[Notícias] Bienal homenageia um dos principais editores do Século XX

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Rio de Janeiro – Uma homenagem a um dos principais editores brasileiros do século passado, José Olympio, foi montada na XIV edição da Bienal Internacional do Livro do Rio de Janeiro.

bienal do rio [Notícias] Bienal homenageia um dos principais editores do Século XX

“Ele era conhecido como o editor de literatura brasileira dos grandes autores”, disse à Lusa Marcos Pereira, de 28 anos, neto do editor e produtor da mostra na Bienal que desde 2002, ano do centenário de nascimento de José Olympio, se dedica ao resgate da memória do avô.
Considerado como o “herói civilizador”, uma atribuição do crítico literário Antonio Cândido, José Olympio fundou, aos 29 anos de idade, a editora com o seu nome.

Nascido em 1902 no interior de São Paulo, Olympio foi responsável pela publicação de obras de nomes consagrados da literatura brasileira como Gilberto Freyre, Guimarães Rosa, Graciliano Ramos, Jorge Amado, Manuel Bandeira e Vinícius de Morais. E ainda contava com uma equipa de tradutores consagrados como Antonio Callado, o próprio Graciliano Ramos, Lêdo Ivo e Rachel de Queiroz.

De 1931 a 1984, a editora publicou 4.850 edições. Um total de 1.343 obras de 905 autores brasileiros, além de outras 543 obras de 446 autores estrangeiros. Marcos Pereira, actual editor sócio da Sextante, explica que todo o acervo da editora foi doado para a Biblioteca Nacional no Rio de Janeiro em 2005, e que a exposição foi apresentada, pela primeira vez, em Julho de 2008 na própria biblioteca.

Em Agosto daquele ano, Pereira publicou um livro biográfico de José Olympio resultado de seis anos de investigação com o objectivo de “criar uma memória com a trajectória” da vida do editor. Esta obra concorre ao Prémio Jabuti na categoria de biografia, o mais tradicional e importante prémio literário do Brasil.

“Era tanto material que vimos que dava para fazer uma exposição na Biblioteca Nacional e resolvemos remontá-la na Bienal com manuscritos, correspondências entre o editor e os autores com registos fotográficos”, ressalta. A exibição expõe formas gráficas de muitas obras que estão em restauro na Biblioteca, mas outras 200 publicações das principais edições originais estão expostas na Bienal. Pereira lembra que Olympio também tinha uma colecção de documentos brasileiros, um dos mais importantes sobre a formação do Estado brasileiro e a relação com Portugal. A editora publicava ensaios sobre o pensamento social e histórico do Brasil e Portugal.

Até 20 de Setembro são esperados cerca 600 mil visitantes, que deverão circular pelos 55 mil metros quadrados do maior centro de convenções da América Latina, o Riocentro. Este ano serão 950 expositores que deverão movimentar cerca de 44 milhões de reais (16,7 milhões de euros) ao longo de 11 dias de feira.

Via AngolaPress

[Notícias] A Volta do Um que Tenha

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Recebemos neste final de semana via email uma ótima noticia, que compartilhamos com vocês.

Não sei se você já sabe, mas o Um Que Tenha está de cara – e endereço – novos: www.umquetenha.org!

Estamos felizes por reinaugurar nosso acervo de MPB, desta vez em domínio próprio. O que muda? Basicamente nada. O intuito nunca se alterou: queremos emocionar as pessoas, e a música e o artista do Brasil representam o que há de melhor neste quesito. Motivados pela crença que temos na qualidade da música brasileira, estamos focados na sua divulgação e nos manteremos empenhados na continuação desta prazerosa tarefa.

Gostaríamos de reiterar que, assim como foi desde a inauguração do antigo endereço do UQT, não há uma única forma de arrecadação financeira envolvida em sua operação, nenhuma publicidade paga, nem links comerciais, absolutamente nada. Entendemos que o UQT não faz pirataria, ou alguém já ouviu falar em pirata que não vise ao lucro? O blog conta com o apoio de muita gente do meio cultural porque o que faz é divulgar a arte de brasileiros, que, muitas vezes, por questões exclusivamente econômicas e mercadológicas, não têm outra forma de apresentar suas obras. A questão da riqueza e preservação cultural, neste plano, é secundária. A internet ajuda a balancear as oportunidades, a dar a chance ao artista de se fazer conhecer em qualquer parte do mundo. Toda razão tem Tom Zé quando diz que ao exportar arte atingimos o mais alto grau de aptidão humana.

Ficamos afastados alguns dias e, parafraseando nosso saudoso Tim Maia, nestas últimas duas semanas, perdemos nada mais do que 14 dias: aqui está de volta para todos vocês o robusto e intacto conteúdo do Um Que Tenha! Divirta-se!

Fulano

[Notícias] Começa hoje a XIV Bienal do Rio

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Uma programação cultural rica e diversificada espera pelos 600 mil visitantes estimados para a XIV Bienal Internacional do Livro do Rio de Janeiro, que acontece entre 10 e 20 de setembro, no Riocentro. Novos formatos e a presença de importantes escritores brasileiros e autores internacionais conceituados vão formar a grade, que nesta edição homenageia os EUA e contará com um total de 67 sessões de debates e 84 apresentações voltadas para o público infanto – juvenil. Mais uma vez a organização da Bienal do Livro inova, marca registrada do evento, oferecendo ao público uma grade mais dinâmica, diversificada e especialmente desenvolvida para atender a todas as faixas etárias e perfis. A programação cultural desta edição contará com investimento de R$ 1,7 milhão, 30% a mais que em 2007.

De acordo com os organizadores do evento, o Sindicato Nacional dos Editores de Livros e a Fagga Eventos, a Bienal 2009 foi desenvolvida pensando na qualidade e diversidade do conteúdo. “A cada edição buscamos novas formas para estimular ainda mais o hábito da leitura. Vamos apresentar propostas diferentes, que vão aproximar ainda mais os leitores do universo literário”, conta a presidente do SNEL, Sonia Machado Jardim. A Bienal do Livro do Rio apresentará três novos espaços, uma exposição que retrata o trabalho de décadas de um dos principais editores do país, o já consagrado Café Literário e encontros com escritores estrangeiros.

Uma das principais apostas desta edição é voltada para o público infanto-juvenil. A Floresta de Livros será o maior espaço em metragem da Bienal 2009, oferecerá diariamente uma experiência única de contato com os livros, aliando tecnologia e informação. As outras novidades são: Mulher e Ponto, dedicado ao debate de temas de interesse das leitoras do país; e o Livro em Cena, que será palco de leituras dramatizadas de clássicos da literatura brasileira. “Fizemos um trabalho grande de pesquisa para informar a definição do novo formato da programação cultural. A ideia central foi renovar e qualificar. Apresentar uma programação mais bem elaborada e mais consistente, com novidades para os diferentes tipos de leitores. Escolhemos um time de curadores de talento e experiência e aumentamos o investimento para oferecer um belo programa para todas as faixas de idade e interesse”, afirma o vice-presidente do SNEL, Roberto Feith.

Ao longo dos 11 dias de evento, mais de 100 autores brasileiros, 18 internacionais – sendo 12 da comitiva norte-americana – participarão das sessões, debates e encontros da programação cultural.

[Notícias] Editora americana lança biografia de Michael Jackson em Quadrinhos. Confira a prévia!

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Para milhões ele foi o Rei do Pop, um dos artistas mais queridos do mundo e um ícone internacional. Com sua morte prematura, Michael Jackson deixou um legado extraordinário e trágico. A Editora Bluewater Productions estará fazendo em Outubro um tributo à sua memória e legado, com uma biografia especial em quadrinhos, para colecionadores.

A mais recente adição à aclamada biblioteca de biografias da editora traçará ascensão de Jackson como um prodígio musical com o “Jackson 5″ até a trágica quinta-feira em que sua carreira chegou ao fim. O livro terá destaques de sua carreira e também sobre sua enigmática vida privada.

“A música de Michael Jackson, serviu de trilha sonora de muitas vidas … incluindo a minha”, disse o presidente da Bluewater Darren G. Davis, “Sua influência na nossa cultura tem sido profunda”.

“TRIBUTE: Michael Jackson, King of Pop,” apresenta uma capa envolvente e prefácio do fã clube oficial Giuseppe Mazzola. Mazzola também era amigo pessoal de Jackson. A revista está sendo escrita por Wey-Yuih Loh e ilustrada por Giovanni Timpano. A renomada artista de caps Vinnie Tartamella também preparará uma capa alternativa.

“Esta é uma celebração de sua vida e do que ele significa para legião de fãs”, disse Davis. “Embora o livro não esconda de alguns de seus problemas pessoais, nós tentamos contar uma história que mostra Jackson como um gênio musical, um superstar sem paralelo e uma pessoa complexa.”

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Davis conta que inicialmente exitou em produzir um tributo em quadrinhos, mas depois de receber dezenas de e-mails e telefonemas de fãs, ele soube que era a maneira correta de mostrar respeito e dar a eles uma lembrança duradoura.

Nos últimos meses, a Bluewater tornou-se uma das principais produtoras de quadrinhos biograficos. Launched earlier this year, Bluewater’s “Female Force” has featured influential women such as Hillary Clinton, Michelle Obama, Princess Diana, Sarah Palin and Oprah Winfrey. Lançou no início deste ano, a “Bluewater Female Force” (Força Feminina) que traz mulheres influentes, como Hillary Clinton, Michelle Obama, a princesa Diana, Sarah Palin e Oprah Winfrey. Seguiu-se a série, “Political Power” l(Poder Político) lançada em Julho, que trouxe à luz políticos como Colin Powell, Barack Obama, e Al Gore. Os títulos têm atraído considerável atenção da mídia, incluindo recursos na CNN, MSNBC, Fox News, e “Live with Regis and Kelly”. Também tem sido destaque em revistas como a People Magazine, Los Angeles Times, Chicago Tribune, E.U.A. Hoje e milhares de blogs e outros meios de comunicação.

(Tradução do press-release oficial)

Confira a prévia (em inglês)

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[Notícias] Amazon, Yahoo e Microsoft se unem contra biblioteca virtual do Google

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Amazon, Microsoft e Yahoo estariam prestes a unir forças para se opor a um acordo que pode transformar o Google na principal fonte online para muitos trabalhos literários, criando a maior biblioteca virtual do mundo.

As três gigantes do setor de tecnologia devem se unir à coalizão Open Book Alliance, liderada pela organização sem fins lucrativos Internet Archive.

A Internet Archive tem se oposto publicamente ao acordo firmado em 2008 entre o Google e editoras e autores e já digitalizou mais de 1,5 milhão de livros, tornando todos disponíveis de graça.

“O Google está tentando monopolizar o sistema de bibliotecas. Se o acordo for fechado, eles realmente serão ‘a’ biblioteca e a única biblioteca”, afirmou Brewster Kahle, fundador da Internet Archive.

Microsoft e Yahoo já confirmaram a participação na Open Book Alliance. A Amazon até o momento não fez comentários, pois a aliança ainda não foi formalmente lançada.

Acordo

O acordo assinado no ano passado foi para encerrar dois processos contra o Google por desrespeito aos direitos autorais, abertos após a empresa ter escaneado livros sem autorização.

O Google concordou em pagar US$ 125 milhões (cerca de R$ 230 milhões) para a criação do Registro de Direitos de Livros, no qual autores e editores poderiam registrar trabalhos online e receber remuneração. Autores e editores receberiam 70% da venda destes livros e o Google ficaria com os 30% restantes.

O Google também ganharia o direito de digitalizar trabalhos cujos donos dos direitos autorais são desconhecidos. Acredita-se que estes trabalhos compreendam até 70% dos livros publicados depois de 1923.

Os comentários a respeito deste acordo deverão ser registrados na Justiça americana até o dia 4 de setembro. No começo de outubro, um juiz de Nova York vai analisar se aprova a abertura de uma ação coletiva contra o acordo.

Paralelamente, o governo americano está investigando o impacto do acordo no mercado.

Enquanto o prazo de 4 de setembro se aproxima, o número de grupos e organizações que são contra o acordo aumenta. Mas, com os três gigantes do setor de tecnologia se juntando ao grupo, a Open Book Alliance poderá ganhar destaque mundial.

Os que criticam o acordo do Google afirmam que ele irá transformar o futuro da indústria de livros e o acesso público ao patrimônio cultural da humanidade que está concentrado em livros.

“Acreditamos que, se (o acordo) for aprovado, o Google conseguirá um monopólio sancionado pela Justiça e a exploração de uma coleção ampla de livros do século 20″, afirmou Peter Brantley, diretor de acesso da Internet Archive.

Privacidade

Além do temor de monopólio, o acordo do Google também levanta a questão da privacidade.

A Fundação Electronic Frontier e a organização americana de defesa dos direitos do consumidor Consumer Watchdog, entre outros, enviaram uma carta ao Google para pedir que a companhia garanta aos americanos que “vai manter a segurança e liberdade que frequentadores de biblioteca tem há tempos: para ler e aprender sobre qualquer coisa (…) sem se preocupar se há alguém observando ou se seus passos poderão ser seguidos”.

O Google se defende e afirma que o acordo traz muitos benefícios aos autores e vai disponibilizar milhões de livros não impressos na internet e em bibliotecas.

“O acordo do Google Books está injetando mais competição no espaço dos livros digitais, então é compreensível que nossos competidores lutem para evitar mais competição”, afirmou a companhia em uma declaração.

Fonte: BBC Brasil

[Notícias] Leia trecho de “Free” que fala a economia do gratuito no Brasil

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O texto abaixo é um trecho do livro “Free”, de Chris Anderson, recém lançado no Brasil. Foi públicado pela revista InfoExame deste mês e digitalizado pela equipe do blog. Nele, o autor destaca o Brasil com um dos países pioneiros na exploração da economia do gratuito em diversas áreas, como a da música, software e medicamentos. Vale a pena ler!

chrisandersonlateralpdl [Notícias] Leia trecho de Free que fala a economia do gratuito no BrasilO PODER DOS CAMELÔS BRASILEIROS

Em uma agitada esquina em São Paulo, Brasil, camelôs vendem os últimos lançamentos do “tecnobrega”, incluindo uma banda de sucesso chamada Banda Calypso. A música “brega”, originada no Pará, um estado pobre do Norte do país, é um som de festa turbulento, que mistura música tradicional brasileira com batida tecno. Como os CDs vendidos pela maioria dos camelôs, não se trata de produtos oficiais de uma grande gravadora. Mas também não são ilícitos.

Os CDs são criados por estúdios de gravação locais, que tendem a ser de propriedade de DJs locais. Eles, por sua vez, obtêm os originais da própria banda, além da arte da capa. Os DJs locais trabalham com promotores de festas, camelôs e estações de rádio locais para promover os shows. Algumas vezes, os DJs locais atuam em todas essas áreas, produzindo, vendendo e promovendo os CDs para os shows que eles mesmos organizam.

A Banda Calypso não se importa de deixar de ganhar dinheiro com isso, porque a venda de discos não é sua principal fonte de renda. Na verdade, a banda está no negócio de shows — e é um bom negócio. Viajando de uma cidade à outra, sempre precedida por uma onda de CDs superbaratos, a Banda Calypso é capaz de lotar centenas de shows por ano. Em geral, a banda se apresenta duas ou três vezes a cada final de semana, viajando pelo país de micro-ônibus ou barco.

Mas as viagens não são só por estradas ou rios. Hermano Vianna, antropólogo e estudioso da música brasileira, conta uma história sobre a Banda Calypso para ilustrar seu sucesso. Enquanto planejava um perfil da banda para um programa da TV Globo, Vianna ofereceu um avião da Globo para transportar a banda para um show em uma região remota do país. A resposta da Banda Calypso: não precisa, nós temos nosso próprio avião.

Em certo sentido, os camelôs se tornaram a equipe de reconhecimento em cada cidade que a Banda Calypso visita. Eles podem ganhar dinheiro com os CDs de música, que chegam a vender por apenas U$0,75 e, por sua vez, dão grande visibilidade aos CDs. Ninguém pensa nos CDs baratos dos camelôs como pirataria. É só marketing, usando a economia das ruas para gerar credibilidade e destaque. Como resultado, quando a Banda Calypso chega à cidade, todo mundo já conhece suas músicas. A banda recebe enormes multidões em seus eventos, nos quais cobra não somente pela entrada, mas também pela comida e a bebida. O pessoal da banda também grava o show e queima CDs e DVDs no local, vendendo-os por cerca de US$2, de modo que os espectadores podem assistir ao show que acabaram de ver.

Mais de 10 milhões de CDs da Banda Calypso foram vendidos, em sua maioria não pela própria banda. E eles não estão sozinhos. Agora, a indústria do tecnobrega inclui centenas de bandas e milhares de shows por ano. Um estudo realizado por Ronaldo Lemos e seus colegas do Centro de Tecnologia e Sociedade da Fundação Getulio Vargas no Rio de Janeiro revelou que, entre os shows e a música, essa indústria gera Cerca de 90% das bandas não têm contrato de gravação nem gravadora. Elas não precisam disso. Deixar que os outros tenham acesso gratuito à música gera uma indústria maior do que a cobrança pela música jamais conseguiria. Isso é algo que o Brasil sabe melhor do que a maioria: seu ministro da cultura até 2008, a celebridade da música pop Gilberto Gil, lançou sua música sob uma licença gratuita da Creative Commons (inclusive em um CD que distribuímos de graça com a Wired).

Como ocorre na China, a atração do Grátis no Brasil se estende além da música. Em 1996, em resposta ao alarmante índice de casos de Aids no Brasil, o governo do então presidente Fernando Henrique Cardoso garantiu a distribuição de novos coquetéis de medicamentos a todos os portadores de HIV no país. Cinco anos mais tarde, com o número de casos de Aids caindo, ficou claro que o plano era bom, mas — aos preços sendo cobrados pelos medicamentos patenteados contidos no coquetel — absolutamente insustentável.

Então, o ministro da saúde do Brasil procurou os principais detentores das patentes, a gigante farmacêutica americana Merck e a empresa suíça Roche, e pediu desconto porvolume. Quando as empresas negaram, o ministro aumentou a aposta. De acordo com a lei brasileira — ele informou às empresas —, era dele o poder, em caso de emergência nacional, de licenciar laboratórios locais para produzir medicamentos patenteados, sem a necessidade de pagar pelos direitos, e ele exerceria esse direito, caso fosse necessário. As empresas cederam e os preços caíram mais de 50%. Hoje em dia, o Brasil tem uma das maiores indústrias de medicamentos genéricos do mundo. Não grátis, mas livres de direitos autorais, uma abordagem aos direitos de propriedade intelectual que a indústria compartilha com os DJs do tecnobrega.

E o Brasil também é líder global do software livre. 0 país construiu a primeira rede de caixas eletrônicos do mundo baseada no Linux. A principal diretriz do Instituto Nacional de Tecnologia da Informação é promover a adoção do software livre em todo o governo e, no final, por toda a nação. Ministérios e escolas estão migrando para sistemas de código aberto. E, nos programas de “inclusão digital” do governo -voltados a levar acesso a computadores aos 80% dos brasileiros que ainda não têm sequer um aparelho —, o Linux é a regra.
“Cada licença para o Office mais o Windows no Brasil — um país no qual 22 milhões de pessoas estão morrendo de fome — significa que teremos de exportar 60 sacas de soja”, Marcelo D’Elia Branco, coordenador do Projeto Software Livre do país, disse ao escritor Julian Dibbell. Desse ponto de vista, o software livre não é bom apenas para os consumidores; é bom para a nação.

[Notícias] Direito autoral e novas formas de editoração

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Em mais uma tarde de debates na Livraria Cultura, dentro da programação do 7º Festival Recifense de Literatura – A Letra e A Voz, o Seminário O Livro Desmaterializado levantou duas importantes discussões para a cadeia produtiva do livro: Autoria Coletiva e Direito Autoral e A Criação e a Distribuição do Novo Produto.

Por volta das 16h, a mesa de debate mediada pelo jornalista André Dib, aprofundou o tema Autoria Coletiva e Direito Autoral, tendo como convidados o advogado especialista em direito autoral, Caio Mariano (SP) e a escritora e poeta Cida Pedrosa. No foco da discussão, a questão da legislação que protege o autor no universo das novas tecnologias.  “Um dos principais desafios são as restrições históricas do direito autoral, que não conseguiu acompanhar a demanda da internet. Há vários títulos fora do catálogo por não atenderem aos interesses editoriais que deveriam estar disponíveis em formato digital, mas que não estão disponibilizados por conta dessas barreiras”, explicou Caio Mariano.

Em sua explanação, Caio fez um breve histórico sobre a história da escrita e da evolução dos suportes, contextualizando com a evolução das leis de direito autoral. Os detalhes e entraves jurídicos foram abordados pelo advogado, que elucidou as garantias e obrigações que regem toda obra criativa. Apesar de se mostrar favorável à flexibilização do direito autoral para garantir o acesso às obras, o advogado apontou as dificuldades que põem ser encontradas por conta da lei vigente. Segundo ele, a lei que rege o direito autoral foi criada mais para proteger os editores do que os autores.

Por sua vez, Cida Pedrosa, que é responsável pelo site colaborativo Interpoética, defendeu o livre acesso da arte. Ela lembrou de experiências exitosas de colaboração na arte e no conhecimento como o creative commons e a Wikipédia. “Acho que cultura e arte é direito de todos. A internet possibilita que algo restrito para alguns passe a ser acessado por todos”, afirmou. Durante o debate, a platéia interagiu bastante, principalmente tirando dúvidas sobre a legislação com Caio Mariano.

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Editoras e publicações alternativas

Um interessante encontro foi promovido pelo seminário, a partir das 15h, na mesa intitulada Criação e a Distribuição do Novo Produto. Frente a frente estavam a representante da editora Cosac Naify (SP), Elaine Ramos, e o editor publicação independente Livrinho de Papel Finíssimo, Diogo Todé. Em comum, o desafio de realizar um produto atraente para os leitores, com ou sem recursos.

“A partir do momento que o livro está colocado em xeque, a materialidade dele passa a ser seu grande diferencial”, comentou Elaine, fazendo uma provocação ao título do seminário. Para exemplificar esse ponto de vista, apresentou algumas publicações da editora, que mais parecem objetos de luxo. Os livros dialogam com o conteúdo, tanto na diagramação, quanto na textura e possibilidades editoriais. Já Diogo Todé, apresentou o trabalho de sua editora independente, que reúne a colaboração de artistas locais em diversas publicações que se aproximam do formato do zine. Diogo, aliás, ministrou durante o festival a oficina Zine.

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