 10 de abril do ano seguinte —  em data que completa 300 [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p style="text-align: justify;"><img class="aligncenter" src="http://media.economist.com/images/images-magazine/2010/15/ld/201015ldd002.jpg" alt="201015ldd002 [Papo Cabeça] Porque os direitos de autor devem voltar à sua intenção original (The Economist)" width="500" title="[Papo Cabeça] Porque os direitos de autor devem voltar à sua intenção original (The Economist)" /></p>
<p style="text-align: justify;"><strong>Quando o Parlamento decidiu, em 1709</strong>, criar uma lei  que protejesse os livros da pirataria, as editoras e livreiros com sede  em Londres, que vinham clamando por proteção, ficaram extasiados. Quando  a Rainha Anne deu seu parecer favorável em 10 de abril do ano seguinte —  <strong>em data que completa 300 anos esta semana</strong> — ao que  considerou “um ato para o encorajamento da aprendizagem”, eles já não  pareciam tão entusiasmados. O Parlamento concedeu-lhes direitos de  proteção, mas estabeleceu um limite de tempo para tal: 21 anos para os  livros já impressos e 14 anos para as novas publicações, com um  adicional de 14 anos caso o autor ainda estivesse vivo ao final do  primeiro mandato. Depois do período de proteção, todo este conteúdo  entraria em domínio público, estando liberado para que qualquer um possa  reproduzi-lo. Os parlamentares fizeram valer sua intenção de equilibrar  o incentivo à criação com o interesse que a sociedade tem no acesso  livre ao conhecimento e a arte. O Estatuto de Anne, assim, ajudou a  fomentar e canalizar a onda de criatividade que a sociedade iluminista e  seus sucessores empreenderam deste então.</p>
<p style="text-align: justify;">Nos últimos 50 anos, porém, o equilíbrio foi alterado. Em grande  parte graças aos advogados e lobistas da indústria do entretenimento, o  escopo e duração da proteção dos direitos autorais aumentou muito. Nos  Estados Unidos, detentores de direitos autorais obtiveram proteção de 95  anos como resultado de uma prorrogação concedida em 1998, ato que foi  ironizado pelos críticos como o “Mickey Mouse Protection Act”. Moções em  curso estão apelando para uma proteção ainda maior, e tem havido  esforços para introduzir termos semelhantes na Europa. Tais argumentos  devem ser combatidos: <strong>é hora de fazer a balança voltar ao prumo</strong>.</p>
<h3 style="text-align: justify;"><strong>“<em>Annie get your gun</em>“</strong></h3>
<p style="text-align: justify;">A proteção prolongada, argumenta-se, aumenta o incentivo para criar.  No caso, a tecnologia digital parece reforçar o argumento: ao tornar a  cópia mais fácil, parece exigir uma maior proteção em troca. A idéia de  estender direitos de autor também tem um apelo moral. A propriedade  intelectual pode, por vezes, assemelhar-se em muito aspectos à  propriedade de bens imóveis, especialmente quando ela é sua, e não de  alguma corporação sem rosto. Como resultado as pessoas sentem que, uma  vez que são donas da obra, especialmente se elas mesmo a produziram,  eles devem possuí-la como propriedade, da mesma forma como poderiam  transmitir aos seus descendentes uma casa que adquiriram em vida. De  acordo com esta leitura, a proteção deve ser permanente, e tentar elevar  ao máximo o limite do tempo de proteção aproximando-o da perpetuidade  torna-se uma demanda razoável.</p>
<p style="text-align: justify;">No entanto, a noção de que o alongamento do tempo de proteção promove  maior criatividade dos autores é questionável. Autores e artistas em  geral não consultam os livros de lei antes de decidir se querem ou não  pegar em uma caneta ou pincel. E períodos excessivos de proteção dos  direitos de autor em geral dificultam ao invés de incentivar a difusão,  impacto e influência de uma obra. Pode ser muito difícil localizar os  detentores do copyright para obter o direito de reutilização de  materiais antigos. Como resultado, todo este conteúdo acaba em um limbo  legal (e no caso de filmes e gravações de som antigos, tendem a  extinção, pois realizar a cópia digital a fim de preservá-los também  pode constituir um ato de infracção). As sanções, até mesmo por  violações inadvertidas, são tão punitivas que os criadores têm  incorporado a rotina de auto-censura ao seu trabalho. Por outro lado, o  advento da tecnologia digital também não reforça a necessidade de  prorrogação do período de proteção, uma vez que uma das motivações  originais do marco regulatório dos direitos autorais está relacionada à  cobertura parcial dos custos de criação e distribuição de obras em forma  física. A tecnologia digital diminui drasticamente estes custos e,  portanto, reduz o argumento para a proteção.</p>
<p style="text-align: justify;">A argumentação moral, embora mais fácil de ser levada à sério,  configura de fato uma tentativa de “fazer o bolo e também comê-lo”.  O  copyright foi originalmente a concessão de um monopólio temporário  apoiado pelo governo sobre a cópia de um trabalho, não um direito de  propriedade. De 1710 em diante, se constituiu em um acordo no qual o  autor ou editor desiste de qualquer reivindicação natural e permanente, a  fim de que o estado a proteger esta forma de direito artificial e  limitado. É assim que este acordo está constituido, até hoje.</p>
<p style="text-align: justify;">A questão é como esse acordo pode ser constituído de forma  equilibrada. Neste momento, os termos do acordo favorecem demasiadamente  os editores. Um retorno para os direitos autorais de 28 anos do  Estatuto da Anne pode em muitos aspectos ser considerado arbitrário, mas  não podemos dizer que não é razoável. Se há casos que justificam prazos  mais longos de proteção, eles devem funcionar com base em um modelo de  renovação dos direitos, de modo que o conteúdo não seja bloqueado  automaticamente. O valor que a sociedade imputa à criatividade deve  gerar cenários onde o ‘uso justo’ (limitações e exceções) seja ampliado,  e a violação inadvertida de direitos de autor deve ser minimamente  penalizada. Nada disso deve ficar no caminho da aplicação dos direitos  de autor, que continua a ser uma ferramenta vital na promoção da  aprendizagem. Mas ferramentas não são fins em si mesmos.</p>
<p style="text-align: justify;">Artigo <a href="http://www.economist.com/opinion/displaystory.cfm?story_id=15868004" target="_blank">publicado no editorial de 08/04/2010 da Revista The Economist</a>, <a href="http://culturadigital.br/blog/2010/04/09/editorial-do-the-economist-porque-os-direitos-de-autor-devem-voltar-a-sua-intencao-original/" target="_blank">traduzido do Inglês por José Murilo</a></p>
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		<title>[Notícias] Ministério da Cultura dá aos grandes e esquece dos pequenos</title>
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		<pubDate>Tue, 06 Apr 2010 15:08:33 +0000</pubDate>
		<dc:creator>PDL</dc:creator>
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		<description><![CDATA[Artigo publicado originalmente por Ademir Assunção no blog Espelunca







Rolling  Stone: R$ 524  mil de dinheiro público via Ministério da Cultura
Coyote: R$ zero vírgula zero zero



No segundo semestre do ano passado o Ministério da Cultura  lançou o edital para Periódicos de Conteúdo Cultural.
Não sei se revistas literárias como Babel (Santos), Ontem choveu no [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p style="text-align: center;">Artigo publicado originalmente por Ademir Assunção no blog <a href="http://zonabranca.blog.uol.com.br/arch2010-03-28_2010-04-03.html#2010_04-01_11_59_42-2503858-0" target="_blank">Espelunca</a></p>
<table style="width: 502px; height: 338px;" border="0">
<tbody>
<tr>
<td><img src="http://img101.imageshack.us/img101/4118/caparollingstone.jpg" alt="caparollingstone [Notícias] Ministério da Cultura dá aos grandes e esquece dos pequenos"  title="[Notícias] Ministério da Cultura dá aos grandes e esquece dos pequenos" /></td>
<td style="text-align: center;"><img src="http://img168.imageshack.us/img168/1981/coyote19.jpg" alt="coyote19 [Notícias] Ministério da Cultura dá aos grandes e esquece dos pequenos"  title="[Notícias] Ministério da Cultura dá aos grandes e esquece dos pequenos" /></td>
</tr>
<tr>
<td style="text-align: center;"><strong>Rolling  Stone: R$ 524  mil de dinheiro público via Ministério da Cultura</strong></td>
<td style="text-align: center;"><strong>Coyote: R$ zero vírgula zero zero</strong></td>
</tr>
</tbody>
</table>
<p style="text-align: justify;">No segundo semestre do ano passado o Ministério da Cultura  lançou o edital para Periódicos de Conteúdo Cultural.</p>
<p style="text-align: justify;">Não sei se revistas literárias como Babel (Santos), Ontem choveu no futuro (Campo  Grande), Entretanto (Recife), Polichinelo (Belém), revistas pequenas e de grande qualidade, foram inscritas. A Coyote foi.</p>
<p style="text-align: justify;">Esta semana saiu o resultado. Os vencedores: Rolling  Stone (que tem na capa da edição de março o apresentador do  Big Brother Brasil, Pedro Bial), levou Cr$ 524 mil. A Cult,  R$ 504 mil, a Brasileiros, R$ 441 mil e a Piauí, R$ 399 mil.</p>
<p style="text-align: justify;">De um lado, revistas comerciais, de mercado, que se sustentam  com vendas e anúncios.</p>
<p style="text-align: justify;">De outro, revistas de pequena estrutura, sem a menor chance de  sobrevivência na rapina do mercado e que realmente veiculam conteúdos  altamente culturais.</p>
<p style="text-align: justify;">Como a distinta platéia sabe, revistas literárias no Brasil,  desde o tempo da <a href="http://ebooksgratis.com.br/livros-ebooks-gratis/tecnicos-e-cientificos/cultura-antropofagia-digitalizada-brasiliana/" target="_blank">Klaxon </a>(dos modernistas),da <a href="http://ebooksgratis.com.br/livros-ebooks-gratis/tecnicos-e-cientificos/cultura-antropofagia-digitalizada-brasiliana/" target="_blank">Revista de Antropofagia</a> (de Oswald de Andrade), e da Joaquim (de Dalton Trevisan), têm vida breve. Apesar  da qualidade (internacional!) morrem a míngua pela falta de recursos.</p>
<p style="text-align: justify;">E o Ministério da Cultura, contrariando todo o seu discurso,  preferiu injetar recursos nas revistas de mercado e virar as costas para  as revistas literárias, de pequena ou nenhuma estrutura, feitas  invariavelmente por poetas e escritores, que publicam o que há de melhor  e mais radical na literatura brasileira, e que lutam heroicamente para  se manterem vivas.</p>
<p style="text-align: justify;">Nos discursos, a equipe ministerial até já não se esquece de  incluir a literatura quando fala de políticas públicas para a cultura.  Na prática, continua cagando e andando para os escritores.</p>
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		<title>[Notícias] Aprendendo com os piratas</title>
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		<pubDate>Mon, 05 Apr 2010 21:06:00 +0000</pubDate>
		<dc:creator>PDL</dc:creator>
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Pesquisador que levantou a história da pirataria diz que discurso  libertário pela cultura livre é secular e Google Books pode mudar a  forma como entendemos o direito autoral

O historiador Adrian Johns, da Universidade de Chicago,  acha que falta perspectiva histórica tanto àqueles que odeiam as redes  P2P quanto para os defensores [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<div>
<p><strong>Pesquisador que levantou a história da pirataria diz que discurso  libertário pela cultura livre é secular e Google Books pode mudar a  forma como entendemos o direito autoral</strong></p>
<p style="text-align: justify;"><img src="http://img512.imageshack.us/img512/8809/piracy.jpg" alt="piracy [Notícias] Aprendendo com os piratas"  title="[Notícias] Aprendendo com os piratas" /></p>
<p style="text-align: justify;">O historiador Adrian Johns, da Universidade de Chicago,  acha que falta perspectiva histórica tanto àqueles que odeiam as redes  P2P quanto para os defensores da cultura livre. Autor do mais completo  estudo já publicado sobre o surgimento e a consolidação da pirataria,  <strong>Piracy – The Intellectual Property Wars From Gutenberg to Gates </strong>(um  calhamaço de 636 páginas lançado no começo do ano nos EUA), o professor  acha que só é possível entender a revolução que a internet trouxe para  os direitos autorais olhando as raízes das cópias ilegais e  falsificações, que datam do século 17. Ao Link, Johns falou sobre o  passado e o futuro da pirataria.</p>
<p style="text-align: justify;"><strong>Quais os debates atuais que podem mudar a maneira como pensamos a  pirataria?</strong></p>
<p style="text-align: justify;">Eu destacaria a briga em torno do Google Books, que retoma uma série  de questões já levantadas, mas que até então não passavam de  especulações. A maior delas tem a ver com fazer que o conhecimento  produzido há milênios seja acessível no futuro para muito mais gente. O  plano do Google de digitalizar todo esse conteúdo – e obviamente lucrar  com isso –, só tem o copyright como barreira. Esse pode ser o mais  importante caso jurídico de copyright na história dos EUA. Pode acabar  com uma noção que conhecemos em quase 250 anos.</p>
<p style="text-align: justify;"><strong>O que mudou dos tempos de Gutenberg para os de Bill Gates, com a  internet?</strong></p>
<p style="text-align: justify;">A grande mudança foi a proliferação de mídia: fotografia, gravadores,  vídeo e agora arquivos digitais. Cada um desencadeou um tipo de  pirataria e novas estratégias de combate. Porém, as redes P2Pcausaram  uma revolução. Com o digital, quase não há custo para copiar e  distribuir. Ao mesmo tempo, ficou mais fácil monitorar a ação dos  piratas. O futuro da pirataria surgirá da tensão entre esses dois  extremos.</p>
<p style="text-align: justify;"><strong>A cultura digital exige novas regras? Ou usar informações  &#8220;emprestadas&#8221; fez sempre parte do processo criativo?</strong></p>
<p style="text-align: justify;">Acho que leis diferentes são necessárias não só por causa do ambiente  digital, mas porque todas as práticas, mesmo a das indústrias, mudou  com a web. Novas leis serão criadas e adaptadas à nova realidade. Não  sei se a pirataria, de ideias ou produtos, faz parte da natureza humana.  Mas é difícil imaginar uma sociedade em que as pessoas não o fazem. Não  seria uma organização que chamaríamos de &#8220;social&#8221;, com certeza.  &#8220;Roubamos&#8221; em cada pequeno ato.</p>
<p style="text-align: justify;"><strong>Em seu livro, você diz que as batalhas da indústria contra Napster e  PirateBay são similares às do passado, e que &#8220;devemos fazer uso dessa  experiência&#8221;. Qual a semelhança?</strong></p>
<p style="text-align: justify;">Essa retórica libertária dos criadores do PirateBay não é nova.  Podemos ouvir as mesmas alegações daqueles que defendiam os primeiros  falsificadores de livros, no século 17. Mas, apesar das repetições, o  argumento continua válido. As práticas antipirataria, desenvolvidas a  partir do Iluminismo, são repetidamente levadas longe demais. Esforços  para barrar a criatividade alheia provaram-se contraproducentes.  Principalmente porque sempre foram radicais demais, arriscando até  direitos como o da privacidade. Com essa atitude, a indústria costuma  provocar uma reação pior para eles do que era a pirataria que combatiam  no início. Vemos isso agora.</p>
<p style="text-align: justify;"><strong> A pirataria é importante para criar novos mercados?</strong></p>
<p style="text-align: justify;">Sim. A pirataria é tão forte porque a informação se tornou o  componente dominante da economia global. E ao longo da história, ela  serviu, sim, para quebrar monopólios e criar soluções. Os livros ficavam  nas mãos apenas de alguns oligarcas. Sem ela, os pioneiros do download  não teriam criado o modelo de negócios da música digital. Eles poderiam  até criar uma alternativa sem corromper as leis, mas, sem a pirataria,  nós nem teríamos conhecido suas ideias.</p>
<p style="text-align: right;"><strong>Fonte</strong>: estado.com.br</p>
<blockquote>
<p style="text-align: justify;"><strong>Nota do blog:</strong></p>
<p style="text-align: justify;">Parte do livro <a href="http://www.scribd.com/doc/25562140/Piracy-The-Intellectual-Property-Wars-from-Gutenberg-to-Gates" target="_blank">pode ser lido no scribd</a>. O download completo custa 10 dólares.</p>
</blockquote>
</div>
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		<title>[Papo Cabeça] A grande peleja autoral</title>
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		<pubDate>Thu, 11 Mar 2010 20:54:05 +0000</pubDate>
		<dc:creator>PDL</dc:creator>
				<category><![CDATA[Informação e Cultura]]></category>
		<category><![CDATA[Notícias]]></category>
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		<category><![CDATA[Cultura Digital]]></category>
		<category><![CDATA[Direito autoral]]></category>
		<category><![CDATA[direitos autorais]]></category>

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		<description><![CDATA[Em abril, o governo vai dispor para consulta pública o novo texto da Lei dos Direitos Autorais, que atinge novas tecnologias e é combatido por entidades arrecadadoras

Dramaturgos, compositores, músicos, atores, diretores, pintores, escultores: todos os que têm direito de receber por eventuais reproduções de suas obras estão em compasso de espera. Sairá no início do [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p style="text-align: justify;">Em abril, o governo vai dispor para consulta pública o novo texto da <strong>Lei dos Direitos Autorais</strong>, que atinge novas tecnologias e é combatido por entidades arrecadadoras</p>
<p style="text-align: justify;"><img class="aligncenter" src="http://www.estadao.com.br/estadaodehoje/20100311/img/2.1.imagem_campus.jpg" alt="2.1.imagem campus [Papo Cabeça] A grande peleja autoral" width="499" height="299" title="[Papo Cabeça] A grande peleja autoral" /></p>
<p style="text-align: justify;">Dramaturgos, compositores, músicos, atores, diretores, pintores, escultores: todos os que têm direito de receber por eventuais reproduções de suas obras estão em compasso de espera. Sairá no início do próximo mês, da Casa Civil, o novo texto que altera a Lei do Direito Autoral no País. Ainda em meados de abril, segundo o Ministério da Cultura, a legislação será disposta para consulta pública na internet e depois vai ao Congresso.</p>
<p style="text-align: justify;">A maior mudança, como já foi adiantado pelo Estado em novembro, é a criação do Instituto Brasileiro do Direito Autoral (IBDA), órgão público destinado a fiscalizar e dar transparência à atuação das entidades arrecadadoras.</p>
<p style="text-align: justify;">Mas o documento aborda também questões criadas pela tecnologia e pelos novos processos de reprodução de obras. Pela legislação atual (Lei nº 9.610, de 19 de fevereiro de 1998), por exemplo, copiar um livro inteiro não é permitido (apenas trechos). A nova lei vem com mecanismos de flexibilização &#8211; se a pessoa faz a cópia para uso privado ( &#8220;de qualquer obra legitimamente adquirida&#8221;), pode reproduzir um livro inteiro, que não estará mais cometendo crime. Também será permitida a cópia de livro ou disco com edições esgotadas (há muito fora de catálogo e que não se encontre no mercado por no mínimo 5 anos).</p>
<p style="text-align: justify;">A fotocópia terá um capítulo específico na lei. O download de discos, filmes e livros, se feito de uma fonte não legalizada, continua passível de criminalização. A legislação deve incluir a possibilidade do sample musical &#8211; a permissão do uso de trechos de uma obra para a construção de novas obras. &#8220;É inexorável. O sample veio para ficar, já se utiliza largamente isso em várias linguagens&#8221;, disse Marcos Alves, diretor de Direitos Intelectuais do Ministério da Cultura (MinC), que coordena a mudança.</p>
<p style="text-align: justify;">As empresas de comunicação também entram na lei. Entre as novas regras, consta a seguinte: um jornal só terá direitos sobre um artigo publicado de um jornalista durante 20 dias (a menos que o autor tenha assinado contrato específico).</p>
<p style="text-align: justify;">Novos marcos legais são defendidos no mundo todo. No Japão, a cada quatro anos a legislação é revisada. &#8220;Há um descompasso entre o que as pessoas fazem e o que a lei prevê&#8221;, diz o advogado americano Lawrence Lessig, criador do Creative Commons &#8211; entidade que defende menos rigidez e uma &#8220;território livre&#8221; no direito autoral. Mas o Ministério da Cultura já não é mais um entusiasta do Creative Commons desde que Gilberto Gil saiu da pasta. &#8220;O apoio ao Creative Commons era uma posição de Gil enquanto artista, não ministro&#8221;, explica Juca Ferreira, atual ocupante do cargo. &#8220;A internet não é território livre, demanda autorização dos titulares, assim como o print&#8221;, diz Marcos Alves, do MinC.</p>
<p style="text-align: justify;">O advogado Roberto Corrêa de Mello, presidente da Associação Brasileira de Música e Artes (Abramus, entidade com 23 mil associados, entre eles Ivete Sangalo, Caetano e Tom Zé) e diretor da Associação Brasileira de Direito Autoral (ABDA), fala em &#8220;dirigismo&#8221;, &#8220;intervencionismo&#8221; e &#8220;ideologia governamental&#8221;. Corrêa acusa a política de direitos intelectuais defendida pelo governo de estar &#8220;claramente atrelada aos interesses das empresas de conteúdo&#8221;.</p>
<p style="text-align: justify;">&#8220;O que a gente vê é uma voracidade danada do Estado de entrar no negócio do direito privado. Tudo pelo que a gente lutou durante 30 anos cai por terra. Porque tudo que era nitidamente antropocêntrico, de direito privado, está sofrendo uma ingerência, como se isso fosse público&#8221;, diz Corrêa.</p>
<p style="text-align: justify;">&#8220;Essa proposta de alteração representa a evolução do retrocesso&#8221;, afirma Dalton Morato, consultor jurídico da Associação Brasileira de Direitos Reprográficos (ABDR). Segundo ele, a atual lei, de 1998, foi fruto de uma recomendação internacional, após assinatura de acordo com a Organização Mundial do Comércio (OMC), &#8220;tendo em vista o ambiente de desrespeito ao direito autoral que vigorava na época&#8221;. Segundo Morato, que defende 126 associados, &#8220;a relação entre autor e editor não carece de intervenção do Estado. E os autores não querem.&#8221;</p>
<p style="text-align: justify;">&#8220;A maior queixa dos artistas junto ao ministério é o fato de a arrecadação dos direitos autorais ser feita sem nenhum controle. Quase todos se sentem lesados nesse processo. Pode até não ser, mas a falta de transparência cria um clima de desconfiança e falta de transparência no processo&#8221;, disse ao Estado o ministro da Cultura, Juca Ferreira. &#8220;A gente não quer fazer arrecadação, existem estruturas para fazer isso. Existia o Conselho Nacional dos Direitos Autorais, que acompanhava, dava garantias ao artista de que o direito autoral era transparente, era justa a coleta e a redistribuição do pagamento do trabalho. Hoje isso não tem. Então é preciso criar esse mecanismo&#8221;, defendeu.</p>
<p style="text-align: justify;"><strong>O Que Vai Mudar</strong></p>
<p style="text-align: justify;"><strong>SEDE:</strong> A criação do Instituto Brasileiro do Direito Autoral (IBDA), com sede em Brasília, ocorrerá 120 dias após a sanção da lei, para fiscalizar e para disciplinar a arrecadação de recursos</p>
<p style="text-align: justify;"><strong>XEROCAR:</strong> Se uma pessoa faz uma cópia de um livro inteiro, para uso privado, desde que a obra tenha sido legitimamente adquirida, não estará mais cometendo um crime</p>
<p style="text-align: justify;"><strong>ESGOTADOS:</strong> Também será permitida a cópia de livro ou disco com edições esgotadas (fora de catálogo e do mercado por no mínimo 5 anos)</p>
<p style="text-align: justify;"><strong>TEMPO PROTEGIDO:</strong> O prazo de proteção de obra coletiva será de 70 anos, mas não a partir da morte dos autores, e sim de sua publicação</p>
<p style="text-align: right;"><strong>Fonte</strong>: Estadão</p>
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		<title>[Papo Cabeça] Compartilhar não é crime &#8211; Don Tapscott</title>
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		<pubDate>Sat, 20 Feb 2010 16:03:07 +0000</pubDate>
		<dc:creator>PDL</dc:creator>
				<category><![CDATA[Informação e Cultura]]></category>
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		<category><![CDATA[Don Tapscott]]></category>

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		<description><![CDATA[Artigo publicado na Infoexame de Fevereiro de 2010, escaneado e devidamente compartilhado por nosso blog.

Lei inglesa pode levar indústria fonográfica ao colapso
Sinto-me obrigado a comentar a Lei de Economia Digital do governo do Reino Unido. E já vou dizer porque: eu já discutia o termo &#8220;economia digital&#8221; em 1995, no meu livro que levava esse [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p style="text-align: center;"><em>Artigo publicado na Infoexame de Fevereiro de 2010, escaneado e devidamente compartilhado por nosso blog.</em></p>
<p style="text-align: justify;"><img class="aligncenter" src="http://softwarelivre.org/articles/0002/5214/don-tapscott-20090808150754.jpg" alt="don tapscott 20090808150754 [Papo Cabeça] Compartilhar não é crime   Don Tapscott" width="500" height="333" title="[Papo Cabeça] Compartilhar não é crime   Don Tapscott" /></p>
<p style="text-align: justify;"><strong>Lei inglesa pode levar indústria fonográfica ao colapso</strong></p>
<p style="text-align: justify;">Sinto-me obrigado a comentar a Lei de Economia Digital do governo do Reino Unido. E já vou dizer porque: eu já discutia o termo &#8220;economia digital&#8221; em 1995, no meu livro que levava esse nome. Essa nova lei é falha, pois pune os internautas que compartilham músicas. Temos de superar a idéia de que compartilhar música é um roubo. A obsessão por controle, o combate à pirataria e os formatos proprietários criados pela indústria apenas enfurecem os fãs de música.</p>
<p style="text-align: justify;">A solução é parar de tentar vender as músicas por um preço definido. <strong>A indústria da música tem de pensar como um wiki. A música deve ser um serviço, não um produto. </strong>Em vez de comprar faixas, você poderia pagar uma pequena quantia mensal — vamos estimar cerca de 5 dólares — para acessar todas as músicas do mundo. As gravações seriam enviadas para você sob demanda, pela internet, para qualquer equipamento.</p>
<p style="text-align: justify;">Todo consumidor teria seu canal e poderia fazer pesquisas no enorme banco de dados musical do jeito que quisesse — por artista, gênero, popularidade e assim por diante. O seu canal daria sugestões de acordo com seu gosto. Também seria possível ter acesso a uma playlist com as favoritas do Mick Jagger, por exemplo.</p>
<p style="text-align: justify;">Músicos, compositores e gravadoras seriam compensados por meio de sistemas que analisam sua popularidade. O bolo seria dividido entre eles de acordo com o número de vezes que a música fosse transmitida. Isso solucionaria o problema de direitos autorais. Ninguém mais iria &#8220;roubar&#8221; música. Por que tomar posse de uma música se você pode ouvi-la a qualquer hora, em qualquer equipamento?</p>
<p style="text-align: justify;">Outras propostas poderiam solucionar o problema, mas elas também vêm de um pensamento do mundo wiki, de espirito de colaboração. Os especialistas em propriedade intelectual William Fisher e Neil Netanel<br />
argumentam que os sites P2P deveriam receber autorização para distribuir música gratuitamente. E quem pagaria por isso seriam os provedores de internet e os fabricantes de equipamentos. Outra iniciativa é a da Electronic Frontier Foundation, que propôs uma licença que daria ao comprador a imunidade de processos por compartilhamento de arquivos. Mais uma vez, as taxas cobradas para obter a licença remunerariam os artistas.</p>
<p style="text-align: justify;">Pensamentos como esses têm o apoio de um número crescente de músicos. AAssociação de Compositores do Canadá, por exemplo, está propondo uma taxa de 4 dólares mensais para acessar as músicas por demanda, que seria administrada pelos provedores de internet.</p>
<p style="text-align: justify;">Em vez de criar novas propostas para o entretenimento digital, a legislação do Reino Unido mostra a persistência em um modelo de negócio ultrapassado. Assim, a indústria que nos trouxe os Beatles é odiada por seus consumidores e está entrando em colapso.</p>
<p style="text-align: right;"><strong>DON TAPSCOTT</strong> É CANADENSE E AUTOR DOS LIVROS WIKINOMICS E GROWN DP DIGITAL. QUANDO ESTÁ FORA DO COMPUTADOR, ELE CORRE PARA O PIANO</p>
]]></content:encoded>
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		<title>[Papo Cabeça] Brasileiro não gosta de ler brasileiro</title>
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		<pubDate>Wed, 10 Feb 2010 02:37:54 +0000</pubDate>
		<dc:creator>PDL</dc:creator>
				<category><![CDATA[Informação e Cultura]]></category>
		<category><![CDATA[Papo Cabeça]]></category>
		<category><![CDATA[hábitos de leitura]]></category>
		<category><![CDATA[Prêmio Jabuti]]></category>
		<category><![CDATA[Prêmio Nobel de Literatura]]></category>

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Brasileiro não gosta de ler escritor brasileiro. Basta conferir nas  listas “dos mais vendidos” que saem nos cadernos culturais e nas  revistas semanais. Pegue as listas da Veja, por exemplo. Se for obra de  ficção o cara só vai encontrar “best-seller” de escritor estrangeiro,  norte-americano de preferência. Na  da Veja desta [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p style="text-align: center;"><img class="aligncenter" src="http://img42.imageshack.us/img42/454/maisvendidos.jpg" alt="maisvendidos [Papo Cabeça] Brasileiro não gosta de ler brasileiro"  title="[Papo Cabeça] Brasileiro não gosta de ler brasileiro" /></p>
<p style="text-align: justify;">Brasileiro não gosta de ler escritor brasileiro. Basta conferir nas  listas “dos mais vendidos” que saem nos cadernos culturais e nas  revistas semanais. Pegue as listas da Veja, por exemplo. Se for obra de  ficção o cara só vai encontrar “best-seller” de escritor estrangeiro,  norte-americano de preferência. Na  da Veja desta semana dos dez livros  de ficção mais vendidos, 8 são de autores norte-americanos, 1 canadense e  1 (viva!) brasileiro. Só que o patrício, de nome <a href="http://ebooksgratis.com.br/tag/augusto-cury/" target="_blank">Augusto Cury</a>,  psiquiatra, joga mais no time de escritores tipo autoajuda e não entendi  como chegou à categoria de ficção.</p>
<p style="text-align: justify;">A campeoníssima é a escritora  <a href="http://ebooksgratis.com.br/tag/stephenie-meyer/" target="_blank">Stephanie Meye</a>r, dos Estados Unidos. Está no placar com quatro livros,  sendo que um deles, “Crepúsculo”, tem lugar cativo na lista há 85  semanas. Outra norte-americana, L.S. Smith, comparece com dois livros.  Os outros gringos são <a href="http://ebooksgratis.com.br/tag/dan-brown/">Dan Brown</a> e <a href="http://ebooksgratis.com.br/tag/rick-riordan/" target="_blank">Rick Riordan</a>, americanos, e William  Young, canadense, que fala muito do amor de Deus em sua literatura.  Europa toda de fora; escritor latino-americano nem pensar. Africano faz  muito tempo que não é citado e olhe, cara, que tem muita gente boa,  alguns com o Nobel brilhando no peito, isso sem falar em Mia Couto,  Pepetela, Manoel Lopes, José Craverinha, Helder Macedo, José Eduardo  Agualusa, Ondjaki, Agostinho Neto, Gonçalo M. Tavares, africanos que  falam e escrevem em língua portuguesa.</p>
<p style="text-align: justify;">Entre os  leitores  natalenses, claro, acontece o mesmo “fenômeno”. Confiro na lista da  Siciliano, que sai colada à coluna de Carlos Souza, “Toque &#8211; Livros  &amp; Cultura”, todas as quartas-feiras nesta brava Tribuna do Norte, às  vésperas (será em março) de comemorar 60 anos. Um detalhe: no placar  dos livros de ficção mais vendidos na Siciliano de Natal não há nenhum  autor brasileiro. Só a danada da americana Stephanie Meyer ocupa a  metade da lista dos “10 mais”.</p>
<p style="text-align: justify;">Se for livro de Poesia, aí, então,  é uma verdadeira catástrofe. Em lista nenhuma encontra-se um livro de  poema, um só. Nem de poeta de além mar, nem de nativo das praias de cá.  Nem um Fernando Pessoa, nem um Carlos Drummond de Andrade. Nem na Veja  nem na Siciliano. Bom, na lista da Siciliano, abre-se,  aqui e acolá uma  exceção, mormente dias após o lançamento para livro de poeta desta  aldeia de Poti mais esquecida. Olhe lá.</p>
<p style="text-align: center;"><img class="aligncenter" src="http://img32.imageshack.us/img32/8933/manualpaixaosotilatiai.jpg" alt="manualpaixaosotilatiai [Papo Cabeça] Brasileiro não gosta de ler brasileiro" width="500" height="416" title="[Papo Cabeça] Brasileiro não gosta de ler brasileiro" /></p>
<h3 style="text-align: justify;">Nem os premiados</h3>
<p style="text-align: justify;">Nem entre os autores brasileiros  premiados, em cujos céus flutua a nata de nossa literatura, são  encontrados nas listas dos “10 mais lidos”. Brasileiro também não gosta  de ler escritor premiado. Estou aqui com a relação dos premiados nos  três mais importantes prêmios literários do país, ano passado, e não  vejo nenhum deles em lista nenhuma. Os prêmios são o <a href="http://ebooksgratis.com.br/tag/premio-jabuti/" target="_blank">Jabuti</a> &#8211; o mais  antigo dos três -, o Portugal Telecom de Literatura em Língua Portuguesa  e o Prêmio São Paulo de Literatura, este pagando uma nota de 200 mil  reais ao vencedor.</p>
<p style="text-align: justify;">O <a href="http://ebooksgratis.com.br/informacao-e-cultura/noticias-saiu-os-vencedores-do-51%c2%b0-premio-jabuti/" target="_blank">Jabuti de 2009</a>, categoria Romance, foi para o  escritor gaúcho <a href="http://www.portaldetonando.com.br/forum/romance-scliar-moacyr-t546.html" target="_blank">Moacyr Scliar</a>, com Manual da Paixão Solitária. O  segundo lugar ficou com o amazonense Milton Hatoum, Órfãos do Eldorado.  Na categoria Poesia, venceu Alice Ruiz S. com Dois em um. Ela é  paranaense e tem mais de vinte livros publicados. Os três estão  ausentes.</p>
<p style="text-align: justify;">O vencedor do Prêmio Telecom foi o escritor e artista  plástico paulista Nuno Ramos, com o romance Ó, que eu não vi ainda em  nenhuma lista. Nem daqui e nem de fora. O cara enfrentou feras, entre  eles um verdadeiro escrete de escritores portugueses começando por José  Saramago (A viagem do elefante),<a href="http://www.portaldetonando.com.br/forum/romance-antunes-antonio-lobo-t186.html" target="_blank"> António Lobo Antunes</a> (Ontem não te vi  em Babilônia), Inês Pedrosa (A eternidade e o desejo), Gonçalo M.  Tavares (Aprender a rezar na era da técnica) e <a href="http://www.portaldetonando.com.br/forum/romance-tavares-miguel-sousa-t130.html" target="_blank">Miguel de Souza Tavares</a> (Rio das Flores).</p>
<p style="text-align: justify;">O romance de Nuno Ramos foi um dos livros que  mais me encantou em minhas leituras do ano passado. O poeta Alex  Nascimento, que o leu numa noitada só, anda dizendo loas para o livro.  Também não está na lista da Siciliano, mas foi lá onde eu peguei.</p>
<p style="text-align: center;"><img src="http://img714.imageshack.us/img714/9158/ronaldobe.jpg" alt="ronaldobe [Papo Cabeça] Brasileiro não gosta de ler brasileiro" width="500" height="283" title="[Papo Cabeça] Brasileiro não gosta de ler brasileiro" /></p>
<h3 style="text-align: justify;">Nem Galiléia</h3>
<p style="text-align: justify;">O prêmio  literário brasileiro de maior valor em dinheiro, o São Paulo de  Literatura de 2009,  coube a um escritor nordestino: Ronaldo Correia de  Brito. Excelente contista, estreava no romance com Galiléia, escolhido  como o “Livro do Ano de 2008”. Não me lembro de ter visto Galiléia nas  listas dos 10 livros mais vendidos no Recife, onde vive o escritor, nem  na lista dos jornais do Ceará, onde ele nasceu. Na revista Veja, nem  pensar. Mas ler Ronaldo Correia de Brito, que andou por aqui ano passado  na Festa Literária de Pipa, é uma delícia. Conversar com ele, também.</p>
<p style="text-align: justify;">O  gancho que me levou a essas notas partiu de uma leitura de revistas e  jornais que o Marechal Porpa (Luiz Antônio Porpino) me trouxe de  Portugal, por onde andou recentemente depois de escorregar nas neves da  Alemanha e Holanda. Conferi em “NS”, revista semanal que sai na edição  de sábado do Diário de Notícias, de Lisboa, as novidades literárias de  Portugal. Fui à lista dos “mais vendidos”. Ficção. Lá são cinco.  Quatro  são portugueses e um norte-americano. O gringo é o Dan Brown, que  aparece nas listas brasileiras (Veja). É o mesmo autor de “O Código da  Vinci” e que agora reina nos best-selers com “Símbolo Perdido”. Lá e cá.</p>
<p style="text-align: justify;">Os  portugueses são: José Rodrigues dos Santos (Fúria Divina), nascido em  Moçambique e que também integra o time dos mais importantes jornalistas  de Portugal, Margarida Rebelo Pinto (O dia em que te esquecerei), <a href="http://ebooksgratis.com.br/tag/jose-saramago/" target="_blank">José  Saramago</a> (Caim) e Ricardo Araújo Pereira (Novas Crônicas da Boca do  Inferno). A revista do DN, edição de 2 a 8 de janeiro, abre ainda  espaços para Garcia Lorca e Albert Camus</p>
<p style="text-align: justify;">O número de 26 de  dezembro de 2009 a 1 de janeiro traz textos de Inês Pedrosa, Gonçalo M.  Tavares, Irene Pimentel, José Luís Peixoto, José Tolentino Mendonça,  Lídia Jorge, Margarida Rebelo Pinto, Nuno Júdice, Rita Ferro e Vasco  Graça Moura sobre fotos de alguns dos principais fatos ocorridos no  mundo. Faz resenhas também dos últimos livros de Saramago (Caim) e  Antônio Lobo Antunes (Que cavalos são aqueles que fazem sobra no mar),  apontando-o como “candidato ao melhor romance do ano”.</p>
<p style="text-align: justify;"><strong>Fernando Pessoa</strong></p>
<p style="text-align: justify;">Na secção de  Livros do Jornal de Negócios tem o registro do lançamento do livro de  Fernando Pessoa. Livro de Viagem, afirmando que é “sempre agradável  viajar à boleia de seus poemas”. Tem uns versos que eu destaco: O  comboio abranda, é o Cais de Sodré. / Cheguei a Lisboa, mas não a uma  conclusão.</p>
<p style="text-align: right;">Fonte: <a href="http://tribunadonorte.com.br/noticia/leitura-de-brasileiro/139853" target="_blank">Tribuna do Norte</a>, de Natal</p>
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		<title>[Papo Cabeça] Os videogames e o desenvolvimento cerebral</title>
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		<pubDate>Sun, 24 Jan 2010 18:48:21 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Newton</dc:creator>
				<category><![CDATA[Papo Cabeça]]></category>
		<category><![CDATA[Vídeogames]]></category>

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Um estudo publicado no jornal acadêmico Cerebral Córtex mostrou que a habilidade em videogames depende, em grande escala, do desenvolvimento de setores do cérebro relacionados à capacidade motora e à multifuncionalidade – e também que jogar mais não ajuda muito no fortalecimento dessas áreas. Ou seja: pode cortar essa desculpa.
O estudo testou 29 homens e [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p><img class="aligncenter" title="Videogame" src="http://www.historiadetudo.com/videogame.jpg" alt="videogame [Papo Cabeça] Os videogames e o desenvolvimento cerebral" width="300" height="224" /></p>
<p style="text-align: justify;">Um estudo publicado no jornal acadêmico Cerebral Córtex mostrou que a habilidade em videogames depende, em grande escala, do desenvolvimento de setores do cérebro relacionados à capacidade motora e à multifuncionalidade – e também que jogar mais não ajuda muito no fortalecimento dessas áreas. Ou seja: pode cortar essa desculpa.</p>
<p style="text-align: justify;">O estudo testou 29 homens e 10 mulheres, pedindo que elas jogassem o game Space Fortress, criado para a pesquisa. Pela única imagem divulgada, o jogo parece um dos primeiros (e mais toscos) cartuchos do Atari – mas jogabilidade e beleza, com certeza, não estavam entre as prioridades dos desenvolvedores. O game tem o propósito de testar habilidades específicas do cérebro, com as pessoas tendo que alcançar a pontuação mais alta e, ao mesmo tempo, lidar com mudanças de objetivos durante a partida.</p>
<p style="text-align: justify;">Com as imagens da atividade cerebral em mãos, os pesquisadores focaram em duas áreas: as responsáveis pelas capacidades motoras e multifuncionalidade (núcleo caudado e putâmen) e aquela pela qual entendemos as noções de recompensa e punição (o núcleo accumbens). Tudo isso pra quê, afinal? Para confirmar que pessoas que pessoas que entendem melhor o que é bom ou ruim dentro do jogo se dão melhor no final, enquanto os multifuncionais lidam melhor com a troca de prioridades.</p>
<p style="text-align: justify;">O resultado diz que um quarto das performances dos gamers pode ser medida, acredite, pelo tamanho dessas áreas no cérebro de cada um. O objetivo é usar esses dados para desenvolver métodos de aprendizado diferentes para cada perfil e para tratamentos neurológicos.</p>
<p style="text-align: right;">Por Rafael Cabral via <a href="http://blogs.estadao.com.br/link/os-videogames-e-o-desenvolvimento-cerebral/" target="_blank">Blog do Link </a></p>
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		<title>[Curiosidades] E-book usa GPS, vídeo, games e áudio para divertir</title>
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		<pubDate>Tue, 05 Jan 2010 12:47:27 +0000</pubDate>
		<dc:creator>PDL</dc:creator>
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		<category><![CDATA[livro eletrônico]]></category>

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		<description><![CDATA[No início deste mês, na Feira de Guadalajara (México), durante o 8º Fórum Internacional de Editores e Profissionais do Livro, com o tema “A edição e as livrarias frente às mudanças tecnológicas”, John W. Warren, diretor de marketing e publicações da RAND Corporation, participou com a conferência “Evolução da publicação digital: uma nova profissão?”.
Durante a [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p style="text-align: justify;">No início deste mês, na Feira de Guadalajara (México), durante o <strong>8º Fórum Internacional de Editores e Profissionais do Livro</strong>, com o tema “<strong>A edição e as livrarias frente às mudanças tecnológicas</strong>”, John W. Warren, diretor de marketing e publicações da RAND Corporation, participou com a conferência “Evolução da publicação digital: uma nova profissão?”.</p>
<p style="text-align: justify;">Durante a sua fala, mencionou, como possibilidade de livro eletrônico, o projeto <a href="http://www.inanimatealice.com" target="_blank">“Alice Inanimada”</a>, que pode ser lido grátis. O leitor segue as peripécias de Alice, incrementada com imagens do Google Maps, vídeos, áudios, fotos e localização GPS. Há uma planta da casa da garota, com fotos de ambientes e vídeos que exploram detalhes. Ainda é possível jogar os jogos que ela inventa e ouvir as canções que ela compõe. Warren propõe que as possibilidades para o livro eletrônico vão muito além do texto. E caminham em direção a algo bastante distinto daquilo a que chamamos de livro.</p>
<p style="text-align: center;"><a href="../wp-content/uploads/2010/01/inanimated-alice.jpg"><img class="aligncenter" title="inanimated-alice" src="../wp-content/uploads/2010/01/inanimated-alice.jpg" alt="inanimated alice [Curiosidades] E book usa GPS, vídeo, games e áudio para divertir " width="500" height="375" /></a></p>
<p style="text-align: justify;">O livro eletrônico toma para si elementos do universo digital que já conhecemos bem: games, vídeos e interação. Com isso, a “leitura” fica mais próxima à diversão e à interatividade, deixando de ser uma atividade solitária que exige concentração para se conectar a um mundo particular. E o papel da imaginação na leitura muda completamente. Mas, afinal, essas são mudanças no universo do livro ou o e-book é uma nova mídia?</p>
<p style="text-align: justify;">Compreender esse universo é a ordem do dia para todos os profissionais da área. Para José Castilho Marques Neto, presidente da editora Unesp e secretário do Plano Nacional do Livro e da Leitura, o PNLL, além do aparecimento de novas mídias, para complicar ainda mais, a conectividade do autor com o leitor pode modificar o mercado de maneira jamais vista. Ele afirma que, com a interatividade, é possível aprofundar o conteúdo sem que o texto, a essência do livro, seja prejudicado.</p>
<p style="text-align: justify;">Com isso, abrem-se novos caminhos para a edição. Castilho argumenta que novos suportes não podem ser problema. Segundo ele: “A questão é a incapacidade dos editores em trabalhar com conteúdos de maneira diferenciada, estratégica, pois agora existe a oportunidade de trabalhar conteúdos conceitualmente, utilizando mídias distintas ou complementares, para cada um deles”.</p>
<p style="text-align: justify;">De maneira geral, há um receio em relação ao novo suporte. O problema, segundo Castilho, é que os editores estão perdendo de vista o que o livro tem de mais elementar. Em suas palavras: “Os editores estão lendo cada vez menos seus próprios autores. Há uma pauperização na qualificação do conteúdo”.</p>
<p style="text-align: justify;">O livro eletrônico é uma oportunidade e pode auxiliar o desenvolvimento do mercado ainda mais – isso já se sabe. O enfrentamento dessa discussão do novo suporte não estaria, portanto, na tecnologia, e sim, “na habilidade em trabalhar conteúdos levando-se em conta as novas possibilidades”, esclarece Castilho.</p>
<p style="text-align: right;">por Rodrigo Villela, from <a href="http://blog.estadao.com.br/blog/link?title=e_book_usa_gps_video_games_e_audio_para&amp;more=1&amp;c=1&amp;tb=1&amp;pb=1" target="_blank">Blog do Link</a></p>
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