[Resenha] As Crônicas de Gelo e Fogo – A Guerra dos Tronos

Categoria: Dicas de Leitura, Informação e Cultura

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Em 17 de abril de 2011, a série de televisão Game of Thrones produzida pela HBO estreou com grande sucesso. Sua primeira temporada adapta o enredo de A Game of Thrones (A Guerra dos Tronos) – o primeiro livro da série As Crônicas de Gelo e Fogo, de George R. R. Martin. Acredito que muitos de nossos leitores sejam fãs da série de TV mas, sendo este um blog voltado especialmente para a literatura, venho recomendar fortemente o livro.

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Guerra dos Tronos, o livro, é ainda mais belo, intenso e perigoso do que a série de TV. George R. R. Martin cria um mundo complexo e fascinante, em que a magia e a fantasia se introduzem sem grandes alardes: é na sutileza de homens que oram para árvores, verões e invernos mais longos do que podemos supor, lobos gigantes que se conectam profundamente com seus donos e ovos e esqueletos de dragões, que o encantamento se ganha espaço. No mais, é de sangue que se trata. Sangue, guerra e poder. Famílias nobres e poderosas, reis, rainhas, príncipes e donzelas. E o trono.

A história tem início quando lorde Eddard Stark aceita a prestigiada posição de Mão do Rei oferecida pelo grande e velho amigo, o rei Robert Baratheon. A partir daí, uma guerra fria – de artimanhas a traições – ganha espaço e as famílias poderosas de todo o reino se embrenham em lutas pela honra e pelo poder. Paralelamente, há uma muralha a ser protegida – e, para além da muralha, perigos inimagináveis – e o príncipe Viserys Targaryen, exilado do reino, deseja retomar o trono que antes pertenceu à sua família.

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Todos os capítulos são narrados em terceira pessoa, mas os pontos de vista se revezam: diferentes personagens são focos de cada parte da história. Assim, se um capítulo é dedicado à sonhadora Sansa Stark – e seu olhar sobre os outros personagens dá o tom da narrativa -, outro adquire um tom sarcástico e suavemente armargo que só poderia ser atribuído ao brilhante Tyrion Lannister. Essa multiplicidade de olhares torna a trama extremamente fascinante. Não há espaço para maniqueísmo: aprendemos a amar os personagens em suas qualidades e defeitos. Eles podem matar ou morrer, abrir mão da honra por amor, ódio ou vingança, ser excessivamente sonhadores, auto-indulgentes, apaixonados, hedonistas, loucos, vingativos, belos ou feios – e fascinam, inevitavelmente, fascinam. Complexos, contam a história do mundo em que vivem e do espaço que ocupam neste mundo. Assim, o senhor de uma casa – homem que governa homens e brande a espada – conhece um mundo diferente daquele vivenciado por sua esposa ou suas filhas. A pequena Arya Stark não quer ser uma dama, mas que destino é reservado para uma menina que prefere espadas a agulhas? E qual o lugar de um bastardo em um mundo que valoriza brasões de famílias e tradições? Tyrion Lannister (chamado o Duende) – brilhante com pitadas de acidez – afirma: “Um anão é sempre um bastardo para seus pais”.

Eu poderia me deter infinitamente em cada um dos personagens. Falar da apaixonada Daenerys, da forte e obstinada Catelyn, do doce Bran, do honrado Jon Snow e do não menos honrado Eddard Stark, de tantos outros personagens que atravessam esse mundo – guerreiros, camponeses, bastardos, prostitutas. Para além do jogo dos tronos – aquele no qual, segundo a bela e temível rainha Cersei, não existe meio-termo, “ganha-se ou morre” -, são os personagens que tornam esta história extremamente forte. Ela merece ser lida. Saboreada pedaço por pedaço. Mas não é leve, não. Martin é brilhante, mas não é gentil: ele pode nos surpreender – cruelmente – em qualquer momento do livro. Definitivamente se trata de fantasia para adultos.

Por Carla Jaia

[Dicas] Editora distribui e-books grátis de seus livros esgotados

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A reforma da lei de direitos autorais tem como objetivo melhorar algumas deficiências de nossa legislação. Uma das mais graves é o que acontece nos casos em que uma obra se esgota, e por algum motivo a editora já não tem mais interesse de reeditá-la. Nesses casos, ficamos reféns da disponibilidade em sebos e bibliotecas, e não é raro que um livro importante simplesmente desapareça sem que se possa fazer nada a respeito.

Uma solução para esse problema são os livros digitais. Eles já estão entre nós há um bom tempo, mas só recentemente as empresas despertaram para as possibilidades desse negócio. Pouca gente ainda duvida que dá para ganhar dinheiro lançando versões digitais de livros esgotados. Por isso foi com agradável surpresa que encontramos no site da Editora Autêntica uma boa quantidade de livros esgotados de seu acervo sendo distribuídos gratuitamente. São obras de interesse acadêmico, que ainda podem ajudar muita gente, mas que estavam inacessíveis até agora.

Vamos torcer para que o acervo disponível aumente, e que a iniciativa seja imitada por outras empresas. Em um setor que recebe tantos incentivos fiscais, e que tem no governo um de seus principais clientes, é bom ver atitudes que devolvam um pouco mais à sociedade.

Visite o site da editora e confira

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Obras já disponíveis:

Cartografias dos estudos culturais – Uma versão latino-americana – Ana Carolina D. Escosteguy

Corpo, identidade e bom-mocismo – Cotidiano de uma adolescência bem-comportada – Alex Branco Fraga

Os Deuses e os monstros – Euclídes Guimarães (Orgs.)

Currículo e políticas públicas – Luiz Alberto Oliveira Gonçalves

O Livro e ausência de livro em Tutaméia, de Guimarães Rosa -  Daisy Turrer

Nunca fomos humanos – Nos rastros do sujeito -  Tomaz Tadeu (Org.)

Palavra inquieta, A – Homenagem a Octávio Paz – Maria Esther Maciel (Orgs.)

Pedagogia dos monstros – Os prazeres e os perigos da confusão de fronteiras – José Gil , Ian Hunter , Jeffrey Jerome Cohen

Psicanálise e psiquiatria com crianças – Desenvolvimento ou estrutura – Oscar Cirino

Psicossociologia – Análise social e intervenção – Marília Novais da Mata Machado , Eliana de Moura Castro , José Newton Garcia Araújo , Sonia Roedel

Raízes da modernidade em Minas Gerais – João Antonio de Paula

Os Sete pecados capitais – Euclídes Guimarães (Orgs.)

Teoria cultural e educação – Um vocabulário crítico -  Tomaz Tadeu

Animação em Homenagem a José Saramago

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Vi no blog do Luis Nassif um post de homenagens a José Saramago, e me chamou a atenção a animação abaixo. Dirigida por Juan Pablo Etcheverry em 2006, é baseada no conto “A maior flor do mundo”, único escrito infantil de Saramago, que também é o narrador neste curta.

O filme começa com um escritor que se diz incapaz de escrever histórias para crianças. Então ele começa a relatar como seria esse conto, se soubesse contá-lo.

O protagonista é um menino de uns 7 anos, que em uma tarde de verão decide explorar o fascinante mundo existente a cinco minutos de sua casa.

Durante esta aventura ele chega a lugar seco e inóspito onde encontra uma flor murcha. O menino não duvida em ajudar a flor a recuperar toda a sua beleza e vai a procura de água. O trabalho para ele é imenso e esgotador, para ele usa todo o seu empenho. A flor não apenas renasce, mas também cresce de uma forma fantástica, convertendo-se na maior flor do mundo e, provavelmente, na mais formosa.

Quando o locutor termina, lamenta-se não saber produzir histórias infantis, e sugere que agora que todos conhecem o assunto, talvez possam contar melhor que ele, e quem sabe um dia ele possa aprender.

Deixamos aqui também nossa homenagem, e nosso muito obrigado. Você pode fazer o mesmo usando os comentários.

[Dicas de Leitura] Os melhores livros de sexo e literatura erótica do mundo

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Já alguém disse que a maior zona erógena do corpo humano é o cérebro, e nisto de erotismo a imaginação é mesmo a nossa maior ferramenta. Quem disse que sexo não é cultura, quem disse que o sexo não se educa, não se desfruta também em palavras? Imagine um sensual início de serão a dois, com o seu parceiro a ler-lhe passagens de ‘Delta de Vénus’, de Anais Nin, ou da ‘História de O’. Metemos o nariz nos livros e fomos à procura das passagens mais quentes. Inspire-se: as suas noites nunca mais serão as mesmas.

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SEXO NO JARDIM

‘O Amante de Lady Chatterley’ D. H. Lawrence

O enredo: Constance Reid é uma bela mulher que casa com um oficial britânico, Sir Chatterley, que volta para casa numa cadeira de rodas depois de ter ficado ferido na guerra. Compreensivo, diz à sua jovem mulher para arranjar um amante que ela deseje de todo o coração. A lady acaba por se meter com o caseiro, Oliver, um tipo feio e rude mas que é um portento sexual e que lhe dá um prazer desmesurado. No final, o caseiro vai trabalhar para uma fábrica, Constance engravida, confessa ao marido e sai de casa A cena escaldante: Oliver e Constance fazem sexo selvagem no jardim, à luz do luar, depois de ela o ter tentado esquecer numas férias em Paris, das quais só regressou mais apaixonada. Ele diz que é o seu ‘cobridor’; ela fica atrapalhada mas ele sossega-a dizendo que não há nada de mal nisso. Oliver descomplexifica o sexo na cabeça da patroa e assegura-lhe que não há lugar para vergonhas.

Ponha em prática: No jardim, no parque de campismo, numa praia deserta à noite (pode ser um chavão romântico, mas é sempre muito romântico), no carro, como nos tempos de namoro. A espontaneidade é sempre excitante. O ‘aqui e agora’, com a hipótese de um flagrante, é um afrodisíaco enorme para algumas pessoas e satisfazer a fantasia do proibido, que os amantes de Lawrence vivem no livro, também.

Outra lição a retirar: Oliver pode ser um tipo rude mas é extremamente viril e… honesto. É esse tipo de honestidade que se quer no sexo.

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CARÍCIAS, DELÍCIAS…

‘O Sexo no Feminino’ Sylvia de Béjar

O enredo: Escritora e jornalista, a espanhola Sylvia é uma das autoras europeias mais desinibidas e francas na maneira como aborda o sexo e a relação da mulher com o seu corpo. Este livro, para ler a dois, é um manual da vida sexual e da descoberta dos corpos e prazer do casal. Por isso Sylvia propõe que os amantes pratiquem primeiro muito e conheçam os corpos um do outro ou se redescubram, quebrando a rotina sexual sem que exista penetração.

Ponha em prática: A autora sugere um exercício que vai pôr à prova as vossas capacidades de bons preliminares e… de saber esperar. No primeiro dia ambos devem despir-se. A mulher deita-se, primeiro de barriga para baixo, depois para cima, e o homem deve acariciá-la nas partes às quais não costuma dar atenção: a parte de trás dos joelhos, o antebraço, as costas, a barriga, os ombros, as pernas. Depois, troquem de posição: é a sua vez de o acariciar. A regra de ouro é evitar sempre os mamilos e os órgãos genitais e não demorar mais de 15 minutos em cada. Concentrem-se apenas no que sentem quando tocam no corpo um do outro. Ao segundo dia o exercício repete-se, podendo já incluir os mamilos, mas ‘não lhe dando mais importância do que a uma mão, ombro ou qualquer outra parte do vosso corpo’. A mesma regra dos 15 minutos em cada um deve ser cumprida.

‘Por muito excitados que estejam, não podem avançar mais, a menos que isso vos provoque uma grande frustração,’ diz a autora. Ao terceiro dia nenhuma área do corpo é vedada a massagens ou carícias e podem praticar-se todos os tipos de estimulação manual, oral e, por fim, o coito.

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CHOCOLATE, CHANTILLY E SEXO

‘Nove Semanas e Meia’ Elizabeth McNeill

O enredo: Se viu o filme com Kim Bassinger e Mickey Rourke… esqueça! Aquilo é uma reunião de escoteiros quando comparado com o livro. Trata-se das aventuras sexuais verdadeiras de Elizabeth McNeill (o pseudônimo que a autora adotou), uma executiva de topo que se entregou de corpo e alma a um homem que mal conhecia. Durante este limite de tempo ele faz dela o que quer, iniciando-a em novos prazeres e mostrando-lhe o sexo de vários pontos de vista. Ele diz–lhe o que fazer, o que vestir, coreografa todos os movimentos sexuais dela, dá-lhe banho, dá-lhe de comer. Ela apaixona-se perdidamente por ele e torna-se submissa, até ao dia em que decide acabar com tudo porque acha tudo demasiado intenso.

Passe à prática: A famosa cena do frigorífico, em que a autora e o seu amante se banqueteiam em mais do que um sentido, misturando os prazeres da gula com os do corpo, é sempre um clássico das brincadeiras eróticas. Experimente também, espalhando mel, chocolate líquido ou chantilly em partes erógenas do seu corpo, como os seios, a barriga e as coxas. A missão dele é devorar a sobremesa que lhe apresentar… É claro que para eles a ementa erótica também vale. A boca é um dos pontos mais erógenos do corpo humano. Misturar boas sensações intensifica o prazer e dá preliminares fenomenais.

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O COLAR DE PÉROLAS

‘Como Ser Uma Boa Amante’ Lou Paget

O enredo: Um guia para mulheres fogosas que gostam de dar o máximo de prazer aos seus companheiros.
Nos seminários sobre sexo que dá na América do Norte, homens e mulheres contam as suas experiências, desejos, posições e técnicas preferidas e ouvem os conselhos de Lou. O livro é best seller nos EUA e um grande auxiliar em matéria de literatura sexual.

Ponha em prática: Comece a noite com um jogo de sedução muito feminino. Combinem um jantar a dois. Vista-se a rigor e não se esqueça do seu melhor colar de pérolas falsas, com cerca de 75 cm de comprimento e 8 a 10 mm de diâmetro de pérola, em fio de nylon e não em seda. Depois, comecem com uns beijos, tirem a roupa e passe o colar pelo corpo dele. Lubrifique o pénis, enrole a fiada de pérolas à volta dele e segure o fecho com os dedos para ele não se magoar. Deixe duas folgas de colar de cada lado, passe os seus polegares nessas folgas e comece a fazer o colar deslizar para cima e para baixo, rodando com suavidade ao mesmo tempo. Depois retire o colar e passe as pérolas na parte de baixo dos testículos, rodando-o também ligeiramente para um lado e para o outro. ‘E quando acabar sente-se em cima dele’, remata a sexóloga.

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FANTASIAS SEM LIMITES

‘História de O’, Pauline Reage

Enredo: Não é um livro para mentes sensíveis. Uma fotógrafa de moda parisiense faz uma aprendizagem sexual perversa e é ensinada a estar constantemente disponível para todas as formas de sexo com vários homens, numa espécie de bordel de luxo onde é vendada, acorrentada e chicoteada. Já tem o estômago às voltas? ‘O’ é o diminutivo de Odile, mas também ‘O’ de ‘orifício’, de ‘objecto’. Uma obra que põe os cabelos em pé à maior parte das mulheres, apesar de ter sido escrita por uma. O clássico já tem duas adaptações cinematográficas.

Ponha em prática: Perversões à parte, os pequenos jogos de submissão podem ser excitantes, mas, por questões de segurança, só devem ser feitos por casais com relações estáveis. Uma das ideias mais eróticas consiste em vendar os olhos ao parceiro ou parceira e iniciar assim os preliminares, acariciando-o com uma pluma, beijando, mordendo, estimulando as zonas erógenas. Joguem com o factor surpresa. Pode até ser mais empolgante para uma mulher, já que eles são mais dados a estímulos visuais do que nós. Quem gosta de sexo mais escaldante pode até experimentar com a variante de atar as mãos do parceiro com um lenço (algemas podem sempre gerar situações desagradáveis…).

A ideia de estar à mercê das carícias do outro é muito sensual. Desde que seja de comum acordo e que ninguém se magoe… tudo bem. Convém apenas combinarem uma palavra passe de segurança para o caso de o parceiro de mãos atadas sentir algum desconforto.

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BEIJOS PROFUNDOS

‘A Casa dos Budas Ditosos’ João Ubaldo Ribeiro

O enredo: As hilariantes memórias sexuais despudoradas de uma sexagenária. Mas do que um livro que criou algum escândalo no Brasil, é uma crónica de costumes genial, onde a autora fala dos homens da sua vida e das diferenças de cada povo a fazer sexo (com direito a referências a Portugal).

A personagem conta como foi iniciada no sexo sem perder a virgindade, através do coito praticado entre as suas coxas por um criado do avô e por uma sessão de cunnilingus extasiante.

Ponha em prática: O sexo oral praticado pelo homem à mulher (ou cunnilingus) é uma prática normal. Se eles gostam tanto de sexo oral, porque não podemos nós gostar também? Mas as técnicas para uma boa execução são mais complicadas, ou não fossem as mulheres seres de delicada mecânica. Pratiquem primeiro. Se ele for um iniciado nestas artes, mostre-lhe primeiro onde fica o seu clitóris. Pegue na mão dele, guie-o, ensine-o a estimulá-lo suavemente com os dedos e mostre-lhe como sente mais prazer.

Beijos, lambidelas, movimentos circulares à volta do clítóris e até alguma sucção ajudam a intensificar o prazer. Depois, retribua em grande estilo, porque o amor é uma partilha.

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Fonte do texto: Activa

[Dicas de Leitura] O Pai Dos Burros: Dicionário De Lugares-Comuns E Frases Feitas

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Você certamente já viu aquelas diversas pesquisas que medem a quantidade de mensagens publicitárias a que somos submetidos por dia. São números assustadores, que chegam perto dos 7 mil estímulos diários. Aposto que se houvesse um estudo para dizer o quanto dessas propagandas contém algum clichê, teríamos uma estimativa próxima dos 98%, ou mais.

Os lugares-comuns estão presentes em nosso cotidiano tanto quanto uma comercial de TV, um anúncio impresso ou banner na internet. E para não colocar a culpa só na publicidade, também nos textos jornalísticos e reportagens. E se você não quiser ficar obcecado, nem pense naquilo que fala nas suas conversas por aí.

pai dos burros werneck [Dicas de Leitura] O Pai Dos Burros: Dicionário De Lugares Comuns E Frases FeitasEm seu recém-lançado “O Pai Dos Burros: Dicionário De Lugares-Comuns E Frases Feitas” (Arquipélago Editorial, 208 páginas), o jornalista Humberto Werneck catalogou 4.640 clichês. Por cerca de quatro décadas, ele colecionou todas as frases comuns que pode encontrar, anotando em guardanapos, papéis e guardando em sua gaveta.

Segundo a pensadora alemã Hannah Arendt:

“Clichês, frases feitas, adesão a códigos de expressão e conduta convencionais e padronizados têm a função socialmente reconhecida de proteger-nos da realidade, ou seja, da exigência de atenção do pensamento feito por todos os fatos e acontecimentos em virtude de sua mera exigência. Se respondêssemos todo o tempo a essa exigência, logo estaríamos exaustos.”

Mais do que se transformar em um guia proibitório de palavras, “O Pai dos Burros” pretende recomendar uma despretensiosa desconfiança durante o ato de criar e escrever. As fórmulas prontas são o conforto medíocre de quem prefere não se arriscar com o desconhecido. Como Werneck diz, nada que saia tão facilmente pelos dedos, de forma automática, costuma ser verdadeiramente bom.

Portanto, “não fique profundamente abalado” se descobrir que vários dos seus termos preferidos, que “estão na ponta da língua”, integram o dicionário. “Sem sombra de dúvida”, o que você precisa fazer é “arregaçar as mangas” e “dedicar-se de corpo e alma” para reciclar o vocabulário com sua “imaginação fértil e “fugir do óbvio”.

Não “adianta chover no molhado”, encare a “árdua tarefa” e “aproveite o ensejo” em busca dos segredos de uma “receita de sucesso”. O livro “não é um divisor de águas”, mas certamente compila uma “vasta documentação” que exercerá “sérias consequências” no seu modo de escrever. Caso contrário, “fica o dito pelo não dito”.

Por Carlos Merigo, do Brainstorm9

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