A artista Jim Rosenau se especializou em fazer estantes feitas de livros antigos. Afinal, o que pode ser melhor para guardar livros que os próprios livros? As peças estão à venda no site dela, mas os preços não tem nada de antigo. De toda forma, é uma excelente opção de decoração, que você pode imitar relendo nosso post “aprenda a fazer uma estante invisível“. Veja também outros posts de arte com livros.
Promovido pela Fundação Cultural o programa Curitiba Lê engloba um conjunto de ações de fomento, difusão e formação que visam aumentar quantitativa e qualitativamente os índices de leitura entre crianças, jovens e adultos. Para integrar o Curitiba Lê, todas as bibliotecas mantidas pela Fundação Cultural foram transformadas em Casas da Leitura, cada uma homenageando um autor. No total são 13 novos espaços que tem como objetivo incentivar ativamente a prática da leitura e envolver a comunidade com o hábito de ler.
A implantação da Estação da Leitura no Terminal do Pinheirinho é uma iniciativa inédita. Ela vai funcionar como posto de atendimento para empréstimo de livros, o que será feito de forma bastante simples, gratuitamente e sem burocracia. Para emprestar um livro, basta apresentar um documento de identificação e informar o endereço. O sistema não utilizará carteiras de usuários.
A rede de 13 Casas da Leitura localizadas em diversos bairros de Curitiba, mais as Estações de Leitura que serão implantadas nos terminais de ônibus estão entre as principais ações do Curitiba Lê. A Casa da Leitura Paulo Leminski, na CIC, é a terceira a ser aberta, mas todas as outras bibliotecas mantidas pela Fundação Cultural de Curitiba também ampliaram seus acervos, receberam melhorias físicas e estão sendo transformadas em Casas da Leitura. As primeiras inauguradas foram a Casa da Leitura Manoel Carlos Karam, no Parque Barigüi, e a Casa da Leitura Augusto Stresser, no Parque São Lourenço.
Fazem parte ainda do programa Curitiba Lê todas as ações que a Fundação Cultural já desenvolve no campo da literatura. Entre elas estão os ciclos de leitura, que se propõem a estudar a obra de determinados autores, além de cursos e oficinas literárias. A Fundação Cultural também promove em seus espaços rodas de leitura e sessões de contação de histórias. As Casas da Leitura têm a proposta de funcionar como um centro de estudos e pesquisas voltado à leitura, não só do ponto de vista da promoção do hábito de ler como das discussões teóricas sobre os mecanismos e as formas de incentivo. Nesse sentido, elas também são palco de cursos, seminários e conferências voltados a agentes multiplicadores e incentivadores, como é o caso dos professores da rede municipal de ensino, contadores de histórias, arte educadores e voluntários.
Fonte (e mais detalhes): Fundação Cultural de Curitiba
Faz sentido que o Dia Internacional do Livro seja comemorado neste sábado, dia 23, pelo mundo afora. A data, estabelecida em caráter definitivo pela Unesco em 1996, homenageia dois gigantes máximos da literatura ocidental. O 23 de abril seria, por uma lenda repetida universalmente, o dia em que morreram, no mesmo ano, o espanhol Miguel de Cervantes (1547 – 1616), o inventor do romance moderno com Dom Quixote, e o inglês William Shakespeare (1564 – 1616), o inventor do humano, como o chama Harold Bloom.
Trata-se de uma das mais instigantes mitologias do universo literário, uma lenda que dota o terreno profano da literatura de uma data mágica ao estilo das Vidas de Santos (que antes eram muito mais comuns em livro). Dois dos pilares da literatura mundial viveram de fato na mesma época, mas a predestinação histórica que os teria feito partir ao mesmo tempo é ficção.
Para começar, da biografia de Shakespeare, autor de obras onipresentes em praticamente todo o mundo, sabe-se muito pouco. Embora tenha deixado quase 1 milhão de palavras de texto, apenas 14 delas são comprovadamente de seu próprio punho: o nome assinado seis vezes e as palavras “por mim” em seu testamento, como conta um de seus biógrafos, Bill Bryson, em Shakespeare: a Vida É um Palco. Há pouca informação mesmo sobre o dia de seu falecimento – têm-se registros de seus funerais, mas não a data exata do óbito.
Mesmo que tenha sido 23 de abril a data da morte de Shakespeare, não teria sido no mesmo 23 de abril de Cervantes pelo simples motivo de que, na época, a Espanha, onde Cervantes vivia, havia adotado, como bom país católico, o calendário imposto pelo papa Gregório em 1582. E Shakespeare vivia na Inglaterra protestante, frequentemente hostilizada pelo reino espanhol a serviço do Vaticano, e que ainda marcava o tempo pelo Calendário Juliano. A Inglaterra só adotaria o Calendário Gregoriano em 1751. Shakespeare, portanto, teria morrido no dia 3 de maio – 10 dias após o espanhol.
Mas quem vai dizer que a história não é boa? Sendo assim, para que insistir tanto na picuinha das datas? Para lembrar, talvez, que a literatura é em última instância uma construção paradoxalmente individual (na mente e no coração de cada leitor) e coletiva (na transmissão de leituras e cânones, de intepretações e até mesmo mitologias literárias com as quais os leitores se comprazem).
E que todo dia pode ser um bom Dia do Livro, como mostra o vídeo que a reportagem de Zero Hora fez com leitores que foi encontrando pelas ruas de Porto Alegre.
A livraria Bertrand do Chiado, em Lisboa, está de portas abertas desde 1732 e é o estabelecimento livreiro mais antigo em todo o Mundo. Ao longo dos anos, a livraria Bertrand tem sido retiro de escritores e refúgio de revolucionários. As histórias são muitas, nomeadamente as que envolvem conspiradores republicanos. José Fontana (que se suicidou no interior da loja), Antero de Quental e Aquilino Ribeiro são alguns dos “fantasmas” cujas sombras permanecem vivas no interior da Bertrand.
Hoje, Bertrand é também a maior rede de livrarias em Portugal, com 53 lojas. No evento de premiação ocorrido na última quarta-feira (20), Paulo Oliveira, administrador do Grupo Bertrand Círculo, proprietário do espaço, disse que a loja do Chiado irá continuar como livraria “por mais 300 anos”, já que “representa um património cultural inalienável”.
Conhecimento sempre foi uma ameaça quando se trata de manter a população obediente e ordeira. Na idade média, tentando frear o avanço do protestantismo, a igreja católica criou o index librorum proibitorum, ou índice de livros proibidos. Aos poucos, a lista foi crescendo e cercando outros tipos diversos de ameaças à fé, só tendo sido extinta em 1948.
No livro Em nome da Rosa, de Umberto Eco, tomamos conhecimento de outra prática que também teria sido usada na mesma época. Para impedir a disseminação de informações, os livros eram envenenados, e acabavam matando os leitores, que tinham o hábito de molhar a ponta do dedo na língua para virar as páginas.
Também era muito comum que ao conquistar uma cidade, o exército inimigo simplesmente queimasse todos os livros do povo dominado. Mas ficando apenas no mundo da literatura, impossível não citar livros como Farenheit 451 e 1984, que bem mostraram a relação entre o poder e o controle das informações. No livro bíblico de Gênesis, Adão e Eva também são punidos por provarem da “árvore do conhecimento”, em um possível incentivo à obediência em detrimento de um pensamento mais questionador. Como se pode ver, conhecimento é um bom negócio. Sem ele ainda estaríamos andando peladões por aí.