Steve Jobs revelou ontem, na Conferência Mundial de Desenvolvedores da Apple (WWDC), que em 65 dias de operação a loja de livros eletrônicos da apple, a ibookstore, vendeu mais de 5 milhões de livros, o que corresponde a 2.5 livros por cada Ipad. “Em poucas semanas, nós já ocupamos 22% no mercado de livros digitais” falou Jobs. Vale lembrar que sua loja de músicas, a Itunes, é cada vez mais lucrativa, a despeito da pirataria.
A WWDC é um encontro que reune anualmente mais de 1000 desenvolvedores, que são encorajados a inovar usando as tecnologias da Apple. O evento tem importância estratégica para a empresa, que acaba de lançar por lá a mais nova versão do seu celular, o Iphone 4.
Em setembro do ano passado a Editora Panini lançou um incrível livro em homenagem aos 50 anos de carreira do cartunista Maurício de Sousa, a MSP 50. Foram convidados 50 artistas brasileiros para fazer histórias com os personagens da Turma da Mônica, cada um com seu próprio estilo. A coletânia, é claro, foi muito bem recebida pela crítica e pelos leitores, constituindo um verdadeiro marco, não apenas por coroar a trajetória do Maurício, como também para celebrar a força do quadrinho nacional. Afinal, juntar 50 nomes de todas as partes do país, de todos os estilos e graus de popularidade e fazer uma livro de qualidade inquestionável não é coisa pouca.
Pois bem. Desde o começo do ano está sendo preparada uma nova dose, que se chamará MSP+50. O projeto mais uma vez está sendo coordenado por Sidney Gusman, que é editor do site Universo HQ e também trabalha na equipe da Maurício de Sousa Produções. Ao longo desses meses ele tem postado previews do que vem por aí em seu twitter, e abaixo nós reunimos o que de melhor encontramos por lá.
Se você é fã de quadrinhos ou teve a Turma da Mônica como companhia de infância, não estranhe se começar a sentir uma vontade irresistível de ter em sua estante as duas obras. Esse é mais um exemplo de que certas obras jamais serão substituídas por um arquivo digital, por mais moderno que seja o dispositivo de leitura utilizado. Não dá para ter sentimentos por um punhado de bits.
SÃO PAULO (Reuters) – Quincas Berro D’Água, nascido Joaquim Soares da Cunha, um dia foi um respeitado funcionário público. Mas isso foi há muitos anos, quando ele ainda acreditava na humanidade, na família, nos valores burgueses. Infelizmente, ele morre no dia em que completaria 72 anos. Esse detalhe, no entanto, não impede que seus quatro amigos – que estão mais para escudeiros – lhe dêem uma última noitada.
“Quincas Berro D’Água”, adaptação do romance “A Morte e a Morte de Quincas Berro D’Água”, de Jorge Amado, roteirizada e dirigida por Sérgio Machado (“Cidade Baixa”), que chega aos cinemas do Brasil nessa sexta-feira, segue em linhas gerais a obra original, uma das mais vendidas do escritor baiano, morto em 2001.
O livro, no entanto, é apenas um ponto de partida – nunca o de chegada, ou seja, o longa não se limita apenas a explorar os personagens e situações do original.
Com elegância e respeito pelo original, Machado toma os personagens e temas de Jorge Amado para si e os transforma em personagens cinematográficos.
Fora das páginas do livro, eles ganham outra dimensão, outros significados, assim, como a morte do protagonista. Paulo José, que em seu currículo conta com personagens marcantes como o padre, de “O Padre e a Moça”, “Macunaíma”, ou Edu, de “Edu Coração de Ouro”, acaba de criar mais um tipo inesquecível – especialmente por conta de sua interpretação.
Pode parecer simples interpretar o papel de um morto, mas Paulo empresta ao personagem nuances e cores que faltam a muitos vivos (dentro e fora das telas). Seu risinho irônico é um comentário mordaz à hipocrisia de sua família que insiste em varrer para debaixo do tapete seu passado recente de boemia. Mariana Ximenes (“Hotel Atlântico”) faz a filha, Vanda, e Vladmir Brichta (“Romance”) é o genro almofadinha, acomodado na vidinha burguesa.
Essa é a família oficial. Mas, no fundo, mais conta aquela família de amigos que escolhemos para nós e, nesse quesito, Quincas estava muito bem servido com Pastinha (Flavio Bauraqui, de “Meu Nome não é Johnny”), Pé de Vento (Luis Miranda, de “Jean Charles”), Cabo Martim (Irandhir Santos, de “Viajo Porque Preciso, Volto Porque te Amo”) e Curió (Frank Menezes, conhecido ator de comédia baiano, que também participou de filmes como “Tieta”).
Cada um tem o seu perfil, suas qualidades e fraquezas. Tal qual Dorothy e seus três amigos em “O Mágico de Oz”, Quincas e seu quarteto estão em busca de algo, para o grupo e para si – mas, talvez, não estejam cientes dessa jornada.
Pastinha é medroso, Pé de Vento é desbocado, o Cabo tem a bravura, mas talvez lhe falte um pouco de modéstia, e Curió é o eterno sonhador que busca um amor. Dos quatro, ele é a figura mais patética, querendo declamar versos com a maquiagem do rosto borrada de lágrimas.
Fora os amigos, Quincas deixa para trás um grande amor, Manuela, prostituta madura, melancólica e infeliz com a perda do amado. Marieta Severo, que faz a personagem, lhe confere uma dose de dignidade que talvez outra atriz não conseguisse.
O amor, que a muita coisa redime, é a razão de ser dessa mulher que, agora, sem Quincas estará sozinha. Com o peso da idade, talvez jamais encontre novamente outro homem para estar com ela. Amor mesmo, esse parece que foi só um.
Já a personagem da filha Vanda é mais bem desenvolvida no filme que no livro. A morte do pai, com quem ela não tinha contato há alguns anos, é uma catarse, um grito, um aviso de que a vida passa. A faz perceber como o tempo passa rápido e talvez não tenhamos chance de fazer tudo aquilo que queremos, pretendemos ou merecemos.
“Quincas Berro D’Água” deixa uma lição não apenas para Vanda. É preciso viver intensamente o presente. Quincas teve a chance de ganhar uma última noite de esbórnia, de festa com os amigos. Ele pode, mesmo morto, aproveitar a vida. Mas é um caso raro.
(Por Alysson Oliveira, do Cineweb)
* As opiniões expressas são responsabilidade do Cineweb
A partir de maio os usuários de ônibus do Rio de Janeiro poderão apreciar poesias de grandes autores brasileiros, que serão instaladas no interior dos 8.600 ônibus que circulam diariamente no município. A campanha Circulando Cultura será desenvolvida pela Academia Brasileira de Letras (ABL) e pela Fetranspor, com o apoio da Secretaria Estadual de Transportes, que já pediu aos organizadores do projeto que estendam o benefício para toda a frota de ônibus do estado.
A Academia já selecionou 400 textos de aproximadamente 60 escritores, entre os quais, Vinícius de Moraes, João Cabral de Mello Neto e Manuel Bandeira. Segundo o presidente da entidade, Marcos Vilaça, a ideia é transformar os ônibus em livros de poesia ambulantes. Para o imortal, a campanha pode ser classificada como um importante e responsável serviço público.
– Multiplicar o hábito da leitura e o estímulo ao conhecimento é uma missão enormemente sedutora para nós da ABL. Por isso não titubiamos em participar do projeto. O que queremos através desta iniciativa é aproximar o cidadão das manifestações culturais. E nenhum lugar melhor do que os ônibus para isto, já que os passageiros permanecem ali por um tempo considerável, e podem aproveitar este momento para lerem uma boa poesia –, explicou o presidente Marcos Vilaça.
Para o secretário de Transportes, Sebastião Rodrigues, esta é uma medida de grande valor, que tem tudo para virar uma grande sensação entre os usuários de ônibus no Rio. O secretário ressaltou que o acesso à cultura é um direto de toda a humanidade, e que esta é uma forma inteligente e eficaz de se proporcionar este direito à população.
– Queremos estender este privilégio também aos outros municípios do estado. Nossa intenção é fazer com que a população comece e termine o dia de trabalho de maneira mais agradável, através do contato com a cultura brasileira –, declarou o secretário.
Quarenta anos antes de passar ao domínio público, a poesia completa de Vinícius de Moraes está agora disponível de graça na internet.
A ação só foi possível devido à raríssima liberação dos direitos autorais pela família do poeta, por meio da VM Empreendimentos Artísticos e Culturais. A realização do projeto ficou a cargo da Biblioteca Brasiliana USP e foi feito a partir do acervo doado pelo bibliófilo José Mindlin, atualmente em processo de total digitalização.
Os 15 livros digitalizados são: “O caminho para a distância” (1933), “Forma e exegese” (1935), “Ariana, a mulher” (1936), “Novos poemas” (1938), “Cinco elegias” (1943), “Poemas, sonetos e baladas” (1946), “Pátria minha” (1949), “Orfeu da conceição” (1956), “Livro de sonetos” (1957), “Receita de mulher” (1957), “Novos poemas II” (1959), “Antologia poética” (1960) (1ª ed. 1954), “O mergulhador” (1968), “A casa” (1975) e “Um signo, uma mulher” (1975).
Nessa segunda-feira, 26 de abril, “Toda a poesia de Vinicius de Moraes” (título da iniciativa) pôde ser encontrada não apenas na página especial posta ao ar pela Brasiliana USP, como esteve também circulando por São Paulo em um ônibus-biblioteca de 1928, réplica dos primeiros veículos do tipo, idealizados por Mário de Andrade. O carro antigo foi agora equipado com cinco leitores de e-books devidamente carregados com a obra do ‘Poetinha’.
Tudo para marcar a abertura do primeiro Simpósio Internacional de Políticas Públicas para Acervos Digitais que começa no mesmo dia 26 de abril em evento fechado, mas que segue entre os dias 27 e 28 com mesas de discussão e grupos de trabalho gratuitos e abertos ao público geral no Hotel Jaraguá (Rua Martins Fontes, 71 – Centro, São Paulo – SP). As inscrições podem ser feitas no local, sujeito à lotação do auditório de 250 lugares. Para quem não puder comparecer em pessoa, as atividades serão transmitidas ao vivo aqui.
Organizado pelo Ministério da Cultura, Projeto Brasiliana USP e Casa de Cultura Digital, o simpósio é realizado no oportuno momento em que o governo federal mostra disposição em discutir tanto uma nova lei de direitos autorais, como o estabelecimento do Marco Civil da Internet, além de ter posto como prioridade um plano nacional de banda larga no país.
O recente anúncio de que a Biblioteca do Congresso dos EUA passará a arquivar todas as mensagens públicas postadas no Twitter é apenas uma das inúmeras evidências da importância que a preservação de acervos digitais ganha nos últimos anos. Uma dos problemas a ser resolvido é encontrar normas e padrões de armazenamento que permitam a leitura dos arquivos digitais sem dificuldades no futuro. Muitas informações guardadas no século XX acabaram obsoletas devido ao desaparecimento de softwares e hardwares que permitiam sua decodificação. Mais sobre isso pode ser lido na matéria veiculada pelo Link do Estadão nessa segunda-feira, 26 de abril.
Outro ponto que aumenta a relevância do simpósio é a importância da digitalização de acervos culturais físicos para a política de acesso à cultura no Brasil. Cerca de 60% das bibliotecas públicas e comunitárias estão concentradas em sete dos 27 estados do país e mais de 90% da população nunca pos os pés em um museu. O acesso ao patrimônio cultural brasileiro (quadros, livros, filmes e áudio) por meio da internet é uma alternativa para as muitas localidades afastadas de grandes centros urbanos que não possuem centros culturais, cinemas ou bibliotecas.