[Fragmentos Poéticos] Amantes

Categoria: Fragmentos Poéticos, Informação e Cultura

acis galatea [Fragmentos Poéticos] Amantes

Tocaram-se as mãos de leve. Era escuro e eles olhavam as estrelas. Eram ásperos como se não conhecessem ternura. Olhavam as estrelas porque nada mais tinham para fazer e, de leve, tocavam as mãos porque fazia frio e porque sentiam um na pele do outro aquela vontade escondida exacerbada que em breve se faria viva. Viveram. Quase sem notar: um pouco porque tremiam, um pouco porque a vontade exigia. Foi num instante único, sob as estrelas, sérios e raivosos: um sussurrando nomes desconhecidos, outro calado ofegante fingindo não ouvir. Eram toques-rugidos, vibrantes, cariciosos. As mentes em outros mundos sonhando talvez outros sonhos. Um fio de prazer correndo ali, tão sem vida que os deixava ainda mais excitados pelo sofrimento indolor de vivenciar um instante que logo morreria. Eram lindos e se deitaram pesados enquanto as estrelas ainda estavam. Eram belos como tudo aquilo que não se vê: deslizavam silenciosos como os pecados que as famílias insistiam em varrer para os bueiros e valas. Eram: em meio a bueiros, sonhos e vontades perdidas. A língua desconhecida da madrugada. O urbano em sua mais humana forma, o inaudível, o impossível.

Olharam as estrelas porque nada mais tinham para fazer. Murmuraram-se baixinho: “estamos ocos”, e então um milésimo de segundo de amor viveu ali. Oco. Ocos, preencheram-se suaves e buscaram se fazer inteiros até a noite passar. E, porque tudo demora muito quando se está acordado, esqueceram as estrelas e se entreolharam. Fitando-se em silêncio, sabiam que partiriam, cada qual para um lado – para lados desconhecidos. E que era impossível seguirem-se. Tocaram-se as mãos de leve, porque fazia frio novamente. Mexeram-se num certo incômodo, porque já não eram amantes: eram irmãos. E, como era impossivelmente assustador compreender a força disso, decidiram apressar a manhã e a despedida, antes que o amor os tomasse por completo e que, incestuosos, inventassem de sair de mãos dadas, não mais por causa do frio. “Estamos ocos”, murmuravam-se repetidamente, enquanto se afastavam lentamente, deixando um no outro um pedacinho de que?

Despediram-se como se nunca mais fossem voltar…

por @Carla Jaia

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[Curiosidades] Luminárias sensíveis para leitores sonolentos

Categoria: Curiosidades, Informação e Cultura

Um grupo de designers e empresas está determinado a facilitar a vida daquelas pessoas que gostam de ler antes de dormir. A Lili Lite é uma estante que possui uma luminária que se apaga quando colocamos um livro sobre ela.  Além de servir de marca-pagina, dá um visual bacana ao ambiente.

Função semelhante tem a Luminária Mark, desenvolvida por Damjan Stankovic, e a Book-Sensitive Reading Lamp, desenvolvida pelos designers franceses Jun Yasumoto, Alban Le Henry, Olivier Pigasse e Vincent Vandenbrouck. Elas se apagam ou se acendem de acordo com a preseça ou ausência de um livro.

“Coincidência criativa” ou não, trata-se de uma ideia realmente simples, que talvez você até consiga fazer em casa. Melhor que pagar os 99 euros que estão pedindo pela estante.

Veja outras curiosas sobre livros em nossos posts anteriores.

lili lite reding light [Curiosidades] Luminárias sensíveis para leitores sonolentos

lili lite reding light1 [Curiosidades] Luminárias sensíveis para leitores sonolentos

image 01 [Curiosidades] Luminárias sensíveis para leitores sonolentos

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Book sensitive Reading Lamp [Curiosidades] Luminárias sensíveis para leitores sonolentos

Book sensitive Reading Lamp 1 [Curiosidades] Luminárias sensíveis para leitores sonolentos

Via LivroseAfins, Mark, Lili Lite, Like Cool

[Curiosidades] Quem são os imortais da Academia Brasileira de Letras?

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imortaiscuriosidades [Curiosidades] Quem são os imortais da Academia Brasileira de Letras?

Nem sempre eles se destacam pelos livros que escreveram.

Monteiro Lobato, Carlos Drummond de Andrade, Clarice Lispector. Nenhum deles ocupou cadeira na Academia Brasileira de Letras (ABL). Em compensação, Ivo Pitanguy, José Sarney e Paulo Coelho estão entre os atuais 40 imortais, o que mostra que não são só as letras que contam.

O estatuto da ABL explica em seu 2º artigo que “só podem ser membros efetivos da Academia os brasileiros que tenham, em qualquer dos gêneros de literatura, publicado obras de reconhecido mérito ou, fora desses gêneros, livro de valor literário”. Na prática, ocupa a vaga quem fizer o melhor lobby entre os 39 imortais que, em de voto secreto, escolhem seu próximo colega.

E mais uma eleição se aproxima. Em 28 de fevereiro faleceu o bibliófilo José Mindlin, que desde 2006 ocupava a cadeira 29. Em 4 de março, quando foi declarada vaga na Sessão da Saudade, já despontaram vários e variados candidatos, como o cartunista Ziraldo, o sambista Martinho da Vila e o diretor da Biblioteca Nacional, Muniz Sodré. Mas as apostas repousam em Eros Grau, que já ocupa uma cadeira cobiçada: ele é ministro do Supremo Tribunal Federal.

Mas fãs de ironias históricas devem torcer para o embaixador Geraldo de Holanda Cavalcanti, casado com a escritora Dirce de Assis Cavalcanti, filha de Dilermando de Assis. Em 1909, Dilermando matou, em legítima defesa, Euclides da Cunha, que ocupava a cadeira n° 7 da ABL. Exatos 101 anos depois, o genro de um assassino de imortal se tornando imortal – dava um livro.

Cadeira Nome Eleição Área de atuação
1 Ana Maria Machado 2003 Literatura
2 Tarcísio Padilha 1997 Meio Acadêmico
3 Carlos Heitor Cony 2000 Literatura
4 Carlos Nejar 1988 Literatura
5 José Murilo de Carvalho 2004 Meio Acadêmico
6 Cícero Sandroni 2003 Jornalismo
7 Nelson Pereira dos Santos 2006 Cinema
8 Cleonice Berardinelli 2009 Meio Acadêmico
9 Alberto da Costa e Silva 2000 Meio Acadêmico
10 Lêdo Ivo 1986 Literatura
11 Helio Jaguaribe 2005 Meio Acadêmico
12 Alfredo Bosi 2003 Meio Acadêmico
13 Sergio Paulo Rouanet 1992 Meio Acadêmico
14 Celso Lafer 2006 Direito / Diplomacia
15 Pe. Fernando Bastos de Ávila 1997 Religião
16 Lygia Fagundes Telles 1985 Literatura
17 Affonso Arinos de Mello Franco 1999 Jornalismo
18 Arnaldo Niskier 1984 Literatura
19 Antonio Carlos Secchin 2004 Literatura
20 Murilo Melo Filho 1999 Jornalismo
21 Paulo Coelho 2002 Literatura
22 Ivo Pitanguy 1990 Medicina
23 Luiz Paulo Horta 2008 Jornalismo
24 Sábato Magaldi 1994 Meio Acadêmico
25 Alberto Venâncio Filho 1991 Direito / Diplomacia
26 Marcos Vinicios Rodrigues Vilaça 1985 Direito / Diplomacia
27 Eduardo Mattos Portella 1981 Direito / Diplomacia
28 Domício Proença Filho 2006 Meio Acadêmico
29 José Mindlin – cadeira vaga 2006 Direito / Diplomacia
30 Nélida Piñon 1989 Literatura
31 Moacyr Scliar 2003 Literatura
32 Ariano Suassuna 1989 Literatura
33 Evanildo Cavalcante Bechara 2000 Meio Acadêmico
34 João Ubaldo Ribeiro 1993 Literatura
35 Cândido Mendes 1989 Política
36 João de Scantimburgo 1991 Jornalismo
37 Ivan Junqueira 2000 Jornalismo
38 José Sarney 1980 Política
39 Marco Maciel 2003 Política
40 Evaristo de Moraes Filho 1984 Direito / Diplomacia

Reportagem extraída da revista Superinteressante, Abril de 2010. Texto de Érica Georgino.

[Notícias] Ministério da Cultura dá aos grandes e esquece dos pequenos

Categoria: Informação e Cultura, Notícias, Papo Cabeça

Artigo publicado originalmente por Ademir Assunção no blog Espelunca

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Rolling Stone: R$ 524 mil de dinheiro público via Ministério da Cultura Coyote: R$ zero vírgula zero zero

No segundo semestre do ano passado o Ministério da Cultura lançou o edital para Periódicos de Conteúdo Cultural.

Não sei se revistas literárias como Babel (Santos), Ontem choveu no futuro (Campo Grande), Entretanto (Recife), Polichinelo (Belém), revistas pequenas e de grande qualidade, foram inscritas. A Coyote foi.

Esta semana saiu o resultado. Os vencedores: Rolling Stone (que tem na capa da edição de março o apresentador do Big Brother Brasil, Pedro Bial), levou Cr$ 524 mil. A Cult, R$ 504 mil, a Brasileiros, R$ 441 mil e a Piauí, R$ 399 mil.

De um lado, revistas comerciais, de mercado, que se sustentam com vendas e anúncios.

De outro, revistas de pequena estrutura, sem a menor chance de sobrevivência na rapina do mercado e que realmente veiculam conteúdos altamente culturais.

Como a distinta platéia sabe, revistas literárias no Brasil, desde o tempo da Klaxon (dos modernistas),da Revista de Antropofagia (de Oswald de Andrade), e da Joaquim (de Dalton Trevisan), têm vida breve. Apesar da qualidade (internacional!) morrem a míngua pela falta de recursos.

E o Ministério da Cultura, contrariando todo o seu discurso, preferiu injetar recursos nas revistas de mercado e virar as costas para as revistas literárias, de pequena ou nenhuma estrutura, feitas invariavelmente por poetas e escritores, que publicam o que há de melhor e mais radical na literatura brasileira, e que lutam heroicamente para se manterem vivas.

Nos discursos, a equipe ministerial até já não se esquece de incluir a literatura quando fala de políticas públicas para a cultura. Na prática, continua cagando e andando para os escritores.

[Animação] Copy is not theft – Copiar não é roubar – Legendas em português!

Categoria: Curiosidades, Informação e Cultura

Compartilhar não é roubar. Essa é a ideia da divertida animação abaixo, que é parte do projeto Minute Memes, liderado pela premiadada diretora de animação e artista gráfica Nina Paley. A iniciativa vai abortar várias questões relativas a restrições de copyright e liberdade artísticas através de pequenos vídeos (“memes”).  O projeto já tem  o patrocínio da Fundação Andy Warhol para as Artes Visuais (Andy Warhol Foundation for the Visual Arts)  para produção de três novos filmes, então esperamos poder em breve trazer novidades.

Como a música estava em inglês, tomamos a liberdade de inserir legendas antes de publicar aqui. Esperamos que se divirtam!

Através do site QuestionCopyright é possível obter mais informações sobre o Minute Memes.

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